Notas iniciais
Ei, parças. Listen Além desse capítulo aqui, eu só tenho mais três. Vocês devem achar que é bastante, mas pensem que um dia já tive doze. Estou conseguindo colocar as ideias em prática novamente mas não na velocidade que costumava, até mesmo por conta da escola e outros compromissos. Vou deixar claro mais uma vez: NÃO vou abandonar, ok? Nem colocar em hiatus, não mesmo. Não é fácil dedicar tanto tempo para pensar em ideias, escrever e revisar. Nada acontece de um dia para o outro! Nem a criação de uma fanfiction, quanto mais a história dela. Capítulo da Mayane Souza por sua linda recomendação! Obrigada, querida. Chewing = Mastigando. ♥

PDV Sam.

Acordei da mesma maneira que havia dormindo — ou, ao menos, tentado: inquieta.

Eram cinco e quinze da manhã e ainda faltava muito tempo para chegar finalmente o horário que eu devia realmente me levantar para ir à escola. Estava adiantando tudo, quando normalmente sou uma atrasada de marca maior.

Ainda não conseguia assimilar por que não estava conseguindo dormir naquela noite, justo eu que sempre o fiz tão bem. Afinal, o que de tão grave estaria fazendo aquilo comigo?

Não demorou muito até que me desse conta de que não era nenhuma briga com minha mãe, ameaças de morte vindas de parentes ex-detentos nem a preocupação de voltar da condicional — até porque nada disso realmente me tirou o sono tão drasticamente alguma vez.

Era uma pessoa em particular. O que ela havia dito e, principalmente, feito.

E tudo mais que eu conseguia me lembrar era de uma boca. Fosse me beijando ou dizendo tudo o que eu mais precisava ouvir. E eu mal conseguia acreditar de quem era.

Fredward Benson, deve ser. Tem que ser.

E então, ao refletir sobre tudo isso, encontrei uma explicação convincente que explicasse de forma clara e direta por que eu sempre me preocupei tanto em classifica-lo de alguma forma. Por que eu sempre me importei com qualquer coisa que ele fizesse, por mais que não me atingisse.

Porque eu nunca soube o que ele realmente era pra mim. E, quando eu parecia me dar conta, alguma coisa me fazia desistir.

Certo. Não tão direta assim.

Medo, talvez.

Porque, embora não pareça, ele também me rodeia. Principalmente no que diz respeito ao tal nerd já citado anteriormente.

E era assustador ainda sentir o mesmo gosto que estava na minha língua enquanto nos beijávamos. Era assustador ainda sentir o cheiro dele mesmo depois de horas. E era assustador sentir muito mais que uma outra boca ou um perfume qualquer que se compra em uma loja qualquer. Não era um qualquer. Ele não era um qualquer. Mas a situação era meio assustadora. O que piorava muito por ainda sentir como se ele estivesse ali. Ainda dizendo as palavras mais bem colocadas que já pude ouvir saindo de dentro de alguém, como se elas viessem de algum lugar mais profundo que simplesmente sua boca. Mostrando que não preciso me contentar com a mesmice e falta de autenticidade que descobri ser o que sempre pensei como se fosse o oposto.

A eficiência da nossa conexão foi o que mais me impressionou. Como ele precisou dizer tão pouco para que eu entendesse tanta coisa. Quatro meses. Tantos anos.

Uma vida inteira.

Tudo de errado e de acertado. E, principalmente, a forma como pudemos continuar sendo nós mesmos de qualquer jeito, porque é exatamente isso que a nossa junção permite. Porque ele me aceita, sem considerar quaisquer outras coisas que o motivassem ao contrário.

Tentei voltar a dormir, mas minha culpa não deixava. Ela continuava lá, apesar e depois de tudo. Era como me sentir bem e mal pelo mesmo motivo, de uma só vez. Eu ainda estava começando a descobrir tudo isso e com certeza ainda levaria um certo tempo, enquanto Freddie parecia já saber há muito mais. E isso era esquisito porque a certeza dele me atraia inconscientemente, enquanto a minha dúvida me distanciava.

