Another Life
86 Chapter 86
Notas iniciais
Sem palavras e extremamente mexido! Era assim que Grissom se encontrava depois daqueles vídeos.
Um silêncio absoluto reinou no escritório por um breve momento assim que o vídeo se encerrou. Catherine que enxugava as lágrimas pelo o que viu, trocou um olhar com o marido e ambos fitaram Grissom. Viram que ele se encontrava com uma expressão indecifrável fitando fixamente a tela do notebook.
Tanto Catherine quanto Warrick sabiam que apesar de não estar demonstrando, Gil havia sido tocado com aquilo que viu. Impossível não ter sido.
—Cara, você amava essa moça mesmo. — o empresário apenas lançou um olhar para o cunhado sem pronunciar quaisquer palavra em resposta.
Ele estava tão impactado e desconsertado com o que viu naqueles vídeos que não conseguia raciocinar direito ou falar.
Se ver falando aquelas coisas, se abrindo daquela forma tão desinibida e sem qualquer reserva ou timidez, foi algo inesperado. Não parecia ele, mas era. Tão diferente e tão seguro em confessar seus sentimentos como ele nunca foi antes.
Como podia ser possível?
Seu cunhado tinha razão, ele amava aquela moça mesmo. Estava ali nítido em sua cara durante o vídeo todo e nas declarações que fez ao longo do mesmo. Realmente, ele era apaixonado por aquela moça!
—Você não pode ignorar isso que acabamos de assistir, Gil.
Óbvio que ele não podia e "nem se quisesse, poderia ignorar", foi o que balbuciou em contra-argumentação a irmã.
—A forma como falou dessa moça nesse último vídeo mais precisamente... Eu nunca te vi falar da Amanda desse jeito, Gil. — Catherine não conseguia esconder a surpresa diante daquilo. Seu irmão falava com tanto amor de Sara que chegou a lhe emocionar. _É por isso que essa moça te ama desse jeito, porque você a amava da mesma forma apaixonada com a qual ela demonstra te amar, meu irmão.
O empresário levou as mãos a massagear as têmporas, sentindo uma enxaqueca vir lhe assolar em breve
—Me deixem sozinho, por favor. — ele pediu fechando os olhos e mantendo as mãos a massagear suas têmporas.
Warrick gesticulou com a cabeça para esposa pra eles saírem dali como Gil pediu. E pela primeira vez na vida Catherine atendeu sem contestar um pedido do irmão. Dando um beijo no topo da cabeça de Gil, a irmã do empresário saiu junto com o marido do escritório, deixando Grissom sozinho no cômodo como ele pediu a eles.
O empresário não sabia o quê pensar e muito menos, distinguir seus sentimentos diante do que viu. Havia um confusão enorme dentro dele. Tantas coisas sentidas ao mesmo tempo, que ele estava meio que perdido em sentimentos e sensações.
Abrindo os olhos, ele pôs-se a assistir por mais três vezes aquele último vídeo. Tudo o que Sara havia lhe dito na casa dela, foi mencionado por ele próprio naquele vídeo, mostrando-lhe que realmente aquela jovem não era mesmo a oportunista que ele cogitou que ela fosse. Sentiu-se um estúpido por pensar mau dela e lhe fazer um julgamento tão equivocado como fez.
Ela era uma boa pessoa, alguém por quem ele se apaixonou verdadeiramente e isso ficou comprovadamente claro naquele vídeo.
Olhando pra si mesmo naquela tela do computador, ele conseguia enxergar a bruta diferença que tanto Sara como a amiga dela mencionaram que havia nele em relação ao homem que elas conheceram como Arthur.
Havia uma leveza e uma alegria nítida em sua face mesmo esta estando emocionada enquanto a gravação ia avançando. Grissom e Arthur não tinham nada em comum a não ser fisicamente.
—É e não é eu ao mesmo tempo. Como pode?
Por que essa discrepância de jeito?
E por que ele esqueceu tudo a respeito daquela moça?
Se esse amor que se vê claramente nele por essa tal de Sara e que ele próprio mencionara no vídeo, era tão forte e grande assim, como ele pode esquecer de algo assim? Como pode esquecer da mulher que explicitamente ele deixou claro no vídeo que era: o amor da sua vida?
Ele queria entender isso!
Um amor tão grande como aquele não devia ser esquecido. Mas foi! E o pior é que agora ele não conseguia sentir absolutamente nada por essa Sara. Pra ele, ela era simplesmente uma desconhecida. Não havia esse sentimento forte que antes ele sentia por ela. Nem tampouco as lembranças dela em sua mente. Em sua cabeça essa moça não existia. Mas ela existia há bem pouco tempo.
Será que se ele se desse uma chance de conhecê-la as lembrança a respeito dela viriam? Provavelmente sim ou talvez não!
