Notas iniciais
Este capítulo pode ser um tanto confuso, mas tamo aí né gyabshdgkjdf Espero que gostem!

Novamente, minha vida tinha se tornado aquela repulsiva tortura que vivi quando pequena.

Viver num hospital psiquiátrico nunca foi o “sonho adolescente” de ninguém. Mesmo sabendo do meu tão torturante futuro naquele lugar desprezível, eu tentei – de todas as maneiras possíveis – sair dali.

Depois de passar o dia sozinha numa maca, percebi que a minha vida não se passava apenas de um pesadelo e não tinha como acordar.

Ainda sem podendo mover um músculo por conta das amarras que pareciam entrar na minha carne, eu gritava para dentro de mim, me refugiando em meus pensamentos doces, pensamentos sobre Ryan...

Estava perdida em meus pensamentos e psicoses quando notei uma voz:

– Bom-dia. – disse a voz, suavemente.

Olhei desesperadamente para a porta, mas a pessoa em questão não estava ali.

Por um momento, pensei que havia enlouquecido por completo, então uma jovem enfermeira se aproximou, apalpando-me as pernas.

– Consegue senti-las? – pergunta ela, preocupada.

Tentei responder, ou talvez até pedir ajuda, mas esqueci-me que não conseguia dizer uma palavra sequer, então apenas afirmei com a cabeça, fitando-a. Então, lentamente a enfermeira aproximou-se de mim, trazendo sua mão ao protetor bucal, incerta do que estava fazendo.

Naquele segundo em que ela retirou o protetor de minha boca, eu a mordi, pondo todas as forças nas mandíbulas, quase arrancando seus dois dedos. Ela não gritou, falou ou ofegou, não chamou alguém e nem mesmo se moveu. Não esboçou reação alguma.

O que ela está fazendo? pensei, encarando a enfermeira.

– Eu vejo receio pintado em sua rançosa face. – ela sorri, sadicamente.

Então, ela se levantou e pegou uma mala de couro e trouxe até a maca.

Antes que ela pudesse fazer algo, eu gritei. Gritei o mais alto que podia. Minha garganta parecia estar pegando fogo, arranhada por dentro.

– Shhh! – fez ela, colocando seu dedo ensanguentado em meus lábios.

Ela procurou algo dentro da mala por um longo tempo, em seu conteúdo havia algo que fazia sons estranhos, como metais.

O que tem nessa porcaria de mala?

Então, ela retirou um alicate enferrujado e pontiagudo de cabos vermelhos.

– O que vai fazer com isso? – gritei desesperadamente, esperneando, com a voz abafada pelo protetor.

Eu jamais pude imaginar que uma enfermeira pudesse agir de tal forma. Ela parecia mais doente que seus próprios pacientes.

– Uma pequena lição para aprender a não morder. – cochichou ela, abrindo aquele mesmo sorriso sádico.

Com uma das mãos, ela segurou minha mandíbula, deixando-a bem aberta, sem que eu pudesse reagir. Ela então, colocou o alicate dentro de minha boca, prendendo o alicate em um molar. E, então, puxou e torceu. A dor era insuportável. Eu gritava de forma agoniante, em pleno desespero. Minha cabeça girava compulsivamente, pontos pretos dançavam em meus olhos, enquanto eu lutava para permanecer consciente. Sentia o molar sendo arrancado da minha gengiva, lentamente, afligindo-me mais a cada segundo.

Aquela dor angustiante, me fazia gritar de forma desesperada. Isso continuou até que ela conseguisse arrancar meu dente.

Eu me afogava em minhas lágrimas. Sangue e saliva escorriam da minha boca. Então, finalmente ela o tirou, fazendo-me sentir uma última pontada frenética, sentindo sair a raiz da minha gengiva.

– Vai lembrar muito bem disso quando pensar em morder alguém de novo. – sorriu de forma doentia, pior do que as anteriores, guardando o alicate junto ao dente na mala.

Então ela colocou o protetor novamente na minha boca. E, sem cuspir o sangue para fora, engasguei, sentindo o sangue descendo pela minha garganta, com um gosto repugnante.

Ela saiu silenciosamente, como quem não queria ser vista e nem ouvida.

Minha boca latejava horrivelmente. Com os meus olhos lavados por lágrimas e o rosto todo marcado das mãos sujas da enfermeira, eu me debatia na maca.

Aquela dor era tão forte que eu mal conseguia deixar as pálpebras abertas, elas levemente se fechavam, deixando-me dormente.

Em questão de segundos eu peguei num sono profundo, um sono que aliviou a minha dor por alguns instantes.

Nos meus sonhos geralmente, eu via minha irmã — gêmea — falecida. Há exatos doze anos nossa família sofreu um trágico acidente de carro, causando a morte dela. Ainda consigo me lembrar da buzina do caminhão que pegou-nos em cheio, arrastando o carro por vários metros. Eu a via em minha idade, como se estivesse crescendo comigo, viva.

Os sonhos duravam pouco tempo, o que me deixava deprimida, abatida.
Então, quando acordei, já não estava mais naquele hospital asqueroso, mas na enfermaria do colégio, o que me deixou muito confusa.

– Ela acordou! — disse alguém, em tom de alívio.

Com minha visão ainda turva, mal pude ver quem estava ali, despertando evidentemente minha curiosidade.

Esfreguei os olhos fortemente, fazendo-os arder, enquanto me levantava coagida na maca.

– Como está se sentindo? — disse o rapaz, pondo uma bandeja com alguns medicamentos na maca.

– Eu estou apenas cansada... — bocejando.

– Eu vou aplicar um medicamento em você, não vai doer nada. — sorriu gentilmente, passando em meu braço um algodão encharcado em álcool.

Eu odeio agulhas. Se há algo que eu realmente odeio são agulhas. Apertei os olhos e inspirei fundo.

– Seja rápido, por favor. — supliquei, suando frio.

– Tem medo de agulhas, não? — sorriu o homem, enquanto aplicava o medicamento.

– Digamos que sim. — amedrontada, eu apertava o lençol da maca.

Senti um arrepio percorrer todo o meu braço, onde a agulha era inserida.

– Prontinho. — disse ele, colocando um pequeno esparadrapo onde havia me picado com a agulha, tocando de leve minhas costas. — Seus pais te esperam na diretoria, está liberada.

– M-meus pais? — gaguejei, arregalando os olhos.

Então desci da maca num pequeno pulo. Ainda podia sentir as pernas dormentes.

Abri a porta, e lá estava meu grande público: toda a escola. Uma grande multidão, aglomeravam-se entre si, sussurrando, rindo e apontando para mim.

Fiquei estática diante da porta, Ryan estava entre a multidão.

Saí de vagar, cabisbaixa, tentando apenas ignorar as piadas e insultos de todos.

Quase atravessando toda aquela gente, ouvi uma voz gritar:

– Deixem ela, seus imbecis! — deixando me boquiaberta.

Então senti a presença de alguém, atrás de mim. Virei de imediato para ver quem era meu "defensor", eu não reconhecia sua voz, precisava ver seu rosto.

– Você está bem? — disse, segurando meu braço.

Ergui meus olhos para fitar o seu rosto.

– Ryan... — emocionada, meus olhos se encheram de lágrimas.

Ryan...

Notas finais
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