Another Life
87 Chapter 87
Notas iniciais
Catherine estava na recepção falando com um arquiteto quando viu seu irmão mais adiante saindo do elevador.
—Depois a gente acerta isso, Larry.
—Okay. Vou indo na frente.
—Tchau! — ela despediu-se rapidamente do sujeito.
Tão logo seu irmão estava próximo o suficiente dela, e a loira não hesitou duas vezes em comentar:
—Ei, demorou nesse encontro!
Por conta da presença de Andrea ali, Catherine não mencionou o nome de Sara.
—Não foi nenhum encontro! — Grissom corrigiu olhando atravessado pra irmã. E antes que Catherine tivesse chance de rebater o que Grissom disse, o empresário se dirigiu a Andrea querendo saber se o pessoal vindo do México já haviam entrado em contato avisando da chegada deles na cidade pra reunião.
—Ainda não! — respondeu Andrea.
—Assim que entrarem em contato me avise.
—Sim, senhor.
O empresário seguiu pra sua sala com Catherine em seu encalço. A arquiteta estava numa curiosidade enorme de saber sobre como foi a conversa do irmão com Sara. E, desse modo, a irmã do empresário não pensou duas vezes em questionar:
—Como foi lá com a Sara? Você não foi grosseiro com ela, né?
—Não, Catherine. — negou, entrando em sua sala com a irmã logo atrás dele.
—Ótimo! E como foi a conversa de vocês então?
—Foi boa! — ele se limitou em dizer.
—Boa? Só é isso que tem pra me dizer?
Grissom olhou pra irmã enquanto se livrava do palitó e pôde ver a insatisfação de Cath ante a sua evasiva resposta.
—Foi uma conversa agradável e amistosa onde eu disse a Sara que estava disposto a conhecê-la. Então ela me contou sobre ela e pediu pra eu lhe contar sobre mim.
—E você contou sobre você?
Catherine não escondeu o espanto. Seu irmão detestava ficar falando dele.
—Sim.
—Nossa!
—Por que esse espanto? — acomodado em sua cadeira o empresário olhou com curiosidade pra irmã.
—Nada não. E você pretende vê-la mais vezes suponho?
—Sim. E sabe de uma coisa?
—O quê?
—A Sara me pareceu ser uma boa moça. — ele sorriu lembrando das conversas que trocaram pra se conhecerem melhor.
Tinham passado mais de uma hora na companhia um do outro no restaurante, conversando e se conhecendo. Sara contou sobre ela a Grissom. E o empresário fez o mesmo contando um pouco sobre ele a jovem. Em nenhum momento foi mencionado sobre Arthur ou o tempo em que o empresário passou na casa de Sara. Eles apenas falaram sobre ELES, Grissom e Sara.
Com o papo a resistência de Grissom em relação a Sara foi sendo quebrada e virando fumaça a medida que o assunto entre eles foi avançando e eles foram se conhecendo ao longo das conversas trocadas.
Descobriram que tinham coisas em comum e outras nem tanto assim. Gostavam de ler e apreciavam os mesmo escritores, o mesmo tipo de música; preferiam o silêncio ao agito; ambos não tinham mais os pais e possuíam um irmão; Grissom adorava cozinhar e Sara era um desastre na cozinha; ele foi atleta na época do colégio e ela era somente a nerd que vivia com a cara enfiada nos livros.
—E que sorriso é esse ao falar dela?
Catherine não deixou passar batido por ela aquilo. Seu irmão sorrindo era tão raro.
—Sorriso? Que sorriso? Tá louca! — ele fechou a cara e remexeu nos papéis em sua mesa.
—Não estou não!
—Está! Agora que tal me deixar trabalhar? Você não tinha uma obra pra supervisionar essa hora?
—Tinha não, tenho. Mas antes de ir eu quero que responda uma pergunta.
Grissom suspirou em desagrado. Sua irmã e essa sua curiosidade mórbida.
—Que pergunta, Catherine? — encarou a irmã.
—Quando vai contar a Amanda sobre a Sara? Não é justo sua noiva está sendo enganada dessa forma. E agora mais ainda, já que você vai passar a ficar se encontrando com a Sara. Precisa contar pra Amanda, porque vai que sem querer ela acaba descobrindo sozinha sobre isso e vai ser pior.
—Sei disso. Mas é tão complicado contar pra ela que enquanto ela sofria achando que eu estava morto, eu me encontrava vivendo com uma mulher a quem me relacionei e engravidei.
