Notas iniciais
Fic nova galera! Espero que curtam.

– Kate? – Jessica me cutucava repetidamente.

Eu observava atentamente ao treino de vôlei masculino do colégio. Na verdade, eu observava atentamente Ryan Bettley.

Os seus olhos ficavam tão lindos sob a luz do ginásio, o modo como seu cabelo se espalhava pelo rosto durante os saltos..., pensei.

– Kate! – gritou Jessica, histérica.

– O que foi?! – disse, lançando-lhe um olhar feroz.

– Pare de secar o retardado do Ryan. – ela falou, apertando-me o braço.

– Secar? E-eu nem sequer sabia que ele estava jogando! E ele não é retardado... – revirei os olhos.

– Ah, tá bom... – retrucou, com um sorriso claramente falso. – Estou avisando, fique longe dele.

– O que tem de errado com ele? – hesitei por um segundo. — N-não, eu não quero saber dele... – gaguejei, corando.

– Ele saiu semana passada de um reformatório na Califórnia. – ela dizia quase num sussurro, olhando para os lados desesperadamente. — Ele é repleto de cicatrizes e me assusta.

– Ryan está bem atrás de você. – sorri.

Ela paralisou, como uma estátua. Virou o rosto lentamente e viu que eu estava apenas brincando.

– Sua idiota, quer me causar um infarto? – berrou, empurrando meu rosto.

– Você deveria ver sua cara! – eu ria, imitando a expressão cômica de Jessica.

Ela revirou os olhos.

– Ei, agora eu tenho que voltar pra minha aula. – ela levantou-se do banco, já se afastando de mim, andando de costas e ainda tagarelando. – Você não faz nada nessa aula?

– É a vez dos meninos jogarem... – ri.

Ela apenas sorriu e seguiu seu rumo normalmente, para fora do ginásio.

Jessica, minha melhor amiga desde quando éramos muito pequenas. Eu sempre recorro à ela nos meus piores momentos, ela é uma da únicas em quem confio. Apesar de ela saber da minha paixãozinha pelo Ryan, discordava totalmente disso. Eu até poderia falar com ele, mas entre magoar minha melhor amiga e tentar algo com um garoto que mal conheço...

Acho que Ryan pode esperar, pensei.

– Kate? – chamou uma voz.

Ergui meus olhos: Tod.

– Você não deveria estar jogando? – perguntei, arqueando as sobrancelhas.

– Eu sou péssimo e não há nada que um atestado falso não resolva. – sorriu maliciosamente.

– Babaca – ri, dando um tapa em sua testa.

– Então... Xadrez hoje? – perguntou-me, mostrando o celular com uma lista.

– O que é isso? – peguei o celular de suas mãos.

Tod respondeu sorrindo:

– A lista dos nossos adversários, boba.

Um nome na lista chamou a minha atenção:

Ryan B.

– Ryan...? – pensei alto.

– Oi? – Tod exclamou, curioso.

– N-nada. – disfarcei, olhando para o meu relógio de pulso. – Acho que não vai dar hoje. Eu tenho que pegar meu irmão na creche. – apressei-me a dizer, inventando uma desculpa qualquer.

Eu não posso vê-lo, principalmente agora., pensei.

– Sério? Que droga. – Tod soava decepcionado.

Mas Jessica nem vai saber, dizia meu lado apaixonado.

Então, sem pensar muito bem, disse:

– Tudo bem, eu dou um jeito.

– Isso! – ele sorriu e me abraçou rapidamente.

O que eu estou fazendo...?

Se Jessica ficasse sabendo disso eu realmente estaria ferrada. Mas, pensando bem, não há nada demais em eu “não saber” que Ryan participaria do torneio de xadrez. Além disso, eu nunca deixei o xadrez de lado.

– Tudo bem – Tod disse de repente, levantando-se. – David está me chamando e ele fica insuportável quando está esperando algo. – beijou-me no rosto. – Até às sete!

– Até... – respondi baixinho, observando-o se afastar.

Eu precisava saber como reagir na frente de Ryan, não queria bancar a esquisita que nunca falou com um garoto.

Levantei-me e fui até o banheiro. E para a minha alegria, minha “inimiga mortal” estava lá.

Estava quase dando meia-volta quando a ouvi falar:

– Pode usar o banheiro, fofa. – ela estava atrás de mim, sorrindo.

– Eu sinto sua respiração poluente, seu poço de ignorância! – gritei, me segurando para não agredi-la.

– Calma, amorzinho... – riu, irritantemente.

Ela saiu sorrindo, me deixando ainda mais irritada.

