Another Life
84 Chapter 84
Notas iniciais
—Não conseguiu mesmo entrar em contato com a moça, Gil?
—Não, Cath!
Ele tinha tentado mais duas vezes ontem à noite depois que Amanda foi embora e nada. Depois fez mais três tentativas antes de dormir e nada mais uma vez. E hoje de manhã também tentou, e assim como ontem, o resultado foi o mesmo: nada! Onde será que essa Sara se meteu? O que terá acontecido com ela?
—Se não conseguirmos falar com ela, a gente bem que podia ir lá na casa de novo depois de amanhã, o que acha?
Grissom olhou pra irmã e podia ver que realmente, ela parecia preocupada com aquela moça. E no fundo, ele também estava, afinal era um filho dele que ela carregava.
—Acho uma boa ideia. — Ele concordou saindo do elevador acompanhado da irmã.
—Que bom. Vou pra minha sala. Bom trabalho pra você.
—Pra você também, Cath.
Enquanto a loira dobrou pra pegar um corredor onde ficavam os escritórios dos arquitetos, Gil seguiu em frente onde ficava sua sala. Passando pela recepção, ele cumprimentou sua secretária sem parar ali e seguiu reto pra sua sala não dando chance a Andrea de lhe informar sobre a vinda de uma mulher ontem atrás dele.
Já dentro da sala ele se acomodava em sua cadeira quando viu a porta abrir e Andrea pedir licença pra entrar, o que ele autorizou prontamente.
—Doutor Grissom ontem veio uma moça atrás do senhor.
—Que moça? — Ele indagou folheando um documento que Andrea havia deixado mais cedo em sua mesa.
—Ela não disse o nome, mas avisou que vinha hoje às nove lhe procurar novamente.
—Ok! Se eu não estiver ocupado, atendo essa desconhecia quando ela chegar. Mas caso o contrário, você marca outro dia e um horário na minha agenda pra recebê-la.
—Sim senhor.
—Fora essa moça, mas alguém me procurou ontem?
—Não, senhor.
—Hum... Me faça um favor, Andrea? — Ele olhou pela primeira vez à secretária.
—Claro senhor.
Retirando o papel com o número de Sara do bolso interno do palitó, Gil o estendeu a sua secretária dizendo a ela que ligasse pra o número do papel até alguém atender. E assim que atendessem, era pra ela passar imediatamente a ligação pra sua sala. Andrea assentiu pegando o papel da mão do chefe.
—E por quem pergunto quando atenderem?
—Por ninguém apenas me passe a ligação.
—Sim senhor.
—Agora pode ir.
—Com licença.
—Toda!
Esperava que hoje conseguisse entrar em contato com essa moça, pois do contrário começaria a achar que realmente algo sério aconteceu com ela ou bebê, ou mais ainda com os dois.
Balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos negativos e focou sua atenção na leitura dos papéis que segurava.
...
Sara terminou seu café e sinalizou para o garçom pedindo a conta. De tanta ansiedade por ir ver Arthur, ela até tinha acordado cedo demais. Ficou na cama até dar o horário de levantar. Tomou um banho, depois se arrumou e resolveu descer pra tomar café no restaurante onde cá estava agora e esperava a conta pra ir embora. Olhou no relógio 08h35mim. O caminho até o escritório levava em torno de vinte minutos. Ia chegar lá em cima da hora que disse a secretária com quem falou ontem.
O garçom veio e ela pagou a conta com seu cartão. Instantes depois já aguardava na frente do hotel ao funcionário trazer seu carro, o que não demorou nada.
Já em seu veículo a caminho do escritório, ela guiava mais ainda ansiosa e também um tanto temerosa por esse "reencontro", pois o tal Grissom podia não gostar nada de vê-la ali e assim, ser tão rude com ela quanto foi em sua casa quando recuperou a memória. Mas ela torcia pra isso não acontecer, pra ele não ser tão hostil com ela e quem sabe, com esses dias sem contato, ele não acabe lembrando de algo ao revê-la? Era uma esperança ainda que remota, mas era!
Estacionou seu carro do outro lado da rua de onde o edifício ficava localizado. E logo já seguia pra dentro do imponente local onde trabalhava seu amado. Passou direto na direção do elevador e apertou o número correspondente ao andar o qual ficava o escritório de Grissom.
