Another Life
80 Chapter 80
Notas iniciais
"Oi, Sara... meu amor. Eu tô aqui no escritório da nossa casa te gravando esse vídeo, porque quero que saiba que eu sinto muito, caso eu tenha esquecido de você, da gente e esteja te fazendo sofrer com isso. Ou caso isso ainda não tenha acontecido, acredito que em breve acontecerá, pois sinto cada vez mais próximo esse fato. Mas se isso já aconteceu, quando você estiver vendo esse vídeo, quero te pedir que me perdoe, meu amor. Me perdoe se te esqueci! Nunca foi minha intenção te fazer sofrer como imagino que esteja sofrendo Eu te amo tanto, Sara! Sou capaz de dar a minha vida por você. E preciso que saiba que te conhecer, viver cada momento que eu vivi ao seu lado esses meses, foi a melhor coisa da minha vida. Você me fez o homem mais feliz ao me deixar fazer parte da sua vida!... Lembra que no começo você resistiu justamente por medo de eu recuperar a memória e te esquecer?... Mas eu te convenci a me dar uma chance e você me deu, nos deu. Passando por cima do seu medo e do seu temor de eu possivelmente vir a te esquecer num futuro que nós não fazíamos ideia de quando seria, você me deixou fazer parte da sua vida e ser o seu amor. Mas o que você não sabia, era que o seu medo e o seu temor também era o meu. Não quis te partilhar isso, porque seria o mesmo que não te ter. E eu queria muito ter você. E assim, nós tivemos um ao outro durante todo esse tempo que já estamos juntos. Nós vivemos tanta coisa, tantos momentos especiais e em tão pouco tempo, e foi tudo tão intenso, que eu fico com a sensação de que vivi a minha vida inteira do seu lado. Mas eu sei que não vivi!... Sinto que a gente ainda tem muita mais coisa pra viver juntos, meu amor. E que o fato da minha memória voltar e eu te esquecer, não vai boicotar nosso destino, que certamente, deve ser de: ficarmos juntos pra sempre! Eu torço, torço muito, meu amor, pro seu sofrimento não ser tão longo e pra eu lembrar de você o quanto antes, honey. Nós ainda vamos ficar juntos de novo e ficaremos até o último dia das nossas vidas, como juramos nos nossos votos de casamento. Até porque, ainda temos um time de futebol pra montar, que são os filhos que pretendemos ter. Já temos o primeiro membro do nosso time a caminho, faltam mais dez. Nosso amor é forte e vai superar esse desafio. Luta por mim! Eu te amo do fundo do meu coração! Nunca esqueça disso, ainda que eu mesmo esqueça, honey."
Quando a última palavra foi dita por Arthur no vídeo dando ao mesmo seu fim, Sara tinha o rosto banhado de lágrimas por assistir aquilo.
Quando seu marido gravou aquele vídeo?
Ela descobriu a data e o horário da gravação ao observar no canto inferior da tela da câmera, essas informações. O vídeo tinha sido gravado na tarde do dia anterior ao que seu marido havia recuperado a memória. Certamente, ele presentiu que era hora de se despedir e gravou aquele vídeo.
Sara apertou para o lado e descobriu outro vídeo. Assistiu ao outro e mais lágrimas escorreram por seu rosto enquanto via a mais aquele segundo vídeo, que pela data na tela tinha sido gravado no mesmo dia do outro, porém alguns minutos depois do anterior.
Quando terminou esse segundo vídeo, Sara buscou por mais algum gravado, mas não havia nenhum mais além daqueles dois.
Ela assistiu novamente mais duas vezes os vídeos. E em todas, chorou de: emoção; dor; saudade; e de tantas outras coisa mais.
Cada palavra que Arthur disse nos vídeos, principalmente, no quê era dirigido a ela, ecoava em sua cabeça repetidas vezes.
Precisava fazer aquilo chegar as mãos de seu marido, mas como faria isso? Não sabia onde era exatamente o endereço dele. Apenas sabia que ele vivia em Los Angeles, pois o mesmo contou. Mas em que parte, exatamente, de Los Angeles, ele não mencionou. Ela tinha que descobrir isso de algum jeito e assim, entregar aqueles vídeos ao seu grande amor, na esperança que aquilo lhe abra os olhos e desperte suas lembranças.
...
—Devia ter deixado a barba. Tinha ficado bem em você. — Amanda comentou, tocando o rosto agora liso de Grissom, enquanto ela e o noivo aguardavam os pais dela chegarem.
