Notas iniciais
YOU GUUUYYYYYYSSSSSSSS Gente, eu estou muito, mas muito ocupada M E S M O Sério, sem tempo pra nada. E aiiiiii eu FIQUEI SEM INTERNET. E ainda estou. Mas aqui compensarei tudo com um capítulo novo! E eu juro que esse é o último da série "hey, vamos matar essa autora fdp" Lá vamos nós com mais um título de música do Arctic Monkeys, que na verdade não tem muito a ver com a canção, mas com a situação que comprovará que a Sam realmente é a gêmea do mal. APROVEITEM, fiz com muito carinho ♥

Freddie Benson.

Depois de ser dispensando por uma Sam apressada atrás de uma Carly mais apressada ainda pelos corredores da Ridgeway High School, tudo o que me restava era aguardar para ver as listas dos aprovados e reprovados daquele ano nas disciplinas. Sabia que o assunto delas me envolvia e, por mais que quisesse, uma das duas me impediria de participar da discussão. O que era uma pena, já que eu estava carregado de bons argumentos a meu favor e a favor da valentona que também tinha culpa no cartório.

As listas saíram pontualmente e eu tentei ser mais rápido que meus desesperados colegas para conferir as folhas agonizantemente tortas afixadas nas paredes. Exprimido entre um e outro, consegui ver que Carly fora aprovada em todas as matérias. Aliviado por minha amiga, fui conferir meu nome. Pela primeira vez na minha vida, naquele ano, corri sérios riscos de ficar pendurado em uma matéria, mas felizmente consegui nota suficiente na prova final para que Howard não me deixasse retido em história. Lamentavelmente, Sam não tivera a mesma sorte.

Ao me apertar entre uma multidão no caminho até a lista que levava seu nome, já estava apreensivo. Quando conferi, veio a certeza. Ela estava reprovada em história. "Pelo menos foi em só uma matéria, diferente de outros anos nos quais ela pegou três ou quatro recuperações", pensei, tentando aliviar a situação. Ao mesmo tempo em que me vangloriava por ter sido uma espécie de mentor temporário para ela naquele semestre e contribuído para evitar que tivesse o mesmo resultado nas outras disciplinas, me sentia culpado por ter me salvado da nota ruim que tivemos num trabalho que havíamos feito juntos através da prova, quando ela não pôde.

Pelo menos, pensei, a recuperação de história aconteceria nos próximos dias daquela semana e mais dois da próxima. Seria rápido e indolor. Isso caso Sam tivesse paciência para desperdiçar quase duas semanas de férias tendo que aguentar o professor que mais odiava. Com esse pensamento, afim de aliviar minimamente o padecimento pelo qual ela seria submetida, tive uma ideia quase brilhante.

Depois de pô-la em prática pela metade, satisfeito, curioso e ansioso, voltei ao Bushwell Plaza. Logo no hall de entrada, encontrei minha vizinha, ex musa inspiradora e grande amiga da qual havia guardado grandes segredos que provavelmente já haviam sido descobertos.

— Carly! — Gritei, ainda da calçada do prédio. — Segura a porta. — Corri, alcançando-a, sorrindo. — Obrigada.

— De nada. — Respondeu com um sorriso amarelo.

— Tudo bem? — Iniciei uma conversa fiada, clichê, afim de leva-la a outros níveis o quanto antes.

— Bem, e você?

— Bem também. — Sorri enquanto subíamos as escadas. — Viu as listas dos aprovados?

— Vi sim. Estou super aliviada.

— Ah, eu vi que você passou direto. Parabéns.

— Você também. Parabéns, Benson.

— Obrigado.

— A Sam acabou ficando retida em história, não foi?

— É, eu vi. Vocês estavam juntas quando ela viu?

— Não. — Respondeu com certa seriedade. — Vim embora antes. Mas deve estar surtada a essa hora. Ela odeia o Howard mais do que qualquer coisa naquela escola.

— É. — Concordei. Ficamos em silêncio na próxima escada, até eu finalmente decidir pular o papo furado e ir direto ao ponto. — Carly... Por que hoje ela estava tão apressada pra falar com você? E você aparentemente não queria falar com ela? Aconteceu alguma coisa?

Eu sabia a resposta. Sam havia me contado antes de me dispensar, furiosa, e ir atrás da amiga esclarecer o nosso problema sozinha. No instante em que perguntei para Carly já sabendo o que responderia, me arrependi em não ter insistido pelas simples constatações que vieram logo em seguida.

