Another Life
34 Charter 34
Notas iniciais
Acomodado no sofá e devidamente arrumado pra ir ao almoço, Arthur esperava por Sara. Olhou no relógio de pulso que a morena havia lhe dado e constatou que se ela demorasse mais um tempo pra descer, eles chegariam além do horário marcado por Lucy.
Ele não conseguia evitar de sentir um pouco de nervosismo com o fato de conhecer a amiga de Sara. E se ela lhe reconhecesse de algum lugar? Não! Ia ser coincidência demais!
Será que Sara lhe apresentaria a ela como apenas um amigo ou como algo além disso?
E sua amiga, será que não lhe acharia velho demais pra Sara, caso a jovem lhe dissesse que eram mais do que amigos?
Ele não se importava com isso, mas os demais pareciam que sim. Ou confundiam as coisas, como foi no caso aquele senhor na livraria. Mas de qualquer forma, o que os demais pensam ou deixam de pensar, não era relevante pra ele, pois quem devia se importar era Sara, e ela já deixou bem claro que não vê problema algum na diferença de idade deles.
E deixando essa questão de lado, ainda havia outra coisa que estava lhe deixando nervoso, e mais que isso, preocupado. Tratava-se do fato de aquele tal Michael estar presente naquele almoço. Ele que não se atrevesse a se engraçar ou tentar dar em cima de Sara na sua frente, que aquele almoço acabaria por ser bem indigesto pra ele.
Um pouco mais de esperar ali na sala e Arthur viu Sara aparecer pronta pra irem.
Foi inevitável para o homem de olhos azuis não se encantar com a visão de Sara.
Ela estava linda e aparentando mais jovialidade ainda trajando um vestido claro e de alças delicadas, sapatilhas, cabelos presos em um rabo-de-cavalo que deixava seu rosto que possuía uma leve maquiagem, mais em evidência.
—Você conseguiu a proeza de ficar ainda mais linda do que já é.
Ele confessou sem esconder seu fascínio e encantamento pela jovem.
Ela sorriu estasiada com sua confissão e o brilho que via reluzir dos seus olhos que a fitavam.
—E você também está lindo!
A barba bem aparada havia lhe deixado melhor ainda e a roupa que escolheu para usar também. Ele vestia uma camisa de botão na cor azul escura, calça jeans numa lavagem mais clara e nos pés um sapato escuro.
—E cheiroso! — Ela afirmou após se aproximar o bastante dele pra sentir o agradável cheiro do perfume que havia lhe dado.
—E você também!
O perfume dela era inebriante e estava lhe tirando o juízo, que nem o dele estava fazendo com ela.
Eles cuidaram de fechar as janelas que ainda estavam abertas, trancaram a porta da cozinha que dava para o quintal, pegaram a sobremesa que Arthur preparou e então saíram de casa. Sara trancou a porta de entrada da casa e o casal se dirigiu para o carro. Logo, eles partiam dali em direção a casa da amiga de Sara.
—Sara!
—Oi!
—Como pretende me apresentar à sua amiga? Como apenas seu amigo ou... como um namorado?
Ele quis tirar aquela dúvida antes de chegarem lá na casa da tal Lucy. Aquela questão estava lhe corroendo.
—Namorado?? — Sara o olhou rapidamente.
—Sim, namorado! Nós estamos namorando, não estamos?
Ao menos era assim que ele via aquela relação deles.
—Estamos?
—Pra mim sim. Pra você não?
Ele não conseguiu esconder sua frustração por ver que ela não considerava daquela forma o que tinham. Será que pra ela era só um caso qualquer aquilo?
—Eu não lembro de ter sido pedida em namoro por você.
—Como??
—Você não me pediu em namoro, Arthur. Então não posso te apresentar para as pessoas como um namorado.
Ele sorriu de alívio ao ver o sorriso dela ao terminar de falar aquilo. Então era isso. Ela queria um pedido? Assim seria.
—Não seja por isso. Sara, você quer namorar comigo?
—Deixa eu pensar... Hum... claro que sim!
Aproveitando que havia parado o carro por conta do sinal vermelho no semáforo, Sara beijou Arthur.
—Agora vai me apresentar como seu namorado?
—Vou... namorado!
Ela lhe deu outro beijo e logo já retomava a direção do carro após o semáforo abrir, pra eles seguirem viajem.
Poucos minutos depois, eles já tocavam a campainha da casa da amiga de Sara localizada num conjunto residencial há poucos minutos de East Wood.
—Sara!
Lucy sorriu e abraçou a amiga tão logo abriu a porta e deu de cara com a jovem e seu acompanhante logo mais atrás dela. Assim que as duas mulheres se separaram, Sara tratou de fazer as devidas apresentações e pôde ver a surpresa estampar o rosto de Lucy assim que lhe apresentou Arthur como seu namorado.
