Another Life
88 Chapter 88
Notas iniciais
Por conta do excesso de trabalho na construtora e saídas com Amanda pra junto com a sua noiva resolver questões sobre o casamento deles, Grissom mau teve tempo de ligar pra Sara nos últimos quatro dias a fim de marcar pra se verem. Mas assim que teve uma brecha, ele entrou em contato com a jovem pela manhã daquela dia e lhe convidou pra tomar um café no fim da tarde com ele em uma excelente cafeteria que havia há uma razoável distância do hotel onde Sara estava hospedada a fim deles conversarem. A médica aceitou o convite sem hesitar e Grissom se prontificou em ir buscá-la no hotel quando ele saísse do trabalho pra irem juntos a cafeteria, já que Sara não sabia onde ficava o estabelecimento. Com o convite aceito e o horário acertado pra se encontrarem no hall do hotel de Sara ao fim da tarde, a ligação foi encerrada.
Em seu quarto a jovem médica sorria toda feliz pela ligação e o convite feito por Grissom. Eles iam se ver mais tarde. Só esperava que as horas passassem voando pra logo ela ver seu amado.
Sara não achou que Grissom fosse demorar tanto dias pra entrar em contato com ela novamente. Mas independente da demora, o que importava era que ele havia ligado mais cedo e eles iam se vê pra um café daqui a pouco. Pra ela isso já era excelente levando em conta que Grissom antes se mostrava avesso a ela e agora já lhe chamou pra sair para tomar um café. Quem sabe as coisas não acontecessem mais rápido do que ela imaginava.
***
Dando uma última conferida no espelho em seu look para seu "encontro" de logo mais com Grissom e aprovar o que via — ela usava um vestido bem jovial florido e de alças finas e por cima pra cobrir os ombros um casaquinho; nos pés uma sapatilha delicada. Seus cabelos estavam soltos e escovados. E no rosto uma leve maquiagem. — a jovem médica se acomodou à ponta da cama, esperando pelo telefone do quarto tocar e por ele ser informada pela recepcionista que alguém chamado Grissom estava esperando por ela lá embaixo.
Dez minutos depois isso aconteceu e Sara desceu pra encontrar um Grissom com uma expressão um tanto abatida e cansado.
—Você não me parece bem. — ela comentou após tê-lo cumprimentado com um "oi".
—Excesso de trabalho.
Não era somente o excesso de trabalho o responsável por aquele seu estado, mas também a preocupação pelo fato de não conseguir abrir o jogo com sua noiva a respeito de Sara. E, desse modo, estar enganando Amanda. Ele até ensaio contar a verdade pra noiva ontem durante a saída deles pra jantar, mas não conseguiu. Travou e acabou não contando nada.
E essa situação só lhe fazia ir se sentindo culpado e péssimo, por estar enganando Amanda que não merecia ser enganada daquela forma.
—Vamos? — Grissom convidou Sara indicando a porta de saída do hotel.
—Claro!
Em silêncio eles seguiram lado a lado em direção a saída do hotel. Pegaram o carro que Grissom havia deixado estacionado do outro lado da rua e logo já seguiam ainda em silêncio para a cafeteira. O percurso foi curtíssimo, apenas cinco minutos e Grissom já estacionava em frente a pequena cafeteria de dois andares.
Já dentro do estabelecimento poucos clientes e mesas de sobra pra escolher onde se acomodar. Eles optaram por uma escondida atrás de uma pilastra.
—Boa tarde! O que vão querer? — a jovem garçonete os fitou com simpatia e um bloquinho de papel à mão pra anotar os pedidos.
Eles optaram ambos por um simples café com leite e de acompanhamento seguiram a sugestão dada pela garçonete: donuts.
—Em instantes trago o pedido de vocês.
Eles assentiram pra moça e ela se retirou dali deixando-os sozinhos.
—Quero me desculpar por não ter te ligado nesses dias, mas o trabalho anda enorme na construtora. — ele não achou necessário e nem oportuno mencionar sobre os preparativos do casamento terem tomado também seu tempo durante esses dias.
—Tudo bem. Posso entender. Você certamente, tem muitas obrigações e compromissos, não é?
—Bastantes!
A garçonete retornou, empunhando uma bandeja onde estavam os pedidos de Sara e Grissom. A moça muito educadamente pediu licença e serviu os dois clientes pra logo em seguida deixá-los a sós novamente.
—Como você passou esses dias? — Grissom se adiantou em saber de Sara antes de experimentar seu café.
—Bem! E também ansiosa pra te ver de novo. — ela admitiu fitando-o. Não via a hora de estar diante dele novamente.