Mas antes da certeza de qualquer um, eu precisava da minha. Eu teria que ter algum motivo — se é que o aceitaria ou não. Se ele ao menos fizer algum sentido. Se for ao menos preciso.

Geralmente, essas coisas não têm nenhum. Nunca têm. Ainda mais no nosso caso, já que aqueles, geralmente apresentados, nos servem tanta para aceitar quanto para rejeitar. Afirmar e negar de uma vez. Dizer sim ou não.

Porque o que não tem mesmo é meio termo. Não pode ter talvez. Não é pela metade.

Somos dois inteiros... incompletos.

Cheguei à Ridgeway praticamente virada. Minhas olheiras pareciam estar batendo no pé e eu sentia como se meu cérebro estivesse flutuando dentro da minha cabeça.

Fui direto até os armários, dando graças a Deus por só ter encontrado minha melhor amiga e não Freddie também porque se eu mal sabia como agir em frente a ela, imagine com os dois juntos.

– Bom dia. — Balbuciei com a voz arrastada.

– Bom dia. — Disse com um sorriso de espanto. — Alguém morreu? Por acaso foi você?

– Credo, Carly! — Reclamei, com certo espanto. — Relaxa. Eu estou bem.

– Não é por nada, Sammy, mas... você tá parecendo um zumbi.

– Devo estar mesmo. — Concordei, despreocupada.

– Aliás, você ainda precisa me dizer por que desapareceu ontem depois da sua conversa com o John. Eu e o Freddie te procuramos pela escola e nada. Esperei você aparecer lá em casa mas cai no sono umas dez da noite e agora você me aparece assim, com essa cara de quem não dorme há uma semana. O que aconteceu?

– Depois que eu e ele conversamos, resolvi ir para casa.

– E nem se deu ao trabalho de nos avisar?

– Não pensei que vocês fossem se importar tanto assim.

– Pensou errado. — Ela disse, cruzando os braços. — Aliás, o Freddie quase surtou quando viu que você tinha sumido. Desde quando ele se preocupa assim?

– Não sei. — Tentei desconversar, enquanto ela sorria de lado e eu sentia meu coração se aquecer ao ouvir aquilo. De qualquer forma, Carly parecia estar insistindo demais na questão, o que me deixou um pouco desconfiada. — Eu só passei o resto do dia brigando com minha mãe e dormindo pelo sofá.

– E por que parece ter sido justamente o contrário?

– Não sei, Carlotta, você não bate muito bem. — Tentei forçar um riso, mas na verdade me senti mal por estar escondendo tanta coisa da minha melhor amiga. Tanta coisa ruim e tanta coisa boa.

– Ok. — Ela riu de volta. — Mas afinal, o que vocês conversaram?

– Nós meio que... terminamos. — Confessei encarando o chão com uma tristeza fajuta.

– Vocês o quê?!

– Por que o espanto? Você também já não estava esperando por isso?

– Não sei, é que... — Ela deu uma pausa, como se estivesse pensando em alguma confissão pendente. — Sam, isso é tão confuso. Eu meio que percebi que algo estava mudando quando voltei de Yakima, mas quando você dormiu lá em casa aquela noite e disse que estava tudo bem com o namoro, esqueci de tudo. — Ela deu uma segunda pausa dramática e continuou. — É por isso que você está assim, meio tristonha?

– Não! — Falei com... sinceridade. — Eu estou bem sobre isso.

– Sério? Nada traumático ou algo do tipo?

– Não. — Falei dando de ombros.

– Então foi você quem terminou com ele?

– Não, na verdade. Foi ele mesmo. Mas talvez eu já fizesse isso daqui um tempo de qualquer jeito. — Respondi enquanto Carly permanecia incrédula. — E não foi bem um término definitivo.

– Amiga, eu estou... chocada. — Ela suspirou. — Preciso dizer que sinto muito ou comemorar com você?

