Another Life
37 Chapter 37
Notas iniciais
Assim que eles retornaram, Michael já sabendo pela irmã da tragédia ocorrida na vida da jovem morena, fez questão de pedir desculpas à ela por ter tocado num assunto que até então não sabia que fazia mal à Sara. A morena aceitou suas desculpas e tratou de tranquilizá-lo dizendo que não tinha problema, pois ele não sabia o que havia acontecido no seu passado. Mas que ele não se preocupasse porque agora estava tudo bem com ela.
Por incrível que pareça, o ocorrido fez o clima deixar de ser tão tenso como estava sendo. E com isso, o almoço transcorreu em um clima até mais ameno e agradável do que se encontrava antes.
Lucy sabendo que a amiga é vegetariana preparou um prato especial pra ela e outro prato para os que não eram vegetarianos como a morena.
O almoço preparado pela mulher foi elogiado tanto por sua amiga quanto por Arthur que adorou a comida de Lucy e até fez questão de repetir mais uma vez o prato feito por ela.
Depois foi a vez da sobremesa trazida por Sara e feita por Arthur, receber os devidos elogios de todos ali. Os filhos de Lucy se lambuzaram com o doce, mas Doug não pode comer muito, ao contrário, do irmão que comeu três vezes e se sua mãe não intervisse era capaz do garoto comer muitas vezes mais. Lewis disse que o musse de chocolate feito por Arthur estava melhor que o que a avó dele fazia.
—Deixa sua avó saber disso.
—Não conta pra ela, mamãe. — Pediu o garoto com a boca toda lambrecada de chocolate.
—Pode deixar.
—Vou voltar pro videogame. Vem, Doug.
Os dois correram de volta pra sala.
—Ainda estou tentando descobrir se esse seu presente foi bom ou ruim, Michael. — Lucy comentou fazendo os outros adultos sorrirem.
—Veja pelo lado bom... os dois agora estão mais comportados e não aprontam tanto quanto antes, pois passam a maior parte do tempo na frente da TV.
—Mas TV em excesso não é tão saudável assim. — Contra-argumentou a irmã dele.
Sara concordou plenamente com a amiga. Inclusive a morena contou que seus sobrinhos dificilmente ficam em frente a TV por mais de uma hora. Sua cunhada adoraria que eles ficassem assim, mas não rola.
Os gêmeos não conseguem. São hiperativos e adoram tá correndo e brincando na praia, nadando, subindo em árvores que haviam no quintal da casa onde viviam. O lazer deles era esse de estar em contato constante com a natureza.
—Nesse mundo tecnológico de hoje é bom ver que ainda existem crianças que prezam por esse tipo de diversão.
—Com certeza. Meu irmão é que nem os filhos. Confesso que eu também sou um pouco assim. Não gosto dessas modernidades. Tanto que não uso celular, não tenho TV em casa. Os meus sobrinhos são assim que nem o pai e eu.
—Mas é bom que eles sejam assim, ligados a natureza e desligados dessas tecnologias todas.
—Minha cunhada que diz: "Não sei como vocês conseguem viver sem ao menos ver TV!". Mas, a verdade é que tanto Andrew quanto eu nos acostumamos a ser assim. Ele quando criança não fazia questão alguma de sentar e ficar vendo televisão, pois adorava brincar na rua. Se fosse fazer vontade, Andrew passava o dia na rua e só apareceria em casa pra dormir. E eu, apesar de ficar em casa o tempo todo, não me ligava em TV. Se eu não estava brincando com minhas bonecas de ser médica, estava lendo. A literatura sempre foi a minha segunda paixão e uma boa distração.
—Ah, quem me dera os meninos fossem de ler. Nenhum deles é disso. Só pegam nos cadernos da escola porque cobro deles.
—Mas crianças nessa idade quer saber só de brincar. Ainda mais meninos arteiros como eles.
Michael resolveu defender os sobrinhos. Os entendia, pois na idades deles era assim mesmo, ao contrário de sua irmã, que já desde pequena sempre fora mais de estudar que ele. Seu interesse no estudo só foi chegar mesmo quando já estava com mais idade mesmo, lá para seus dez onze anos mesmo.
—E você, Arthur, não diz nada? Fica só caladinho aí.
Ele apenas estava ouvindo quieto aquela conversa toda. Não tinha nada a opinar ali.
—É que não tenho muito o que dizer à esse respeito.
Ele se limitou em responder. Preferia ficar apenas de ouvinte e espectador daquele assunto debatido até então pelos outros três.
—Você não tem filhos?
—Não, não tenho.
Ele não fazia ideia se aquilo era verdade, mas torcia pra que fosse só para não magoar Sara. Pois se havia filho ou filhos em sua vida antes de perder a memória, certamente, havia uma mãe. Uma mulher que possivelmente, fosse ainda até sua esposa e ele não queria nem pensar nessa possibilidade. A verdade é que já não conseguia mais se enxergar tendo uma vida com outra mulher que não fosse Sara.
—Mas você deseja ser pai?
A pergunta lhe pegou um pouco de surpresa. Mas ele não teve dúvida alguma da resposta que daria. Olhou pra Sara e notou que ela lhe fitava à espera de sua resposta, assim como Lucy e Michael faziam. Então ele respondeu:
—Sim, desejo, Lucy. Mas isso vai depender da Sara... dela querer ser a mãe desse filho!
A morena ficou estática e sem poder de reação diante de tais palavras de seu amado. Não esperava por aquela outra declaração dele. Se não bastasse o "Eu te amo" do banheiro, agora, ele vinha com mais essa?
Um filho?
Meu Deus!
Não era cedo demais pra falar disso? Estavam juntos há tão pouquíssimo tempo pra isso.
Mas mesmo apesar da surpresa e porque não dizer também susto, que aquela revelação lhe causou, ela gostou e achou lindo saber que ele tinha aquele desejo. Ela também tinha esse desejo de um dia ser mãe, pois adorava crianças. Seus sobrinhos eram prova disso. Amava aqueles dois pimentinhas e adorava quando estava com eles. Mas Arthur e ela ainda estavam tão no começo daquela história deles, pra já cogitarem aquilo de filho. Tinham que ir devagar.
Além do mais, a qualquer momento, essa mesma história que estavam escrevendo juntos, podia deixar de existir pra ele, caso sua memória volte. Desse modo, tinha que ser mais cautelosa ainda.
E sem contar, que havia o fato de ele já ter ou não uma família formada em algum canto por aí com alguma mulher desconhecida. E esse era mais um motivo pra Sara ir devagar naquele relacionamento e principalmente, com essa história de filho.
Quem não gostou nada daquela declaração dada por Arthur ali, foi Michael. O biólogo depois dessa já deu mais ainda como perdida qualquer chance que podia vir a ter com Sara, pois estava mais do que na cara que tanto a jovem quanto seu namorado pareciam visivelmente apaixonados um pelo outro e ele não se meteria naquilo.
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