Notas iniciais
Encantada com as boas vindas que recebi nesse meu retorno. Obrigada, meninas. E Bruh quanto as fotos elas logo começaram a ser tiradas pelo casal.

Acomodados à mesa posta por Lucy ali na varanda do quintal de sua casa, as duas mulheres tentavam manter um clima ameno e agradável, mas o ocorrido na sala parece que não deixava. Michael estava visivelmente incomodado e meio que intimidado com a presença de Arthur que vez ou outra o encarava de semblante fechado.

Lucy tava se sentindo péssima com aquilo. Era pra ser outro clima ali, não aquele tenso e pesado.

Já Sara se sentia mais péssima ainda, pois foi ela quem trouxe Arthur e foi justamente, ele quem deixou as coisas daquele jeito com aquela situação toda na sala, logo após Michael chegar.

A jovem fitou o biológo sentado a sua frente e sentiu dó dele. Parecia um coelho acoado em seu canto. Ele nem lembrava o sujeito falante e sorridente que conheceu em sua casa. Mal havia falado desde que veio do quarto após ter ido tomar um banho, como disse que faria. Ele apenas bebericava sua cerveja enquanto sua irmã falava. Sara em determinado momento, resolveu puxar conversa com ele pra tentar amenizar a situação.

—Michael quanto tempo mais vai permanecer em East Wood?

De canto de olho, ela notou seu namorado encará-la pela pergunta feita. Nem se atreveu a olhar pra ele. Estava chateada com o que ele fez. Sem necessidade aquilo.

—Por mais duas semanas.

—Aposto que já deve estar com saudades do mar.

—Com certeza. — Ele afirmou com um sorriso e passando o dedo pela borda do copo com sua cerveja. _Ficar em terra não é muito a minha praia. Passo a maior parte do meu tempo sobre as águas, que quando estou em terra me sinto um "peixe fora d'água".

—Deve ser estranho pra você mesmo isso.

—Sim.

—Desde criança o Michael adorava água e bichos, não é mano?

Ele assentiu pra irmã enquanto bebericava sua cerveja.

—Ele dizia pros nossos pais que quando fosse adulto trabalharia no mar, cuidado dos bichos que vivem lá.

—Eu também desde criança já sabia que queria ser médica. Mas abandonei a profissão em virtude de uma situação que me deixou muito abalada e sem condições de continuar clinicando.

—Sinto muito. — Michael lhe disse.

Ele ficou com curiosidade em saber a razão que motivou Sara a largar a profissão, mas não achou de bom tom perguntar. Tentaria descobrir depois com sua irmã, se ela soubesse é claro.

—E é uma pena você ter abandonado a profissão, porque dá pra ver que você é uma excelente médica.

—Obrigada. Mas eu não sou tão boa assim.

Se ela fosse, certamente, seu pai estaria vivo.

Mas uma vez Michael ficou sem entender o motivo pelo qual ela disse aquilo e também o fato dela ter mudado seu semblante, e adquirido um ar tristonho. Mas ao contrário dele, sua irmã e Arthur que até então só prestava atenção calado àquele papo dos dois, sabiam bem porque daquilo acontecer com Sara. E coube a Arthur tomar a iniciativa de intervir naquilo.

—Você é sim, uma excelente médica, meu amor. Independente do que houve, você é. Além do mais, olha pra mim, se não fosse por você e seus cuidados, eu não estaria bem desse jeito.

Tão logo, ele disse isso e foi a vez de Lucy endossar mais o discurso feito por Arthur.

—Seu namorado tem razão, Sara. Você é uma excelente médica. E também se não fosse você, eu continuaria pensando que o que o Doug tinha era só uma virose como aquele povo do posto médico de East Wood disseram que ele tinha. Foi você quem descobriu que o meu filho tinha pneumonia, e só de bater o olho nele que você disse isso.

—Viu como você é uma boa médica, honey?

—Eu não acho que eu seja.

—Mas você é. — Lucy afirmou dando uma olhada pra Arthur que assentiu em concordância com o que a mulher disse. _E sabe o que seria bom? Você superar o que aconteceu e voltar a clinicar. O posto de East Wood precisa de uma médica como você.

—Isso seria bom, honey.

—Não! Eu não tô preparada pra isso. Talvez nunca esteja!... Agora, se me dão licença, eu preciso ir ao banheiro, Lucy.

Ela precisava sair dali ou choraria na frente deles e não era isso que queria. Sem contar, que esse foi o melhor jeito que arranjou pra pôr fim naquela conversa toda.

—Claro. Você sabe onde fica. Vai lá.

Ela saiu imediatamente dali.

—Ela não consegue superar isso.

—É difícil demais pra ela. Mas eu tenho esperança que um dia, ela consiga.

—Me desculpem, mas alguém pode me explicar o que acabou de acontecer? E o que é isso que Sara não supera?

Michael não estava entendendo nada. Ele apenas assistiu calado a todo o desenrolar daquilo que aconteceu ali em sua frente e ficou sem entender absolutamente nada.

