Another Life
91 Chapter 91
Notas iniciais
Ela teve sonhos confusos e desagradáveis acerca do noivo. Mas Amanda queria crer que nada daqueles sonhos teriam quaisquer fundamento. Porém era difícil não ficar com o pé atrás diante do que ela "notou" ontem.
—Você disse que estava na construtora ontem quando te liguei, não foi? — Amanda lançou a questão de maneira inesperada.
Grissom que abotoava sua camisa de linho até parou pra encarar a noiva com uma das sobrancelhas arqueadas.
Por que Amanda lhe fazia aquela pergunta? Ele mentirosamente não havia dito a ela ontem que estava lá? Será que ela não engoliu sua mentira e desconfiava de algo?
Mesmo diante dessa possibilidade, ele ainda assim resolveu persistir na mentira.
—Sim, Amanda. Por que?
A noiva do empresário apenas se limitou em responder um: por nada! Na sequência ela disse que ia tomar seu banho pra ir trabalhar, deixando Grissom sozinho no quarto terminando de se arrumar e com uma tremenda pulga atrás da orelha.
Sob a água que caia do chuveiro, Amanda quis acreditar que estava criando coisas fantasiosas em sua cabeça. Que aquele perfume doce e de mulher, o qual ela sentiu ontem na camisa de seu noivo ao abraçá-lo, não queria dizer "coisas erradas" como sua mente e os sonhos que teve lhe queriam fazer desconfiar.
Vai ver aquele perfume só estava em Grissom por ele ter cumprimentado alguma executiva com quem ele se reuniu na construtora. E ela estava ali se preocupando e criando caraminholas na cabeça à toa.
"Gil não faria isso comigo!"— pensou a jornalista. Seu noivo era um homem honesto e íntegro, que não a enganaria dessa forma baixa. Não, Grissom!
***
—Nós mulheres temos radar pra descobrir que estamos sendo enganadas, sabia? Talvez o radar de Amanda esteja começando a enviar sinais pra ela. E se esse for o caso, acho melhor você contar logo pra ela sobre Sara antes que ela descubra isso sozinha.
—Quer parar de me pôr pressão?!
Ele lançou um olhar nada amistoso a irmã. Maldita hora que foi comentar com ela sobre o ocorrido entre ele e a noiva em seu quarto antes de vir trabalhar. Ficasse calado que era melhor pra ele.
—Você sabe que estou certa.
E como ele sabia! Mas ela precisava ficar repetindo e jogando isso na sua cara vire-mexe?!
—Catherine, eu vou falar.
—Quando?... Quando seu filho com Sara entrar pra faculdade? Ah, não! Você disse que ia ser bem antes disso, quando casasse com Amanda, não é?
—Sim!
—Pois eu acho que devia contar antes disso também.
—Essa é uma escolha minha, Catherine, que você tem que respeitar.
Warrick entrou naquele instante na sala de Grissom pra chamar o cunhado e Catherine pra reunião que tinham marcada, mas logo o advogado sentiu o clima pesado ali.
—Quem morreu pra estar esse clima tenso aqui entre vocês?
—Ninguém morreu, Rick. Mas "alguém" se dará mau e magoará a noiva se não tratar de esclarecer logo as coisas pra ela acerca de Sara, bebê e tudo mais, não é Grissom?
—Me deixa em paz, Catherine! — ele perdeu a paciência e se irritou com a intromissão da irmã quanto a sua vida particular.
—Eu vou deixar. Quer saber? Lavo minhas mãos quanto a isso. Mas depois não venha dizer que eu não te avisei!
Após dizer isso ao irmão a loira se dirigiu ao marido querendo saber se estava tudo pronto pra reunião. Tão logo Warrick confirmou isso, Catherine se dirigiu a porta e saiu da sala sem olhar para Grissom ou lhe dizer qualquer palavra.
—Eu sei que não tenho o direito de me meter na sua vida, cara, e nem você gosta que façam isso. Mas sua irmã está coberta de razão, quando diz que você precisa esclarecer as coisas logo com Amanda.
—Sou bem consciente disso. E vou esclarecer as coisas com ela, mas só depois do casamento. Porém Catherine não entende isso.
—Certamente ela não entende porque sabe que isso não é certo. Assim como você também deve saber perfeitamente bem disso, não é? Amanda merece saber a verdade antes do casamento de vocês!
—Vamos pra reunião Warrick? — o empresário se levantou da cadeira e seguiu pra saída da sala sem esperar pelo cunhado.
Warrick apenas balançou a cabeça em negação. Seu cunhado era tão cabeça dura quanto a irmã. Ali era difícil dizer quem era mais teimoso que o outro quando tomava uma decisão.
Caminhando pra sala de reuniões, Grissom se perguntava o por quê de todos de seu convívio se meterem em sua decisão? Catherine, Warrick apesar da maneira discreta dele, Louise e até Al, o médico da família há anos. Todos próximos do empresário davam pitado em sua decisão. Certamente eles faziam isso, porque o que decidiu não era a coisa certa. E ele sabia que não era mesmo, mas não conseguia fazer diferente disso. Na verdade, não era fácil fazer o diferente, o certo.