– Não se preocupe. — Falei rindo. — Pode não parecer pela minha cara mas eu estou ótima.

– Que bom. — Ela riu aliviada. — Mas ele teve algum motivo específico? Ciúmes, talvez?

– Não. — Menti. Porque o pivô da separação estava se aproximando. — Só resolvemos nos dar esse tempo.

– Melhor assim. — Carly concordou. — Olha o Freddie vindo ali.

Eu virei meu rosto para vê-lo. Como se nada mais importasse naquele momento. Como se todo e qualquer outro ser vivo naquele ambiente tivesse desaparecido no momento em que ele adentrou aquela porcaria de escola. Como se alguma força sobrenatural tivesse focado minha visão de forma devota à cada movimento que fizesse.

– Bom dia! — Ele exclamou atrás de mim, dois segundos depois quando me virei de volta para Carly, me fazendo tremer até o último fio de cabelo e ficar mais pálida que uma folha de sulfite branca.

– Bom dia! — Carly devolveu entusiasmada. — Finalmente nós três juntos, hein? Essa semana está tão esquisita que isso quase não aconteceu.

– Pois é. — Freddie concordou. — Mas amanhã faremos o iCarly e tudo vai parecer normal novamente.

– Eu espero.

– Bom dia, meus iCarlys! — Disse o Diretor, surgindo atrás de nós com um sorriso escancarado.

– Bom dia. — Respondemos em uníssono.

– Carly, preciso falar com você sobre as aulas que perdeu durante a semana que esteve com seu avô em Yakima.

– Tudo bem, Ted. Podemos aproveitar agora já que as aulas ainda não começaram, não acha?

– Certo. Me acompanhe por favor. — Ele pediu, sendo seguido pela minha amiga e acenando para mim e Freddie.

E nos deixando sozinhos.

Como se tudo conspirasse pra isso.

Continuei com minha cara de paisagem, como se me concentrasse em apreciar o concreto das paredes.

Mas é uma droga quando alguém te conhece tão bem a ponto de entender no mesmo segundo o quanto você está fingindo.

– Bom dia pra você também, Puckett. — Disse ele um instante depois, bem perto do meu ouvido.

– Desculpe. — Respondi, sentindo como se ele exercesse algum controle sobre mim e a minha saúde mental sempre que falasse qualquer coisa, ou pior: pronunciasse meu sobrenome. Perto. Do meu rosto.

– Que carinha é essa?

– Nada, eu só... não dormi muito bem.

– Nem eu.

– Sério? — Perguntei, finalmente olhando-o.

– Sério. Mas sabia que ontem eu peguei nosso trabalho com o professor e... a gente tirou um D-? — Respondeu ele, tirando nosso trabalho de história de dentro da mochila no mesmo instante.

– Droga! — Reclamei enquanto passava os olhos pelo papel amassado. — Esse Howard filho da...

– Ei! — Freddie me interrompeu enquanto tomava a folha de mim. — Deve ter sido porque eu fiz a outra metade às pressas. Me desculpe.

– Relaxa. Estou acostumada.

– Acho que a gente pode recuperar na semana de provas. — Respondeu com preocupação. — Sam, eu... Droga! Eu joguei no lixo todo o esforço que tivemos durante mais de quatro meses!

– Não se preocupe. — Respondi com um sorriso. — Eu sempre passo de ano, de um jeito ou de outro.

– Mas você merecia essa nota e...

– Freddie... — O interrompi com a voz compreensiva. — O importante é que tudo esteja aqui na minha cabeça, não acha?

Apesar da pequena demora, ele finalmente cedeu a um sorriso.

– É, Samantha... você deve estar certa.

– Sempre. — Respondi tentando manter minha pose convencida e louca para fugir de mim mesma. — Agora eu já vou indo pra sala porque...

– Espera. — Ele pediu, me segurando pelo braço com um sorriso.

– O que foi?

– Na verdade, eu odiei a nossa nota mesmo. Mas não foi por isso que eu não dormi.