—Estava me incomodando, aí, resolvi tirar. Pra falar a verdade, nunca gostei de estar de barba. Nem sei porque deixei que ela crescesse. — Ele contou dando uma rápida provada seu vinho. _ E seus pais que não chegam. Não disse que eles já estavam vindo?
—Foi o que minha mãe disse quando liguei há quinze minutos.
A pedido do pai de Amanda esse jantar havia sido marcado.
—Ah, olha eles ali! — Gil sinalizou discretamente aos sogros que assim que o viram se dirigiram até a mesa onde o empresário e a noiva estavam.
Vivian, a mãe de Amanda se agarrou ao pescoço do genro em um abraçou demorado, tão logo, estava diante do empresário. Só hoje que a mulher estava vendo o genro depois do retorno dele. Quando Grissom voltou a Los Angeles, os pais de Amanda não estavam na cidade. Eles se encontravam em um cruzeiro que já durava cinco dias. E somente chegaram hoje do mesmo.
Porém, mesmo a bordo do navio, souberam pelos noticiários do aparecimento do genro e levaram um tremendo susto com isso. Imediatamente, ligaram pra filha e a mesma lhes confirmou que realmente Grissom havia aparecido vivo.
Depois de Vivian ter cumprimentado o genro com demasiada empolgação e felicidade, foi a vez de Perry fazer o mesmo, porém de maneira muito menos esfuziante que a esposa.
—Como vai Grissom? — O homem mais velho indagou ao trocar um aperto de mão com o genro.
—Bem. E você?
—Ainda surpreso com a sua ressuscitação.
—Pai não vamos começar. — Amanda interviu ante ao tom irônico com o qual seu pai havia dito aquelas palavras à Grissom.
Os quatros adultos se acomodaram nas suas devidas cadeiras e logo em seguida à isso, Perry já disparou seu interrogatório pra cima do genro.
—Onde esteve vivendo esse tempo todo?
Pelos poucos noticiários que assistiu, ele sabia a resposta. Mas nada melhor do que saber da própria boca do genro como os fatos se deram.
—Numa cidade chamada East Wood.
—Vivia sozinho lá?
—Sim! — Ele seguia nessa mentira, pois ainda não tinha coragem suficiente de contar a verdade pra noiva.
—E como fazia pra se manter lá? Trabalhava em alguma coisa?
—Perry está parecendo um policial interrogando um suspeito assim, querido. E você nem da polícia é. — Vivian achou que seu marido estava se excedendo com aquele bombardeio todo de perguntas.
—Tudo bem, Vivian. Eu não me importo em satisfazer a curiosidade do Perry. E, agora, respondendo suas perguntas, Perry: Não lembro como fazia pra mim manter e no quê trabalhava por lá. Pra falar a verdade, não lembro nada que diz respeito a esse período que passei desaparecido.
—Que estranho! Você acaba de dizer que não se lembra de nada desse período. No entanto lembra que vivia sozinho. Como isso é possível? Como pode afirmar que vivia sozinho nessa tal cidade?
Gil ficou sem ação diante do raciocínio do sogro. Era como se sentisse que Perry desconfiasse que ele estava mentindo, ou melhor, omitindo algo naquela situação toda, o que de fato acontecia.
—Catherine me encontrou vivendo sozinho numa casa no meio do nada, Perry. — Inventou o empresário pra justificar aquela situação.
—Ah, claro!
Grissom não gostou nada da forma beirando a ironia, com a qual seu sogro falou. O empresário resolveu ignorar aquilo e ficar na sua pra não arranjar confusão ali.
O jantar transcorreu sem grandes problemas, porém era nítido o desconforto e a tensão da parte de Perry com Grissom e vice-versa.
—Agora que "voltou", vai haver casamento? — A mãe de Amanda questionou em determinado momento do jantar.
—Só não haverá se sua filha não quiser mais, Vivian. — Ele lançou um olhar pra Amanda. Até o momento ainda não tinham tocado nessa questão do casamento, algo que ele pretendia dar seguimento.
—Casar com você é tudo que eu mais quero, Gil. — Amanda tocou seu rosto com um sorriso nos lábios ao ver que seu noivo ainda pretendia casar-se com ela.
—Então haverá casamento, minha sogra. — Sentenciou o empresário.
Enquanto Vivian quase pulou de alegria ante à essa notícia, Seu marido não esboçou muito entusiasmo pela mesma. Perry adoraria estar feliz pela filha casar, mas não conseguia. Grissom não era o genro dos seus sonhos e nem parecia ser o homem certo pra sua filha. E por essas razões e outras, que não conseguia ver com alegria esse enlace matrimonial de sua herdeira com o bem sucedido empresário.
