Anteros

1 Desistência


Notas iniciais
Na boa... Eu nem sei porque estou postando isso ^^ simplesmente senti vontade de fazer uma pequena continuação, já que tem ainda o que escrever...
Espero ver alguns dos meus leitores antigos de Eros, e peço desculpas pelas reviews não respondidas por lá.
Sobre o título, está aqui, sendo novamente explicada pelo tio Wiki http://pt.wikipedia.org/wiki/Anteros
achei muito interessante a relação com Eros.
Bom, só espero que alguém leia.

Tínhamos voltado para casa, Mello e eu,felizes, no seu maravilhoso carro preto!

Tsk... Bobeira... Na verdade Mello insistiu eu me fazer uke então me maltratou muito, desferindo tapas no meu traseiro! Além de que, quando voltávamos para casa, ele atropelou um tamanduá bandeira enquanto dirigia na rodovia. Até porque ele geralmente passa os sinais vermelhos e dessa vez, para a minha segurança, escolheu a estrada pra voltar.

Isso que é amor de verdade!

Mas tudo bem, eu já perdoei o Wonka, e mesmo se ainda estivesse fulo com ele, não daria muita importância, pois agora, enquanto relato inutilmente estas palavras no meu quarto imundo pelas embalagens de chocolate, onde Mello rola INCANSAVELMENTE pelo colchão-completamente estressado-, meus pais estão lá embaixo, conversando com a Lana cachacinha.

E AGORA? COMO FICA?

Bom, eu já fiz minha escolha, quero ficar morando aqui por mais que seja um suicídio para a minha saúde mental, física, etc, etc... Vou acabar morrendo mais cedo ou mais tarde. E quero ver alguém me tirar dessa casa!

Que venham meus pais com cintos e varas de marmelo tentar me arrastar de volta.

– Hey Matt. – Mello parou de se debater por um instante, ainda nervoso por causa dos nossos visitantes lá embaixo. – Eles vão mesmo deixar você aqui não é? –

– Somando o fato de serem os pais mais inúteis e ‘preocupados’ da Terra... Hmm... Acho que eles vão deixar e talvez até agradecer a tia ou mesmo perguntar como ela vai me suportar. –

– Tem certeza? A cara que eles tinham não era muito boa... – Na verdade nunca estiveram boas...

– Relaxa garoto, de todo jeito não vão me forçar e... – A porta do quarto se abrindo me interrompeu. Era a Lana, com um olhar BEM suspeito...

P-u-t-a-q-u-e-p-a-r-i-o, lá vem merda.

Só tive tempo de encarar Mello com aquele último olhar de alguém que está prestes a ser levado para a prisão perpétua. Era meio melancólico, parecia bem mais triste do que eu imaginava... Sentia que o que viria a seguir, definitivamente não iria prestar.

E sério... Não prestou.

Durante o caminho até a sala, Lana não disse uma só palavra, permaneceu calada, o que fazia cada passo parecer uma facada no fígado seguida de uma no antebraço. Era bem insuportável a cara que ela tinha, tanto por ser um rosto traumatizante para mim quanto por estar com uma expressão tão... Como eu poderia dizer? Ah! A cara dela não era de boa noticia e é o que há!


Já na sala, meus pais me encararam. Me sentei no sofá em frente ao que eles estavam. Lana sentou ao meu lado e discretamente colocou a mão sobre o meu ombro. Engoli seco, sabia que não estava, de modo NENHUM, preparado para o que viria...

Eu adoraria que entrasse um palhaço dançante pela porta dizendo que era tudo pegadinha.

Mas não iria acontecer.

– Meu filho. – Começou minha mãe. – Seremos breve. – Porque SERÁ que quando alguém é breve, o sofrimento é extremamente demorado... Fudeu. – Sua tia nos contou que você preferiu morar com ela e estamos à parte da situação, reconhecemos que há muito tempo não fomos os pais ideais que você esperava, mas em Paris aconteceram algumas coisas que mudou nossa forma de pensar quanto a você. Queremos que vá para casa conosco. Minto, não queremos, nós vamos levar você conosco. – Isso foi... Como um soco na minha boca.

Como um chute nas minhas nadegas –vulgo bunda.

Como o puxão brutal de um Band Aid.

Como um tropeço na quina da escada.

Como o ralado em uma parede mal rebocada.

Como ser atropelado pelo Mello.

Como ser tirado do Mello...

Como...

– Eu sinto muito Mail. – E mesmo que eu normalmente fosse corrigir a Lana, dizendo ‘’É MATT! MAAATT!’’, não aconteceu... Pois eu me sentia todo e completamente derrotado.

Acho que vou morrer agora.

Hmmm... Infelizmente não vai dar, terei de ficar vivo e tentar reverter a situação.