Na sala do empresário, ele olhava para o papel da licitação da reforma da biblioteca nacional, o qual sua construtora ganhou, mas sua cabeça não estava nenhum pouco focada na leitura daquele documento. Na verdade sua cabeça estava longe dali, bem longe, em uma moça que andava sumida e que ainda não havia atendido as ligações feitas a ela. Ainda pouco, o empresário ligou pra sua secretária e perguntou se ela já havia conseguido alguma resposta do número que lhe deu e Andrea disse que não. Segundo a secretária a chamada só estava caindo na secretária eletrônica. Grissom então pediu que ela seguisse tentando vez ou outra.
Largando o papel sobre a mesa Grissom se questionou: "Por que essa moça não atendia?"
De repente a ideia de que ela podia estar ficando na casa da amiga dela a qual veio falar com Grissom anteontem, veio de súbito a cabeça do empresário. A tal Lucy disse que ela não parecia bem, com certeza, preocupada com a amiga, ela levou-a pra sua casa. Diante de tal suposição, Grissom ficou menos preocupado, mas ainda assim, ficaria mais tranquilo se falasse logo com essa moça.
O telefone tocou em sua mesa e o empresário apertou imediatamente o viva-voz, atendendo a chamada de sua secretária na esperança de Andrea estar ligando pra avisar que conseguiu entrar em contato com Sara.
—Sim, Andrea.
—Doutor Grissom a moça de ontem está aqui querendo falar com o senhor.
Ele suspirou desgostoso, pois não era isso que queria ouvir de sua secretária.
—Essa moça não tem nome? — Ele quis saber mal-humorado.
Grissom ouviu sua secretária indagar o nome da pessoa, mas não conseguiu ouviu direito a voz da desconhecida. E quando Andrea disse o nome da moça, o empresário quase não acreditou.
—Você disse Sara? — Ele quis ter certeza de que ouviu certo.
—Sim, senhor. Ela disse que precisa muito falar com o senhor. Vai atendê-la?
Seria a mesma Sara? Só podia ser, porque ele não conhecia outra pessoa com esse nome que viria atrás dele.
Aliás, como ela descobriu seu paradeiro? Lembrou da amiga dela e com certeza, essa mulher tinha dado o endereço dali a ela.
—Doutor Grissom, o senhor vai atendê-la? — Andrea repetiu a pergunta já que seu chefe não havia respondido.
—Sim. — Foi tudo o que ele conseguiu dizer antes de encerrar a chamada.
Na recepção Sara recebia da secretária a confirmação de que o "doutor Grissom" ia atendê-la. Ficou feliz e animada por ele recebê-la. Seguiu no encalço da secretária que disse que ia levá-la até o encontro com o empresário. Em poucos instantes já entrava numa sala e lá estava ele elegantemente vestido num colete cinza por cima de uma camisa branca e de mangas compridas, gravata azul escura e sem a barba que Sara se acostumou a ver nele. Estava tão lindo quanto ela lembrava que ele era.
A médica podia jurar que viu certa nuvem de alívio pairando nos olhos de Arthur, quando seus olhares se encontraram assim que ela entrou na sala dele e o empresário se pôs de pé atrás de sua mesa.
E realmente, no fundo ele até estava aliviado e um pouco feliz por estar vendo-a, pois desse modo, descobria que estava tudo bem com ela e nada de mau havia lhe acontecido, não aparentemente!
—Andrea, eu não estou pra ninguém, caso apareçam e liguem perguntando por mim. — Mantendo os olhos fixos em Sara, Grissom dirigiu tais palavras a secretária.
—Sim senhor. Com licença.
Tão logo se encontravam sozinhos ali, Sara e Grissom mantiveram-se em silêncio por alguns segundos enquanto um fitava o outro.
Ela o olhava com carinho e alegria.
Ele a olhava com surpresa por sua presença ali.
—Oi! — Sara foi a primeira a se pronunciar, dando alguns passos a frente pra se aproximar da mesa do empresário.
—Olá! — Ele respondeu após uns segundos.
—Pelo visto ainda continuo sendo uma desconhecida pra você, né?
