Another Life
96 Chapter 96
Notas iniciais
Tenho cem milhões de razões para me afastar
Mas amor, eu preciso de apenas uma boa razão para ficar
(Million Reasons — Lady Gaga)
***
Grissom sentiu uma das mãos de Sara tocar seu braço e subir de maneira lenta e carinhosamente pelo mesmo, passar por seu ombro até alcançar sua nuca fazendo-lhe arrepiar sob o tecido fino da camisa de linho.
—Não me peça desculpas, Grissom. Pra mim, você não tem culpa de nada.
Em seu entender a grande culpada de estar nessa situação toda seja ela mesma, que se envolveu com ele lá atrás sabendo do risco que poderia correr no futuro, quando ele recuperasse a memória e esquecesse deles dois.
—Você não merece estar passando por essa decepção de amar alguém que te esqueceu. E nem Amanda merece ser enganada como venho fazendo com ela. — ele levantou a cabeça pra olhar para Sara, que continuou com a mão tocando-o, agora, em seus cabelos.
Mesmo ciente de quê a resposta pra pergunta que faria a Grissom poderia não lhe agradar em nada, ainda assim, Sara arriscou em questioná-lo aquele respeito. Até porque na vez que lhe indagou, ele não respondeu.
—Gosta muito da sua noiva, não é?
Gosto dela tanto quanto aprendi a gostar de você nesse curto tempo em que já estamos nos encontrando!— pensou o empresário encarando Sara.
—Amanda é uma mulher especial! — antes que a médica tivesse tempo de se decepcionar com essa resposta, Grissom emendou dizendo: _E você também é, Sara!
Um misto de sensações fez um enorme rebuliço dentro dela por conta dessa sua última frase. Saber que ele lhe achava especial era bom, mais que bom. Era maravilhoso! E pelo que via nos seus olhos azuis, ele estava sendo totalmente verdadeiro ao dizer aquilo.
—Você também é especial... pra mim, Grissom! — ela admitiu trazendo sua mão que se encontrava nos cabelos dele pra tocar seu rosto liso, pela segunda vez naquela tarde em que estavam juntos.
—Pensei que o Arthur quem fosse especial.
Um sorriso bem discreto escapou do canto dos lábios de Sara.
—Você e ele são especiais. — afirmou a médica tirando a mão do rosto dele e desviando os olhos dos de Grissom pra fitar sua boca.
A jovem sentia tanta falta e principalmente, vontade de beijá-lo, voltar a apreciar o gosto dos lábios dele, a maciez do contato do beijo, as mil e duas sensações que beijá-lo lhe proporcionava. Enfim, tudo que quando sua boca tocava a dele, ela sentia. Mas ela sabia que isso só seria possível de novo no dia em que Grissom voltasse a ser Arthur.
Os olhos castanhos de Sara voltaram a fitar os azuis de Grissom e ela o encontrou fitando sua boca como ela própria fez há poucos segundos com a dele. E quando seus olhares se encontraram após os olhos do empresário se desviarem da boca de Sara, a médica detectou nos lindos orbes azuis do homem algo diferente do habitual, algo que lhe lembrou muito Arthur e seu jeito apaixonado de olhá-la.
—Eu sinto tanta vontade de lembrar de você, de verdade, Sara. — confessou Grissom olhando nos olhos dela e levando sua mão a tocar o lado esquerdo da face de Sara. Instintivamente a jovem fechou os olhos apreciando o toque dele. E enquanto ela estava com os olhos fechados Grissom aproveitou para mais uma vez 'estudar' cada contorno do rosto dela.
Por quê ele não conseguia lembrar dela?
Ela era linda, demonstrava um amor tão grande por ele, mas não havia qualquer recordação dela em sua mente e também nem vinha uma sequer.
—Só que eu não sei o que acontece comigo, Sara, que não consigo ter lembrança alguma de você ou... da gente.