Um brinde foi puxado pela mãe de Amanda em comemoração ao futuro casamento de sua filha com Grissom. Depois o restante da noite ali foi falando da organização do casamento que Vivian se encarregaria de retomar junto com a filha no dia seguinte, além de outras coisas mais.
—Grissom não sabe o quanto estou contente e feliz por você ter aparecido vivo.
O empresário apenas espichou os lábios em um sorriso discreto, quando sua sogra disse tais palavras, após trocarem um abraço de despedida na frente do restaurante.
Depois foi a vez de Perry se limitar a despedir-se do genro com apenas um aperto de mão e um seco "até".
Amanda ao se despedir do noivo lhe pediu desculpas pelo comportamento nada gentil do pai naquela noite.
—Tudo bem, querida. Não é de hoje que seu pai não é amável comigo. Não se preocupe.
—Amanhã nos vemos pra falarmos com calma da retomada dos preparativos do casamento?
—Sim, claro. Boa noite!
Eles trocaram um beijo e Grissom ficou vendo sua noiva seguir até o carro dos pais, onde eles a aguardavam lá dentro.
...
Passava das duas da tarde do dia seguinte, quando ela saltou de um táxi em frente ao imponente edifício onde funciona o escritório sede da construtora Grissom. Foi impossível não se impressionar com a altura e beleza do edifício que trazia um letreiro com os dizeres: Group Grissom.
Não foi tão difícil encontrar o lugar onde trabalhava quem ela viera ver. Uma rápida busca na internet e lá estava tudo a respeito do sucedido empresário, que reapareceu vivo, quando todos já tinham lhe dado como morto no acidente que sofrerá meses atrás.
Ela caminhou a passos cauteloso em direção a porta giratória que se localizava na entrada do edifício. Não tinha ideia se o que pretendia fazer, podia dar certo ou no quê sua tentativa daria. Torcia para o resultado ser o mais benéfico possível. Foram horas de viagem de East Wood até ali e queria acreditar, que não fora uma viagem em vão, e que valeria a pena sua vinda à esta cidade.
Passou pela porta e logo já estava dentro do belo edifício. Pessoas muito bem trajadas em roupas sociais estavam circulando pelo hall, lhe fazendo pensar que devia ter vindo bem mais arrumada do que viera.
Avistou mais adiante um balcão onde estavam umas moças elegantemente vestidas nos seus impecáveis uniformes escuros, e resolveu pedir a elas informações acerca de quem tinha vindo ver. Certamente, elas deviam saber o andar onde ele podia ser encontrado.
—Boa tarde! Onde encontro Gilbert Grissom?
—No último andar, que é onde fica o escritório dele, senhora.
—Ah, muito obrigada.
Ela seguiu para pegar o elevador situado mais a direita, poucos passos de distância de onde havia pedido informação. Com certo nervosismo esperou uns segundos e logo já "embarcava" dentro daquela "caixa de ferro" juntos com outras pessoas.
Alguém apertou o botão do último andar e ela agradeceu mentalmente por isso. Levou alguns segundos pra chegar em seu destino, pois foram mais de trinta andares de subida e com várias paradas pelo meio do caminho para algumas pessoas descerem e outras subirem.
Quando enfim seu andar chegou, ela saiu do elevador junto com mais cinco pessoas. Diante de si, uns poucos passos após se afastar do elevador, ela deparou-se com uma recepção onde havia uma moça ao telefone. Seguiu até lá e ficou aguardando pacientemente pela moça terminar sua ligação. Assim que isso aconteceu, se pronunciou:
—Boa tarde! Gostaria de falar com Gilbert Grissom.
—A senhora tem hora marcada com o doutor Grissom?
E agora? Tinha que marcar hora pra falar com ele? Ele importante mesmo! Mas ela tinha vindo disposta a falar com ele sem hora marcada mesmo, nem que pra isso tive que apelar dramática e drasticamente.
—Minha querida, infelizmente, não tenho hora marcada, mas preciso urgentemente falar com ele. É caso de vida ou morte. — Ela exagerou pra ver se conseguia fazer a recepcionista deixá-la ir falar com a pessoa que tinha vindo atrás.
Pelas últimas palavras e o tom com o qual as mesmas foram ditas pela mulher a sua frente, Andrea achou por bem consultar seu chefe.
—Senhora aguarde um minuto que vou ligar pra sala dele e avisar sobre sua presença. Como se chama? — Andrea quis saber da até então desconhecida, que se encontrava a sua frente, antes de discar para o ramal da sala de seu patrão.
—Lucy!... Diga que sou uma amiga da Sara.
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