Ansiando

19 Querendo intensamente


Notas iniciais
Sinto muito por deixá-los esperando... espero que gostem deste (último) capítulo! :'( Perdoem qualquer erro... Boa Leitura!

Merlin olhou pela janela apreciando o céu amistoso e cinzento de Londres, o assento do jatinho fretado pela Camelot’s era tão confortável quanto uma cadeira de espinhos, ele ondulou os ombros tentando dissipar um pouco da tensão muscular, mas parecia que nada fazia efeito, de repente um copo de isopor surgiu debaixo do seu nariz, o cheiro inegável de chocolate quente entrou em suas narinas fazendo-o cerrar os olhos e sorrir.

— Pelo amor de Deus, mantenha este rosto sorridente Merlin, e agora desfaça para sempre essa cara de maus amigos! — A voz de Arthur soou arrogante e impaciente, com a mão livre ele sacudiu os cabelos escuros de Merlin.

O moreno tomou o copo da mão de Arthur, e bebeu vagarosamente, o líquido cremoso fez maravilhas ao seu humor assim que tocou suas papilas gustativas.

— Hmmm... eu não sabia que tinha uma máquina de chocolate quente, se soubesse teria pedido há muito tempo!

Arthur revirou os olhos, e puxou o copo da mão de Merlin, adicionando uma camada generosa de creme de chantilly em spray.

— E não tinha! Pedi que colocassem uma, porque imaginei que você ficaria de péssimo humor sem sua dose de glicose derivada de guloseimas! — Arthur apontou com olhar desafiador.

— Imaginou certo! — Merlin se inclinou rapidamente colando os lábios aos do loiro, e estalou um beijo, deixando-o com uma marca generosa de chantilly por todo o contorno boca. Arthur enfiou o dedo no copo apanhando uma boa quantidade de creme e, em seguida, pincelou o nariz de Merlin.

Porém a brincadeira foi interrompida por um pigarrear nem um pouco discreto, ambos ergueram os olhos e deram de cara com Gwaine, que empoleirou-se no assento em frente ao deles, um sorriso malicioso colorindo sua expressão.

— Okay, Princesa, quero interromper sua festa do Chantilly para perguntar algo ao seu salvador. — Arthur arqueou as sobrancelhas e emburrou na hora, Gwaine sorriu satisfeito e desviou o olhar para Merlin. — Estou me perguntando sem parar como você acertou a senha da Sophia.

Merlin franziu a testa, e lambeu o chantilly do dedo.

— Ela digitou uma vez essa senha no computador enquanto eu esperava o elevador. — Ele disse dando de ombros.

— Ow ow ow... quer me convencer que você estava na porta do elevador e viu a senha que ela digitou no computador, isso com uns cinco metros de distância? — Gwaine se espantou, debruçando sobre o assento dos dois.

— Não foi nada demais, na verdade, era uma combinação bem ridícula. — Merlin ergueu os olhos para encarar Gwaine que ostentava uma expressão impressionada. — Sou um contador... eu sou bom com números.

Arthur sentiu-se sorrindo pateticamente, ele não podia evitar, apreciou o pescoço de Merlin corando, e Gwaine os observou detidamente, meneando a cabeça em aprovação.

~*~*~*~*~*~*~*~

Algum tempo depois, Arthur gemia jogando-se em seu próprio sofá, Merlin revirava os olhos fechando a porta com o pé, eles não tinham quase nada de bagagem e o moreno colocou a pequena mala ao lado da porta e sentou-se ao lado do namorado.

— Deus... nem acredito que chegamos... sinceramente parece que passou uma eternidade desde a última vez que estivemos nessa sala. — Merlin lembrou com os olhos fechados e a cabeça jogada para trás.

— Eu lembro muito bem daquela vez, na verdade parece que foi ontem! — Arthur declarou totalmente predador, automaticamente girou o corpo e passou uma perna por cima de Merlin, sentando no colo dele.

