Notas iniciais
Hey, pretty babys! Que saudade. Aqui estou novamente, trazendo mais um capítulo. Esse é meio tenso, mas legalzinho e bem interessante. Esclarece bastante coisa... Devo agradecer pelos últimos comentários de vocês. Me motivaram bastante. Continuem assim haha! Boa leituuuura "Tudo o que você quer está do outro lado do medo." ♥

Samantha Puckett.

– E ele me contou que brigou com o Freddie porque viu vocês dois se beijando.

Dentre todas as milhares de reações que eu pudesse ter naquele momento, a minha foi um soluço. Um notável, audível meio-soluço-meio-engasgo que trancou minha garganta e segurou dentro de mim as palavras que eu queria dizer, mas não pude. Não consegui, porque simplesmente já não podia pensar em nenhuma boa o suficiente para que a minha já péssima situação não piorasse.

Um soluço. Um susto, um erro. O desdém estampado na cara de Carly no instante em que acabou de dizer a última frase, de início, me pareceu maior do que realmente era e mais tarde entendi por quê. De qualquer forma, naquele minuto, eu ainda não sabia e isso me apavorou durante o resto da noite, presumindo uma ideia contrária a que ela realmente pretendeu durante mais tempo do que eu pudesse traçar.

– Carly, eu... eu posso explicar. Eu juro que não é nada do que você está pensando e, droga, talvez seja, mas não desse jeito, quer dizer...

– Buenas noches, my guapas!

Depois de um soluço, um grito. Spencer adentrou a porta subitamente, com cumprimentos em espanhol, acompanhado da namorada, Amy, segurando uma garrafa de vinho numa mão e a dela na outra. Sorridente, tranquilo e contente — o oposto de mim.

O susto me fez dar um grito tão alto que seu sorriso desapareceu e tudo ficou ainda mais evidente enquanto eu tentava disfarçar meu descontrole, meu medo, minha culpa, meu susto. Respirei alta e profundamente com a mão no peito, como se meu coração fosse pular pra fora dele a qualquer momento.

— Sam, você está bem?

— Estou sim, Spencer, eu só... Nossa, você me assustou, cara! — Disse tentando simular um sorriso.

— Me desculpe, então, mas espero que já esteja recuperada, porque agora nós vamos comemorar! — Respondeu enquanto fechava a porta atrás de si e arrastava a garota até a cozinha.

— Comemorar o quê? — Carly perguntou, seguindo-os. Apesar de não ter feito qualquer menção para que eu também o fizesse, fui mesmo assim, ainda com as pernas meio bambas e o coração apressado.

— Eu consegui uma bolsa para um curso de culinária na França. Seis meses, tudo pago. Melhor escola do mundo, Le Cordon Bleu. Estou partindo já na semana que vem.

— Pois é, crianças, vocês estão diante da futura melhor chefe de cozinha do planeta Terra! E quem sabe de todas as galáxias. — Comemorou Spencer, beijando-a na bochecha em seguida, demonstrando extrema felicidade.

— Uau, Amy! Parabéns! — Disse Carly abraçando-a. Fiz o mesmo logo em seguida, extremamente impressionada.

— Oh, eu adoraria ser uma cozinheira também. Comida é a minha coisa favorita no mundo. Imagine como deve ser trabalhar com isso pro resto da vida e ganhar dinheiro!

— É, Sam, acontece que você só ganha dinheiro se não comer sozinha toda a comida que fizer. — Debochou ele, rindo em seguida enquanto eu o estapeava em um dos braços.

— Passei o dia comemorando com minha família e alguns amigos, então agora é a vez de vocês. — Declarou Amy, sorridente, enquanto nos sentávamos à mesa. — Eu poderia cozinhar e tudo mais, mas como vou fazer isso pelos próximos seis meses todos os dias o dia inteiro na melhor escola, me dei ao luxo de comprar comida tailandesa. Vocês gostam?

— Claro! — Dissemos eu e Carly em uníssono enquanto também nos sentávamos.

Foi uma longa e agradável noite apesar do perigo iminente do assunto que mais cedo deixara pendente com Carly. Estávamos nos divertindo, comendo, rindo, conversando e assistindo coisas mais divertidas ainda, mas a todo momento eu lembrava que minha melhor amiga havia descoberto do meu odiado ex-namorado algo que deveria saber de mim desde o início. Amaldiçoei a mim mesma, amaldiçoei John, amaldiçoei Freddie e amaldiçoei o maldito trato que havia dado início a tudo e acabou por nos levar a resultados contrários aos pretendidos. Resumidamente: um verdadeiro fracasso. Ou não...

