Another Life
35 Chapter 35
Notas iniciais
Os três adultos conversavam ali na sala acomodados no sofá enquanto que os filhos de Lucy se distraiam jogando videogame sentados no chão, quando a porta de entrada se abriu e Michael apareceu.
Arthur de cara notou logo o sorriso largo e feliz que o outro homem esboçou assim que notou a presença de Sara ali e isso não lhe agradou nada.
Para Arthur estava mais do que na cara que aquele Michael estava visivelmente interessado na mulher sentada ao seu lado, mas para o total azar daquele sujeito e sorte de Arthur, ele tinha conquistado primeiro o coração de Sara.
—Puxa, Michael quanta demora! — Reclamou Lucy com o irmão enquanto levantava do sofá e ia até Michael pra pegar as sacolas do supermercado que ele trouxe.
—Encontrei um conhecido e a gente ficou um pouco de papo.
—Deixa que eu coloco as cervejas pra gelar.
Michael entregou à irmã as sacolas com as bebidas. E tão logo, Lucy saiu da sala pra ir a cozinha guardar as bebidas, Michael se aproximou do sofá e cumprimentou Sara com um demorado abraço, quando a mesma se levantou do móvel pra cumprimentá-lo.
—Oi! Que bom que veio mesmo! — Michael falou com alegria. Ele chegou a duvidar um pouco que a morena viesse, mas que bom que isso não aconteceu e ela veio.
Quem não gostou nada de ver tal cena dos dois se abraçando e mais ainda, de ver a 'empolgação' do irmão da dona da casa com Sara, foi Arthur. O ciúmes corroeu o homem de olhos azuis com aquilo tudo e fez sua expressão endurecer na hora.
—Eu não teria porquê não vir. — Sara rebateu ao irmão de sua amiga enquanto eles desfaziam o abraço.
—Claro.
—E trouxe o Arthur comigo.
A jovem se virou apontando o homem de olhos azuis já em pé atrás dela.
—Ah, oi, Arthur! Como vai?
Sem jeito, pois ainda não tinha sequer notado a presença do outro homem ali já que seus olhos se prenderam somente na imagem de Sara, Michael saudou o homem de olhos azuis e lhe estendeu a mão para cumprimentá-lo.
—Vou muito bem. Obrigado! — Arthur respondeu secamente e apertando a mão de Michael. Sua vontade era de não aceitar aquele cumprimento, mas por pura educação ele o aceitou.
—Dá pra ver que realmente está muito melhor do que quando nos conhecemos na casa da Sara.
—Pois é. E devo essa recuperação à Sara, que cuidou e continua cuidando muito bem de mim, não é meu amor? — Sua expressão se suavizou ao mencionar isso e Arthur abraçou a namorada. Propositalmente, ele ainda lhe deu um beijou rápido na frente de Michael.
O biológico pego de surpresa com aquela cena, tentou disfarçar seu mal-estar por aquilo dando um sorriso "amarelo". Sara aparentemente não notou que aquele gesto de Arthur foi pra provocar Michael. E ela também nem percebeu a decepção e o desconforto do irmão de sua amiga ante aquela situação toda, mas seu namorado e Lucy que havia retornado à sala naquele instante, notaram isso. Porém, uma coisa Sara notou e estava estranhando, era o fato de Arthur está sério demais e parecer tenso quando a abraçou.
E realmente seu namorado estava assim mesmo.
Arthur agora encarava Michael satisfeito por seu feito. Havia beijado Sara justamente para deixar claro para o homem a sua frente, que a jovem e ele estavam juntos, portanto, Michael que não se atrevesse a tentar nada pra cima da morena, porque ela já tinha alguém.
Michael entendeu bem o "recado" de Arthur mandado através daquela situação que ele causou.
O pobre biólogo tinha esperanças de quê aquele almoço lhe proporcionasse a chance de se aproximar mais de Sara e assim arriscar um convite pra chamá-la pra sair. Todavia, depois dessa cena, ele se deu conta que já era tarde pra tentar ter algo com aquela encantadora mulher. O "amigo" dela parece que passou na sua frente e a conquistou primeiro. Uma pena!
—Que bom que têm uma ótima médica ao seu lado pra cuidar bem de você. — Michael comentou em mais uma forma de tentar não demonstrar que lhe afetou a cena ali.
—Médica e namorada!
Arthur encheu a boca pra dizer a última palavra.
Pronto!
Enfim tinha dito o que queria dizer e havia deixado mais claro ainda para o biólogo sobre a relação que havia entre ele e Sara.
Pra Michael não havia necessidade de Arthur ter dito aquilo, pois somente a cena feita por ele já falava por si só. Mas ao que parece o namorado de Sara queria deixar aquilo mais explícito ainda.
—Melhor ainda pra você que tem uma namorada médica pra cuidar de você, não é mesmo?
—Sem dúvida alguma!
—Acredito que seja também um pouco de sorte sua isso, não?
—Uma sorte que certamente alguns gostariam de ter e não têm, não é verdade?
Vendo a forma como os dois homens se encaravam e o clima que se formava entre eles enquanto trocavam aquelas palavras, foi que Sara percebeu o que de fato estava acontecendo ali. Estava rolando um "enfrentamento" entre aqueles dois por causa dela.
Aqueles dois pareciam dois adolescentes prestes a irem as vias de fato por causa dela. E ela não ia permitir que aquilo acontecesse. Olhou pra sua amiga pedindo ajuda pra dar um basta naquilo e Lucy pareceu entender direitinho seu recado.
—Que tal vocês encerrarem esse papo e a gente ir lá pra fora conversar sobre coisas mais... amenas? — Propôs Lucy dando bastante ênfase a última palavra. Sara agradeceu mentalmente pela amiga ter intervido daquele jeito.
—Por mim tudo bem. — Arthur concordou no mesmo instante. O recado que ele tinha que dar a Michael, ele já deu e agora estava tudo certo, desde que àquele sujeito não se atrevesse a se meter com Sara.
—Eu primeiro preciso tomar um banho, Lucy. Tô todo suado. Depois me junto à vocês lá fora. Com licença!
Michael passou feito um raio por Sara e Arthur, e sumiu casa adentro.
"Coitado", pensou Sara.
—Bom enquanto o meu irmão toma o banho dele, a gente vai lá pra fora. Eu coloquei uma mesa na varanda do quintal pra almoçarmos lá. Vamos?
—Sim!
—Meninos, vocês fiquem aqui brincando no videogame, ok?
—Sim, mãe.
—Vamos? — Lucy convidou Sara e Arthur à seguirem-na.
Enquanto seguiam Lucy ao quintal, Sara olhou para o seu namorado que seguia ao seu lado, e em um tom baixo, que somente eles dois ouvissem, ela lhe murmurou:
—Quando chegarmos em casa vamos conversar sobre o que aconteceu naquela sala, Arthur.
Pelo tom sério na voz dela, Arthur deduziu que estava encrencado pelo que fez. Sara pelo visto, não aprovara nada aquela situação que aconteceu. Mas o que ele podia fazer se segurar o ciúme não parecia ser seu forte. Ele não conseguia "domar" aquele sentimento. Era algo mais forte que ele.
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