O olhar predador de Arthur deixou Merlin totalmente desconcertado, ele sorriu um pouco, corando imensamente. Arthur o encarou, os olhos azuis semicerrados brilhavam por trás dos cílios caramelos, ele envolveu o rosto de Merlin em suas mãos e o puxou para um beijo.

O coração de Merlin começou uma corrida louca dentro do peito, a língua de Arthur exigindo atenção rapidamente, as mãos dele desceram do rosto e começaram a trilhar os braços de Merlin, em seguida deslizaram em direção ao peito, o loiro abriu a boca tornando o beijo muito mais intenso, depois mordeu o lábio inferior, já tocando o membro que enrijecia sob o tecido da calça.

Merlin gemeu e Arthur sorriu, quanto mais ele movia a língua dentro da boca do moreno, mais ele se entregava, Arthur teve muito trabalho em se controlar durante a viagem, mas agora não havia mais motivos, então ele abriu o zíper da calça jeans e apanhou o membro já totalmente ereto de Merlin. Com a outra mão Arthur segurou firme a nuca do moreno, o obrigando a ficar com os lábios colados, ele segurou firme o pênis, descendo a mão e expondo toda a cabeça rosada, depois fez o movimento inverso, iniciando um vai e vem controlado.

O coração estúpido de Merlin batia loucamente no peito, a mão de Arthur firme na sua ereção e a boca grudada a dele impedindo-o até mesmo de respirar adequadamente. Arthur tocava-o erraticamente, mas a luxúria que flutuava entre eles era certeira, os olhos azuis do loiro o observavam com intensidade, Merlin já estava tão molhado quanto era possível, o líquido transparente escapando da ponta do pênis como prova de quanto ele podia se perder rapidamente nas mãos e nos lábios do namorado. Arthur manipulou Merlin mais rapidamente, movimentos duros e certeiros agora, Merlin arregalou os olhos, sentindo os testículos apertados em um orgasmo próximo e inevitável.

— Arthur... ah... espere... eu...

— Cale a boca e goze, idiota!

Arthur colou as bocas mais uma vez, mordendo com força o lábio inferior de Merlin, e depois de mais dois golpes, sentiu o líquido viscoso transbordando do pênis bonito do moreno, Merlin urrou, mas Arthur o beijou de forma selvagem, ficou de pé repentinamente e tirou a calça e a cueca de uma só vez, chutando a roupa para qualquer lugar. Ele sentou no colo de Merlin, aproveitando o sêmen que havia ali para lubrificar a penetração iminente. Merlin ainda tonto de prazer, sufocou sentindo seu pênis nu sendo engolido pelo buraco do loiro.

— Ahhh... Arthur... puta merda, não estamos usando nada, porra!

Merlin tentou tirar Arthur de cima dele, mas o loiro sorriu arrogante.

— Eu sou o aniversariante, eu mando nessa porra hoje. Cale a boca, Mer–lin...

— Deus, Arthur... vai ser sempre tão mandão?

O tom aborrecido se perdeu na nuvem de prazer que os envolveu repentinamente, Arthur impaciente começou a mover o quadril, sussurrando palavras incoerentes no ouvido de Merlin, o moreno voltou a sentir o coração irrompendo em uma corrida louca, ele nem bem havia se estabilizado do orgasmo anterior, e sentia que outro se aproximava muito rapidamente, Arthur lambeu a orelha dele, e depois tornou a beijá-lo, Merlin alcançou o pênis do loiro e iniciou golpes fortes pois já se encontrava muito na borda para ser contido e cordato. Ele sentiu Arthur acelerar as próprias investidas, comprovando que também não duraria muito, então, o loiro o apertou em um beijo sufocante, e gozou, se derramando na mão de Merlin, ele suspirou amolecendo todo corpo, e Merlin o segurou pela cintura, o direcionando em mais duas investidas longas e lentas, quando o moreno por fim atingiu o clímax, em um segundo orgasmo que fez sumir o chão debaixo dos seus pés.