Por estarmos comemorando a aprovação da namorada de Spencer no curso que sempre sonhou, notei que até que ela fosse embora não teria um momento a sós com Carly para continuarmos de onde havíamos parado. Ou melhor, para iniciarmos tudo, já que nem isso conseguimos. Durante todo o tempo, então, me restou apurar os sinais da minha melhor amiga — se é que ela ao menos se esforçou em me dar algum -, de que mais tarde poderíamos conversar e assim eu teria a chance de esclarecer tudo. Me desculpar, é claro, já que reconhecia premeditadamente que havia errado, mas não sem antes faze-la perceber que as intenções iniciais não eram tão ruins quanto deveriam parecer naquele momento.

Mas ela mal me direcionou a palavra. E quando o fez, discretamente, pareceu normal. Só pedia que eu passasse os salgados, entregasse um copo ou pegasse o controle remoto da televisão. Ainda assim, eu sabia que tudo continuava errado e quando estivéssemos sozinhas da próxima vez o problema voltaria a ser exposto.

— Onde estão Gibby e Freddie? Imaginei que estariam aqui com vocês. — Perguntou Amy.

— O Gibby eu não sei, mas o Freddie foi ao hospital. — Respondeu Carly, num tom de lamento.

— Oh, caramba! A Marisa ainda está segurando o garoto lá? — Questionou Spencer, indignado.

— É, parece que sim.

— O que aconteceu com ele?

— O Freddie se meteu em uma briga no baile ontem à noite, acredita?

— Oh, meu Deus, por quê? Ele tá tão mal assim?

— Não, Amy. Ele está ótimo. A mãe dele que é meio paranoica.

— Totalmente. — Corrigi minha amiga.

— Ele só se desentendeu com um cara da escola que não gosta muito.

— Oh. Tudo bem. Se eu não puder ver ele até o dia que for embora, mandem lembranças por mim. — Disse sorridente, checando o relógio no pulso em seguida. — Caramba, dez e quarenta! Tenho que ir.

— Ah, tem certeza? Não quer passar a noite aqui? — Perguntou Spencer, enquanto os dois se levantavam e se abraçavam.

— Tenho, amorzinho. Amanhã vou levantar cedo pra começar a arrumar minhas malas.

— Tudo bem, então. — Concordou, fazendo um bico e beijando-a em seguida. — Não se esqueça que eu vou te levar até o aeroporto quando você for.

— Claro. Ei, Sam, quer uma carona?

Encarei Carly atrás de uma resposta em seu olhar que me fizesse ir ou ficar, quando ela virou o rosto e me ignorou. Aparentemente, não queria conversar, não naquele momento. Ainda mais porque, provavelmente, nós brigaríamos e seria estranho dormir lá numa situação como essa.

— Claro. — Concordei, levantando-me. — Tchau pra vocês.

Enquanto os irmãos acenavam, nós saíamos. Durante o caminho, sentada no banco do carona no carro de Amy ouvindo-a elencar as vantagens de trabalhar como chefe de cozinha, assunto que realmente me interessava, não conseguia parar de pensar em Carly e no que diria a ela. Como conseguiria abrandar a situação e fazer com que ela entendesse que os acontecimentos pelos quais eu me culpava não eram de fato escolhas. Como conseguiria dormir naquela noite.

O dia seguinte, uma segunda, amanheceu como um dia de verão deveria. Quente, abafado e repugnante. Para completar, era o momento de encarar minha amiga e, depois de uma noite sem dormir tentando arquitetar inúmeras respostas, eu realmente não tinha nenhuma.

Pelo menos, não acordara atrasada para ir à Ridgeway conferir as listas dos aprovados e reprovados. Rezei o caminho inteiro, debaixo de um sol escaldante, para todas as divindades, na intenção de não ver meu nome escalado para mais uma, duas ou três semanas de aula, dependendo do número de matérias em que ficasse retida.

Estranhamente — ou não -, esse não era exatamente o meu maior medo naquela manhã. O segundo estava personificado em uma garota de longos cabelos escuros, botas marrons e roupas coloridas. Minha melhor amiga, a quem eu provavelmente havia magoado pela falta de confiança sem razão aparente.

Ela digitava rápido na tela pequena do PearPad em sua mão enquanto se encostava nos armários. Provavelmente, esperava desde cedo a divulgação das listas, que só seriam coladas nos murais às oito da manhã. Entre os poucos alunos e funcionários que compunham o movimento fraco da escola naquele período, cheguei até ela com a maior cara lavada.

— Oi.

— Oi. — Respondeu, seca, sem tirar os olhos do aparelho que segurava.

— Tudo bem?

— Tudo.

Antes que eu me alterasse com sua indiferença, lembrei que ela tinha motivos para tal. Relevei, respirei fundo e continuei tentando resgatar sua atenção.

— Precisamos conversar.

