Another Life
81 Chapter 81
Notas iniciais
Grissom estava em sua sala com Warrick assinando umas papeladas que seu cunhado lhe trouxe, quando o telefone tocou.
—Diga, Andrea. — Ele pronunciou após apertar o botão do viva-voz do aparelho de telefone e retomar a assinatura que fazia num documento.
—Doutor Grissom está aqui na recepção uma senhora chamada Lucy, que não tem hora marcada com o senhor, mas que deseja lhe falar com urgência. Ela disse que é amiga da Sara.
O empresário interrompeu imediatamente sua escrita ao ouvir o nome: Sara, reverberar do telefone na voz de sua secretária.
Será que era a mesma Sara que ele pensava ser? Só podia ser!
Olhou para Warrick de pé ao seu lado e pode ver estampado na expressão do seu cunhado, o mesmo questionamento que se fez mentalmente.
Como Warrick era um grande amigo pra Grissom, além de seu cunhado também, Gil então compartilhou com o mesmo a verdade sobre a moça que lhe salvou, bem como, seu envolvimento com a mesma e o fato dela ter engravidado dele.
—Doutor Grissom??
—Andrea diga que em alguns minutos eu vou atender essa senhora. — Ele comunicou antes de finalizar a ligação sem esperar pela confirmação de sua secretária.
—Cara, você acha que...
—A única Sara que consigo imaginar nesse momento, que seja a amiga dessa mulher que está na recepção querendo falar comigo, é a Sara com quem eu estava vivendo enquanto me encontrava desmemodiado.
—O que acha que essa amiga dela veio fazer aqui atrás de você?
—Não tenho a mínima ideia, Rick. — Ele jogou a caneta sobre a mesa e levou uma das mãos ao rosto.
Era só o que lhe faltava! Essa tal Sara ficar mandando sua amiga como "garota de recado" atrás dele.
—Vai ver aconteceu alguma coisa grave com essa tal Sara e o bebê, e por isso essa mulher veio te procurar. — Warrick comentou.
Grissom olhou novamente para o cunhado e mesmo não querendo, involuntariamente, se preocupou com a possibilidade daquilo mencionado por Rick ter seu fundo de verdade.
Na hora Gil apanhou o telefone e ligou de volta pra a recepção. No segundo toque sua secretária já até.
—Andrea pode trazer essa senhora pra falar comigo nesse momento.
—Sim senhor!
—Vou te deixar a sós pra conversar com essa mulher. — Rick comunicou quando o cunhado tinha finalizado a chamada.
—Obrigado, Rick. Despois que eu falar com ela, termino de assinar esses papéis e mando pra sua sala.
—Okay.
—E, por favor, não comenta nada com a Cath a respeito da vinda da amiga dessa tal Sara atrás de mim. Valeu?
—Claro. Fica tranquilo. Vou nessa.
Assim que Warrick abriu a porta, deparou-se com Andrea acompanhada de uma mulher que certamente, devia ser a que tinha vindo falar com seu amigo. Cumprimentou a desconhecida, em seguida, gentilmente, lhe deu passagem pra entrar na sala junto com Andrea e depois saiu da sala.
—Doutor Grissom está é a senhora que veio falar com o senhor. — Comunicou Andrea ao empresário que no mesmo momento se pôs de pé e fitou a desconhecida postada ao lado de sua secretária.
Pelo olhar dele Lucy logo notou que o homem a sua frente não lhe reconheceu e muito menos, fazia a mínima ideia de quem ela era.
—Okay, Andrea. — Grissom se pronunciou após ficar por breves segundos encarando em silêncio a mulher parada ao lado de sua secretária. _Nos traga um café. A senhora aceita um café ou prefere chá, água ou suco?
—Eu não quero nada. Obrigada!
Lucy disse ainda tentando se restabelecer do encontro com o homem a sua frente. Olhando pra ele, nem parecia o mesmo sujeito relaxado e alegre que ela conheceu, e sim outro mais sério e de semblante fechado.
—Tudo bem então. Andréa não me passe qualquer ligação até segunda ordem.
—Sim, senhor.
—E caso alguém apareça pra falar comigo, diga que estou ocupado em uma reunião. Não quero ser interrompido por nada e nem ninguém. Entendido?
—Perfeitamente, doutor Grissom. Com licença.
A secretária se retirou da sala deixando seu chefe com aquela desconhecida que veio procurá-lo.
—Venha e se acomode à cadeira. — Convidou o empresário, já que a mulher se encontrava um tanto distante dele.
Lucy se aproximou e acomodou-se na cadeira apontada por Grissom.
—O que a senhora veio falar comigo? — Foi direto ao ponto enquanto se acomodava de volta à sua cadeira.
—Você está tão diferente! — Lucy não pode deixar escapar tal comentário.
Grissom franziu a testa ante aquelas palavras. A quê aquela estranha se referia quando disse tais palavras?
—Como?
—Desculpa! É que sua seriedade, formalidade e até mesmo sua postura corporal, em nada se assemelha ao homem alegre, extrovertido e relaxado que eu conheci como Arthur, o namorado da minha amiga.
—Eu não sou esse Arthur e nem namorado da sua amiga. Posso ter sido, mas agora não mais, senhora.
—Lucy! Me chame apenas de Lucy. E realmente, você não é o Arthur. Está bem longe de ser.
Fisicamente ele era o homem que ela conheceu como Arthur, mas no comportamento, de forma alguma, ele parecia ser o mesmo.