— Feliz aniversário...? — Merlin falou, incerto e ainda ofegante.

— Tenho certeza que será muito feliz, daqui por diante! — Arthur respondeu, afastando o cabelo escuro dos olhos de Merlin, ele se aproximou e beijou-o ternamente, um beijo longo e doce.

Por alguns minutos a língua de Arthur liderou, experimentando cada canto da boca do namorado, Merlin respondeu abraçando-o pela cintura, tocando as costas do loiro, subindo as pontas dos dedos pelas costas, formando círculos carinhosos. Ele interrompeu o beijo para admirar os olhos brilhantes de Arthur.

— Hey! Vamos tomar um banho? Estou me sentindo péssimo depois de todo esse tempo sem um banho adequado...

— Você quer é usar aquele creme de barbear que eu tenho lá no meu banheiro... — Arthur acusou com a sobrancelha erguida.

— Me conhece tão bem... — Merlin cantarolou, plantando um beijo suave no ombro de Arthur.

~*~*~*~*~*~*~*~

Na manhã fria do dia seguinte, a paisagem corria ao lado da janela, Merlin não podia deixar de sorrir ao observar o reflexo que surgia ali, o rosto satisfeito de Arthur ficava quase nítido, se sobrepondo a cada prédio escuro, ele apertou os dedos do loiro entre os seus, e ambos trocaram um olhar, Arthur mantendo sua expressão arrogante, mas Merlin podia sentir todo o amor que transbordava debaixo dos cílios caramelo.

— Ainda acho que você deveria ter ficado em casa descansando, foi um período estressante, sabe?

— Cale a boca, Merlin. Eu sou o Vice-Presidente, não posso simplesmente desaparecer por dias e deixar meu trabalho acumular na mesa!

Merlin rodou os olhos, Arthur o acordou muito cedo pela manhã, com um café pronto e cheio de planos para o dia, entre esses planos, estavam algumas, bem aproveitadas, oito horas de trabalho. Eles discutiram por um tempo sobre como iriam para o trabalho, primeiramente o modo de deslocamento foi um embate, Arthur queria dirigir, mas Merlin acabou vencendo com a sugestão do trem, ele expôs que ambos estavam cansados, e Arthur deveria relaxar acima de tudo. Em seguida eles se deram conta que Merlin não tinha nem roupas adequadas, mas isso Arthur resolveu rapidamente, escolhendo entre um terno e outro no seu próprio guarda-roupas, depois alcançou uma camisa e gravata, apesar de terem um porte físico diferente, tudo serviu perfeitamente, até mesmo os sapatos, o que deixou Merlin muito surpreso.

Envolvido neste pensamento, repentinamente as bochechas de Merlin arderam ao lembrar do diálogo que tiveram.

— Vê só? — Arthur falou enquanto fazia o nó na gravata de Merlin. — Quando casarmos, você nem precisa trazer suas roupas!

Merlin engasgou subitamente.

— O... o que você... o que quer dizer com “casar”?

— Nossa, Merlin! Sua inteligência me seduz, sabe? Casar, viver junto, esse tipo de coisa.

— Mas, Arthur, eu...

— Não fale nada! Não vamos falar disso agora.

Ele voltou o rosto e encarou o perfil austero de Arthur. “Casar?” Isso era algo que jamais passou pela cabeça dele. E era melhor evitar o pensamento.

Ao chegarem no prédio da Camelot’s, eles se separaram, Arthur subiu para sua sala, e Merlin foi para a dele, onde, Morgana já o aguardava, muito bem instalada e sorridente na mesa dele.

— Bom dia, Merlin!

— Bom dia, Morgana... — Merlin notou um brilho diferente no olhar da morena, no rosto que era sempre impecavelmente branco, as bochechas se mostravam levemente coradas.

— Então, vamos comemorar hoje? — Ela falou encarando Merlin, o sorriso radiante.