— Freddie, eu... — Hesitou, esperando que chegássemos ao nosso andar, em frente aos nossos apartamentos, para poder continuar. — Eu sei de tudo que rolou entre vocês dois esses últimos meses. Fiquei chateada por não terem me contado durante todo esse tempo e a Sam veio me explicar por que fizeram isso.

— Uau, Carly, eu... Não sei o que dizer. — Apesar de esperar ouvir o que minha amiga acabara de dizer, minha reação foi realmente de espanto. Perceber a decepção em sua voz por ter ficado de fora de acontecimentos tão importantes entre os dois melhores amigos me transtornou.

— O John me contou no dia da festa que vocês brigaram porque viu você e a Sam se beijando. Ele sentiu como se fosse uma traição, mesmo depois de já terem terminado.

— Mas não foi. Como você mesma disse, já tinham terminado há um tempo.

— E quando ainda não tinham, Freddie? — Questionou-me, alterando o tom da voz com razão para expor toda a indignação que carregava em sua frase. Envergonhado, pendi a cabeça para frente, procurando palavras para responde-la.

— Foram só dois ou três beijos enquanto eles ainda estavam juntos, Carls. A Sam resolveu terminar logo justamente por isso.

— Eu sei. Mas a questão do momento não é o que magoou o John, mas o que me magoou. Sabia que eu comecei a descobrir quando voltei de Yakima?

— Sério?

— Sério. Quando voltei de lá e vocês estavam no meu apartamento falando, acho que do primeiro amasso que deram. Descobri que outros aconteceram e percebi o medo de vocês, então resolvi ajudar.

— Ajudar como?

— Eu inventei o recorde de audiência daquela edição do iCarly pra ter a desculpa de dar uma festa e, de alguma forma durante ela, juntar vocês dois.

— Eu sabia que não tínhamos batido recorde nenhum aquele dia! — Comentei, impressionado, levantando uma questão que na verdade não tinha muito a ver com o foco da discussão.

— No baile da garota que escolhe, eu convidei o John pra Sam não ter que ir com ele e ir com você.

— Ah, sim. Você a obrigou a me chamar?

— Mais que isso. Obriguei uma multidão de garotas a não chamarem você.

— Eu sabia! — Berrei, numa espécie de comemoração. — Sabia que algo muito estranho havia acontecido pra ninguém me chamar. — Carly me olhou de forma repreendedora. — Quer dizer... Além da Sam. Que é quem realmente importa.

— Pois é, Freddie. Eu conspirei pra tudo isso. E me chateou muito que, depois de tudo, ainda não tivessem a coragem de me contar. Então, quando o John me disse que vocês se beijaram na festa, fiquei ainda mais brava com essa situação.

— Você não podia saber no início, Carls, por causa de um trato que nós fizemos e...

— Eu sei, a Sam me explicou tudo. — Interrompeu-me, com pressa e muita impaciência. Justo. — Mas esse trato terminou há tempos e vocês sabem muito bem quando. De qualquer forma, eu continuei de fora de tudo. Poderia ser uma coisa só sua ou só dela, mas é dos dois. E isso me deixa completamente à margem do trio. Como se vocês não confiassem em mim.

— Mas nós confiamos, Shay. Muito. Mais do que em qualquer pessoa. Só que ainda é tudo muito novo e confuso. Nem decidimos nada, como vai ser daqui pra frente e... Droga, é ainda mais complicado do que parece. Não é todo dia que você passa a vida inteira odiando e ofendendo uma pessoa e de repente se vê dependente dela pra conquistar alguém, e aí o pior acontece, você...

— Se apaixona. — Carly completou minha frase, surpreendentemente do jeito que eu a arquitetava em minha mente, mas sem a certeza de que iria expô-la daquela maneira. Meu rosto queimava de vergonha e eu não conseguia conter um sorriso, por mais tímido que fosse, e vê-la corresponder o gesto foi confortante. — Acho que fui muito dura com a Sam mais cedo.

— Sério? Por quê? — Questionei-a, considerando o quanto era raro que Carly não a apoiasse no que quer que fosse.

— Sei lá, ela se desculpava a todo momento e você sabe como é raro ver ela fazer isso, e eu meio que sai e deixei ela lá desnorteada. — Falou, espalmando uma das mãos na testa e fechando os olhos por um instante antes de continuar. — Eu disse umas coisas como se ela não confiasse em mim. Como se ela tivesse que me provar que confia. Sei lá.

— Tem razão em pensar assim, o que fizemos realmente dá a entender isso. Mas confiamos em você, e muito.