— Conversar o quê?

— Eu quero explicar logo o que o John te contou... Sobre ter visto eu e o Freddie...

— Ah. Não precisa.

— O quê?

— Bom dia! — Gritou atrás de nós uma voz familiar, inigualável e extremamente agradável.

— Bom dia. Está melhor? — Perguntou minha amiga, quando nos virávamos ao mesmo tempo para olhá-lo.

— Estou, sim. Sábado à noite a Sam já tinha feito uns bons curativos pros meus machucados, mas minha mãe refez todos domingo de manhã e me obrigou a passar o dia no hospital pra uma série de exames. Até entendo um raio-x, mas ela me obrigou a fazer até de urina! Urina, gente! Não é absur...

— Carly, podemos conversar em outro lugar? — Por mais que estivesse morrendo para conversar com Freddie e saber como estava, sua tagarelice me fez pensar pelo menos naquele instante que poderia deixar para depois.

— Que bom que você está bem, Freddie. — Respondeu minha amiga sorrindo, me ignorando, enquanto o nerd revezava o olhar entre nós duas com cara de desentendido. — Preciso encontrar a Wendy. Volto já.

— Espera aí! — Pedi, já seguindo-a pelo corredor.

— Sam, o que aconteceu? — Disse o nerd, logo atrás de mim, enquanto Carly continuava a me ignorar.

— Nada, Freddie. Preciso falar com ela agora se me dá licença.

— O que é tão sério assim que você já precisa voltar a ser tão grossa comigo?

— Não é nada, só me deixa conversar com ela agora em particular, falou? — Respondi, ríspida, ainda seguindo a Shay e sendo seguida pelo Benson.

— Aconteceu alguma coisa sim, e grave. Provavelmente me envolve, então trate de me contar. — Exigiu ele, apressando o passo para me alcançar.

— Quer mesmo saber, Freddie? O John contou pra Carly que vocês brigaram porque viu a gente se beijando e agora ela soube por aquele idiota o que a gente deveria ter dito desde o início já que ela é nossa melhor amiga. Satisfeito? — Sussurrei, furiosa, parando no meio do corredor de repente.

— Então eu deveria conversar com ela também, não acha?

— É melhor não, ela ainda está brava. Eu resolvo isso.

Antes que ele pudesse sequer concordar ou discordar da ideia, saí correndo atrás de Carly, deixando-o sozinho e confuso. Uma covardia, uma falta de consideração, da qual só percebi a dimensão mais tarde.

De qualquer maneira, com o coração pesado de tão vazio, alcancei minha amiga próxima a uma sala mais afastada. Finalmente ela parou, me fazendo respirar aliviada, abrindo espaço para que eu dissesse tudo o que precisava.

— Carly, eu sei que você não ficou nem um pouco feliz em saber disso pelo John, mas eu posso explicar por que não contamos antes.

— Pode mesmo, Samantha? Então explique. — Determinou, cruzando os braços e esperando minhas palavras atentamente.

— Tudo bem... — Concordei, tentando direcionar minhas próprias lembranças para cinco ou seis meses antes. Tudo o que sentia naquele época, e como fora conduzida àquela na qual tentava me explicar. — Acho que não cheguei a te contar mas, há uns meses, quando você e o John estavam bem próximos e quase namorando, eu tinha uma queda por ele. Uma queda tão óbvia que o Freddie percebeu e, ao invés de me ameaçar, fez uma proposta. Agora, isso, talvez você saiba: ele ainda tinha uma queda por você, então não seria interessante pra gente que namorasse o John. Resultado: nós resolvemos nos juntar para conquistá-los antes que ficassem juntos.

Ela apenas assentiu com a cabeça, como se já soubesse daquilo e pedisse que eu avançasse de uma vez para a parte ainda oculta.

– O nerd ia me ajudar a dar uma de inteligente pra impressionar o John e eu ia promover a imagem dele pra você e até que isso deu um pouco certo porque vocês saíram juntos por um tempo e... enfim. A gente acabou passando tempo demais juntos, mas você não poderia saber porque nosso trato te envolvia. Aí, numa dessas contradições da vida, a gente acabou se beijando. Isso quando você viajou pra Yakima. E mais uma ou duas vezes. Aí, na festa, já que ele era meu par e rolou um clima... A gente se beijou de novo.

— Você gosta dele?

— O quê?

— Gosta?

— Por que essa pergunta?

— Gosta ou não?

— Eu...

— Sam, eu sei de tudo isso que você falou. Se quer saber, eu sei tanto que talvez tenha ficado sabendo antes mesmo que acontecesse. Se quer saber mais ainda, eu conspirei pra isso, entendeu?

— Como assim?