—Pensei que tivesse dito que ele era apenas um amigo?
A mulher mais velha não resistiu em saber.
—E ele era. Mas a convivência acabou fazendo com que a gente se apaixonasse um pelo outro e... bom somos namorados agora. — Explicou toda sorridente a jovem à amiga.
Lucy dissimulou bem sua decepção por aquilo. Ela já tinha criado expectativas sobre Sara namorar seu irmão, mas ao que parece isso não aconteceria. Sua amiga já estava envolvida com aquele homem bonito e charmoso, porém visivelmente mais velho que ela. De qualquer modo, Lucy ficou contente por ver que Sara aparentava estar feliz. Desde que conheceu a jovem, ela nunca a tinha visto assim tão sorridente e com o olhar brilhante de felicidade. Ao que parece esse Arthur apesar de mais velho estava fazendo bem a sua amiga. Todavia, Lucy também ficou triste pelo seu irmão, ele já estava encantado com Sara. E assim que Michael soubesse que a morena estava comprometida, ele certamente, se desapontaria.
A dona da casa deu passagem para que seus convidados adentrassem e já dentro do imóvel, Sara contou sobre a sobremesa que eles tinham trazido.
—Sara não era preciso se incomodar e trazer algo.
—Não foi incômodo algum. Eu não queria chegar de mãos abanando então pedi ao Arthur pra preparar essa sobremesa.
—Você quem fez?
—Sim! Espero que esteja boa.
—Eu tenho certeza que vai estar, amor. Ele ótimo na cozinha, Lucy.
—Um homem que sabe cozinhar é tudo de bom!... Eu vou só guardar a sobremesa na geladeira e volto já. Lewis larga esse videogame um instante e venha cumprimentar a tia Sara e o namorado dela.
Enquanto a mulher foi guardar o doce na geladeira, seu filho mais velho fez o que ela "pediu".
—Oi, tia Sara! — O garoto de sete anos a cumprimentou lhe dando um abraço. Depois, ele fez o mesmo com Arthur quando Sara o apresentou ao menino. _Eu tenho um amigo na escola que se chama Arthur também.
—Verdade?
O garoto assentiu pro homem.
—Arthur é um nome bonito. Assim como Lewis, não acha?
—Acho. Mas o meu nome é mais bonito que o seu.
Tanto Arthur quanto Sara sorriram dá esperteza do garoto ao dizer aquilo.
Lucy retornou da cozinha e Sara lhe indagou sobre Doug. A mulher mais velha disse que ele estava no quarto de repouso como o médico indicara.
—Gostaria que desse uma olhada nele pra mim, Sara.
—Claro!
—Você não se importa de ficar um instante só na companhia do meu filho enquanto Sara vem comigo, não é Arthur?
—De maneira alguma!
As duas mulheres seguiram casa adentro e Arthur ficou ali na sala com Lewis que havia retornado ao seu jogo de videogame. O garoto desde que ganhou aquilo do tio não saia mais da frente da TV.
—Você sabe jogar videogame, Arthur? — Lewis quis saber sem tirar os olhos da TV. O jogo que o garoto jogava era um de corrida.
—Não!
—Eu te ensino. É fácil. Segura o controle.
Dando pause no jogo, o menino estendeu o objeto a Arthur e começou a lhe dar as instruções como seu tio lhe ensinara.
—Você controla a direção do carro nesses botões aqui da... direita.
—Essa é a esquerda. — Sorrindo, Arthur corrigiu o garoto.
—Isso. Eu sempre me engano com isso de direita e esquerda. — Contou o garoto de maneira engraçada e coçando a cabeça, fazendo Arthur rir do seu jeito espontâneo. _Esses da... direita, né? — O menino olhou pra Arthur esperando sua confirmação.
—Exato. Esses, sim, são da direita.
—Então desses quatro da direita, você usa só os de cima. Esse é para acelerar... — apontou para o primeiro botão. _... E esse aqui pra frear. — apontou o botão ao lado.
—Ok!
Enquanto na sala Arthur se aventurava em começar a jogar videogame com Lewis, no quarto do irmão do garoto, Sara atendia ao pedida de sua amiga e dava uma olhada no estado de saúde de Doug.
Lucy contou que o garoto não teve mais febre e vinha seguindo religiosamente as recomendações que o médico passara.
—Se continuar assim logo ele estará recuperado. — Ela afagou os cabelos do garoto.
—Ainda vai demorar muito pra eu ficar bom, tia Sara? É que eu quero brincar lá fora e a mamãe não deixa.
