Another Life
8 Chapter 8
A falta de notícias estava matando Catherine. Mais de 24hs já fazia que Grissom estava sumido e ela não tinha uma notícia sequer do irmão mais velho. As buscas por ele eram feitas de maneira intensiva pelos bombeiros. O único hospital que ficava ali pela redondeza onde o carro tinha sido encontrado, já havia sido checado pra saber se nele tinha dado entrada alguém desconhecido e com as características de Grissom, e nada. O outro que fora checado e ficava em outra cidade próxima, uma enfermeira relatou que até teve um sujeito que dera entrada ali, mas este se chamava Arthur e era casado. Diante dessa informação, a Polícia descartou a hipótese de ser o empresário. Outros hospitais das cidades vizinhas também passaram a ser checados e até o momento nada de Grissom.
Warrick tinha seguido até o local onde o carro do cunhado foi encontrado pra acompanhar de perto as buscas por Grissom.
Catherine também quis ir, mas ele achou melhor que ela ficasse em casa, pois poderiam ligar pra lá dando notícias de Grissom.
—Rick alguma novidade sobre o meu irmão?
A loira quis saber do namorado. Eles se falavam constantemente e sempre que o celular dela tocava, Catherine já imaginava logo que eram notícias sobre seu irmão.
—Ainda não, querida. Como sabe as buscas seguem intensas, mas nada do Grissom.
—Amor, você acha que ele pode não...
Ela não teve coragem de completar aquela fala. Um soluço de dor escapou dela só de imaginar que seu irmão não estivesse mais vivo.
Pelas fotos do estado do carro acidentado que recebeu de seu namorado à qual fora repassada pelos bombeiros, o acidente foi feio. E a chance de Grissom estar vivo levando em conta isso e o fato dele ter sido arrastado pelas correntezas, eram poucas.
—Cath temos que ter fé acima de tudo!
—Eu tenho fé, Rick. Mas é inevitável não pensar nisso. Você já deve ter pensado também nessa terrível possibilidade, não é?
O advogado ficou momentaneamente em silêncio. Era claro que havia passado isso pela sua cabeça dada as circunstâncias e as poucas esperanças dadas pelos bombeiros em virtude da força da correnteza daquelas águas. Todavia, Rick seguia acreditando que seu amigo estava vivo em algum lugar.
—Sim. Mas eu quero acreditar que ele esteja vivo, Cath! E você deve fazer o mesmo, meu amor.
...
Eles terminavam de comer quando ouviram palmas vinda da entrada da casa. Sara logo imaginou quem fosse já que só costumava receber a visita de uma pessoa ali, no caso à de Lucy.
—Você fica aqui enquanto atendo a porta, tá bem?
Arthur apenas assentiu.
Logo Sara saiu e já abria a porta pra sua única amiga naquele lugar.
—Sara! Nossa, até que enfim te encontro em casa. Ontem vim umas quatro vezes atrás de você, mas só dei com a cara na porta.
—Passei o dia todo fora, Lucy. Entra, por favor!
A jovem convidou a visita. Lucy era uma mulher de 33 anos de idade, loira, de estatura baixa, olhos verdes e muito falante. Viúva e mãe de dois filhos pequenos, Lucy é professora e dá aulas na escola infantil de East Wood. Ela tem um senso de humor contagiante e um instinto super protetor.
As duas mulheres se conheceram meio por acaso, quando Sara estava no supermercado da cidade e encontrou um menino perdido no lugar. Ela ajudou o garotinho a encontrar a mãe, que no caso era Lucy. A empatia entre as duas mulheres foi instantânea e desde esse dia ficaram amigas.
—Mas o que aconteceu?
—Um amigo sofreu um acidente e como ele não tem parentes, eu fui ficar com ele no hospital. — Inventou a jovem.
—Amigo?? — A mulher abriu um sugestivo sorriso.
—Sim. Amigo, Lucy!
—Ué! Pensei que tivesse dito que era alguém sem amigos? Mas ficou feliz em saber que não é.
—O que te traz aqui?
Sara cortou o rumo da conversa.
—Bem... você se lembra daquele meu irmão mais novo que eu te falei que gostaria que você conhecesse...
—Lucy...
—Escuta, garota, primeiro.
—Tá, fala! — Sara resmungou resignada e cruzando os braços.
—Meu irmão vai chegar amanhã pra passar uns dias comigo e os meninos. Eu pretendo fazer um almoço de boas vindas pra ele e gostaria muito que você fosse também. Falei de você pro Michael e ele tá curioso pra te conhecer.