– Então serei eu breve. – Comecei firme, seguro. – Até hoje não fizeram seus papéis de pais na minha vida, agora que estou no lugar certo, acordam e percebem que estavam errados? Com esse papo de que até hoje não foram pais ideais? Se quiserem ouvir, ISSO aqui é ideal, era tudo que eu não esperava de vocês e que encontrei nessa casa, nessa cidade. Então não me venham com essa conversa de... –

– Infelizmente suas escolhas não farão a mínima diferença Mail. – Agora uma tijolada. – Você vai voltar para casa comigo e com o seu pai... Se ainda podemos nos chamar assim, de pais, é porque temos ao menos o mínimo de autoridade sobre você. E não discuta mais. Arrume suas coisas e vamos. –

Eu, nunca vi minha mãe falar tão seriamente assim... Acho que a porra ta muito séria, e mamãe também está.

Mais do que eu previa.

Sinto que não vai adiantar. Nada do que eu disser vai mudar o que eles querem... BAIXOU OS PAIS RESPONSÁVEIS NELES!

E isso não é nada bom. Nada mesmo.

– Ei Matt... – Pronunciou a tia, me encarando de uma forma que me fazia entender perfeitamente a intenção. – Vai arrumar suas coisas. – E o Mattzinho obedeceu feito um bom e obediente cachorrinho.

Me levantei rapidamente do sofá e rumei a escada de novo. Minhas pernas estavam fracas, minha cabeça uma bagunça, meu estomago rodava –mas ai já era de fome- e meu peito doía. Muito.

Será que isso significa que, não verei mais o Mello? Não vai mais ter Lana me enchendo? Não vai mais ter trabalho nem Near indo à escola comigo e fazendo a dupla idiota que o professor careca nos mandou fazer?

Oh não... Isso é... Sem dúvida alguma... 21/12/2012 chegando!

Quando então cheguei à porta do meu –temporariamente- quarto, foi que senti um peso enorme sobre os meus ombros. Como eu diria para o Mello? ‘’ Hey Mellinho, mamãe e papai estão me levando para casa, até mais! ‘’, ele definitivamente mataria meu pai e minha mãe, eu não duvido nada...

Mas esse não é o principal problema. E tudo que vivi com o loiro até hoje? Tudo que passamos? Pode não parecer muito tempo, mas é óbvio, foram muitas coisas.

Só que o que eu posso fazer? Sou eu contra aqueles tais desconhecidos lá embaixo! Aqueles apavorantes desconhecidos que dizem serem meus pais. Não entendo, porque será que eu tenho que me afastar do Mello assim? Logo agora, quando tudo estava no lugar? Droga.

Foi ai que algo terrível e cruel passou pela minha cabeça... É imundo e egoísta, sem dúvidas... De todas as coisas que já fiz, seria uma das piores. Mas eu não tenho escolha. Fui reto pelo corredor até entrar no quarto da Lana. Revirei seu guarda-roupa até encontrar uma mala bem semelhante a que eu havia trazido para cá. Peguei alguns lençóis e soquei dentro da bolsa, simulando as roupas que eu trouxera. Rapidamente saí do cômodo e fui para a escada novamente, a desci rapidamente e saí pela porta da frente, sem olhar de volta, passando pelo portãozinho da frente, sem me despedir de ninguém, nem da Aki-chan, nem da Lana, nem do anão nu, nem do Mello...

É horrível, mas não quero ter que olhar para o meu loiro e me despedir. É a única coisa que não quero. E espero que ele entenda –por mais que eu ache que não vai nem passar pela cabeça dele o fato de eu estar arrasado demais para pensar em despedidas. (?)

Logo em seguida, na porta, surgiram as duas pessoas que juntas, me colocaram neste mundo, vindo em minha direção. Até que entramos todos juntos naquele carro. Meu pai deu a partida e lentamente fomos nos afastando.

Fiz questão de ao menos olhar para trás.

Lana estava no portãozinho com Ak no colo, acho que vi seu rosto meio lacrimoso... Não sei.

Olhei também para a janela do segundo andar, na esperança de ver Mello com uma cara de tonto tentando entender o que acontecia.

Mas ele não apareceu.

Acho que está rolando no colchão, olhando compulsivamente para a porta, esperando que eu entre no quarto e lhe diga que ficarei lá.

Ah Mello.


Notas finais
Bom, que tal? Deu tempo de se interessar pela continuação?
Aqueles que ainda estão boiando... http://fanfiction.com.br/historia/175097/Eros/ Leiam a fic, caso a preguiça não seja mais forte sobre o seu ser x3
Sumi por algum tempo porque estava indisposta a escrever... Mas eu realmente gosto disso, e me faz muito feliz. Espero que a leitura também desperte alegria em vocês u.u meus coisosos ~
Até o próximo oka? Reviews?