Tudo o que ele tinha até agora eram apenas flashes de coisas ditas que vinham em sua cabeça, quando estava na companhia da jovem médica. Só que isso não era o bastante! Ele queria mais que isso!
—Talvez você ainda precise de um pouco mais de tempo pra lembrar. — ela rebateu abrindo os olhos pra fitar o empresário.
Era nessa possibilidade a qual ela se agarrava com força: tempo! Mas o tempo estava acabando, já que o casamento de seu amado com a noiva dele estava há alguns dias de ser realizado.
—Ou talvez eu nunca lembre, Sara! — foi a vez dele rebateu. _Você já parou pra pensar nisso?
Óbvio que já! Mas ela preferia nem cogitar isso. Ele ia lembrar dela e de preferência antes desse casamento.
—Já, mas eu sinto que você vai lembrar e acredito nisso!
Ele queria ter essa certeza toda que agora via nos olhos de Sara e sentia em sua voz, só que não conseguia.
—O que nós tínhamos e a história que construímos juntos enquanto você viveu comigo, foi forte demais pra ficar esquecida para sempre, Grissom. — ela terminou de falar num sussurro e encostando sua testa na dele, já que àquela altura eles se encontravam com os rostos próximos um do outro enquanto travavam aquele diálogo.
O contato fez ambos fecharem os olhos e se perderem por frações de segundos no perfume que sentiam do outro.
—Eu sinto tanta falta do seu amor! — Sara pronunciou ainda mantendo os olhos fechados e a testa unida a de Grissom.
O empresário por sua vez se viu admitindo internamente que queria poder lembrar de como era esse amor que como Arthur, ele sentiu por Sara. Nunca soube o que era amar alguém de verdade, e na primeira vez que isso aconteceu, ele acabou por esquecer como era ter esse sentimento por alguém.
—Eu te amava muito, Sara? — ele indagou enquanto seu nariz roçava leve e lentamente no dela em um gesto carinhoso.
Os lábios dela se esticaram num sorriso que Grissom não viu por ainda permanecer de olhos fechados.
—Nos seus olhos... nos seus gestos... nas suas declarações... em tudo, você deixava claro que sim... que me amava tanto quanto eu te amava e continuou te amando!
Seus olhos se abriram e se encontraram no mesmo segundo.
—Eu daria tudo por um beijo seu agora. — ela admitiu tocando a face dele carinhosamente enquanto ele ainda permanecia com a mão dele no rosto dela.
—Mas não seria certo eu fazer isso.
Essas palavras do empresário frustraram um pouco Sara.
Grissom após sua fala, desfez o contato de sua testa com a de Sara, e tirou a mão do rosto da jovem médica.
Ainda que ele, naquele momento sentisse uma enorme vontade de beijá-la pra descobrir qual seria o gosto dos lábios dela e o que sentiria ao trocar um beijo com ela, seus princípios e sua consciência o alertavam de não fazer isso, pois havia Amanda. Sua noiva não merecia mais aquela traição. Já bastava a que ele comenteu enquanto estava desmemoriado e vinha cometendo agora ao ficar se encontrando as escondidas com outra mulher sem o conhecimento de sua futura esposa.
—Por causa da sua noiva, não é?
Ela sabia que era. Da outra vez, ele lhe negou um beijo justamente por conta da noiva.
—Sim! — confirmou Grissom. _Seria tudo tão mais fácil se eu não tivesse Amanda e nem gostasse dela, Sara!
Ele podia se deixar levar e envolver com a médica sem o menor problema ou impedimento. Mas havia Amanda e ele ainda gostava da noiva, assim como, sentia que gostava da mulher que lhe fitava com certa decepção.
—Só que tem a sua noiva, não é?
Ele apenas assentiu e ela desviou o olhar dele por segundos pra encarar o mar. E ao retornar seu olhar para o homem ao seu lado breves segundos depois, Sara lhe disse que já queria ir embora. Pra ela o passeio tinha acabado ali.
Sem pronunciar nada ou fazer qualquer questionamento, Grissom concordou em levá-la embora dali.
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