Another Life
82 Chapter 82
Notas iniciais
—Gil??
Ele olhou pra sua noiva ao sentir a mão dela repousar em seu braço e apertá-lo levemente.
—Oi, Amanda. Desculpa! Você disse alguma coisa?
—Querido está tudo bem com você?
—Sim! Só me distrai com um assunto de trabalho.
Mentiu quando na verdade o assunto real que estava lhe distraindo era a conversa que teve mais cedo com a amiga de Sara. As palavras todas principalmente, as últimas que aquela tal de Lucy lhe dirigiu, vinham a todo instante a sua mente pra tirar sua atenção e o sossego.
De algum modo que ele não esperava, as palavras proferidas por aquela desconhecida, lhe afetaram e mexeram consideravelmente com ele.
—Algum problema no seu trabalho?
—Não!
O garçom chegou com o jantar deles e, tão logo o mesmo se foi, Grissom se esforçou pra não deixar mais aquela conversa com Lucy distrair sua atenção de Amanda enquanto estavam ali juntos.
—Liguei pra Grace hoje.
—Amanda posso te fazer um pedido?
—Claro, querido.
—Gostaria que o nosso casamento não tive toda aquela pompa que estava tendo o outro que estava sendo organizado. Queria que fosse algo mais íntimo, uma festa pequena.
Inconscientemente, ele já se preparava pra alguns questionamentos de sua noiva acerca disso e uma possível insatisfação da mesma, em virtude do que disse. Mas foi surpreendido com Amanda lhe dizendo que também não queria mais toda aquela festança que vinha organizando antes e, que aceitava que fosse uma festa pequena pra poucos convidados.
—Não vai ficar chateada se for assim?
—De forma alguma, querido. Vai ser até melhor e menos trabalhoso. O duro vai ser convencer o meu pai de aceitar isso, mas eu vou conversar com ele. Só que precisamos de uma nova data pra casarmos.
—Não precisa ser uma data tão longe. Que tal uma no mês que vem? — Ele sugeriu, pegando de surpresa Amanda.
—Mês que vem? Mas está muito em cima, Gil.
—Tenho certeza que vai dar tempo pra preparar algo bonito em um mês. Fala com a Grace que ela pode contratar quantas assistentes forem preciso, que eu cubro os gastos.
Se era pra casar então que fosse logo e antes da filha deles nascer.
—Okay. E a data?
—A que você escolher tá ótimo.
...
—Como é? Você vai casar com ela no mês que vem?
—Foi o que eu acabei de dizer, Catherine.
—E pretende fazer isso sem contar antes sobre a Sara e o bebê que essa moça espera de você?
—Depois do casamento eu conto.
—Isso não é certo, Grissom.
—Eu sei que não. Mas, eu não consigo contar agora pra ela.
—E acha que daqui à um mês vai ficar mais fácil de contar por acaso?
—Talvez! — Deu de ombros o empresário soltando um suspiro e levantando da cadeira do escritório de sua casa, local onde conversava com a irmã.
—Grissom...
—Uma amiga da Sara me procurou hoje na construtora pra conversar comigo. — Ele contou de repente e interrompendo a fala da irmã.
—Que amiga? — Catherine virou-se em sua cadeira pra fitar seu irmão parado em frente a grande estante de livros que havia no escritório.
—Uma tal de Lucy.
—E o que ela queria conversar com você? Aconteceu alguma coisa com essa moça e o bebê que ela espera de você?
Sem fazer entremeios ou esconder nada, Gil relatou na íntegra sua conversa à irmã mais nova. Catherine quis estapear o irmão ao ouvir o que ele disse em sua conversa com Lucy. E adorou, que aquela desconhecida lhe chamou de frio e insensível, porque ele foi e estava sendo isso quando se tratava daquela jovem que estava grávida dele e apaixonada por ele.
—Grissom vai visitar essa moça. Se quiser eu vou com você.
—Catherine, eu não acho certo ficar de proximidade com ela sendo noivo de outra.