— Ah, por favor, vocês são os piores mentirosos do mundo. — Ela riu de uma forma assustadora, talvez pela expressão, talvez por ter dito o que eu não queria ouvir. E logo disse. — Quando eu viajei pra Yakima, já sabia que algo estranho vinha acontecendo até que, no dia em que voltei, escutei o trecho de uma conversa de vocês dois no meu apartamento (cap 34). Estavam falando sobre um beijo e que não deveria acontecer de novo. Aquilo me chocou, mas resolvi relevar já que você ainda namorava o John e tudo mais. Aí, o tempo foi passando e um dia eu te fiz umas perguntas sobre o seu namoro e não me convenci nem um pouco de que essa relação ainda existia. Até que eu percebi que vocês andaram se pegando por aí de novo, que mal conseguiam disfarçar e que tinham medo do que estava acontecendo. Mas já acontecia, e era bem óbvio. Então, certo dia, nós fizemos o iCarly e eu inventei que havíamos batido um recorde de audiência pra ter uma desculpa de fazer uma festa pra comemorar (cap 44). Nós fizemos a festa, eu tranquei vocês juntos, mas nada aconteceu. Até pensei que fosse, mas o Spencer acabou atrapalhando tudo. Aí, teve o baile da garota que escolhe e eu me sacrifiquei convidando o John e pedindo pras dez pretendentes em potencial do Freddie não convidarem ele pra que você fizesse isso (cap 47). Teve o baile (cap 48). Tudo certo. Mas vocês continuaram com medo, Sam. Mesmo depois dos sinais, manipulados ou não, vocês não ultrapassaram... Isso. E não me contaram nada. Nem um desabafo. Mesmo depois do fim do trato que me envolvia. Isso me magoou muito depois de ter ajudado tanto. No final, pra nada. Mesmo depois de termos combinado que não teríamos segredos uns com os outros quando me esconderam que tiveram o primeiro beijo juntos. E como melhor amiga e cupida, isso me chateou muito.

Conforme Carly falava, minha boca se abria mais no formato de um O perfeito. Minha perplexão equivalia. Não podia imaginar que, além de saber tudo, ela havia ajudado em tudo e nós dois fomos idiotas demais para perceber.

— Carly, eu... Eu nem sei o que dizer. Caramba.

— Nunca soube. Nem o que dizer, nem fazer, ou em quem confiar. Pelo visto, não confiou em mim mais uma vez. E isso é muito triste, sabia?

— Amiga, me desculpa. Mesmo, eu... Eu não sabia em que momento te contar, porque você não soube no início. Você não podia saber no início, entende?

— Mas você lembra um dia em que nós conversamos e eu admiti que não queria nada com o John? Mesmo que a paixão do Freddie por mim fosse segredo, a sua não precisava, porque eu iria te apoiar de qualquer maneira. Eu mesma poderia te ajudar a impressiona-lo se você quisesse!

— Acontece que era um acordo entre mim e o Freddie...

— Mas você é mais amiga dele do que de mim?

— Não! Acontece que você não poderia saber, senão ele não iria me ajudar.

— Ok. Entendi. — Ela apertou os olhos e franziu a testa, respirando fundo e balançando a cabeça num sinal de reprovação. — Agora que já esclarecemos tudo, eu preciso de um tempinho pra pensar sobre isso, então... Já vou.

— Espera, Carls. Não quero que você fique brava comigo. Você é minha melhor amiga e eu confio sim em você, muito.

— Eu sei, Sam. Você diz isso e é o que eu ouço há muito tempo. — Ela cruzou os braços enquanto caminhava lentamente para longe de mim. Como sempre, em discussões nas quais eu não tinha razão e era deixada refletindo, sua última frase marcou o acontecimento. — Você só precisa me provar.

Deu um sorriso de compreensão e apreensão, e me deixou ali sozinha com o coração batendo na garganta. E eu queria coloca-la pra trabalhar num grito, enquanto chutava tudo que via pela frente e mal conseguia acreditar que estava morrendo de vontade de soltar uma pequenina lagrimazinha pra fora do meu olho. Mas não soltei. Não deixa-la escapar só me sufocou mais ainda em pensar sobre tudo que havia sacrificado naquela empreitada, e isso incluía a melhor amizade da minha vida. Se finalmente, tão perto de um fim aparente, eu iria ao menos começar.

Notas finais
Dois capítulos seguidos sem Freddie. O próximo vai compensar, ok? Aliás, já está prontinho, então devo postar logo. Desculpe decepcionar quem esperava pelo barraco hahaha, mas a Carly precisava contar a historinha de como ela participou de tudo de um jeito mais calmo. Por favor, não me odeiem! Grandes coisas estão a caminho, e vem mais rápido do que vocês imaginam. Beijas ♥