Não que Casey tenha feito algo grave pra mim, mas cinco anos me humilhando na frente de todos não é nada confortável.

Preciso me acalmar..., pensei, respirando fundo.

Lavei o rosto na pia, borrando toda a maquiagem. Não faria muita diferença, eu nem era notada.

– Essa Casey... Ela deveria ser exterminada. – disse uma voz vinda de dentro de um dos banheiros.

– Quem é? – perguntei, olhando através do espelho.

– Uma voz na sua cabeça – disse a garota, rindo.

– Fala sério – ri.

– Eu sou Kyouko. – apresentou-se, saindo do banheiro.

Era uma oriental baixinha, com cabelos tão escuros que os seus reflexos se tornavam azuis. Ela parecia ser meiga e falava de um jeito engraçado.

– Kyou... Ahn? – perguntei, estranhando o nome da garota.

– Kyouko. – sorriu. – Sou japonesa.

– Ah... Nunca te vi por aqui antes, Kyouko. – estiquei a mão para cumprimenta-lá. – Sou Kate.

– Prazer, Kate. – sorriu ela, apertando minha mão. – Eu entrei aqui faz dois dias.

– Ah, entendi. – sorri. – Mas...

– O que foi? – Kyouko perguntou, confusa.

– Se entrou aqui há dois dias, como conhece a Casey? – questionei.

A japonesa fez cara de desdém.

– Sou da mesma turma de física que ela, e nesse pequeno tempo ela já fez coisa o suficiente para eu odiá-la.

Soltei uma risada.

– É... Essa é a Casey.

Kyouko riu.

Então o sinal tocou.

– Kyouko, preciso voltar para a minha classe – disse, quase abrir a porta.

– A gente se vê por aí. – falou ela, balançando os pés e fitando-os.

Ela era estranha, mas nada bizarro.

Saindo do banheiro, eu vi o time de vôlei voltando para o vestiário e, claro, Ryan estava lá.

Voltei correndo para o banheiro e encontrei Kyouko ainda na pia.

– O que houve? – perguntou ela.

Eu me esqueci de limpar a maquiagem borrada, desesperei-me, Ryan me viu como uma palhaça gótica!

– Eu esqueci de tirar essa maldita maquiagem. – eu respondi, praticamente gritando, esfregando o rosto freneticamente.

Kyouko desceu da pia e ficou parada atrás de mim.

– O que foi?! – gritei, irritada, olhando para trás.

– Kate, olhe. – apontou para o espelho. – Você não estava de maquiagem.

– É claro que eu estava. – resmunguei, secando o rosto com as mãos.

– Não, Kate. – continuou Kyouko. – Olhe na pia ou em suas unhas. Não há nada além de seu sangue.

Novamente olhei para o espelho, vendo meu rosto todo arranhado e ensanguentado.

Minha visão ofuscou. Saí correndo do banheiro, desesperada.

Eu apenas vi uma silhueta e esbarrei-me nela.

Ainda no chão, ouvi a voz do professor Taylor.

– Kate, você está bem? – perguntou o professor, enquanto me levantava.

– E-eu estou bem.

Então, a silhueta foi se aproximando. Ele pôs as mãos em meu rosto.

Era sair ou atacá-lo.

Um único pulo bastou pra eu que pudesse arranhar seu rosto e morder seus braços. Ouvi seus gritos, enquanto ele me empurrava para longe de si, e então senti alguém segurando meus braços.

– Me solta! Eu estava me defendendo! – eu gritei, enquanto esperneava, ainda tentando atingir ao professor.

– Essa garota é maluca! – exclamou o homem.

Senti uma pequena espetada no braço, o amortecendo. Quase instantaneamente sentindo-me tonta.

E apaguei.

Nada além de vultos nos sonhos. Se é que eram sonhos.

Quando acordei, pude enxergar perfeitamente, incluindo a maca, meus pulsos e tornozelos presos, apertados de tal modo que não eu conseguia mexer um músculo. Havia uma espécie de protetor na minha boca. Não conseguia espernear, muito menos gritar.

– Filha! – gritou minha mãe, vindo em minha direção. – Ainda bem que acordou!

Ela me acariciava, como se eu fosse um cachorrinho. Por mais que eu tentasse me esquivar, ela ainda me alisava.
Eu gritava, mesmo sabendo que som algum sairia.

– Este protetor serve para que você não morda a língua ou os enfermeiros e nem tente gritar. – sorriu minha mãe, docemente.

Aquilo era apenas uma pequena amostra do meu tão excitante passado.

Tudo está voltando?

Notas finais
Deixem sua opinião!