—Ah, Gil tenha dó! — Exaltou-se Catherine pondo-se de pé pra encarar melhor o irmão. _Você dormiu com a moça e engravidou-a sendo noivo de outra. E agora, não quer ter proximidade com ela? Isso não parece hipócrita demais?... Você querendo ou não, haverá proximidade entre vocês. Esse filho vai te ligar à essa moça pra sempre.
—Sou bem consciente disso.
—Menos mau, né?
Ele bufou, encarando a irmã de maneira desaprovadora.
—Detesto quando usa dessa sua ironia em nossas conversas, Catherine.
—Você também faz isso quando estamos conversando e eu detesto também. — Rebateu a irmã do empresário indo até o mesmo. _Gil não vai te cair um dedo por ir visitar essa moça, a mãe do seu filho. Vai lá, meu irmão! Eu vou com você.
Ele bufou e rendido topou ir fazer logo essa visita à Sara, pois do contrário sua irmã ficaria no seu pé lhe enchendo por isso até ele perder a paciência com ela.
—Depois de amanhã nós vamos então.
—Isso!
Catherine sorriu contente por ter convencido seu irmão cabeça dura.
...
Após deixar seus filhos na escola, Lucy foi fazer uma visita à Sara pra saber como estava sua amiga. Achou por bem não comentar com a mesma sobre seu encontro com Grissom ontem. Não queria causar uma tristeza maior na amiga. Faria de sua ida à Los Angeles um segredo. Até porque, quem poderia contar sobre isso, ela desconfiava que não o faria mesmo.
Assim que a porta da casa de Sara fora aberta pela mesma antes mesmo que Lucy batesse, a mãe de Doug e Lewis prontamente sorriu ao ver que sua amiga não estava aparentemente tão deprimida como a encontrou anteontem. Inclusive, ela estava com uma cara muito boa e toda arrumada.
—Oi! Vai sair?
—Oi, Lucy. Sim, vou a cidade fazer umas coisas.
—Ah que bom que vai sair um pouco de casa. Achei que ia te encontrar deprimida como anteontem. Felizmente, não encontrei. Você comeu alguma coisa?
—Sim. Tomei um café reforçado, que você se surpreenderia se visse.
Os vídeos que assistiu de Arthur, lhe deram um ânimo e uma força pra jogar para longe aquela tristeza a qual ela havia se afundado. Ainda estava triste pelo que houve e principalmente, pela partida de seu amado dali, mas não ia mais ficar chorando e lamentando por isso. Ela resolveu que ia lutar pra fazer o amor da sua vida lembrar dela e da história deles. Tinha prometido isso à ele e iria atrás de cumprir essa promessa o quanto antes.
—Fico muito feliz que tenha se alimentado direito. O bebê agradece, não é bebezinho? — Lucy tocou a barriga ainda lisa de Sara fazendo a amiga sorrir com isso. _Você já estava de saída pra cidade?
—Sim. Quer uma carona pra sua casa? Te deixo lá.
—Adoraria.
—Então vamos!
...
—Bom dia! Em que posso ajudá-la?
Um rapazinho mascando chiclete desviou o rosto da tela do computador sobre o balcão e encarou Sara.
—Eu queria usar um computador. — Ela apontou uma das cinco "máquinas" vazias da lan house.
—Quanto tempo?
—Tempo??
—Sim. A senhora quer uns quinze minutos, meia hora, uma hora? Quanto tempo pretende ficar na máquina?
Quinze minutos lhe parecia pouco tempo, e uma hora muito. Ela então optou por meia hora.
O rapaz liberou um computador e apontou qual ela podia usar. Acomodando-se diante da tela do computador, Sara tentou lembrar do básico que sabia pra operar o computador. A última vez que tocou em um foi na época do ginásio nas aulas obrigatórias de informática. Tecnologia nunca foi seu forte. Enquanto seus amigos da época do cursinho e da faculdade faziam suas pesquisar de trabalho na internet, ela ia a biblioteca pesquisar em livros de verdade por gostava mais assim.