—Bom dia a todos! — Grissom cumprimentou os presentes enquanto se acomodava em sua cadeira na cabeceira da mesa. _Vamos começar a reunião!
***
—Quer saber a minha opinião disso? — Amanda apenas confirmou com a cabeça em resposta a Lorena. _Ele não faria uma safadeza dessas com você. Vai ver ele cumprimentou com um abraço alguma mulher no trabalho dele e por isso o perfume estava lá nele.
—Eu também acho o mesmo. Conheço o meu noivo, Loh. E ele não me aprontaria algo assim. Isso não condiz com o caráter e o jeito dele.
—Pelo o que já conheço dele, isso não condiz meamo! — Lorena afirmou concordando.
—Eu vou tirar da cabeça essas suposições fantasiosas que estão querendo me confundir. Não faz sentido nada disso. Gil jamais me trairia com outra. Ele me ama, a gente vai casar e ser feliz com nossa filha.
—Isso mesmo, amiga. Vocês vão ser muito felizes!
—Exatamente!
***
—Posso falar com você um instante?
Catherine ergueu a cabeça da mesa de desenho onde trabalha no novo projeto da construtora, pra encontrar Grissom com metade do corpo pra dentro de sua sala. Desde o "atrito" de mais cedo com o irmão que ela não lhe dirigiu mais a palavra. Exceto uma única vez na reunião que tiveram há horas. Depois disso ela não o viu e nem fez questão de ver também, e muito menos, falar com ele.
—Estou agora ocupada trabalhando em um projeto. — ela voltou sua atenção ao que fazia antes de seu irmão aparecer ali na porta de sua sala.
Grissom sabia que sua irmã estava chateada com ele e com razão. E por isso mesmo ele estava ali, pra se acertar com ela. Detestava ficar brigado com ela ou que ela ficasse chateada com ele como era o caso agora. E não ia sair dali sem acertar as coisas com ela. Não ia esperar até chegarem em casa pra tentar resolver as coisas com sua irmã.
—Por favor, Cath, vai ser rápido. — ele pediu já entrando na sala dela e trancando a porta.
—Ok, Gil! — rendeu-se a arquiteta largando o lápis e tirando os óculos pra encarar o irmão. _O que quer falar comigo?
—Quero te pedir desculpa pela forma como me portei com você mais cedo em minha sala. Você só estava tento abrir meus olhos mais uma vez pra fazer a coisa certa, mas eu agi estupidamente com você. Me desculpa. — pediu com sinceridade.
—Eu só quero o seu bem, Gil. E também quero evitar sofrimentos maiores pra Amanda. Sabe que eu gosto muito dela e tenho certeza que ela vai sofrer com essa situação toda quando souber da Sara e tudo mais. Só que creio que ela sofrerá menos sabendo dessas coisas por você, do que descobrindo sem querer por outros meios, não acha?
Ele também sabia perfeitamente disso e deu sua resposta com um positivo balançar de cabeça.
—Acho. E eu quero contar pra ela, Catherine, mas não consigo por saber que ela vai sofrer.
—Isso vai ser inevitável meu irmão. Mas a verdade tem que ser dita a ela, mais cedo ou mais tarde.
—Então será mais tarde e espero que respeite essa minha decisão.
Apesar de saber que aquilo não era o correto, que insistir nessa decisão era arriscado, ele ia manter sua decisão de contar a Amanda sobre Sara só depois do casamento.
—Se é assim que você quer mesmo, eu não vou mais dizer nada a respeito. Você é adulto e deve saber muito bem o peso das conseqüências de suas escolhas.
Catherine decidiu que não mais insistiria em convencer o irmão a falar a verdade a noiva dele antes do casamento. Se Grissom queria seguir nessa errada escolha então sua irmã não mais se intrometeria. Que ele seguisse com isso então!
—Você ainda não disse se me desculpa por mais cedo?
—Está desculpado! E saiba que tudo o que eu digo ou faça é porque eu te amo e quero o seu bem, Gil.
—Eu sei disso, Cath. Assim como sei que as vezes você consegue ter a cabeça mais adulta que a minha!
—Está me chamando de velha?
—Você sabe que não foi isso que eu quis dizer.
Ela riu.
—Claro que sei. Só estava brincando com você, senhor ranzinza.
Ele revirou os olhos em desagrado a esse apelido.
—Vou voltar pra minha sala e te deixar trabalhar no projeto do Skytown. É nesse que está trabalhando, não é?
—É sim. Vem dá uma olhada como está ficando. — ela sinalizou para o irmão se aproximar de sua mesa pra ele ver a planta do projeto.
—Me parece bom, mas não consigo entender muito disso.
—Vai ficar mais fácil de entender quando o projeto estiver computadorizado.
—Okay! Agora deixa eu ir. Tenho uma ligação a fazer pra Dubai e você tem que continuar esse projeto. Até mais.
—Até!
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