Another Life
83 Chapter 83
Notas iniciais
—Lucy devia ter contado a ela sobre sua conversa com o Arthur, Grissom, ou seja lá como ele se chame. E impedido a Sara de ir.
—Michael, ela parecia tão empolgada pra ir até ele que não tive coragem de boicotar sua alegria contando sobre a conversa nada agradável que tive com o pai do filho dela. Além do mais, eu não tenho o poder de impedi-la de fazer as coisas. Sara é adulta e eu não sou sua mãe, eu sou apenas uma amiga. — Disse a mãe de Doug e Lewis ao telefone com o irmão.
Michael havia ligado e durante a conversa deles, o biólogo não resistiu em perguntar a irmã sobre Sara. Lucy então contou tudo o que tinha acontecido e sobre sua conversa com Grissom.
—Ela vai se decepcionar indo lá. Você disse que ele está diferente do que era, não foi?
—Completamente!... Espero que ele não seja tão ríspido e grosseiro com ela quanto Sara me disse que ele foi no instante em que recobrou a memória.
—Eu também espero isso. Sara não merece ser maltratada.
—Você gostou dela mesmo, não é mano?
—Gostei. Pena que a conheci tarde demais, quando o coração dela já tinha dono. Um dono que sinceramente, torço pra lembrar dela, pelo bem da Sara.
...
A viagem foi longa e cansativa, mas enfim, depois de horas dirigindo por quilômetros e quilômetros, ela chegava em Los Angeles, a cidade apelidada de "Cidade dos Anjos", onde vivia o seu grande amor e pai de seu bebê.
Sara ainda guiou seu carro mais um pouco à procura de um bom hotel pra se hospedar. No GPS ela pode ver que dobrando na próxima rua havia um e foi o que fez.
Alguns bons instantes depois estava na recepção do tal hotel terminando de fazer seu registro e logo depois recebendo do atendente o cartão-chave do seu quarto.
Um jovem carregador veio apanhar sua mala e com ele, Sara seguiu para o elevador que lhe levou até o oitavo andar onde ficava localizado o quarto o qual a morena ficaria hospedada.
—Aqui, obrigada! — Sara agradeceu e deu um trocado ao carregador. O jovem assentiu agradecendo a gorjeta e saiu do quarto.
Sentando-se à cama e esticando as pernas, Sara apanhou o telefone que havia ali ao seu lado sobre uma pequena mesa e resolveu ligar pra Lucy a fim de avisá-la que tinha chego bem e em segurança. Quatro longos toques e ela logo ouviu a voz ofegante de sua amiga atender a chamada.
—Lucy é Sara.
—Oi, querida. Aconteceu alguma coisa?
—Não. Só liguei pra avisar que já cheguei na cidade. Estou hospedada em um hotel.
As duas ficaram de conversa alguns minutos até Sara ouvir uma batida na porta do seu quarto. Com certeza, era o jantar que ela havia pedido que lhe trouxessem tão logo efetuou seu registro no hotel. A morena despediu-se de Lucy, encerrou a chamada e foi atender a porta.
Um rapaz trajando um uniforme branco e empurrando um carrinho entrou no quarto com o jantar pedido pela jovem. Ele perguntou onde podia deixar o jantar e ela indicou a mesa mais adiante.
—Você pode me dar uma informação? — Sara questionou o homem enquanto ele retirava as coisas do carrinho e depositava à mesa. Ao consentimento do sujeito, a morena tornou a falar. _Você certamente já deve ter ouvido falar no escritório da construtora Grissom, não é?
—Puxa e quem nessa cidade já não ouviu, moça? Esse escritório é tão conhecido nessa cidade quanto os letreiro de Hollywood.
—Sério?
—Sim.
—E esse escritório fica perto ou longe daqui?
—Fica um pouco longe. O escritório está localizado lá no centro comercial, que fica cerca de mais ou menos uns vinte minutos de carro daqui.
Não é tão longe assim, mas ela podia ter escolhido um hotel mais próximo de lá. Agora paciência. Ia ficar nesse mesmo.
—Mais alguma pergunta, senhorita?
—Não, não. Obrigada!
—Já terminei de pôr a mesa pra senhorita. Com licença.
—Toda!
Sara o acompanhou até a porta e lhe deu uma gorjeta pelo serviço e as informações.
Sozinha novamente no quarto, ela foi tratar de comer o que havia pedido. Estava faminta e em questão de pouco tempo já tinha "devorado" o jantar que pediu.
Um tempo mais tarde após uma boa ducha, ela estava em seu pijama, acomodada na cama macia de seu quarto pensando que amanhã iria rever seu amado depois de seis dias sem qualquer contato com ele. Estava tão ansiosa por esse "reencontro". E foi pensando nisso e nas lembranças com Arthur, que Sara acabou sem muita demora, pegando no sono.
...
—Tô morrendo de sono, Gil. A gente tinha mesmo que sair tão cedo assim?
Catherine reclamou enquanto entrava no carro com seu irmão pra irem visitar a cidade a qual Gil ficou morando no período em que todos pensavam que ele estava morto, a fim de visitarem Sara.
