Notas iniciais
Olá, meninas! Sinto que por uma parte vou frustrar vocês, mas em outra vou agradar. Pelo menos é o que espero quanto a agradar. E Bruh sobre o bebê a decisão que já estava tomada, vai ser mantida como no capítulo "original". Se vai agradar ou não vocês o que decidi, você e as demais leitoras só descobrirão num futuro próximo, OK? Agora vamos ao capítulo.

Sabe o querer, mas não poder? Pois então, era assim mesmo que Grissom se encontrava naquele momento em que sua boca estava há milímetros da boca de Sara, após a jovem vir se aproximando da dele de maneira lenta.

Ele sentia que queria, que parecia certo aquilo que estava prestes a acontecer, mas sabia que não podia e que da mesma forma que parecia certo, ele era ciente que não era por conta de Amanda. E em virtude disso mesmo, que quando seus lábios iam sentir o toque com os de Sara, Grissom se afastou abruptamente, evitando o beijo.

—Não posso fazer isso, Sara! Não é certo com Amanda. Já a engano omitindo sobre você e se eu te beijar, vai ser uma traição maior ainda com a minha noiva. Eu não posso fazer isso com ela.

A decepção de Sara foi visível por ver o quanto ele se importava de verdade com a noiva e também, por ser rejeitada por ele.

— Me desculpa! — ele pediu ao ver sua expressão decepcionada e entristecida dela ante ao que ele havia dito.

—Você gosta mesmo dela. — foi mais uma afirmação do que propriamente uma pergunta.

Era duro e dolorido ver que ele gostava tanto de outra assim.

—Estamos juntos há três anos. E...

O celular dele tocou interrompendo sua fala. Puxando o aparelho de dentro do bolso da calça, Grissom viu no visor que era sua noiva.

—É da construtora. — inventou sem coragem de contar a verdade e magoar mais ainda a jovem a sua frente. _Eu preciso atender. Com licença. — ele se afastou pra falar mais a vontade com Amanda.

Sara apenas assentiu, tentando se refazer da decepção de segundos atrás. Por muito pouco não sentiu novamente os lábios dele nos dela. Será que se ele lhe beijasse, lembraria de algo? Se esse fosse o caso, ela ficaria sem saber, pois pelo que pode notar, ele não lhe beijaria enquanto tivesse a noiva dele entre eles.

Mais distante da médica, Grissom falava com a noiva sem tirar os olhos de Sara que parecia perdida em pensamentos e com o olhar fitando um ponto qualquer daquele parque.

—Griss, você ainda está na construtora?

Por mais que não fosse do seu agrado, ele mentiu a resposta.

—Sim, por quê, Amanda?

—Ah, então deixa, querido. Não quero lhe atrapalhar.

—Você não atrapalha, Amanda. O que foi?

—Você pode vir me apanhar na revista?

—O que houve? Seu carro quebrou?

—Não! Eu é que não estou me sentindo bem pra dirigir e não quero pegar um táxi.

—Eu posso sim buscá-la, claro. Já estou indo.

—Obrigada, querido. Vou ficar na recepção a sua espera.

Eles se despediram e após a ligação ser encerrada Grissom foi até Sara e inventou que precisava voltar a construtora. Da mesma forma como achou melhor mentir pra Amanda, ele também mentiu pra Sara para não deixá-la triste.

—Aconteceu algum problema no seu trabalho?

—Não exatamente. Vamos! Eu te deixo no seu hotel antes. — ele comunicou e Sara aceitou.

O caminho foi silencioso com cada um dos dois adultos no carro presos em seus pensamentos acerca do que quase ocorreu no parque. Sara queria tanto que tivesse acontecido aquele beijo, mas infelizmente não aconteceu. Já Grissom apesar de não ter deixado que o beijo ocorresse pelas razões mencionadas a Sara, no fundo, agora, se via, querendo ter consentido aquilo e, desse modo, ter descoberto como seria beijar a jovem acomodada ao seu lado. Mas não era certo ter permitido que acontecesse aquilo, como ele não permitiu. Enganar Amanda dessa forma seria um golpe baixo de sua parte.

Pouco mais de alguns minutos e Grissom estacionava em frente ao hotel em que Sara estava hospedada.

—Você não vai se afastar de mim por conta do que quase aconteceu, vai? — Sara lhe olhou temerosa.

Tudo que não queria era que ele se afastasse dela em virtude do que houve, ou melhor, nem houve. Eles tinham se aproximado bastante nessas duas semanas que já estavam saindo e de forma alguma, queria que o ocorrido os afastasse.