—Vai demorar mais uns dias. Enquanto isso você precisa obedecer a sua mãe e não ir brincar lá fora, porque isso não seria bom pra você, tá bom?
—Tá!
O menino não pareceu nada satisfeito com isso. Imperativo como ele só, estava sendo difícil pra Lucy mantê-lo quieto e de repouso naquela cama.
—Sara não teria problema em ele ficar na sala conosco? É que fico com pena de deixá-lo sozinho no quarto.
—Não tem problema algum nisso. Claro que ele pode.
—Posso mesmo tia Sara?
—Pode!
—Eba!
O garoto se levantou da cama rapidamente, calçou seu chinelinho e saiu correndo do quarto.
—Doug não corre! Meu Deus. Por que criança só sabe correr?
—Não faço ideia. — Sara sorriu pra amiga.
As duas mulheres seguiram pra sala e encontraram os filhos de Lucy e Arthur se divertindo com o videogame.
—Ganhei de você de novo! — Lewis comemorou todo sorridente sua segunda vitória consecutiva em cima do mais novo amigo.
—Ah, você é muito bom nisso.
Arthur fingiu indignação. A verdade é que ele de cara pegou o jeito do jogo e ganhou na primeira corrida de Lewis, mas ao ver que o menino ficou desapontado consigo próprio, o homem de olhos azuis resolveu então perder e deixar as glórias da vitória apenas para o garoto, somente para vê-lo contente.
—Posso jogar no seu lugar, tio? — Doug que estava sentado no colo de Arthur pediu a ele aquilo.
—Claro, campeão. Toma! Ganha do seu irmão por mim.
—Pelo visto os meninos gostaram do seu namorado. — Lucy comentou baixo com Sara enquanto elas observavam da porta os três que se encontravam sentados diante da TV no tapete da sala.
—Arthur é uma pessoa incrível. — A morena não escondeu seu encantamento pelo namorado.
—E você tá bem apaixonada por ele.
—Tá muito na cara isso?
—Sim!
É difícil esconder a felicidade de se estar apaixonada e amando alguém.
—Faz quanto tempo que você o conhece?
—Uns anos. — Mentiu.
—E de onde vocês se conhecem? Pelo que me lembro nunca ouvi você mencioná-lo até aquele dia em que fui a sua casa.
Sara ficou um pouco tensa, mas disfarçou. Ela não podia contar a sua amiga a verdade, pois certamente Lucy lhe aconselharia a fazer o que tinha que ter feito desde o princípio, levar Arthur à uma delegacia para que a família dele fosse encontrada. E agora, mas do que nunca, Sara não queria fazer isso e correr o risco de perder aquele homem por quem havia se apaixonado.
Então por isso mesmo, ela resolveu mentir pra amiga. Detestava mentiras, mas aquela era por uma boa causa, por assim dizer.
—Nos conhecemos do hospital onde eu trabalhava.
—Ah, ele é médico também?
—Não!... Ele trabalhava na administração do hospital. — Inventou. Não podia deixar Arthur se passar por médico sendo que claramente, ele não aparentava ter o menor jeito pra ser um.
—Ah, sim!... Ele é bonitão, Sara.
Lucy não resistiu em comentar. Aquele homem era um colírio para os olhos. Sua amiga era uma sortuda por ter um desses com ela.
Sara olhou pra amiga e sorriu.
—É, ele é sim bonitão!
—E visivelmente alguns anos mais velho que você.
Aquilo não era pra ter saído, mas quando Lucy viu já tinha dito. Ela já ia se desculpar com a amiga por aquilo quando Sara lhe disse:
—Eu não me importo com isso. Me apaixonei por ele independente da idade que tenha, Lucy. Ele podia ter a minha idade ou até ser mais velho do que é, que o sentimento ia ser igual da mesma maneira, porque eu me apaixonei pelo que ele é por dentro. E o Arthur é uma pessoa incrível, como eu te disse ainda à pouco.
Depois de ouvir tais palavras, Lucy se sentiu mais ainda na obrigação de se desculpar com a amiga por seu comentário que saiu sem querer.
—Desculpa. Eu não quis ser indelicada no meu comen...
—Tudo bem, Lucy. Não precisa se desculpar e nem se explicar. Eu te entendo.
—Você não ficou aborrecida com o que eu disse, não é?
—Não. Você só disse a verdade. Ele é mais velho alguns anos que eu mesmo. Mas isso não tem importância alguma pra mim e nem pra ele. A gente se gosta e é isso que importa no fim das contas, não é?
—Com certeza!
—Mas agora mudando de assunto, onde está o seu irmão que ainda não o vi?
—Ele foi a cidade comprar umas cervejas.
—Hum...
Elas viram Doug comemorar com Arthur o fato de ter vencido o irmão mais velho e sorriram deles.
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