—Cath são mais de cinco horas de viagem, a gente tinha que sair cedo pra chegar lá cedo e voltar CEDO pra casa.
—Sim, mas precisava ser tão cedo assim pra irmos. São cinco e pouco da manhã.
—Você não queria me acompanhar? Então não reclama!
—Grosseiro!... Vou perguntar pra Sara se você desmemoriado era assim grosseiro também?
Vendo que se excedeu e foi rude com a irmã, o empresário lhe pediu desculpas pela forma como falou com ela.
—A gente podia almoçar lá na casa dessa Sara.
—Não inventa! — Ele lançou um olhar nada contente pra irmã enquanto cruzavam os portões do condomínio onde moravam. _Eu não vou comer na casa dela. A gente almoça em algum restaurante pela estrada quando já estivermos voltando pra casa.
—Mas...
—Não insiste Catherine! — Ele cortou a irmã.
—Chato! — Ela lhe mostrou a língua e ele revirou os olhos ante aquele comportamento infantil demais pra uma mulher da idade de sua irmã.
E depois disso tudo o carro caiu num silêncio enquanto a viagem seguiu. Duas horas depois de terem pego a estrada, Grissom parou para sua irmã e ele tomarem café. Meia hora depois já estavam de volta a estrada, agora quem dirigia era Catherine e eles iam conversando sobre assuntos amenos ou comentando sobre algo que viam pelo meio do caminho na estrada.
Foi uma longa viagem e quando passava das dez da manhã lá estava Cath estacionando em frente a casa de Sara.
—Seja gentil com a moça, hein?!
Grissom apenas olhou feio pra irmã e saiu do carro.
Os dois se aproximaram da cerca e bateram palmas enquanto chamavam pelo nome da dona da casa. Chamaram inúmeras vezes, mas nada de Sara vir atendê-los.
—Acho que ela não está. Deve ter saído, porque o carro não está na garagem e no dia que vim te buscar, eu vi que ela tinha um carro. Vamos aguardar um pouco ela voltar de onde quer que tenha ido.
Grissom apenas assentiu pra irmã. E encostando-se a cerca, o empresário ficou fitando a casa tentando lembrar de algo que viveu ali.
—Posso saber por que olha com tanta insistência pra casa?
—Pra vê se eu lembro de algo que vivi nela.
—E por acaso conseguiu lembrar de algo?
—Não!
E enquanto os irmãos Grissom esperavam por Sara aparecer, em Los Angeles à morena descia de um táxi em frente ao edifício onde funcionava a construtora do pai de seu bebê. Ela não quis vir em seu carro porque não sabia bem o caminho pra cá e sem contar, que suas pernas e seu pé estavam um tanto doloridos por conta da longa viagem de ontem que a jovem fez ao volante de seu carro.
Entrando no edifício, Sara logo já pedia informações a uma moça de onde poderia encontrar Gilbert Grissom. A jovem lhe indicou que pegasse o elevador e fosse para o último andar, pois era lá que ficava o escritório do dono da construtora.
E foi pra lá que Sara foi. Saindo do elevador pouco tempo depois, ela enxergou a bonita recepção onde havia uma moça. Seguiu até lá sem deixar de notar como aquele lugar era bonito e requintado.
—Bom dia! Em quê posso ajudá-la?
—Bom dia! Eu gostaria de falar com Arthur, quer dizer, Grissom... Gilbert Grissom!
Era difícil se acostumar com aquele nome. Pra ela, ele seria sempre o Arthur, mesmo que agora não fosse o mesmo homem apaixonado por ela que ele costumava ser antes de recuperar a memória.
—Sinto muito, o doutor Grissom não está e nem virá por aqui hoje, só amanhã. — Informou Andrea.
Sara lamentou profundamente isso. Queria tanto vê-lo, mas parece que terá que se contentar em isso ser possível só amanhã.
—A senhora tinha marcado alguma reunião com ele hoje?
—Não! Mas eu precisava muito falar com ele!... Que horas mais ou menos eu já posso encontrá-lo por aqui amanhã?
—As oito da manhã que geralmente o doutor Grissom chega pra trabalhar.
—Ah, então eu volto amanhã pelas nove pra falar com ele.
—Como quiser. Mas a senhora não quer me deixar seu nome pra eu informar o doutor Grissom de sua vinda caso ele ligue?
—Não é necessário.
Ela achou melhor não deixar, porque vai que ele diz que amanhã não está somente pra não atendê-la? Então é melhor não deixar nenhum nome.
—Tudo bem!
—Até logo e obrigada.
—De nada!
Um tanto frustrada por não ter encontrado seu amado hoje como esperava, Sara seguiu de volta em direção ao elevador. Minutos mais tarde estava do lado de fora do edifício da construtora, lamentando ainda pela falta de sorte de não ter podido ver seu grande amor. Agora só lhe restava voltar para o hotel e amanhã ela retornava à construtora pra falar com ele.
Seguiu alguns passos pela calçada até ver um táxi e sinalizar para o mesmo que logo parou pra ela. À morena disse ao motorista o nome do hotel que estava hospedada e o mesmo já seguiu pra lá.