Só tentando pra saber. Mas tinha Amanda no meio disso e ele não queria magoar, de forma alguma, a mãe de sua filha, pois gostava dela.
Deus!
O que ele fazia?
Não tinha a menor ideia de quê atitude tomar, como prosseguir naquela situação. Uma parte de si aguçada pelo vídeo, até queria se aproximar de Sara na intenção de conhecê-la e quem sabe, até lembrar daquela jovem e dos momentos vividos com ela. Mas também havia a outra parte dele que não achava certo e nem queria proximidade com Sara, justamente, por causa do temor de magoar Amanda. Sua noiva não merecia passar por um sofrimento como aquele que certamente lhe traria.
Entretanto, ele não podia simplesmente deixar as coisas assim e não fazer nada. Precisar fazer algo. Só faltava se decidir o quê fazer, qual caminho seguir.
***
Sara já ia abrir a porta de seu quarto pra descer para o restaurante a fim de tomar seu café, quando o telefone do quarto tocou e a jovem foi até o mesmo atendê-lo.
—Alô!
Ela quase não acreditou quando escutou do outro lado da linha a recepcionista do hotel lhe avisar que um homem chamado Gil Grissom estava na recepção querendo vê-la.
Um sorriso feliz surgiu nos lábios de Sara com aquele fato. Seu amado estava ali, querendo falar com ela. Será que os vídeos e as fotos deram algum resultado e Grissom lembrou de algo?
—Diga que estou descendo pra falar com ele.
Ela finalizou a chamada e se encaminhou à saída do quarto.
Já na recepção do hotel Grissom recebia da recepcionista o recado dado por Sara. Agradeceu a funcionária e ficou ali no aguardo da vinda da morena.
À madrugada quase toda ele rolou de um lado para o outro da cama sem conseguir dormir, só pensando e relembrando suas palavras do vídeo e se questionando muito a respeito do quê fazer. E chegou a conclusão que tentaria conhecer aquela moça na intenção de lembrar dela. Não podia agir de outra forma senão desta. Até gostaria, mas manter-se indiferente a essa moça depois de ter visto o que viu, não era possível.
Os dois vídeos mexeram com ele em relação aquela moça. Não que ele instantaneamente sentisse agora algo por ela, não era isso. Sentimento em relação a ela continuavam NULOS. Mas diante do que viu, ele sentiu sim que não dava pra ignorá-la e mantê-la longe dele. Precisava se aproximar dessa moça e conhecê-la, saber mais dela e sobre eles no tempo em que passaram juntos. Sem contar, que havia esse bebê que sendo ou não do gosto de Grissom lhe manteria unido aquela moça pra sempre.
Dentro do elevador Sara era pura expectativa para esse encontro com seu amado. Será que ele lembrou de algo vendo as fotos e os vídeos? Tomara que sim! Pois dessa forma, o pesadelo vivido pela jovem médica chegaria ao fim.
A porta se abriu no andar correspondente e assim que saiu do elevador Sara logo enxergou Grissom lá adiante com as mãos escondidas no bolso da calça de linho e uma expressão pensativa.
Seguiu até ele em passos calmos e no meio de sua caminhada até ele, o empresário a viu se aproximar e veio até ela, encontrando-a no meio do caminho que ela fazia até ele.
—Olá!
Seu olhar parecia confuso e não denotava quaisquer lembrança a respeito de Sara, o que entristeceu a jovem.
"Pelo visto, ele não lembrou de nada!"
—Oi!
—Podemos conversar?
—Claro! Mas nossa conversa pode ser no restaurante do hotel enquanto tomo meu café?
Grissom assentiu em concordância e os dois seguiram para o restaurante. Eles se acomodaram em uma mesa mais ao fundo do estabelecimento, onde haviam poucas pessoas. O garçom veio e enquanto Sara fez um generoso pedido, Grissom se limitou a pedir apenas uma xícara de café pra não deixar Sara comendo sozinha.
—Suponho que sua razão pra ter vindo conversar comigo esteja relacionada ao conteúdo do pendrive que lhe dei.
—Sim.
—Você lembrou de alguma coisa? — a jovem arriscou em saber.
—Não. Sinto muito!
Sara apenas assentiu, tentando disfarçar sua tristeza diante da confirmação de Grissom a respeito dele não ter lembrado de nada. Seria bom demais se ele lembrasse assim tão rápido dela e de tudo sobre eles.
—Ainda está tudo tão confuso pra mim.
—Imagino. Posso te fazer uma pergunta? E por mais que a resposta não seja agradável pra mim, ainda assim, quero que seja o mais sincero possível comigo.
—Serei!
Ela sabia que poderia se magoar e muito dependendo da resposta que ele lhe desse. Todavia precisava lhe fazer aquele questionamento.