— Ah... é claro... mas acredito que precisarei da ajuda de todos os convidados! — Ele correspondeu ao olhar intenso dela, o mesmo sorriso travesso espelhado em ambos os rostos.

— Okay, vou fazer algumas ligações, o local e a decoração são por sua conta, antes do meio-dia quero o endereço e horário, o restante eu cuido! — Ela caminhou elegante até a porta, mas antes de sair, lançou um longo olhar para Merlin. — Aliás, o terno do Arthur caiu muito bem em você!

Merlin sorriu desajeitado, as orelhas arderam pela timidez. No entanto, ele não tinha tempo para isso, largou a pasta na ponta da mesa e pegou o telefone. Primeiramente chamou Gwen e Gwaine, a dupla era perfeita para ajudá-lo. Depois enviou algumas mensagens para Will, pedindo que ele desse um jeito no flat.

Por volta das 10 horas, Merlin já entrava na quarta loja de artigos de festas, puxado por Gwen, que mostrava alucinada um pacote de balões dourados.

— Gwen... por Deus... Arthur não é mais criança! Não vamos comprar balões! — Ele declarou cansado.

Gwen o avaliou com seus olhos castanhos perspicazes, Merlin se encolheu um pouco, e então ela se aproximou, e acariciou levemente o rosto pálido do amigo.

— Sabe, Merlin... Arthur não teve muitas chances de comemorar seu aniversário adequadamente... sei que você não sabe de toda a história, mas, Lance e ele são amigos de infância, e tudo o que eu sei é que Arthur sempre fugiu quando houve uma festa, ou se escondeu em seu quarto, ou simplesmente esteve lá como se não estivesse. Por algum motivo eu acredito que este ano será a primeira comemoração real, para o Arthur. Você entende? Sei que quer fazer isso tão perfeito quanto Morgana, ou todos nós, afinal, as últimas emoções...

Merlin se deu por conta que de fato ele não sabia de nada, então, olhou profundamente nos olhos dela, subiu os dedos alisando os cachos castanhos, sentindo os próprios olhos encherem de lágrimas recordou rapidamente tudo o que passaram nos últimos dias, e nem mesmo poderia imaginar o que Arthur passou antes de conhecê-lo. Gwen o abraçou e Merlin a sentiu suspirando enquanto a apertou em seus braços tentando confortá-la, ela era uma amiga muito preciosa que ele, de forma alguma, queria decepcionar.

— Certo, vamos levar os balões dourados! E aquelas serpentinas prateadas também! Ah, e lembra aquela decoração de cavaleiro e espadas? Vai ficar ótima na sala do meu flat!

Merlin falou piscando, Gwen o observou, sorrindo amplamente.

— Obrigada, Merlin, eu sabia que havia uma criança louca por uma festa dentro de você!

Eles saíram da loja com itens que Merlin não tinha ideia de como Gwen usaria, mas não se incomodou, eles ainda discutiram na hora de pagar, mas a atendente da loja sugeriu dividir o valor entre os dois, ao que Gwen teve de ceder.

Entraram em mais algumas lojas em busca de algo diferenciado, e em seguida, Merlin implorou para tomar alguma coisa, já passara de meio-dia e ele estava exausto. Em resposta, Gwen parou um táxi e empurrou Merlin para dentro, eles pararam em uma joalheria. Merlin encarou a loja e em seguida olhou para Gwen intrigado.

— O que vamos fazer aqui?

— Eu preciso falar com alguém, prometo que depois vamos ao seu flat, teremos um dia inteiro de trabalho por lá!

Ela saiu do táxi e Merlin pagou a corrida, em seguida caminhou desconfiado para a entrada da loja.

Quando adentrou a porta, Merlin viu Gwen abraçando longamente um homem por cima do balcão, ele era negro e alto, forte apesar da idade beirar os 50 anos. Gwen se afastou e beijou as duas bochechas do homem, eles sorriam, Merlin notou, sorrisos idênticos.