...
—Catherine já tem mais de uma hora que estamos aqui esperando e nada dessa moça aparecer. Acho melhor irmos. De lá de casa eu ligo pra essa moça. Vamos? Já deu de esperar.
—Grissom vamos esperar mais meia hora, por favor? — Implorou Catherine, pois queria muito ver Sara e principalmente, conversar com ela.
—Meia hora e nada mais! — Sentenciou Grissom com impaciência.
Eles ficaram dentro do carro esperando e esperando até que a meia hora se passou e nada de Sara chegar.
—Agora nós vamos pra casa! — Decretou Grissom ligando o carro.
—É uma pena que não conseguimos vê-la e falar com ela. Você vai mesmo ligar pra ela lá de casa, não vai?
—Vou Catherine! — Afirmou o empresário enquanto guiava seu carro pela estrada de terra.
No meio da viagem de volta pra casa, os dois irmãos fizeram uma pausa pra almoçar num pequeno restaurante na cidade de Desmond. Depois retomaram a viagem e horas mais tarde, após quilômetros e quilômetros de viagem, eles chegavam em casa.
—E aí, conseguiram falar com a moça?
—Não Lou. Ela não estava lá. Ficamos esperando por ela, mas a moça não apareceu. — Catherine contou a governanta que já sabia de toda a história sobre Sara, pois a irmã mais nova de Grissom se encarregou de contar isso a mulher mais velha. E assim como Cath, Louise também achava que Grissom devia contar logo essa história à noiva antes de casar-se com ela.
—Será que aconteceu alguma coisa com ela?
—Tomara que não!... Liga pra ela, Gil. Com certeza, ela deve estar em casa agora.
—Eu não tenho o número aqui. Está no meu quarto na gaveta do móvel próximo a minha cama.
—E o que você espera pra ir lá buscar e ligar pra essa moça?
Sem dizer nada e soltando um suspiro exasperado, Grissom seguiu para as escadas a fim de ir fazer o que sua irmã disse.
O empresário entrou em seu quarto e foi direto ao móvel e de dentro da gaveta do mesmo tirou um papel onde estava escrito o número de contato de Sara, que a própria anotara pra ele. Digitou os números em seu celular e esperou. A ligação chamou... Chamou... Chamou até uma gravação eletrônica atender.
—E então?
Ele se virou pra encontrar Cath e Louise na porta de seu quarto.
—Apenas chamou até entrar a gravação da secretária eletrônica. — Informou o empresário encarando o celular.
—Isso está bem estranho! — Catherine comentou chamando a atenção do irmão pra si.
Grissom fez mais uma tentativa, mas novamente a ligação chamou e chamou até mais uma vez cair na secretária eletrônica.
Outras tentativas de entrar em contato com Sara foram feitas pelo empresário e até mesmo por sua irmã ao longo da tarde, e em todas o resultado foi o mesmo: nada de Sara atender.
—Confesso que tô começando a me preocupar com essa situação, Gil.
A irmã do empresário lhe disse após mais uma nova tentativa dela em entrar em contato com Sara. Já era noite e as tentativas deles tinham sido inúmeras até aqui, e todas sem sucesso.
Mesmo não querendo, involuntariamente, o empresário irmão de Catherine também já começava a se preocupar com esse aparente sumiço da jovem com quem ele se envolveu.
—Será que...
A batida na porta do escritório interrompeu a fala de Catherine. Era Amanda que tinha vindo do trabalho ver o noivo.
—Nossa, que caras de preocupação é essa de vocês? — A jornalista não deixou de notar as expressões tensas e fechadas de seu noivo e sua cunhada.
—Oi, Amanda! — Catherine foi até a cunhada e lhe deu um abraço, em seguida disse que ia ver se seu marido já terminou o banho dele e saiu dali deixando para o irmão a tarefa de explicar a noiva a situação ali.
—Aconteceu alguma coisa, querido, pra vocês estarem tensos e preocupados assim?
—Nada sério. Só coisa de trabalho. — Inventou o empresário antes de dar um beijo na noiva. _Como foi o seu dia?
Enquanto Amanda respondia ao noivo, o mesmo não parava de pensar na razão pela qual Sara não atendia as chamadas que lhe fez ao longo do dia. Será que realmente aconteceu algo com a jovem e por isso, ela não estava em casa quando foram lá e não atendia as chamadas?
E se aconteceu, o que terá sido?
Longe dali, Sara já estava entediada de ficar no quarto, passou o dia todo nele então resolveu sair um pouco dali. Desceu e foi até o restaurante que havia no local e resolveu fazer sua refeição ali e não no quarto.
Enquanto aguardava vir o pedido que fez, Sara pensava em Arthur e na saudade que já sentia dele. Não teve um dia desde que ele lhe deixou que ela não lembrasse dele e dos momentos lindos que viveram juntos. Ele era tão especial! Esperava não ter perdido esse homem especial pra sempre. Que ele ainda esteja escondido lá dentro do sujeito sério que ela conheceu com agora o nome de Grissom, e não que ele tenha sumido pra sempre!
"Amor, você tem que lembrar de mim!"
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