Another Life
97 Chapter 97
Notas iniciais
Foi uma volta tão silenciosa quanto a ida. Cada um dos presentes no carro ia preso em seus próprios pensamentos conflituosos. E quando estacionou em frente ao hotel em que Sara estava hospedada, Grissom desceu do carro e foi abrir a porta pra jovem.
—Obrigada pelo passeio, Grissom. — agradeceu Sara ao se encontrar do lado de fora do carro e diante do empresário.
—Você ficou magoada comigo pelo que eu disse sobre Amanda, não foi?
—Não!
Magoada talvez não fosse bem a palavra a ser usada.
—Eu acho que ficou sim, mas você não quer me admitir isso.
—Não, eu não fiquei. E se tivesse não teria o menor problema em te dizer. — ela tocou o rosto dele com carinho. _A verdade é que eu fiquei triste e um pouco decepcionada, mas foi só isso. Não há mágoa. — ao fim de sua fala a médica retirou sua mão do rosto do empresário.
—Saiba que eu daria tudo pra lembrar de você e desse sentimento forte que eu sentia por você.
Sara apenas assentiu, sentindo que Grissom parecia estar sendo sincero no que falava.
—Bom, eu vou indo. Mais uma vez obrigada pelo passeio e o presente que comprou para o nosso bebê.
—Que isso, não precisa me agradecer por nenhum dos dois. Eu é que te agradeço a companhia. E me desculpa qualquer coisa.
—Não tenho o que desculpar. — ela lhe lançou um pequeno sorriso e se despediu dele dizendo-lhe um: até breve, e lhe deu um abraço, que Grissom retribuiu.
Bem, talvez eu não desista facilmente
E eu sei que isso é difícil ver
Mas eu gostaria que o tempo desacelerasse
Então, eu poderia manter o seu coração ao meu redor...
(For You — Gavin James)
O abraço durou apenas segundos, mas ficou a sensação em Grissom e Sara que pareceram minutos que eles ficaram preso um aos braços do outro.
—Até breve, Sara! — Grissom disse a médica após o abraço deles se desfazer.
Sara apenas lhe sorriu pra então seguir para a porta de entrada do hotel sendo observada por Grissom que esperou a jovem entrar no edifício elegante, e quando isso aconteceu, ele a viu acenar de lá de dentro pra ele. Retribuiu o gesto e só então, depois disso, foi que o empresário se dirigiu para entrar de novo em seu carro.
Já dentro do veículo Grissom colocou o cinto de segurança e antes de pôr a chave na ignição do veículo lançou um último olhar na direção do hotel na intenção de ver se Sara ainda estava por ali pelo saguão lhe observando pela parede de vidro do mesmo. Encontrou-a por ali, porém, a médica não estava lhe observando e sim, sendo abraçada por um homem loiro que Grissom não fazia ideia de quem fosse.
O empresário franziu a testa e sua mão no volante apertou o mesmo com força diante da tal cena que Grissom via de Sara nos braços de outro sujeito. Ver isso não foi agradável e ainda por cima, lhe deu uma sensação tão estranha e incômoda, que até então não havia sentido antes.
Ele ficou observando com desagrado e atenção os dois, que após o abraço ficaram trocando algumas palavras. Grissom notou que o sujeito parecia contente enquanto falava com Sara. Já a médica, o empresário não sabia, pois não via seu rosto já que ela estava de costas pra ele.
Quem devia ser aquele sujeito de papo com Sara?
Seria o tal conhecido com quem ela tomou café ontem?
Foi então que enquanto fitava os dois veio subitamente na cabeça do empresário, a imagem do mesmo cara abraçando Sara e depois pondo-se a bater papo com ela. Na sequência Grissom se viu trocando um aperto de mão com o sujeito enquanto Sara estava ao seu lado.
Aquilo era uma lembrança!
Ele tinha certeza disso!
Mas precisava de mais que aquilo. Precisava saber o nome daquele sujeito que agora parecia tão vividamente em sua memória.