—Tudo bem aí? Algum problema com o computador? Ele não tá pegando.
Ela olhou para o rapaz que lhe atendeu.
—Tá sim. É só que eu... Estou tentando lembrar como começa a manusear um computador. Faz um tempo bem considerável que não toco em um. Pra falar a verdade, nunca fui boa com tecnologia.
—Quer que eu te ajude? — Se ofereceu o rapaz ao perceber a dificuldade de Sara.
—Se incomodaria nisso?
Com certeza, ele que estava mais habituado a manusear um computador teria mais facilidade e rapidez em procurar o que ela queria saber.
—De modo algum.
O rapaz deu a volta no balcão dele e veio até Sara. Puxou a cadeira que ficava em frente ao computador do lado e se acomodou nela.
—O que quer fazer?
—Quero informações sobre uma pessoa chamada Gilbert Arthur Grissom.
O rapaz com agilidade entrou num site de busca, digitou na caixa de diálogo o nome que Sara lhe deu, depois apertou o enter e uma sucessão de fotos e páginas com informações do empresário apareceram em lista na tela do computador.
Alguém abriu a porta da lan house e atraiu a atenção de Sara e do rapaz que estava lhe ajudando. Era uma moça que queria que ele digitasse um currículo pra ela.
—Vou ter que ir lá. Mas ó é só você clicar nas páginas pra ler o conteúdo delas e depois clicar nessa seta pra voltar pra essa tela com o resultado das buscas. — Ele explicou pra Sara.
—Tá bom. Obrigada. — Ela agradeceu e viu o jovem ir atender a moça que chegou.
Clicando no primeiro link da lista de páginas com informações sobre Grissom, Sara viu abrir o site que trazia a foto de seu amado mais moço ilustrando uma matéria que falava da vida dele.
"Tudo sobre o empresário dono de uma das construtoras mais importantes do país."— Era o que anunciava em letras garrafais no cabeçalho do texto.
Ela começou a ler.
"Filho mais velho do fundador da construtora Grissom, Gilbert Arthur Grissom (40 anos), é um competente e bilionário empresário que junto com a irmã Catherine (37 anos) toca a construtora que herdaram do pai morto há 15 anos..."
O artigo seguiu contando detalhadamente sobre a vida de Grissom. O começo de sua carreira profissional, sua competência à frente da construtora da família; como ele conseguiu firmar e fortalecer mais ainda no mercado o nome Grissom e fazer da construtora de sua família muita mais reconhecida ainda no mercado nacional e principalmente internacional; os prêmios que sua construtora e ele próprio ganharam ao longo dos anos. Projetos com a "marca" Grissom e umas outras informações mais a respeito do profissional.
Então veio as poucas informações sobre "a pessoa" Grissom. Ele foi descrito como alguém sério e avesso a dar entrevistas, e que dificilmente era visto circulando por aí. Falou-se de sua irmã, dos pais, a morte precoce da mãe dele quando o empresário e sua irmã eram pequenos; anos mais tarde a morte do pai deles quando os irmãos já eram adultos. Alguns poucos relacionamentos amorosos que eram do conhecimento da mídia, e por fim sobre o atual relacionamento dele com uma jornalista.
"O empresário e sua noiva, a jornalista Amanda Trainor, em um dos momentos raros em que Grissom aceitou pousar pra fotos."— Dizia a legenda ao lado de uma foto em que Sara pode ver seu amado acompanhado de uma bela mulher ruiva num evento.
Então aquela era a noiva dele?
Ela era bonita. Muita bonita!
Vê-lo abraçado com aquela mulher fez o coração de Sara se apertar.
"[...] mesmo que eu já tenha alguém na minha "outra vida", não desiste de mim. O meu lugar é do seu lado e não com outra pessoa que não seja você."
...
