Notas iniciais
Olha Ana a resposta pra sua pergunta vai ser um spolier que eu já até contei a Bruh numa das nossas conversas, mas que agora será de conhecimento geral. Então uma das duas gravidez não vai ser tranquila, sofrerá um grande abalo, na verdade, uma perda. E não posso contar mais nada além disso senão perde a graça.

Por conta de um importante compromisso de negócios que surgiu inesperadamente para o fim da tarde daquele dia, Grissom se viu tendo que ligar para Sara a fim de avisá-la que não poderia ir vê-la como ele havia lhe dito anteontem que faria.

—Eu lamento!

Ela também lamentava, pois queria tanto vê-lo, mas sabia que ele era um homem importante e ocupado.

—Então fica pra amanhã?

—Fica! — ele confirmou com um sorriso parecia ficar recorrente quando ele estava falando com a jovem. De maneira imperceptível e sem que Grissom percebesse o sorriso vinha cada vez mais escapando com mais facilidade dos lábios dele ultimamente.

—Então eu vou aguardar sua ligação amanhã.

—Okay! Até amanhã, Sara!

—Até amanhã, Grissom!

Ambos encerraram a chamada juntamente. Grissom ainda ficou encarando o telefone em sua mão com a sensação de que gostaria de ter ligado pra Sara a fim de lhe dizer o horário que iam se ver e não pra avisá-la de que hoje não daria pra encontrá-la. Já estava se acostumando com aquela 'rotina' que tornou-se os encontros dele. Eram encontros em dias intercalados. Num dia eles se encontravam e no outro não! E por conta do compromisso de hoje mais tarde, ele ficaria dois dias seguidos sem vê-la e isso, de algum modo, lhe incomodou e até desagradou profundamente.

Uma batida na porta de sua sala e ele foi tirado dos pensamentos com Sara.

—Entre! — ordenou, depositando sobre a mesa o celular que ainda mantinha em suas mãos.

—Oi!

—Amanda!! Que surpresa!

Ele fora pego inesperadamente pela presença dela, que não avisou nada que vinha.

—Estava passando aqui perto aí resolvi dá uma parada pra vim te dar um beijo. Estou indo encontrar a mamãe pra irmos a costureira pra mais uma prova de vestido. Depois vamos ao shopping comprar umas coisas. — ela contou indo até o noivo que se pôs de pé pra cumprimentá-la como se deve.

Foi inevitável pra jornalista ao abraçar o noivo não buscar o cheiro de anteontem. Disfarçadamente ela fez isso, mas o perfume não estava ali. Melhor!

—Você não vai trabalhar mais por esse resto de tarde?

—Não. Consegui fechar minha matéria antes do previsto e pedi ao meu chefe pra ele me liberar mais cedo.

—Hum...

—Não estou te atrapalhando, estou?

—Não!

—Ah, Grace me ligou mais cedo. Ela quer que a gente vá lá amanhã de manhã pra um pequeno "menu degustação" do que vão servir no casamento. Nós temos que...

"Como foi o nosso casamento, Sara?"

Ele viu um sorriso enfeitar e iluminar o rosto da jovem tão logo lhe fez aquela pergunta enquanto apreciavam um café.

"Pra mim foi perfeito! Apesar de ter sido tão simples, já que não tivemos convidados, nem festa e a cerimônia não aconteceu numa igreja. Mas foi lindo do mesmo jeito, pois a gente casou no píer do quintal de casa, ao entardecer. Numa 'cerimônia' em que a natureza foi a testemunha do juramento que fizemos um ao outro e do compromisso eterno que estávamos firmando naquela tarde!"

—Gil?? Você ouviu tudo o que eu disse?

—Sim! — ele mentiu. Havia parado de ouvi-la na metade da fala. Só que sua noiva não precisava saber. _Que horas temos que estar lá com a Grace?

—As dez!

—Vou falar com Andrea pra ela transferir pra tarde qualquer compromisso que eu tenha nesse horário.