O olhar vazio ainda estava ali. Não era o Arthur era o tal Grissom.
O empresário se limitou a apenas confirmar a resposta com um movimento de cabeça.
—Como você está?
—Surpreso. — Admitiu. Jamais lhe passou na cabeça que ela viria lhe procurar. _Sua amiga me disse que estava mau, mas pelo visto ela mentiu. Sente-se! — Grissom apontou a cadeira a Sara.
A jovem franziu a testa enquanto se acomodava na cadeira. Amiga?? Que amiga ele estava falando?
—Eu nem imagino de quem você esteja falando.
—Sua amiga Lucy me procurou dois dias atrás dizendo que você se encontrava mau depois que partir e te deixei. Ela até me pediu que eu fosse te visitar pra ver se você melhorava.
—Lucy esteve aqui?
Sara tinha sido pega totalmente de surpresa com essa "novidade". Como sua amiga veio aqui e não lhe disse nada?
—Vai dizer que você não sabia?
—Pelo nosso filho, eu juro que não sabia dessa vinda dela aqui. E ela tampouco conto sobre isso pra mim.
A menção do filho por Sara, fez Grissom tomar a iniciativa de perguntar se estava tudo bem com o bebê e ela.
—Nós estamos bem na medida do possível. — Sara sorriu gostando de ver que ele se preocupava em saber como estavam o bebê e ela.
Grissom assentiu, olhando pra Sara de maneira insistente, tentando buscar na mente lembranças e recordações a respeito daquela moça, mas nada veio.
—E quanto eu estar mau segundo minha amiga te contou, ela não mentiu. Realmente eu fiquei mau mesmo por conta da sua partida, mas encontrei algo me deu força pra superar o estado no qual me encontrava por conta de você ter vindo embora. Não vou dizer que não continuo mau e triste por você ter me deixado, porque estaria mentindo. Mas posso dizer que agora estou melhor do que quando você partiu.
—Hum... Fui a sua casa ontem com minha irmã pra te fazer uma visita como sua amiga pediu. — Ele contou, desviando o olhar dela para os papéis em sua mesa.
Foi impossível Sara não se surpreender com o que ouviu. Ele foi a sua casa lhe visitar, ainda que não por vontade própria, mas porque Lucy pediu, só que ele foi e isso foi bom saber.
—Porém não tinha ninguém lá. Esperamos um bom tempo, mas você não apareceu, então viemos embora.
—Será que você podia falar olhando pra mim? É incômodo você ficar falando comigo e olhando pra esses papéis.
Ela pediu gentilmente. Queria ver seus olhos, seu rosto, sua boca enquanto conversavam, mas com ele de cabeça baixa era impossível.
Atendendo ao pedido da jovem, Grissom levantou os olhos dos papéis e fitou Sara sentada mais adiante dele.
—Liguei inúmeras vezes pra sua casa ontem depois que cheguei da cidade onde você mora, mas você não atendeu nenhuma ligação. Eu... Já estava preocupado com esse "silêncio" seu.
—Estava preocupou mesmo comigo?
De uma forma involuntária e inesperada, ele se preocupou de verdade. Mesmo que não lembrasse dela, mesmo que ela fosse uma estranha, ainda assim, ele se preocupou e no fundo até temeu que algo sério e grave tivesse acontecido à ela ou ao bebê.
—Você está grávida de um filho meu, é natural que eu me preocupe. — Justificou-se usando a gravidez como "desculpa". _Achei que algo tivesse acontecido com você ou o bebê, ou com os dois e por essa razão que você não estava na sua casa quando fui te ver e nem atendia as ligações que te fiz.
Por um breve instante Sara pode vislumbrar a preocupação de Arthur nos olhos do tal Grissom. Isso foi um sopro de esperança de que nem tudo estava perdido e que o seu grande amor ainda estava ali naquele homem.
—Ontem eu não estava lá porque já me encontrava aqui nessa cidade. Cheguei anteontem a noite em Los Angeles, por isso não estava lá quando foram e nem atendia as ligações que você me fez.
—Posso saber por que veio aqui?