Grissom fitou Sara alguns instantes antes de dar uma resposta. Por mais que soubesse que aquela proximidade que estava adquirindo com a médica não fosse certa para um sujeito comprometido como ele, ainda assim, Grissom mesmo que quisesse — o que não era o caso — não conseguia mais se afastar de Sara depois que a conheceu melhor. Sem contar que havia um filho lhe unindo à ela, então mais ainda não poderia se afastar dela.

—Não vou, Sara!

Ele pode ver um sorriso bonito e tímido escapar dos lábios da jovem. Involuntariamente, ele também deixou que um sorriso escapasse de seus lábios.

—Quando eu vou te ver de novo?

Mesmo os sentimentos não sendo os de antes, mesmo que a lembrança dela continue inexistente em sua mente, ainda sim, sua vontade em continuar vendo-a, vinha se tornando cada vez mais necessária. Estar perto dela lhe fazia um bem que ele não conseguia entender ou descrever em palavras.

—Depois de amanhã a gente se vê!... Eu ligo pro hotel pra falar com você e acertar um horário pra nos vermos.

Sara sorriu assentindo para Grissom. Ele saiu do carro e foi abrir a porta pra ela. Já fora do veículo, o empresário ia se despedir de Sara lhe dizendo que depois de amanhã se veriam, quando a jovem lhe disse:

—Será que posso te dar um abraço de despedida?

A pergunta dela lhe pegou por um segundo desprevenido. Mas tão logo se "recuperou" da surpresa daquele pedido dela, Grissom resolveu consentir aquilo. Um simples abraço de despedida não teria nada de mais ou teria?

—Pode! — foi a única palavra que ele disse em resposta.

Demonstrações de carinho não eram muito de seu feitio, mas ele não teve coragem de negar isso a ela.

Dando um passo a frente e anulando a pouca distância que os separava, Sara abraçou Grissom e sentiu que levou apenas uns segundos pra ele retribuir o gesto e abraçá-la também.

Presa nos braços de seu amado, Sara sentiu como se tivesse voltado no tempo onde Grissom era Arthur que lhe abraçava tão carinhosamente quanto o empresário agora fazia.

Parecia até que aquela história dele não lembrar dela não existia e que eles eram o casal apaixonado de antes. Mas inconscientemente ela sabia que não eram! Só que torcia pra voltarem a ser.

Todavia pra isso acontecer, ele precisava lembrar dela coisa que ainda não aconteceu. Por que ele não lembrava dela logo?

Queria tanto o seu marido de volta. Gostava de Grissom e aquele seu jeito calado e sério, mas daria tudo pra Arthur estar diante dela com aquele seu olhar apaixonado e seu sorriso largo e constante, que ela se habituou a ver nele.

Sentia tanta falta de seu marido! E essa proximidade com Grissom aumentava isso. Gostaria tanto de poder ficar abraçada a ele pra sempre, mas sabia que não era possível.

—Se eu pudesse congelar o tempo nesse momento, eu o congelaria só pra ficar abraçada a você. — ela sussurou escondendo o rosto no peito de Grissom e sentindo o perfume dele.

O empresário por sua vez não ouviu sequer uma das palavras sussurradas por Sara, pois estava tão perdido naquele abraço e nas sensações boas que o mesmo lhe fazia sentir, que o mundo a sua volta e os sons, eram inexistentes pra ele.

Nunca até então um abraço foi tão bom e reconfortante quanto aquele estava sendo. A familiaridade naquele gesto, o perfume agradável que exalava dos cabelos de Sara, o encaixe perfeito de seus corpos naquele abraço, tudo ali parecia ser tão costumeiro pra ele apesar de não lembrar. Desse modo, tanto o empresário quanto Sara acabaram por se perderem momentaneamente no gesto carinhoso trocado, o segundo naquele mesmo dia.

O abraço acabou sendo mais longo e demorado, quanto Grissom e Sara esperavam que fosse. E quando o gesto de despedida chegou ao fim, no que pareceu muitos minutos após ter iniciado, ficou em ambos a sensação de que podia ter durado mais um pouquinho que fosse.

—Te vejo depois de amanhã, não é? — ela quis ter certeza de sua resposta.

—Sim! — enfiando as mãos no bolso, Grissom limitou-se em confirmar e ver Sara sorrir.

—Até lá então!

—Até!

Ela seguiu em direção ao hotel e podia sentir que era observada por Grissom. E isso se confirmou quando antes de cruzar as portas do hotel, Sara virou-se pra olhar para trás e se deparar com o empresário ainda parado lhe fitando. Não resistiu em lhe acenar e ver com satisfação que ele retribuiu o gesto meio acanhado. Na sequência, ela seguiu pra dentro do hotel e pela porta de vidro pode ver Grissom ainda permanecer lá fora por poucos segundos antes de seguir para dentro do carro.

Notas finais
Nao teve o tão esperado beijo, mas teve um abraço que valeu, não valeu? Um beijo e até o próximo.