– Foi por que, então? — Perguntei intrigada.

– Antes eu preciso saber se foi o mesmo motivo que o seu.

E a resposta, provavelmente era sim. Mas embora eu quisesse dar mais brechas ao que parecia estar se instalando entre nós dois, ao mesmo tempo não conseguia.

Por medo. Por, talvez, novamente, parecer estranho. Por querer evitar algo tão fascinante. Que era, realmente! Mas simplesmente não parecia conveniente.

– E como poderia ser? — Desconversei, já certa da resposta que viria.

– É que você ficou lá em casa ontem até tarde e eu acho que foi... interessante. — Disse ele com um olhar nada amistoso.

– Interessante de que jeito?

– Ah, sei lá... até que você não é tão chata assim.

– Disso eu já sei. — Respondi um pouco sem jeito. — Agora eu tenho que ir.

– Espera. — Freddie pediu novamente, preocupado com minha pressa. — Ainda temos mais... — Ele checou o relógio fazendo um bico. Oh, meu Deus. — sete minutos. Você sempre chega atrasada mesmo.

– É que hoje eu não tô muito afim.

– Tudo bem. — Ele concordou um pouco desolado, percebendo a minha falha tentativa de fuga. — Mas antes eu quero te dar uma coisa.

– O que é? — Perguntei enquanto ele vasculhava a própria mochila.

– Eu trouxe uma peça de presunto. — Respondeu, enquanto me entregava um pacote e um sorriso. Ambos tão grandes, tão bonitos. Irresistíveis. — Pra você.

– Freddie... — Suspirei enquanto olhava para dentro do saco e sentia o aroma delicioso que saia de dentro, com um sorriso.- Eu não posso aceitar.

– Não pode aceitar? Como assim? — Ele perguntou enquanto eu devolvia o presente, intercalando entre um riso impressionado e uma expressão preocupada.

– Eu só sei que estou sentindo umas borboletas no estômago, se isso ao menos chegar a ser possível, mas com certeza não é fome. — Respondi enquanto esfregava minha barriga, tentando evitar minha enorme vontade de gritar.

– Eu também estou e é tão esquisito porque...

– Sim, é esquisito. E o motivo, provavelmente é você. Ou seja, duas vezes mais esquisito, esquisito ao quadrado. Por isso que eu não posso aceitar. Porque... — Dei uma pausa apertando minhas pálpebras e, antes de abri-las novamente, dei uma mordida no presunto que agora estava nas mãos de Freddie. — Me desculpe.

– Sam...

Ele me chamou uma última vez enquanto eu caminhava e mastigava. Eu não parei, eu não o respondi, nem sequer olhei para trás. Eu sabia que, se o fizesse, voltaria no mesmo instante ou me deixaria ser alcançada. Mas não podia.

Eu queria. Mas não. Eu estava apenas mastigando.

Eu estava mastigando o presunto. O meu próprio coração. E, talvez, o dele também.

Notas finais
Certo, vocês devem me odiar agora. Mas vamos às ladainhas de quase sempre. Pra quem demorou 30 capítulos pra escrever um beijo, seria incoerente já resolver tudo mais que estivesse pendente até o 39. Se vocês entenderam o ritmo até agora, vão entender também que ele continuará o mesmo. Não vou mais ilustrar e exemplificar a situação dos dois porque acredito que seja desnecessário e vocês são livres para decidir se gostam ou não do formato. Já senti falta de alguns leitores nos últimos três capítulos - que foram relativamente satisfatórios - então infelizmente já os dou como perdidos depois desse. Eu não queria e meu esforço não merece... mas a história é de detalhes e acho que só quem for bem detalhista vai ficar até o final. (? oi) Quero agradecer a todos que acompanham e às lindas recomendações que me surpreenderam, mostrando que essa fanfic se tornou muito mais do que planejei. Mais do que em qualquer outro momento, preciso saber se tenho o apoio de vocês até o final, independente do que aconteça. Fiquem com meu coração, até mais. ♥