A pergunta podia soar um tanto ríspida, mas não havia qualquer rispidez nela, muito pelo contrário, Grissom mostrou-se gentil e bastante curioso quanto a razão daquela jovem de se abalar de lá da cidade dela até aqui. Se bem, que ele podia imaginar a resposta daquilo.
—Primeiro de tudo, eu vim pra te ver, saber como está. E posso ver que você está muito bem. Fico feliz por isso, ainda que também me doa um pouco, ver que esteja tão bem vivendo sem mim.
Grissom pôde ver os olhos tristes e sentir o tom pesaroso com o qual a jovem pronunciou as últimas palavras e isso de algum modo, lhe incomodou. Nitidamente aquela moça parecia gostar dele e sofria com o fato dele não lembrar dela, o que não era culpa dele. Simplesmente não havia qualquer registo daquela moça em sua mente.
—E o segundo motivo que me fez vir aqui foi porque encontrei algo que gostaria de te entregar.
Sob o olhar atento de Grissom, Sara pegou do bolso pequeno da frente da bolsa, um pequeno pen drive pra onde havia pedido ao rapaz da lan house que copiasse as fotos e vídeos do cartão que estava na câmera que Arthur e ela usavam pra registrar os momentos deles.
—Toma! Acho que isso vai te provar toda a história que contei e você não quis acreditar muito.
Hesitante o empresário esticou o braço por cima da mesa e apanhou da mão de Sara o objeto que ela lhe estendia. O simples e breve contato de seus dedos com os de Sara lhe deram a sensação de déjàvu e do nada a imagem da jovem a sua frente dizendo que lhe amava enquanto sorria pra ele, veio de repente em sua mente num relâmpago flashe.
—Aí dentro desse Pen drive tem uma porção de fotos nossas e dois vídeos que você mesmo gravou. — Essa fala de Sara trouxe Grissom de volta a realidade a qual ele havia saído por conta do flashe de segundos atrás. _Os vídeos por sinal, não eram do meu conhecimento, só os descobri poucos dias atrás ao mexer na câmera.
Ainda com aquele flashe na mente, Grissom olhou o pequeno objeto em suas mãos com bastante curiosidade. Fotos... Vídeos dele certamente com aquela moça estavam contidas ali dentro. Provas de sua infidelidade à Amanda.
—Gostaria que você visse as coisas contidas aí dentro. É muito importante que veja.
Um lado seu queria ver aquilo pra ter certeza de que aquela jovem não era uma oportunista. Mas em compensação, outro lado seu não queria ver aquilo e descobrir fatos evidentes de sua infidelidade para com a noiva que tanto lhe amava.
—Eu vejo em outro momento isso. — Se limitou a dizer ao olhar pra Sara e escutar em sua mente mais uma vez a voz que parecia ser a dela lhe dizendo: "Te amo!".
O que era aquilo? Uma lembrança?
Sara assentiu, torcendo para o conteúdo daquele cartão fazer com que alguma lembrança venha a cabeça daquele homem.
—Eu vou esperar que entre em contato comigo depois que ver isso. Estou hospedada nesse hotel. — Ela estendeu a Grissom um papel com o nome do hotel onde estava ficando.
—Você vai permanecer na cidade?
—Vou!
Estranhamente essa confirmação dela não lhe incomodou, muito pelo contrário, ele até apreciou essa notícia, pois ficaria mais fácil de entrar em contato com aquela jovem, do que com ela morando há milhas e milhas de distância dali.
—Por quanto tempo?
—O tempo que for preciso pra te recuperar e recuperar o seu amor.
—Sara...
—Eu amo você! Sei que não lembra de mim, mas eu sinto que o homem que me amou, ainda está aí dentro de você. E o que eu puder fazer pra você lembrar desse amor, eu vou fazer!
Ele tinha que dar o braço a torcer, ela realmente lhe amava e parecia determinada a lhe fazer lembrar do que tinha vivido com ela. Porém...
—E se eu não lembrar nunca?
Isso podia ocorrer como também não! E Sara era bem ciente disso, mas preferia ser positiva e acreditar no lado bom da situação.
—Eu quero acreditar que você vai lembrar, porque o nosso amor e tudo mais o que nós vivemos juntos foi forte demais pra ser esquecido pra sempre!
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