Dirigindo de volta pra casa, Sara não parava de pensar nas informações todas que descobriu sobre seu amado. Tinham sido várias, mas dentre todas as que leu a seu respeito, uma vinha machucando seu coração. Havia descoberto que a noiva de seu amado esperava uma filha dele, e saber disso foi um duro golpe pra Sara, além de um baldo de água fria em sua alegria pelo que tinha em mente fazer.
Lançou um rápido olhar ao papel no banco do passageiro sob o molho de chaves da casa da jovem. Naquele papel estava escrito o que ela precisava saber pra encontrar o paradeiro exato do amor da sua vida. Tinha conseguido o endereço de onde ele trabalhava, mas agora, já não sabia se devia ir atrás dele.
Lembrou-se mais uma vez da promessa que havia feito a ele e isso lhe fez ver que não podia descumprir aquela promessa. Aquela noiva dele podia estar grávida, mas ela também estava e não pretendia abrir mão do amor de sua vida, pai do seu filho, porque a noiva dele também estava grávida dele.
Decidiu que ia atrás de Arthur hoje mesmo. Não ia deixar passar mais nenhum tempo pra ir atrás dele. Queria lhe mostrar aqueles vídeos. Ele precisava ver aquilo e as fotos contidas na câmera. Quem sabe, com aquelas coisas ele não lembrasse algo sobre eles? Caso não lembrasse, ele ao menos ouviria de si próprio a história que ela mesma lhe contou, mas que ele não quis acreditar muito.
Chegou em casa um tempo depois e tratou de arrumar numa mala algumas coisas pra levar. Não fazia ideia de quanto tempo passaria fora, então optou por colocar uma quantidade boa de roupas. Pretendia passar o tempo que fosse necessário até resgatar seu grande amor de volta. Ele tinha que "voltar", tinha que lembrar dela, da história que construíram e do filho que carregava dele.
Quase uma hora depois a mala estava feita. Como já era próximo do horário de almoço, Sara foi tentar preparar algo pra comer antes de pegar a longa estrada até Los Angeles. Seriam horas de viagem, chegaria a noite lá e desse modo, só daria pra falar com seu amado amanhã. Teria que aguentar mais uma noite pra vê-lo de novo. Paciência!
Enquanto preparava algo na cozinha sua mente lembrava das inúmeras vezes em que Arthur estava ali "trabalhando" no preparo das refeições deles e ela ficava apenas admirando sua habilidade na cozinha. Ele era excelente cozinheiro. Num dos vários artigos que leu a respeito dele na internet, teve um que mencionou sobre os dotes culinários dele, algo que o próprio Grissom contou que tinha durante uma das raras entrevistas que concedeu, e a qual se permitiu falar um pouco da sua vida pessoal.
"Cozinhar pra mim é meio que um hobby!"
Ela sorriu ao lembrar que certa vez chegou a cogitar exatamente isso que ele disse na entrevista.
...
De dentro do carro, ela deu uma última olhada em sua casa antes de dar a partida no carro. Momentos atrás havia ligado pra Lucy avisando que ficaria fora por um tempo, pois pretendia ir atrás de Arthur em Los Angeles e lá permaneceria pra tentar fazer seu amado lembrar dela.
"Sara não é muito precipitado você ir? Não é melhor esperar que ele venha te ver?"
"Não! Eu quero vê-lo e mostrar o quanto antes os vídeos que te falei, que encontrei dele."
Após trocar mais algumas palavras com Lucy pelo telefone, Sara pediu a amiga pra ela de vez enquando vir dar uma checada em sua casa. Ia deixar a chave escondida dentro de um vaso na varanda, pra Lucy poder entrar na casa. A amiga disse que ia sempre dar uma conferida na casa da morena. Depois disso, Sara se despediu da amiga e a mesma lhe desejou sorte em Los Angeles, pois Lucy sabia bem que sua amiga ia precisar disso.
—Vamos atrás do papai pra fazê-lo lembrar da gente, filho? — Ela tocou sua barriga e sorriu. _Tomara que ele lembra logo da gente, meu amorzinho!
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