Antes da Névoa
1 Capítulo 1
O vento soprava forte e chovia muito naquela noite, a única coisa que Clarity conseguia pensar era em quando seu pai chegaria em casa.
Olhando pela janela da sala via o único caminho que levava até sua casa no meio da montanha, uma ponte de madeira e estreita, então ela sabia que seu pai só conseguiria chegar se fosse andando.
Sentada na grande poltrona de seu pai, de frente à lareira, encostada na janela, Clarity adormeceu, preocupada.
Clarity é uma menina de doze anos, é a filha mais nova, e apesar de jovem é alta para a sua idade, além de carregar uma marca de família — olhos bicolores -, Clarity tem cabelos loiros meio prateados, o que faz as pessoas pensarem ser algum tipo de anomalia.
— Clari, acorde querida! Já amanheceu! — O sol ainda estava por de baixo das nuvens, que impediam seus raios de chegarem até a janela onde Clarity estava.
Clarity levou um tempo até despertar.
— Hum? Mamãe? Que horas são? — Clarity abriu os olhos lentamente, ainda se acostumando com a luz do nascer do sol que agora estava querendo aparecer.
— Já são oito e meia, meu amor. Papai está te esperando para o café. — Sona respondeu sorrindo ao admirar a filha.
— Papai está em casa? Passei a noite esperando por ele! — Clarity não perdeu tempo e cheia de energia, pulou da poltrona e saiu correndo em direção a cozinha, a alegria de saber que seu pai estava em casa, superava até o sono que sentia pelas poucas horas dormidas.
— Papai! — Clarity correu ainda mais ao ver seu pai em pé na cozinha.
— Minha princesa! Senti tanto a sua falta! — Dez diz abrindo os braços para receber o abraço da menina.
— Papai! Você está aqui! Que horas você chegou? Estava te esperando mas acabei dormindo, desculpa. Como foi na Alemanha? Me trouxe aquela pulseira que disse que traria? Como está a vovó? E o vovô? Ahh, papai, faz tanto tempo que não os vejo! — Tomada pela euforia de ver seu pai depois de 2 meses em viagem, tempo que Clarity mais considerava serem anos, a menina não conseguia se conter, possuía uma infinidade de perguntas para o pai, e não sabia por onde começar.
— Calma meu amor! Está tudo bem, vovô e vovó estão muito bem, Suzy cuidará deles. Minha princesinha, senti tanto a sua falta! — Dez tenta responder as perguntas da filha, mas a felicidade de estar em casa com a família novamente é tão grande que acaba não conseguindo. — Vamos tomar café, tudo bem? Depois do café, te levo à estufa da cidade e então conversamos mais, pode ser? — Sorri.
— Tudo bem papai! Vamos tomar café! Vamos a estufa! Já faz tanto tempo que não desço a montanha que nem lembro como a cidade é. — por viverem na montanha, e por serem parte da família Stcoff, seus pais optaram por criar Clarity em casa, e quando chegasse a hora, levariam-na para a aldeia. Por isso, Clarity fica em casa com a sua mãe enquanto o pai viaja, e com ela, aprende todos os costumes do povo da aldeia e também aprende tudo o que uma menina na sua idade deveria aprender.
A família Stcoff não é uma das famílias mais queridas da cidade onde vivem, tempos atrás, antes da cidade se tornar propriedade do governo, a família Stcoff praticamente monopolizava o comércio da cidade, além de ter a última palavra em todas as atitudes tomadas. A cidade, inclusive, levava o nome de Stcoff's City, os moradores da cidade nunca se importaram pois nada nunca faltou a eles, sempre tiveram o que comer e beber, onde dormir, emprego, estudo e nunca ocorriam assaltos ou qualquer outra coisa do tipo, a cidade era segura, a família Stcoff sempre cuidou bem da cidade. Mas numa noite de lua cheia, uma névoa tomou conta da cidade, nada se via, nada se ouvia, aquilo deixou os moradores da cidade apavorados, mas nada fizeram pois logo caíram no sono, naquela noite, todas as crianças de quatorze e quinze anos de idade foram levadas, e com elas, suas respectivas mães, a cidade se reduziu em quase 2/5 do que era antes. Os moradores ficaram revoltados porquê a família nada fez para resolver aquilo. Os Stcoff sabiam o que tinha acontecido, e sabiam que nada poderiam fazer, por isso foram embora para a Alemanha, mas por amor a cidade, Sona e Dez decidiram ficar, nem que isso significasse privar Clarity e eles mesmos de alguns privilégios.
Clarity praticamente engoliu o café da manhã, não conseguia parar de pensar que finalmente veria a estufa de novo, que veria a cidade e, quem sabe, pudesse até brincar com as crianças igual fizera da última vez em que desceu a montanha com a sua mãe. Mas o que mais a alegrava era saber que estaria com o seu pai, só esse pensamento a fazia sorrir sem parar.
— Papai, terminei, já podemos ir? — Clarity diz já se levantando da mesa.
— Só depois que você trocar de roupa. — Dez sorriu ao ver o entusiasmo da filha que corria escada acima em direção ao quarto.
Não passou muito tempo e Clarity já estava na sala, toda cheia de energia gritado pelo pai.
— Papai! Estou pronta! Cadê você?
Clarity não obteve resposta, decidiu chamar de novo pelo pai.
— Papai! Já me arrumei, onde você está? — Dessa vez, Clarity gritou.
— Jardim— Alguma voz, talvez o vento, pensou Clarity, sussurrou.
Clarity não pensou duas vezes, saiu correndo em direção ao jardim, e ao sair encontrou seus pais agachados em volta de um animal, ensanguentados.
— Papai? Mamãe?
Fale com o autor