—E amanhã depois do almoço não esquece que tem que ir ver seu fraque.

—Amanhã?

—Sim, as duas. Você esqueceu?

Pior que ele tinha esquecido, mas não por desmazelo e sim, pela correria do trabalho. Felizmente esse compromisso no alfaiate seria 'cedo' e não lhe atrapalharia pra encontrar Sara mais tarde.

—O trabalho​ anda em excesso. Mas estarei lá no horário.

Amanda assentiu e trocou ainda mais algumas palavras com o noivo antes de se despedir dele pra ir encontrar a mãe.

Sozinho novamente em sua sala, Grissom se viu pensando no casamento que estava cada vez mais próximo. Menos de duas semanas pra acontecer aquilo! E seus sentimentos estavam tão confusos de uns dias pra cá. Queria casar com Amanda, pois gostava dela. Mas também começava a gostar de Sara. E sabia que o casamento com a jornalista poderia consequentemente causar seu afastamento de Sara. E Grissom não queria isso! Havia se "apegado" a proximidade com a jovem, que "perdê-la" não era algo que lhe faria bem ou deixaria bem.

—Talvez as coisas fossem tão mais fáceis se eu lembrasse do que esqueci!

***

Passeando pelo shopping por pura distração já que naquela tarde não veria Grissom, Sara acabou encontrando uma loja de bebê e entrou no estabelecimento pra comprar um 'mimo' para seu bebezinho.

O cheiro de lavanda que pairava no ar ali dentro era gostoso demais. A jovem médica sorriu ao ver cada coisinha de bebê em que seus olhos batiam.

Uma vendedora simpática veio em seu auxílio, mas Sara disse que estava apenas observando por enquanto e que assim que tivesse optado por algo chamaria a moça. A vendedora assentiu e foi atender outras duas clientes que acabavam de entrar na loja naquele instante.

Estar naquela loja lhe fez lembrar da vez que ela e Arthur estiveram numa loja daquelas comprando algo para o bebê deles. A cara de felicidade de seu marido a cada coisa que viam era algo tocante.

"Arthur que saudade de você, amor!"

Ela caminhou pelo estabelecimento se deliciando com cada coisinha que via ali enquanto desejava que seu amado estivesse ali ao seu lado escolhendo o que levariam para o filho deles.

Ela tinha esperanças que ele lembraria dela antes desse casamento com a noiva dele. Ele tinha que lembrar DELA e DELES!

Alguns passos de onde estava Sara enxergou uma arara de roupas de bebês. Seguiu para escolher algo pra levar. Havia cada coisa mais linda que a outra. Se pudesse levar tudo ela levaria. Admirou cada uma daquelas peças minúsculas e de tecido macio e cheiroso.

Enxergou um vestido lindo entre as peças penduradas e o apanhou da arara. Sorriu e ficou encantada com aquela peça de cor lilás clarinho. Imaginou uma menininha, sua menininha dentro de um vestidinho daquele, caso fosse uma menina seu bebê. Certamente, sua filha ia ser a menina mais linda naquele vestido.

—Ai, olha essa filha, que linda! Faço questão de comprar pra minha neta.

Sara sorriu ao ouvir a voz empolgada de uma desconhecida reverberar atrás dela. Virou-se por curiosidade pra saber quem eram as duas mulheres que estavam ali.

Quase não acreditou quando reconheceu uma das clientes como sendo a noiva de Grissom.

Após circular e visitar algumas lojas, Amanda e sua mãe entraram naquela loja de bebê pra comprarem algo pra Lizzie.

—Ah, mas está descosturada aqui. Será que vocês não tem outra peça no estoque? — Vivian olhou pedinte pra vendedora.

—Vou consultar pra saber.

—Vou com você. Já voltou Amanda.

Amanda assentiu pra mãe e ficou olhando as outras peças de roupa que haviam ali, mas nenhuma lhe agradou tanto. Ao olhar despretensiosamente para o lado notou na mão de uma cliente um vestido lindo.

—Ah, mais que vestido mais lindo que está segurando.