— Eu sei, Freddie. Mas eu estava mais estressada com ela, sei lá. Talvez por ainda estar na expectativa de ver as listas... Fui muito pior com ela do que estou sendo agora com você.

— Ela vai entender. E eu também vou. Você tem o direito de ficar brava.

— Acho que já sei por que fui mais dura com ela.

— Por quê?

— Porque, desde que eu moro aqui, tenho o meu nada secreto admirador e agora não tenho mais. — Comentou, num tom de brincadeira, quebrando a tensão da conversa.

— Oh, sim, claro. — Falei surpreso, cedendo à risada de Carly e acompanhando-a.

— Eu vou entrar. — Disse, já destrancando a porta do apartamento. — Mais tarde vou falar com ela. Ou amanhã, não sei. Mas ainda estou chateada com essa questão da confiança.

— Entendo. — Concordei, guardando minha culpa no bolso da calça onde enfiei também as mãos.

Com uma expressão de cansaço, ela entrou em casa e me deixou ali no corredor. Enquanto isso, eu já estava com os pensamentos tomados por Sam. Todo o remorso que pudesse guardar daquela situação fora dissipado pela compreensão ainda oculta de Carly. Pude capta-la quando completou minha frase e sorriu, quando se sentiu mal por ter sido dura com a amiga e quando não condenou exatamente o que fizemos, mas sim o fato de não termos contado nada a ela.

Decidi ir até a casa da Puckett encontra-la, conforta-la com esses mínimos detalhes da conversa com nossa amiga e decidir de uma vez por todas o que seríamos dali em diante. Talvez fosse cedo demais, pensei durante o trajeto, mas precisava ao menos garantir que haveria um dali em diante.

Cheguei à frente da casa dela, ofegante e cansado pela pressa que tinha em cada passo até chegar lá. Sentia meu coração bater na veia saltada em minha testa ao lado do curativo do corte herdado na briga com John e eu acreditei que aquela única visão pudesse ser suficiente para comove-la, por mais irritada que estivesse no momento em que me visse. Mas eu estava errado.

Bati na porta. Três vezes. Esperei. Bati mais três. Esperei. Alguém abriu a porta. Alguém loira, com o olhar tão abatido que se fez surpreso ao me ver. Com essa constatação, contive meu entusiasmo para ter certeza de quem realmente era.

— Sam?

— Sam? — Repetiu, ainda espantada. — Não! Não, ela... Ela saiu.

— Ah, oi, Melanie. — Cumprimentei-a, confuso, acreditando que, certamente, se a pessoa loira não fosse a que eu esperava, era a sua versão de personalidade oposta. — Sabe quando ela volta?

— Não. Ela só avisou que não quer ver você.

— Como?

— Foi tudo o que ela disse. Agora, se me dá licença, eu... Tenho que fazer uma ligação. Tchau.

Slam.

Porta batendo. Bem na minha cara.

Preferi fazer meu trajeto de volta imaginando que Melanie estava mentindo e dissera aquilo apenas por remorso. Apenas porque não cumpri o trato de beija-la quando pedi que maquiasse Sam para o jantar com John há alguns meses, quando eu ainda tinha a pachorra de ajuda-la com aquele idiota.

E eu pensaria isso pelo resto do dia, se não tivesse encontrado Melanie bem no meio do caminho.

— Freddie? Freddie! Freddie! — Ela gritava meu nome do outro lado da rua, atravessando em meio aos carros para me alcançar. Vestia roupas de Melanie, falava como Melanie, usava o cabelo como Melanie. Era a Melanie.

— Oi... Melanie. — Cumprimentei-a, ainda confuso.

— Veio ver a Sam?

— É, eu... Só vim dar oi. Estou com pressa. Depois a gente se vê, ok?

Deixei-a parada na rua sem entender minha urgência em sair dali. Sem esperar uma resposta que confirmasse mais ainda que aquela era a Melanie, e não a garota que mais cedo me atendera na porta.

Aquela na porta era Sam. E droga, isso era óbvio. Só não era óbvio como eu ainda me fazia acreditar que não. Que ela não me dispensaria mais uma vez por medo na próxima oportunidade. Na próxima reação negativa a nós dois — que nem sequer se referia diretamente a nós dois.

"Talvez a Carly tenha sido realmente má com ela e a fez se arrepender de tudo", pensei por um momento, jogado no sofá da minha sala, depois de uma volta torturante no sol quente e no coração frio no qual havia escorregado. Mas não.

Carly jamais nos impediria de nada. Por mais que tivesse sido dura com Sam e um pouco mais compreensiva comigo, jamais faria isso. Sua reivindicação era por confiança, nada além.