—Precisa achar um jeito de contar antes do casamento. Já tô indo vistoriar a obra. Tchau!
Grissom apenas se limitou em assentir pra irmã. Tão logo sua irmã cruzou a porta e lhe deixou sozinho, o empresário se pôs a pensar nas palavras de Catherine. Realmente ele tinha que contar a Amanda, mas cadê a coragem pra isso?
Sobre a mesa viu seu celular tocar. No visor a foto de Amanda. Ele tinha que criar coragem e contar pra ela, mas não agora.
—Oi, Amanda. — disse ao atender.
Caminhando pelos corredores da construtora, Catherine vinha com a pulga atrás da orelha por conta do comportamento de Grissom ao falar de Sara. Uma conversa apenas dele com a jovem e seu irmão já mudou de visão em relação a jovem.
Pelo visto a conversa foi agradável mesmo!, Pensou a loira. Se isso era bom ou ruim Catherine não sabia. Ia esperar pra descobrir. Mas de uma coisa ela tinha certeza, ou sua cunhada ou essa Sara, uma das duas ia acabar saindo involuntariamente machucada por Grissom no final das contas.
***
Sentada em sua cama, Sara falava toda feliz ao telefone com Lucy sobre a conversa que teve mais cedo com Grissom.
—Fico feliz por você, Sara. Sei o quanto o ama. Mas querida, não fique criando esperanças pra não se decepcionar mais lá na frente.
—Por que diz isso?
—Ele está noivo. Vai casar em um mês, não é?
—Sim!
—E se ele não lembrar de vocês nesse meio tempo, ele certamente, vai casar com a noiva dele. E eu não quero você sofrendo por isso, Sara.
—Lucy, eu sinto que é só uma questão de tempo pra ele lembrar. O fato dele já aceitar me conhecer, vai ajudar muito nisso.
Ela estava confiante de quê a proximidade e as conversas que forem tendo quando estiverem juntos, irá fazer com quê seu amado comece a ter lapsos de lembranças e recorde aos poucos o que viveram.
—Eu torço de verdade pra que esteja certa e ele lembre de você, Sara, pois não quero vê-la sofrendo por ele.
As duas ainda ficaram de papo por mais um tempo até se despedirem e Sara encerrar a ligação. Na sequência a médica ligou para o irmão já tinha mais de semanas que não falava com ele. Certamente, Andrew até já havia ligado pra sua casa a fim de falar com a irmã.
No terceiro toque, Sara ouviu a voz de sua cunhada atendendo a ligação.
—Oi, Molly!
—Sara, graças a Deus! Estávamos preocupados com você. Ligamos inúmeras vezes pra sua casa nos últimos dias e nada de você atender. Estávamos preocupados já.
—Desculpas preocupá-los. Mas é que não estou em casa por esses tempos.
—Onde está?
—Em Los Angeles.
—E o que faz por aí?
—Passeando. — inventou. _E o meu irmão?
—Saiu agorinha com os meninos pra praia. E acho que vão demorar um pouco por lá. Sabe como são seus sobrinhos adoram água.
—Sei. Puxaram ao Andrew.
—Totalmente! — as duas riram. _Mas me conta como vão as coisas com você, seu namorado?
—Vão bem. — mentiu. Detestava contar mentiras, mas se dissesse a verdade só traria preocupação ao seu irmão e ela não queria isso.
—Ah, que bom. Seu irmão está louco pra conhecer o cunhado. E já pensa até em sobrinhos.
Essa última frase de Molly fez com que Sara resolvesse contar sobre o bebê que espera.
—Bom então diz pra ele que o sobrinho dele já está à caminho.
—Sério?? Você está grávida?
—Sim! Descobri há poucas semanas.
—Parabéns então. Andrew vai pirar com essa notícia.
—Acho que sim.
Por mais alguns tempinho as duas ainda ficaram de papo sobre a gravidez de Sara. E ao se despedir da cunhada antes de encerrar a chamada, a morena disse que a noite ligava pra falar com o irmão. Em seguida à isso a ligação foi finalizada.
Devolvendo o telefone para a base, Sara recostou-se a cabeceira da cama e com um sorriso nos lábios recordou a conversa com Grissom. Ele era mesmo diferente de Arthur. Mais calado, não era de sorrir, era mais de ouvir do que falar e quando falou foi sucinto nas palavras.
Mas apesar de não ser mais o mesmo homem apaixonado com quem ela conviveu por meses, ainda assim, ela o amava. E esperançosa acreditava que em breve ele voltaria a ser como era antes de recuperar a memória.
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