Gwen puxou Merlin pela mão, e olhou para o homem.

— Papai, este é Merlin, aquele amigo do qual eu lhe falei. — Ela disse radiante.

Merlin sorriu e esticou a mão, mas o homem o puxou em um abraço sufocante, o balcão entre eles não parecia um obstáculo para este homem tão amigável. Merlin gostou dele instantaneamente.

Enquanto Gwen e o pai conversavam, Merlin caminhou pela joalheria, observando uma e outra peça que estavam expostas em prateleiras, nas vitrines do balcão, ou em caixas sobrepostas em uma mesa no canto. De repente, ele viu, em um cantinho do balcão de amostras, em um lugar imperceptível, uma corrente com um pingente em forma de espada. O pingente foi o que mais chamou a atenção de Merlin, era uma espada incomum, com a lâmina dourada, e bordas prateadas, o cabo da espada era recoberto em algo que parecia couro, fios dourados trespassavam em formando uma imitação de costura, e o botão do punho era arredondado, parecendo uma moeda forjada. Na lâmina haviam caracteres desconhecidos, mas Merlin instantaneamente entendeu.

— “Leve-me”? — Merlin leu em voz alta.

— Então você consegue ler? E, mais importante: Você notou minha mais preciosa criação? — O pai de Gwen surgiu por trás de Merlin, apreciando a peça, Merlin o encarou um pouco atordoado.

— Eu... não entendo... Mas sinto que preciso levar isso... é como se ela estivesse me esperando por muitos anos.

— Não há o que entender, garoto... você simplesmente tem alguma conexão com esta corrente, ou com esta espada, precisamente.

— Por favor, ela está à venda? Eu preciso levá-la.

Tom avaliou a postura de Merlin, e depois de um longo momento, sorriu bondoso.

— Vai dá-la de presente para alguém, certo?

— Papai!! — Gwen o advertiu, mas o pai continuava sorrindo e olhando para Merlin, o moreno respirou fundo.

— Ah, eu... sim... acho que é o presente perfeito para alguém que eu conheço.

— É sua!

~*~*~*~*~*~*~*~

Já eram por volta de 17 horas, e Merlin corria de um lado para o outro, já haviam arrumado tudo, agora faltava apenas a parte decorativa, ele obviamente já havia pedido ajuda a Will e Gwaine, esses dois haviam se dado bem de imediato, quando Merlin chegara em casa ambos já estavam com quase tudo pronto.

Parado na porta sorridente, Merlin observou Will, que correu até a sala, arrastando uma tira enorme de serpentinas, ele jogou-as por entre balões, deu alguns passos para trás e tropeçou em uma escada no processo. Elena, próxima a ele, riu alto do rapaz estatelado no piso.

— Você é hilário! Como pode ser tão desajeitado!?

Mas ao falar isso, ela mesma pisou em um balão esquecido no chão, e foi jogada para a frente, direto no peito de Will. Eles riram, mas o riso morreu e uma comoção se instalou entre os dois.

Merlin, deixou cair um bonequinho em forma de cavalheiro dourado, quando Elena beijou Will em cheio na boca.

— Não me pergunte. Eu sei tanto quanto você! — Gwaine falou descontraído, surgindo do corredor.

Merlin notou que Will não se importou, ele passou os braços na cintura da loira e aprofundou o beijo, como se estivessem sozinhos, em um local reservado. Ele não queria ter notado o olhar brilhante de Will e o sorriso tímido e cheio de expectativas de Elena, Merlin não pôde conter a alegria orgulhosa que borbulhou me seu peito, ver seu amigo de infância feliz assim, simplesmente despertou as melhores emoções.

Sorridente, Merlin apanhou o bonequinho decorativo que derrubara, e se encaminhou até a parede, o grudou lá, alisando carinhosamente, se perguntando se Arthur iria gostar da festa que estavam preparando tão carinhosamente. Ele olhou o relógio e resolveu agilizar os preparativos, pois ainda teria de pegar Arthur na Camelot’s em 30 minutos.