Essa "declaração" dela deixou Grissom sem saber o que dizer em resposta. Levou uns segundos pra ele se pronunciar de novo e quando fez isso, não foi pra comentar sobre o que Sara disse, e sim, pra saber do bebê.
A morena sorriu diante do fato dele mostrar interesse e preocupação em saber sobre o bebê e sobre ela mesmo. Mostrava que ele não era tão insensível quanto aparentava ou queria aparentar ser.
—O bebê está bem. Inclusive ontem fui a uma consulta que marquei há três dias com uma obstetra. E ela disse que o nosso bebê estava crescendo saudável.
—Que bom! Fico... Fico...
—Fica...? — Sara o incitou a falar.
—Fico contente por estar... tudo bem com o... bebê.
Sara sentiu que ele estava sendo sincero no que disse. E isso lhe deixou feliz. Porém adoraria que ele tivesse se referido ao bebê como: "nosso" assim como ela havia feito. E não, somente como: o bebê. No entanto já se dava por satisfeita por ele perguntar pelo bebê.
—E você como passou esses dias, tirando o excesso do trabalho.
—Passei normal. — limitou-se em dizer.
—Fiquei muito contente com sua ligação e o convite.
Ele apenas assentiu pra logo em seguida lhe dizer:
—Sara, eu te convidei pra esse café pra gente conversar dessa vez sobre... O tempo que vivi com você e como eu era com você. Sei que já me contou sobre isso, mas na ocasião eu estava tão atordoado com o fato de estar onde estava num lugar desconhecido e na companhia de alguém que não conhecia, que não quis prestar tanta atenção e nem deixar que você contasse tudo o que queria me contar. Então, agora, gostaria que me contasse novamente tudo relacionado ao tempo que passei ao seu lado e eu vou prestar a devida atenção dessa vez. Será que pode repetir e me contar sobre... Arthur e a gente? — ele apontou pra ele e ela.
—Claro que posso!
E ela então atendendo ao seu pedido lhe contou num longo monólogo sobre Arthur, eles e cada momento que compartilharam juntos enquanto viveram juntos. Pode notar que realmente Grissom estava prestando a devida atenção dessa vez. Ele não tirava os olhos dela e quase nem piscava.
Nada passou batido pelo relato da morena. Desde os momentos alegres aos tensos, passando pelos divertidos e tristes, as pequenas "divergências", cenas de ciúmes dele, os poucos passeios que fizeram, os diversos momentos românticos que tiveram, as tantas juras de amor que trocaram, as coisas corriqueiras de um dia-a-dia de um casal, tudo, absolutamente tudo, que passaram e viveram foi mencionado por Sara.
Enquanto ouvia a jovem a sua frente dissertar sobre uma vida que em quatro meses ele construiu com ela, Grissom tentava a todo custo lembrar nem que fosse um mísero momento dos inúmeros que ela ia contando. Todavia, não conseguia lembrar de nada!
Era frustrante saber tudo aquilo e sequer lembrar!
Será que um dia lembraria daquelas coisas?
—Quanta coisa que vivemos?
—Sim! E foram todas especiais independente de terem sido alegres ou tristes.
—E eu não consigo lembrar de nenhuma delas.
—Mas algo me diz que você vai lembrar. — ela segurou em sua mão que repousava sobre a mesa.
Grissom apenas olhou para suas mãos juntas e sentiu com aquela imagem uma familiaridade que infelizmente não conseguiu lembrar. Voltou seu olhar pra Sara e notou um sorriso nos lábios dela. Aquilo também parecia tão familiar quanto as mãos deles juntas sobre a mesa.
***
Depois do "encontro" na cafeteria vieram outros naquele mesmo local e também uns no parque que havia na cidade, ao longo dos dias que foram passando e transformando-se em duas semanas.
E a cada novo encontro, a cada vez que passava um tempo ao lado de Sara e ia lhe conhecendo mais, Grissom ia se sentindo mais a vontade na companhia da jovem e apreciando estar ao seu lado e trocando conversas variadas com ela.
Curioso que parecia não faltar papo quando estavam juntos. Eram os mais diversos assuntos que conversavam. Sobre eles, sobre a vida, o mundo, livros, música, enfim era uma infinidade de assunto. É bem verdade que Sara sempre era a que mais falava nas conversas deles e Grissom até gostava que fosse assim já que ele não era de falar tanto. E, sem contar, que ele apreciava ouvir Sara falar. Era agradável ouví-la! Ela tinha uma voz bonita e melodiosa que mais parecia uma música harmoniosa. E ele gostava do som e do tom dela.