Lucy fitou Arthur como que pedindo sua autorização pra ela mesma contar. Ele assentiu pra ela e logo em seguida disse que ia atrás de Sara saber como ela estava. Lucy lhe explicou o caminho para o banheiro e ele seguiu pra lá. Tão logo o homem de olhos azuis saiu dali, a mulher começou a explicar resumidamente ao irmão o que ele queria saber.

Arthur chegou a porta do banheiro e antes de bater, ouviu que Sara chorava. Aquilo doeu em seu coração. Mentalmente, ele xingou Michael. A culpa era dele.

—Sara abre pra mim, meu amor. — Pediu após dar três batidas de leve na porta que se encontrava trancada.

Levou apenas alguns segundos pra ele ouvir o barulho da porta sendo destrancada e ser aberta por Sara. Ao se deparar com a visão dela com o rosto molhado pelas lágrimas, Arthur se sentiu péssimo. Detestava vê-la assim.

Abraçou a namorada e tratou de fechar e posteriormente, trancar a porta do banheiro.

—Aquele tal de Michael não tinha nada que tocar nesse assunto. — Resmungou aborrecido com o outro sujeito.

—Ele não sabe o que aconteceu, Arthur.

—Deu pra perceber. Mas nesse momento, ele deve tá sabendo a idiotice que fez. A Lucy ia contar pra ele, pois o mesmo perguntou o que tava acontecendo.

—Será que eu nunca vou superar isso, Arthur?

—Vai, sim, meu amor. Eu tenho certeza disso. Agora... — Ele desfez o abraço deles e deslizando as mãos pelo braço dá namorada, lhe disse: _... Que tal, agora, você enxugar essas lágrimas, colocar um sorriso nesse rosto lindo e voltar comigo pra varanda? Tem um almoço especial esperando por você.

—Às vezes, eu acho que você é um anjo que apareceu na minha vida pra me tirar da escuridão.

—Na verdade, o anjo aqui é você, que salvou a minha vida ao me encontrar naquele dia. Você é uma excelente médica, meu amor. Nunca duvide disso. O que aconteceu com seu pai foi uma fatalidade da qual você não é culpada. Entendeu?

Ela apenas assentiu.

—Agora, vamos fazer o que eu disse?

Ela se recompôs enxugando as lágrimas e em seguida disse ao namorado que eles já podiam ir. Mas pra Arthur ainda faltava uma coisa.

—Cadê o sorriso que eu pedi?

—Eu não consigo sorrir espontaneamente agora. Só forçadamente.

—Forçadamente não serve. Quero um sorriso espontâneo. E já que não consegue um assim, eu vou dar uma razão pra você conseguir sorrir desse modo.

—Arthur acho melhor irmos. A Lucy já deve tá preocupada.

—Eu não saiu daqui sem um sorriso seu.

—Ah, então o que pretende fazer pra me tirar um sorriso espontâneo?

Ela cruzou os braços e lhe fitou feito uma garota emburrada.

Ele sorriu daquilo.

Depois segurando em suas mãos, lhe falou:

—Dizer que: ... Eu te amo!... E que sou completamente louco por você!... Será que depois disso, eu não mereço um sorriso lindo?

Não só merecia um sorriso, como um abraço e um beijo que Sara fez questão de lhe dar nessa exata sequência.

Aquela era a primeira vez que ele lhe dizia aquilo e ela parecia ter ido ao céu com aquele "Eu te amo". Hank havia lhe dito isso também quando estavam juntos, mas Sara podia ver que o sentimento expressado por Arthur naquelas palavras eram verdadeiros demais. Não que em Hank não fosse, talvez até fosse, ou não, vai saber. Mas se fossem, não eram com a intensidade com a qual via refletir naqueles incríveis olhos azuis do homem diante dela.

—Eu também te amo!... Amo como nunca amei ninguém antes. — Ela murmurou com um sorriso nos lábios assim que sua boca se separou da de Arthur.

Ele sorriu enternecido com a recíproca declaração dela. Nada parecia mais certo do que eles dois juntos e aquele amor imenso que os unia, e só fazia crescer.

—Muito bom saber disso. E esse era o sorriso que eu queria ver em você. Só é uma pena que eu tive que me declarar num banheiro pra conseguir isso. Não foi muito romântico dizer "Eu te amo", num banheiro.

Ela sorriu e ele também. Estava ensaiando dizer essas três palavras à ela em um momento mais oportuno e romântico, mas não resistiu e teve que dizer pra afastar a tristeza dela e trazer àquele rosto lindo, um sorriso bonito.

—Não importa o lugar, mas sim a verdade contidas nessas palavras. E foi exatamente isso que eu senti e vi. Agora acho que podemos voltar pra lá, não é mesmo?

—Podemos sim, meu amor!

Notas finais
Arthur e seu jeito tão fofo e apaixonado. Ô homem bom demais! Sara tem sorte de ter um desses. E não é só com esse "Eu te amo" que ele vai surpreendê-la nesse almoço. Ainda tem mais uma coisinha que ele vai dizer que vai deixá-la sem ação. Um beijo e até o próximo.