Então, a negligência partia apenas dela. Por si só. Por sua autônoma decisão. Sem a honestidade de admitir na minha cara que naquela porta era ela mesma sem querer falar comigo. Com coragem suficiente para se passar — e bem mal — pela própria irmã, mas sem a valentia que tanto tinha para outras coisas para me encarar e me rejeitar de uma vez por todas.

Eu estava com raiva. Queria quebrar tudo que estivesse ao meu alcance, talvez numa tentativa de igualar ao meu coração.

Estava destroçado. A raiva já havia passado, porque há tempos eu não conseguia odiar Sam.

Não conseguia, nem que tentasse. Porque já não esperava que ela me fizesse sentir algo tão contrário ao que tinha potencial.

Decidi não fazer nada naquele momento e pelo resto do dia. Tentei dormir, decidido a mudar tudo que havia planejado para amenizar o fato de que Sam estava de recuperação, quase que provavelmente por um trabalho na disciplina que tentamos fazer juntos, mas não conseguimos.

Me precipitei colocando meu nome entre a lista dos que estavam de recuperação apenas para acompanha-la e ter certeza de que cumpriria todas as tarefas para ser aprovada. Sim, eu fiz isso. Uma idiotice sem tamanho. Não deveria me importar, afinal. Não era recíproco.

Eu me sentia um completo idiota, muito mais do que senti que fosse quando era apenas um garoto mais novo e ingênuo supostamente perdidamente apaixonado pela vizinha de apartamento. Eu era uma criança, e ter passado alguns anos da minha infância imerso nessa ilusão era compreensível. Mas aí, senti como se tivesse desperdiçado o início da minha vida adulta em uma coisa à qual havia atribuído enorme significado. Na qual estava completamente entregue por acreditar que não era o único, mas eu era.

Senti como se o tempo não tivesse passado entre um acontecimento e outro. Anos depois, sob novas perspectivas, era como se eu estivesse dentro de um ciclo vicioso, mas que tendia a piorar toda vez que voltava ao início. O mesmo acontecimento, com um objeto diferente, mas um final semelhante. E eu, novamente, como sempre, me ferrando nele.

A manhã chegou e, apesar da péssima noite, eu não sentia sono. A decepção consumia todas as minhas energias. De qualquer forma, iria à Ridgeway dizer à Sam tudo o que precisava ouvir. Era o único lugar onde ela não poderia se passar por outra pessoa para me evitar.

Cheguei pontualmente, entrando na sala de aula enquanto todos já se acomodavam. Howard veio logo atrás de mim, sem ter tempo de me repreender por um suposto atraso. E Sam, no fundo da sala, quando sentada, finalmente me avistou próximo à porta.

Contornei as cadeiras e cheguei a um lugar próximo ao dela, sem cumprimenta-la. Resolvi assistir ao primeiro horário e interceptá-la durante o intervalo. Para isso, teria que instiga-la com meu silêncio até o momento em que resolvesse explicar por que estava ali.

Apesar da minha pose confiante e inabalável, eu estava morrendo por dentro. Não sentia exatamente vontade de chorar ou fazer qualquer coisa tão melancólica quanto, mas sentia uma série de soluços travando minha garganta, como se contivessem toda a minha frustração e pudessem expeli-la para fora de mim.

Tecia inúmeros discursos na minha mente, mas não me enxergava enunciando nenhum. Considerava desistir, ora implorar para que Sam me deixasse provar que tudo aquilo valia a pena, ora desejando nunca mais vê-la na minha frente. Os mesmos pensamentos ambíguos que sempre cercaram nossa relação haviam retornado potencializados e me bloquearam na construção de argumentos lúcidos o suficiente para exprimir todo o paradoxo do qual meus sentimentos haviam se apropriado.

Quando o carrasco do nosso professor nos dispensou e eu realmente não havia prestado atenção em um terço do que dissera porque não tinha necessidade de estar ali, constatei o quanto havia intrigado Sam, mesmo sem ter feito exatamente por onde. Ela me olhava confusa, como se clamasse por uma explicação sem dizer nada. Apenas caminhei pra fora dali, até um corredor mais reservado, onde sabia que seria seguido.

E ela me seguiu. Completamente confusa, mas não mais que eu. Ainda com o olhar cansado do dia anterior, e vê-la novamente daquele jeito fragmentou meu coração mais ainda.

— O que você está fazendo aqui? — Sua voz enrouquecida saia com dificuldades enquanto me fitava, ansiosa, abatida. Era realmente difícil pensar que o que eu diria em seguida poderia piorar tudo aquilo.