—O quê exatamente veio falar comigo?
—É sobre a minha amiga, Sara.
Nada surpreendente, posto que ele já podia imaginar que se tratava desse assunto mesmo. Prontamente, Grissom quis tirar logo a dúvida que seu cunhado "plantou" nele com a pergunta lhe feita momentos antes daquela desconhecida entrar ali na sala.
—Aconteceu alguma coisa com a Sara ou o... Bebê?
O pequeno toque de preocupação sentido por Lucy na pergunta feita por Grissom à ela, deu um pouco de esperança à mãe de Doug e Lewis, de que aquele sujeito acomodado a sua frente não parecia assim tão indiferente em relação a Sara, como sua amiga lhe relatou com tristeza.
—Ainda não aconteceu, mas temo que aconteça muito em breve. — Contou Lucy.
—Como assim?
—A minha amiga não ficou nada bem desde que você a deixou. Ela está triste e vem sofrendo com a sua ausência. Não tem se cuidado e nem vem se alimentando direito. Estou com medo que por conta disso, ela acabe ficando doente, ou pior, venha a perder o bebê.
—Perder o bebê? — Grissom se remexeu inquieto na cadeira.
—Sim! Se ela continuar do jeito que está, é isso que pode acontecer: ela acabar perdendo o filho de vocês! — Lucy deu ênfase o bastante em suas palavras finais. _Sei que você esqueceu o que a Sara significava pra você e a história de amor de vocês. Mas eu peço que não abandone por completo a mãe do seu filho. Um filho que VOCÊ pediu a ela. Minha amiga não engravidou de propósito como você erroneamente a acusou. Ela engravidou à seu pedido.
—Meu??
Grissom apenas sussurrou em surpresa.
Lucy ao ouvi e entender seu sussurro, confirmou aquilo.
—Exatamente. Foi você! Sara me contou sobre esse seu pedido pra ela há pouco mais de dois meses, bem no dia em que eu e os meus filhos fomos almoçar na casa de vocês. E dias atrás quando fui visitá-los, ela me disse totalmente feliz que estava grávida e você, assim como ela, se encontrava igualmente feliz.
—Lucy, eu... Não vou abandonar a sua amiga. Disse a ela que pretendo ajudá-la financeiramente...
—Não é a isso que me refiro. — Interrompeu Lucy. _Minha amiga te ama. Você a amava também. Vocês construíram uma história juntos. Não pode ignorar isso.
—Não estou ignorando, simplesmente não lembro. Sua amiga é uma estranha pra mim.
—Mas há pouco tempo, ela era o amor da sua vida! E você segue sendo o dela.
Amor da sua vida!
Como uma estranha podia ser o: amor da vida dele, se nem mesmo sua noiva, que era a pessoa com quem ele estava tendo um relacionamento de mais de três anos, e de quem ele gostava, mas não amava AINDA, o empresário não a sentia como o: amor da vida dele?
A verdade é que, ele não sabia o que era ter um amor de verdade na vida. O máximo que lhe aconteceu foi se apaixonar, como ocorreu com Amanda e algumas outras que passaram por sua vida antes de sua noiva. Mas amar? Jamais!
E agora, essa Lucy vem dizer que ele amava a amiga dela e que essa Sara foi pra ele o "amor de sua vida"! Como ele podia esquecer de algo assim?
—Eu acompanhei a relação de vocês. E posso te afirmar que nunca vi duas pessoas tão apaixonadas como vocês. Seu olhar pra ela era de um carinho, quase uma devoção. Você era louco por ela. E ela continua sendo louca por você! Tenta se esforçar pra lembrar disso. Não é possível que tenha esquecido um amor tão grande como era o de vocês.
—Mas, infelizmente, eu esqueci e não lembro.
—E por acaso, você quer lembrar?
No fundo, ele tinha a curiosidade de lembrar, pra saber se era verdade mesmo tudo o que aquela jovem desconhecia lhe disse que aconteceu entre eles, durante esses meses em que morou com ela.
—Por curiosidade talvez sim.
—Só curiosidade?
—Sim. Não vejo outra razão além dessa.
Definitivamente, aquele homem diante dela era totalmente avesso ao que ele costumava ser como Arthur.
—É uma pena que não veja! — Lamentou Lucy. _Gostaria que fosse visitar minha amiga. Tenho certeza que vai fazer um bem danado pra ela sua visita.
Sua intenção era essa convencê-lo a ir fazer uma visita a Sara, pra ver se com isso amenizar um pouco que seja a tristeza de sua amiga. O que Lucy não contava era com uma resposta um tanto atravessada e com tom de pouco caso, que Grissom lhe deu.
—Qualquer dia eu vou.
A amiga de Sara pensou em dizer algo, mas desistiu de dizê-lo e também de insistir para que Grissom fosse o quanto antes visitar Sara. Algo lhe dizia que fazer isso seria em vão. Aquele homem ia visitar sua amiga. Uma pena!
—Eu acho que vou indo. Já vi que foi uma perda de tempo ter vindo lhe procurar. — Anunciou a amiga de Sara ficando de pé. _Fico com dó da minha amiga que está apaixonada por um homem que você não é mais. Do homem encantador que ela me apresentou como namorado dela, eu vejo que não restou nada. Agora, o que vejo é só um sujeito frio e insensível. Que pena!... Passar bem!
Lucy se dirigiu a porta e saiu da sala não dando qualquer oportunidade de Grissom rebater as palavras que lhe dirigiu.
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