—Li no jornal de hoje que seu casamento será em duas semanas. — Sara comentou com certa tristeza enquanto caminhavam pela praça ao entardecer e terminavam de apreciar seus sorvetes que Grissom havia comprado instantes atrás.
Pra falar a verdade não era intenção de Sara tocar naquele assunto, mas quando viu já tinha escapado aquilo de sua boca. A tristeza que sentiu quando folheava o jornal pela manhã e se deparou com uma nota na coluna social a respeito do casamento de Grissom que estava cada vez mais próximo, foi enorme.
—Sim será! — foi tudo o que ele se limitou em dizer.
E mesmo com a proximidade desse evento, ele ainda não teve coragem de abrir o jogo com sua noiva a respeito de Sara. Sua irmã vinha lhe cobrando e apertando mais e mais pra ele falar a verdade a Amanda antes do casamento, mas Grissom não conseguia falar àquele respeito com sua noiva.
Nessas duas semanas ele até tentou numas três oportunidades, mas sempre que ia tocar no assunto com Amanda, ele travava e acabava falando outra coisa pra noiva, deixando de falar o que precisava ser dito a ela.
—Já contou a ela sobre...
—Você? — ele falou completando a pergunta de Sara. A médica assentiu parando a sua frente e interrompendo a caminha de ambos. _Ainda não.
—Por que ainda não?
—Porque não consigo. Não é tão fácil quanto parece contar isso.
—Eu não falei que era fácil.
—Minha irmã acha que é.
—Você tem medo que sua noiva te deixe quando contar a ela sobre mim?
Talvez ele fosse apaixonado por essa noiva e protelava lhe abrir o jogo sobre ela, por temer perder a mãe de sua filha.
—Não! Na verdade meu medo é que vou magoá-la tanto quando contar a verdade. E não quero isso, mas será inevitável.
—Pelo visto você gosta muito dela. — cabisbaixa Sara comentou com pesar e tristeza a médica.
Grissom era ciente de que havia sentimentos de sua parte para com Amanda, mas começava a haver sentimentos de sua parte também pela jovem a sua frente. Duas semanas de saídas pra conversar com Sara e ele já sentia algo por ela que não sabia explicar exatamente o que era, somente sentia e era algo bom.
—Sara... Ela e eu esta...
A fala de Grissom foi interrompida pelo encontrão que ele levou nas costas sem querer de um patinador que desviou de uma criança pra não bater nela, mas acabou batendo no empresário. E o encontrão sofrido por Grissom acabou fazendo com que ele se aproximasse bastante de Sara a ponto de ambos ficarem com seus corpos colados e os rostos próximos um do outro.
—Desculpa aí!
O patinador gritou ao longe, mas nem Grissom ou Sara responderam. Na verdade, eles sequer ouviram o pedido de desculpa do jovem, pois naquele instante se encontravam com os olhares presos um no outro.
"O meu lugar é do seu lado..."
"Prometi que vai lutar por mim..."
Aquelas frases soltas brotaram na cabeça de Grissom enquanto ele não tirava os olhos dos de Sara.
Uma sensação de dejàvu tomou os pensamentos dele enquanto continuava a fitar os olhos de Sara, que por um segundo o empresário achou que ia lembrar-se de algo. Mas não foi o caso.
—Não sabe a falta que eu sinto de te tocar. — Sara comentou num sussurro que somente ela e Grissom eram capazes de escutar.
Era tão difícil estar perto dele sem o contato de antes. A morena se sentia perto e ao mesmo tempo distante dele. Parecia haver uma barreira entre eles. Uma barreira chamada "esquecimento".
Sem conseguir se conter a médica após falar, ergueu uma de suas mãos e levou-a de encontro ao rosto do empresário.
O toque sutil e delicado fez com que Grissom fechasse os olhos apreciando a agradável sensação que aquele toque lhe proporcionou na hora que o sentiu em sua pele.
Sara não pode deixar de ficar contente por ver que Grissom não se afastou quando o tocou e nem rejeitou seu toque. Ele até parecia apreciar o fato dela lhe tocar. Talvez, porque inconscientemente, ele estivesse reconhecendo aquilo como sendo algo natural entre eles. Costumava ser!
—E mais falta ainda eu sinto de sentir o gosto dos seus lábios nos meus. — ela confessou deslizando o polegar sobre a boca de Grissom fazendo com que o empresário abrisse seus olhos pra se deparar com o rosto de Sara a milímetros de distância do dele.
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