— Eu também não sei. — Respondi com o mesmo entusiasmo: zero. — Sabe, Sam, ontem eu vi seu nome na lista dos retidos e por algum motivo muito louco eu coloquei meu nome lá só pra te acompanhar.

— Obrigada, mas eu não preciso da sua piedade.

— Não se preocupe, eu já me arrependi de ter feito isso. Na verdade, só vim aqui hoje pra falar umas coisas e, já que a "Melanie" me avisou que você não quer falar comigo, espero que apenas ouça.

— Freddie...

— Sam, antes de tudo eu quero dizer que odeio você. Do mesmo jeito que a gente costumava dizer um pro outro há alguns meses, lembra? Pois é, faz muito tempo. Porque, ultimamente, a gente tem se agarrado por aí como se não se desprezasse. Por isso mesmo, eu acabei esquecendo o quanto te odeio, mas ontem você me fez lembrar e eu sei que talvez, no fundo, você me odeie também. Samantha, e eu vou te chamar assim porque sei que você odeia, eu te odeio. E eu digo isso pelos últimos tempos que nós passamos praticamente todas as tardes e quase noites juntos, aturando um ao outro, roubando comida, falando coisas aleatórias e assistindo coisas tão idiotas quanto nós dois. Eu digo isso por todas as vezes que nós nos beijamos e, especialmente, pelo último sábado, quando eu apanhei por sua causa e você, ao invés de me bater também, cuidou dos meus machucados. Eu digo isso seguramente porque nesse dia eu senti plenamente como é ter alguém que te compreenda tão bem em todos os aspectos, justamente por ser tão diferente, mesmo tendo passado por situações parecidas. Eu digo isso seguramente, porque eu te odiei ao ponto de sacrificar meu histórico impecável forjando a repetência em uma matéria pra acompanhar você mais uma vez, como vinha fazendo há alguns meses, mas você simplesmente abriu a porta da sua casa pra mim e teve a coragem de se passar pela própria irmã pra dizer que não queria falar comigo. Eu digo isso porque, na menor chance de alguma coisa dar certo, você foge. Porque você tem medo que dê, e eu odeio isso. E se a sua gota d'água foi a conversa com a Carly, sinto informar, mas eu garanto que ela apoiaria... O que quer que acontecesse entre a gente. É uma pena, Sam. Samantha. É uma pena que eu tenha que te avisar o que sente por mim sem que consiga perceber sozinha. E se alguém precisa te avisar... Talvez você simplesmente não sinta.

Seus lábios estavam levemente separados um do outro pelo susto do que acabara de ouvir e, Deus, como eu queria beijá-la. De qualquer forma, percebia sua perplexidade e, como acontecimentos anteriores já haviam comprovado, ela surtaria no instante seguinte. Assim, antes que a situação se tornasse ainda mais sufocante, resolvi sair dali sem dizer mais nada.

Droga, eu me sentia péssimo. Era horrível ter que falar dessa forma, mas pior ainda era sequer considerar a hipótese de tentar convence-la, mais uma vez, do que ela mesma poderia assimilar por si só. Era massacrante ainda ter que deixar certas coisas subentendidas, exprimir outras de forma irônica (como os "eu te odeio") e ao final não dizer nada do que eu realmente queria. A indiferença de Sam não me dava outra escolha, já que eu não poderia chegar e simplesmente dizer "hey, gosto de você", quando ela insistia em achar motivos para desistir de nós sempre que algo ameaçava os nossos já confusos sentimentos.

Ela não me impediu, não falou nada, não veio atrás de mim e pouco tempo depois decidi que fora melhor assim. Passei o resto dia imaginando que se afastaria de uma vez por todas ou agiria estranho até voltarmos a ser Sam e Freddie de treze anos de idade. As duas percepções me apavoravam, mas eu não poderia me culpar. Apenas esperaria pelos dias seguintes, talvez pela opinião da Carly ou da própria Sam quando recobrasse a sanidade.

Só não esperava ser pego de surpresa logo no dia seguinte.

Notas finais
"Só não esperava ser pego de surpresa logo no dia seguinte." Espero que a última frase do Freddie e o fato de que eu MUDEI A CLASSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA PARA 16 ANOS me livrem de um linchamento. sim 16 anos rs ( ͡° ͜ʖ ͡°) É ISSO MESMO QUE VOCÊS ESTÃO *☆.¸.☆* PENSANDO *☆.¸.☆* tchau love yall