Repentinamente Gwen se materializou na frente dele.

— Já falei com Mithian e Percy, eles virão ajudar Morgana. Você pode ir, se quiser, acho que nossa parte está praticamente concluída! — Enquanto ela falava Gwaine alinhou-se ao lado dela, ambos pareciam realmente felizes em ajudar.

— Vá buscar sua princesa! E não estejam aqui antes das 20 horas ou eu os expulso! Transem um pouco antes de chegar aqui, não quero ver aquele olhar necessitado no seu rosto nunca mais! — Gwaine declarou malicioso, Gwen deu um soco brincalhão nas costelas dele.

— Deixe de ser intrometido! Lance me falou que você era um predador, mas eu não pensei que fosse tão descarado também!

Merlin sorriu assistindo Gwaine não se esforçar para se defender, o que ele fez foi jogar os cabelos para o lado, de um jeito muito típico, e balançar as pestanas para Gwen, que gargalhou com a cena. Merlin foi até o quarto, apanhou uma mochila e se despediu rapidamente de todos, em poucos minutos estava em um táxi, indo ao encontro de Arthur.

~*~*~*~*~*~*~*~

A empresa estivera um caos nos poucos dias que Arthur se ausentou, papéis se acumularam em sua mesa e a maioria dos contratos estava na última semana do prazo de assinatura.

Ele sabia que isto aconteceria, ele passara o dia em reuniões que promovera às pressas, estava sem os representantes mais importantes da empresa: Merlin sumira no início da manhã, e Morgana enviara Mordred em seu lugar, ela alegou forte dor de cabeça. Arthur se sentira levemente culpado por isso, talvez a preocupação dos últimos acontecimentos tivera trazido de volta as crises de enxaquecas que a irmã sofria durante grande parte da adolescência.

Ele organizou mais uma pilha de contratos já lidos e aprovados na reunião, tratou de começar a assinar todas a páginas e conferiu os últimos detalhes mais uma vez, de repente a porta abriu, e ele ergueu os olhos e encontrou o sorriso idiota de Merlin.

O moreno vestia uma calça jeans escura e camiseta azul marinho, ele estava com os cabelos bagunçados como se acabasse de ter saído de um furacão. Arthur sentiu vontade de beijá-lo instantaneamente.

Merlin soltou uma mochila que trazia no ombro no sofá ao lado da porta e caminhou até Arthur, o loiro tentou controlar uma onda de desejo que o invadiu quando o namorado deu a volta na mesa de trabalho e o abraçou ternamente, em seguida, Arthur o afastou e colou seus lábios aos de Merlin, a boca do moreno era macia, úmida, quente, e fez o coração de Arthur vacilar miseravelmente, ele largou a caneta que rolou pela superfície lisa da mesa caindo estrondosamente no chão.

O beijo começou carinhoso, deveria ser apenas um roçar de lábios, um cumprimento de chegada, mas o corpo de Merlin era quente, convidativo. Arthur deslizou a mão pelo peito de Merlin, e envolveu a nuca. Enquanto o beijo se aprofundava ele sentia o corpo de Merlin respondendo à investida, ele abriu os olhos levemente e encontrou os olhos abertos, escuros de antecipação, a paixão entre eles era total e irrestrita.

E então, Merlin o afastou.

— Eu... eu vim buscar você. Vamos para seu flat. — Merlin começou, desviando o rosto um pouco corado para a janela.

— Sim, isso seria bom! Tudo o que eu preciso agora é um bom banho e dormir por um milênio ou dois! — Arthur respondeu, caminhando até sua pasta ao lado da mesa, de repente lembrou de algo. — Aliás, Mer–lin, onde se meteu o dia todo e por que aparece aqui com roupas diferentes e uma maldita mochila?

Merlin sorriu enormemente, e Arthur lembrou, o coração dele deu um salto.