Não fazia idéia de seu nome, pois isso não lhe veio a mente somente a imagem do sujeito. As cenas daquele cara com Sara estavam repassando na mente de Grissom repetidas vezes.
O nome dele! Como é?— Grissom se questionou mentalmente enquanto se esforçava pra tentar lembrar do sujeito, mas sem sucesso nisso.
Uma batida na janela do carro assustou o empresário e fez com que ele desviasse, no mesmo instante, o olhar de Sara e o sujeito desconhecido com ela, pra o seu lado esquerdo e assim descobrisse quem batia na janela. Era um uniformizado funcionário do hotel.
—Sim? — Grissom disse sério ao abaixar o vidro do veículo.
—Me desculpe, senhor, mas o táxi atrás do seu carro quer parar aqui pra deixar hóspedes no hotel.
Grissom viu pelo retrovisor o veículo amarelo parado atrás do seu.
—Claro! Me desculpa. Já estou saindo.
O funcionário assentiu se afastando do veículo. Grissom deu a partida em seu carro e enquanto seu esportivo veículo saía da frente da entrada do hotel, o empresário lançou um último olhar pra dentro do mesmo e ainda viu de relance, Sara e o tal sujeito ainda se falando, depois não viu mais nada.
Já dentro do hotel a médica tentava dissimular seu desconforto em encontrar seu ex ali. Quase não acreditou quando trombou com Hank logo após ter se virado do aceno dado a Grissom.
—Está hospedada aqui? — Hank a interpelou após o abraço que lhe deu de surpresa. Ela não esperava por aquele gesto dele.
—Sim!
—Que coincidência, porque eu também estou. O que faz aqui em Los Angeles, Sara?
—Passeio. — mentiu porque ele não precisa saber a real razão de ela estar ali e nem ela também lhe contaria isso. _E você? Visitando outros primos?
—Não! Vim participar de um Simpósio de Enfermagem que me inscrevi há duas semanas. Começa hoje no centro de convenções daqui de Los Angeles e vai durar cinco dias.
—Hum...
Pelo visto iria vê-lo pelo hotel nos próximos cinco dias, já que ele disse que estava hospedado ali também. Só esperava que ele tivesse o bom senso de não ficar lhe rondando enquanto durasse sua estadia no hotel.
—E seu namorado?
—Está bem. — limitou-se em responder.
—Ele também veio com você presumo, não é?
—Sim, mas como pôde ter notado meu namorado não está aqui comigo agora. Ele teve que sair um instante pra resolver umas coisas. E eu preciso subir agora, Hank. Estou um pouco enjoada, coisa da gravidez. — inventou pra sair logo dali. _Até mais.
Sara saiu apressadamente não dando tempo a seu ex de lhe dizer mais qualquer coisa que fosse.
Era só o que lhe faltava agora ter Hank no mesmo hotel que ela. Só esperava que ele e Grissom não se vissem durante a estadia do enfermeiro na cidade. Não queria ter que dar explicações desnecessárias ao ex caso ele esbarrasse com o empresário e ela, e o mesmo não lhe reconhecesse.
***
Como era o nome daquele cara?
Essa era a pergunta que vinha martelando na cabeça de Grissom enquanto guiava seu carro. O sujeito desconhecido não saía de sua mente e as imagens que vieram a sua cabeça após vê-lo com Sara, era outra coisa que não saía da mente do empresário.
Se aquelas imagens de fato fossem lembranças como Grissom presumia, então ele já estava começando a se recordar do que esqueceu?
Se for o caso o empresário não sabia se ficava feliz ou preocupado. Pois ao mesmo tempo que já desejava lembrar, ele também temia por isso. E seu temor era muito por conta de Amanda. Algo lhe dizia se caso ele recuperasse as lembranças a cerca de Sara, muito provavelmente isso faria sua noiva sofrer e ele não queria. Assim como também não queria ver Sara sofrendo por causa dele não se lembrar dela.
Mas por mais que ele não quisesse fazê-las sofrer, sabia que no final das contas uma delas inevitavelmente, ia acabar sofrendo naquela situação toda e por culpa dele de qualquer jeito.
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