Sem sequer imaginar quem fosse a moça, Amanda se aproximou dela.

Sara quase perdeu o ar quando a noiva de Grissom falou com ela e mais ainda, quando Amanda veio até ela.

"Ela é ainda mais bonita pessoalmente do que na foto que vi na internet!"— constatou a médica ao ter a noiva de seu amado diante dela.

—Vai levar pra sua filha?

—Não, eu... Ainda não sei o sexo do meu bebê. — respondeu Sara após segundos que a pergunta lhe foi feita.

—Ah, sim. Mas já se nota um pouco sua barriga. De quanto tempo está grávida? — interessou-se em saber Amanda.

—Pouco mais de três meses!

—Eu já estou com o dobro do seu tempo. E já que não vai levar o vestido, eu posso ficar com a peça? Meu bebê é uma menina e achei tão lindo esse vestido que quero levá-lo pra minha princesa. — Amanda alisou carinhosamente sua evidente barriga.

Ainda meio desconsertada por aquele inesperado encontro, Sara esticou pra Amanda a cruzeta com a peça.

—Comprar roupas pro bebê é a melhor coisa, né?

Sara apenas assentiu, olhando aquela mulher bonita e muito bem arrumada diante dela. Então era aquela a dona do coração de Grissom? A mulher com quem ele casaria e que esperava uma filha dele?

—Seu marido está te acompanhando?

Ele certamente estaria se lembrasse dela.

—Não!

—Ele é daqueles que não gosta de fazer compras?

Não é à toa que Amanda é jornalista, pois adora fazer perguntas.

—É! — mentiu Sara.

—Homens! Meu noivo também é assim. Mas semana passada até que ele se aventurou a vir comigo. — Amanda contou com um sorriso simpático. _Inclusive ele comprou um presente pra nossa filha. Foi na verdade o primeiro presente que ele comprou. Aposto que seu marido já comprou algum presente pro bebê de vocês, né?

Arthur sim havia comprado, mas Grissom... Não!

—Eu preciso ir. Com licença.

Sara saiu apressadamente de perto de Amanda e posteriormente da loja.

—Quem era a sua amiga que saiu apressada?

—Não era amiga, mãe. Foi só uma moça que acabei de conhecer.

—Como ela se chama?

—Nem perguntei! Mas sabe o que é curioso?

—O quê?

—Ela usa o mesmo perfume que senti no Gris. — comentou a jornalista.

Assim que chegou perto da desconhecida, Amanda sentiu aquela fragrância que guardou na mente.

—Querida, você não está achando que...

—Não! — Amanda respondeu sem esperar pela mãe terminar a pergunta. _Centenas de pessoas devem usar essa fragrância também, mãe.

—Exatamente! Ia ser muita coincidência ser justamente essa moça que você encontrou casualmente nessa loja, a dona do perfume que sentiu no Grissom.

—Ia mesmo! — concordou a jornalista com um sorriso pra mãe. _E aí, tinha no estoque? — Amanda mudou de assunto.

Caminhando a passos rápidos pelos corredores do shopping, Sara se dirigia a saída do mesmo.

"Inclusive ele comprou um presente pra nossa filha. Foi na verdade o primeiro presente que ele comprou. "

Doeu saber que ele já havia presenteado a filha que a noiva esperava dele e que não havia o mesmo "cuidado" e atenção de sua parte em presentear o bebê deles. Vai ver que o bebê que carregava não era tão preterido por ele como era sua filha com a futura esposa. Quem sabe sempre haveria da parte dele uma distinção, ainda que involuntária, entre o bebê que ele tinha com ela em relação ao bebê que a mulher com quem ele casaria em breve.

Notas finais
Bruh não foi nada como você disse no seu comentário, mas elas se encontram. E não foi um bom encontro pra Sara. Coitada! E Amanda mau sabe que esteve diante da dona do perfume e que o pai do bebê da desconhecida com quem falou, é o seu noivo. Mas ela vai saber em breve! Um beijo e até o próximo!