— Não é óbvio? Estávamos organizando sua festa!

~*~*~*~*~*~*~*~

Merlin puxou os cabelos pela centésima vez em menos de trinta minutos, irritado com a teimosia do namorado, ele não levara a sério o que todos os amigos contaram, sobre Arthur não querer uma festa e coisas do tipo, mas isso era demais.

— Arthur, se você não sair deste carro agora, e subir até o meu flat, eu juro, o carregarei pelos cabelos. Vamos lá! Morgana já está esperando há pelo menos uma hora, viemos de carro a seu pedido, Arthur, e mesmo assim você nos atrasou um monte!

— Eu não gosto de comemorar aniversários, me sinto mal, não gosto!

O loiro encarou Merlin, os lábios se contraíram em um beicinho que Merlin achou adorável.

— Eu tenho um presente para mais tarde! — Merlin tentou, sorrindo maliciosamente, essa era a última cartada, e teria de funcionar.

— Vamos ficar só algumas horas! — Arthur falou colocando um dedos no rosto de Merlin, tirou a chave da ignição e saiu do carro.

Ainda sentado, Merlin lambeu o lábio inferior satisfeito, havia funcionado!

Assim que Lance abriu a porta, uma chuva de confetes os engoliu, a música era alta, e Arthur sentiu-se envolvido instantaneamente pelos braços da irmã. Ele retribuiu, alisando as costas dela com carinho, em seguida ela saiu do abraço, ainda segurando a mão dele, e o olhou de alto a baixo.

— Oh, como está encantador! — Arthur sentiu uma onda de afeto que emanava dos olhos esmeraldas, a irmã sempre se esforçava para ser durona, mas há alguns dias ele percebera que algo a deixara extremamente amável, gentil e vulnerável.

Ele ergueu os olhos e notou o rosto animado de Gwaine por trás da irmã, ela deu um passo para o lado, soltando a mão de Arthur, e o amigo pôde se aproximar e cumprimenta-lo.

— Teremos uma festa digna de uma princesa! Champanhe e decoração medieval, não é fantástico?! — Ele falou animado, o aperto de mão era forte, mas ele o soltou, a mão livre instantaneamente encontrou o ombro de Morgana.

Arthur olhou da mão para o rosto do amigo, o toque era muito íntimo, pensou Arthur, para ser algo coloquial entre colegas, o sorriso de Gwaine aumentando enquanto encarava Arthur.

— Vamos aproveitar, mas com responsabilidade, ouviu?! — Ele respondeu, e acenou para Gwaine, uma ameaça velada, mas, também uma aprovação.

Merlin assistiu Arthur caminhar régio até o meio da sala decorada, cavaleiros dourados e dragões de papel laminado oscilavam balançando suavemente pendurados no teto por fios de nylon, os balões davam um ar vestivo, e a mesa com canapés e aperitivos lembravam que era uma comemoração adulta, Merlin caminhou quase tropeçando até uma mesa do outro lado da sala, diversos tipos de doces se enfileiravam formando um colorido salivante.

Mithian e Percy cumprimentavam Arthur, Mordred tocou-lhe o ombro por trás, e o loiro se virou e recebeu um abraço amigável, os olhos azul-petróleo do rapaz pousaram em Merlin, um sorriso alegre coloriu as feições de Mordred, e ele acenou para Merlin, que retribuiu, ainda intrigado.

A troca de olhar deles foi quebrada quando Arthur soltou Mordred com um sorriso, e encontrou a mão de Leon já esticada na sua frente, e do nada a música foi silenciada, as luzes foram desligadas e Gwen surgiu abaixo do arco que ligava a sala à cozinha, ela trazia um inegável bolo de aniversário, e atrás dela Lance tinha uma câmera fotográfica muito estranha para ser algo corriqueiro.

Um “Parabéns” encheu a sala, e Merlin se aproximou de Arthur, do bolso ele puxou uma caixinha de veludo azul escura, e se aproximou do namorado que soprava as velas.