Sara quase se rendeu a vontade de gargalhar de sua amiga que parecia até uma daquelas tia velhas empurrando um dos filhos como o "pretendente ideal"!
—E então, você vai, né?!
—Não sei!
Ela não podia deixar seu hóspede sozinho em casa. Ele inspirava cuidados e podia precisar dela.
—Não sabe por que?... Me dá uma boa razão pra você não ir?
Sara resolveu contar a "razão" pra Lucy.
—Meu amigo está aqui.
—Aqui na sua casa?
—Exatamente! Ele vai passar uns dias comigo até se recuperar. Não posso sair e deixá-lo sozinho, Lucy. Acho que não seria de bom tom da minha parte deixar sozinho um hóspede acidentado, não acha?
—Não, claro!... Poxa, é uma pena. Queria tanto que você conhecesse o Michael. E ele ficou numa ansiedade pra te conhecer, porque eu falei tão bem de você pra ele.
—Posso imaginar!
—Bom, mas não vai faltar oportunidade pra vocês se conhecerem.
—Se depender de você não mesmo! — Brincou Sara fazendo Lucy sorrir.
A jovem tinha certeza que sua amiga não ia sossegar enquanto não lhe apresentasse esse irmão dela. Já fazia uns meses que Lucy vinha lhe falando desse irmão. Ela deixou bem explícito pra Sara que seu irmão era um "partidão" e confidenciou com todas as letras que adoraria ter a vizinha como cunhada.
—E esse seu amigo, onde está? — Interessou em saber a mulher.
—No quarto descansando. — Inventou Sara. Por enquanto evitaria expor Arthur o quanto pudesse.
—Ah, sim! E, Sara, ele é bonito? — Cochichou Lucy.
A jovem morena sorriu timidamente. Nunca foi de reparar em homens mais velhos, talvez por não encontrar um que fosse tão charmoso e bonito como Arthur e seus lindos olhos azuis. Mas ela tinha que ser sincera, seu mais novo e desconhecido"amigo" é sim bonito, muito bonito! E quando sorria daquele jeito carente como aconteceu no hospital, ficava mais bonito ainda!
—Sim, Lucy! — Ela respondeu baixo pra que dá cozinha Arthur não lhe ouvisse.
As duas amigas ainda trocaram mais algumas palavras a respeito do "amigo" de Sara e depois, Lucy se despediu da morena e foi embora. Assim que ela se foi Sara retornou à cozinha e não encontrou Arthur ali. Notou a porta dos fundos aberta e deduziu que ele estivesse lá fora.
Seguiu pra lá e acabou por encontrá-lo admirando a bela vista que se tinha ali do quintal.
—Quem era a mulher que chegou?
Ele havia visto muito de relance Lucy quando se levantou e foi deixar sua louça na pia. Não quis aparecer e interromper a conversa de Sara com a estranha, e por isso veio para o quintal.
—Uma amiga!... E eu não falei pra ficar na cozinha? Você não pode ficar andar tanto assim.
—É uma bela vista essa que você tem daqui! — Ele ignorou sua bronca e comentou fascinado com a paisagem.
—Sim! — A morena afirmou, encarando a mesma paisagem vista por Arthur.
A vegetação lá ao fundo e o lago a sua frente compunha uma espetacular paisagem. E isso ficava ainda mais espetacular quando o sol nascia ou depois, quando ele se punha no fim da tarde.
Sara se sentia uma privilegiada. Ter essa belíssima vista todos os dias da janela de casa era pra poucos!
Quando morava na agitada e barulhenta cidade de West Hill, localizada à 4000 e poucos quilômetros de onde agora residia, Sara sequer tinha algo parecido com isso. West Hill era a cidade dos prédios modernistas e arranha-céus. Eram raros os lugares onde se podia ver o verde. A paisagem vertical reinava absoluta naquela cidade.
—Antes, eu morava numa cidade grande, agitada e barulhenta. Confesso que adorava viver lá! Não me via vivendo em outro lugar que não fosse aquele. Mas aí, vim pra cá e, agora, eu não troco esse lugar lindo pelo lugar que eu vivia antes!
—Por que veio pra cá? — Ele desviou o olhar da paisagem e encarou Sara à espera de uma resposta dela.
A jovem também o encarou. Ela não se sentia confortável pra tocar naquele assunto com ele. Falar na razão pela qual veio se enterrar naquela lugar, mexia em uma ferida que ainda doía muito. E por isso mesmo, a jovem tratou de desconversa.
—Eu acho melhor a gente entrar. O sol tá forte e você precisa se deitar, repousar. Vem!
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