—Você quer lembrar de mim? Quer lembrar do que vivemos juntos?
Aquelas perguntas dela pegaram o empresário de surpresa. Ele pensou numa resposta, mas não a encontrou em definitivo.
—Uma parte de mim até quer e senti curiosidade de descobrir, lembrar das coisas que eu esqueci. Mas há outra parte que também não quer isso por causa da minha noiva. Eu ainda não contei a ela sobre... Você é o bebê. Não tive coragem de contar nada pra não magoá-la. Ela não merece. Me ama tanto.
—Eu também te amo tanto quanto ela deve te amar.
Grissom levantou os olhos que mantinha preso a mesa e encarou Sara. Encontrou a jovem lhe fitando com certa mágoa e tristeza. Ia se desculpar com ela pelo que disse, mas a vinda do garçom com os pedidos feito por eles, o impediu disso. Mas tão logo o funcionário do restaurante se retirou, o empresário tratou de pedir desculpas a jovem a sua frente.
—Sara, me desculpe, não quis te magoar ao dizer o que eu disse anteriormente.
Doía nela ver a preocupação dele com a noiva. Mas Sara compreendia em partes isso. Afinal, aquela outra mulher tinha uma relação duradoura com ele, a qual ele lembrava perfeitamente. Ao contrário, da relação deles que agora era inexistente pra Grissom.
—Eu até consigo entender sua preocupação em relação a sua noiva, sabia?
—Consegue entender mesmo?
Ele deu uma provada em seu café e aguardou a jovem a sua frente terminar de bebericar seu suco pra só então ela poder lhe responder.
—Claro que sim, Art... Grissom. — ela se corrigiu antes de terminar de chamá-lo pelo nome que lhe deu. Lembrava-se bem dele ter dito na sua casa que era pra ela lhe chamar de Grissom. E assim o faria enquanto ele não voltasse a ser o seu Arthur. _Não sou egoísta a ponto de só ver o meu lado da situação. Você... — ela fez uma pausa antes de prosseguir no que diria. Não era fácil dizer aquilo, mas era a realidade. _... Gosta da sua noiva e é natural que se preocupe com ela nessa situação.
Grissom pode notar o desconforto de Sara ao falar que ele gosta da noiva.
—Amanda é uma excelente pessoa, Sara.
—Não duvido disso.
—Ela sofreu muito achando que eu tivesse morrido.
—E eu tô sofrendo muito por você ter me esquecido. — murmurou a jovem antes de tomar um gole de seu café e sem a menor intenção de que as palavras mencionadas por ela fossem ouvida, mas acabaram sendo.
Grissom olhou pra Sara penalizado e sentindo-se péssimo por causar mau à alguém que demonstra gostar dele do jeito como aquela moça demonstra.
—Quero que saiba que estou aqui disposto a tentar te conhecer melhor na intenção de me lembrar de você. — ele pode ver um tímido sorriso surgir nos lábios da jovem sentada diante dele. _Não sei se isso dará certo, mas acho que é válido tentar.
Sara gostou de saber que ele ao menos queria tentar lhe conhecer pra lembrar dela. Torceria e muito para seu amado lembrar logo dela, deles e do amor que construíram juntos.
—Eu quero pensar que dará certo sim e você lembrará de tudo. — a médica sorriu alegre e esperançosa ao empresário que não demonstrou muito alegria assim. _E já que você não me conhece e quer me conhecer. E nem eu conheço o Grissom e quero conhecê-lo...
—Já te aviso de antemão que sou completamente o avesso do que homem que você conheceu como Arthur. — ele comunicou Sara interrompendo a fala dela.
A jovem esboçou um sorriso já ciente do fato mencionado por Grissom desde o momento em que ele assumiu o lugar de Arthur.
—Sei disso. Mas quero tentar te conhecer também. Então se vamos nos conhecer, começaremos como todo mundo começa ao se conhecer.
—Como assim? — Grissom franziu a testa não entendendo nada.
Ela teve naquele momento aquela ideia que colocaria em prática agora. Era na verdade, uma maneira de quebrar um pouco o clima e a resistência nítida que via em Grissom. E também era um meio divertido de começar as coisas ali entre eles.
—Oi!... Sou Sara Sidle! — ela se apresentou e estendeu a mão pra Grissom. _E você quem é?
O empresário franziu a testa sem entender nada.
—Você sabe quem eu sou.
—Na verdade não, porque a gente acabou de se conhecer. Eu não faço ideia de quem seja. Então qual seu nome?
Grissom involuntariamente deixou escapar um sorriso ante a brincadeira imposta pela jovem pra começarem a se conhecer. Ele então resolveu entrar na brincadeira dela.
—Sou Gil Grissom. — ele disse apertando a mão de Sara por cima da mesa e sorrindo pra jovem.
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