Eles trocaram um longo olhar por sobre o bolo, e a luz foi ligada na sala, os amigos conversavam e se serviam de aperitivos e outras coisas, mas a única coisa que Merlin via era Arthur, seus cabelos dourados e seus lábios macios, Merlin empurrou a caixinha para as mãos do loiro, Arthur arqueou uma sobrancelha divertido, ele mordeu o lábio inferior e Merlin sentiu uma fisgada satisfatória no baixo ventre.

Mas quando Arthur abriu, seus olhos ficaram nublados, ele ergueu o rosto, e Merlin sofreu uma pontada de agonia ao ver que os olhos azuis estavam marejados de lágrimas.

— Merlin, seu idiota... isso... isso é a Excalibur? Meu deus, eu nunca tive uma! E não foi falta de procurar, e esta é a mais incrível réplica que eu já vi em toda a minha vida!

Ele simplesmente se jogou nos braços de Merlin, a corrente ainda segura entre os dedos. Por cima do ombro do loiro, Merlin viu que os amigos pararam o que faziam, todos os observando, ele viu um olhar anuente vindo de Morgana, Gwaine ao lado dela mostrava um polegar para cima, Lance e Gwen sorriam, ele a segurando ternamente pela cintura, Leon deu um sorriso de soslaio erguendo as sobrancelhas, ele conversava com uma moça que possuía cabelos idênticos aos de Morgana, exceto pelo fato de serem loiros, Mithian e Percy pareciam divertidos, e Mordred ergueu uma taça de champanhe em direção a Merlin. Por último ele notou Will e Elena, os dois amigos de infância dele e de Arthur, ela sorria comovida, e Merlin achou até que ela estava chorando, Will suspirou, parecendo brevemente aborrecido, porém derrotado, envolveu Elena com um braço, e rodopiou os olhos para Merlin, sorrindo no fim.

Merlin sentiu Arthur se afastando, e encarou-o, o azul brilhava e nos cílios dele haviam lágrimas penduradas como gotas de orvalho, Merlin levou os dedos e limpou ternamente, depois o envolveu em um beijo apaixonado, Merlin tinha consciência de que todos os convidados os viam, uma pequena ovação aconteceu, e ele teve a impressão de que ouviu um assovio entusiasmado que, sabia sem ver, partira de Gwaine, porém, nada o parou, Merlin segurou firme na nuca de Arthur, e forçou-o a abrir a boca, querendo intensamente, exigindo... o moreno uniu as duas mãos em concha no rosto do loiro, pensando na guinada que aconteceu em sua vida em tão pouco tempo, a vida sem graça e cinzenta, que fora totalmente modificada por Arthur, com seus cabelos loiros e olhar arrogante, sua eloquência e seu imenso coração.

Arthur se afastou por um momento, analisando o rosto corado de Merlin.

— Okay, já estou aqui e cantamos o Parabéns, tecnicamente a festa já aconteceu, podemos ir para o meu flat agora, você me prometeu um presente. — Arthur sorriu ofuscantemente.

— Não, Reizinho Mandão! Você tem convidados! — Mas incapaz de resistir, Merlin o abraçou novamente, a felicidade já estava espalhada em cada célula de seu corpo. — Ficaremos ao menos por uma hora, okay?

Arthur vibrou, se desvencilhou de Merlin e apanhou uma bandeja já servida com bolo entregando ao namorado.

— Então, vamos servir a primeira fatia!

Merlin sorriu, ele olhou o relógio, faltavam apenas 59 minutos para estarem sozinhos, talvez ele arranjasse um jeito de sair antes desse maldito prazo que inventara...

Notas finais
Ainda será postado um Epílogo, mas, acaba aqui... T___T Não posso negar que estou um pouco triste por terminar... mas... aguardo os comentários de vocês... Espero que tenham gostado! Mil Bjs, Vivi