Notas iniciais
Desfrutem.

[...] Eu posso te ouvir à distância
Amor, tudo o que resta de nós
São ecos de amor, amor

Imagine memórias perfeitas
Me caçando, penduradas nas minhas paredes
Eu vejo o seu sorriso e desmorono
Sinto-te longe, mas tão perto [...]

(Echoes Of Love)

...

" Eu te amo com todo o meu coração, Sara. Nunca esqueça disso, ainda que eu mesmo esqueça."

"... Não me imagino sem você um instante sequer... E quero você comigo agora e sempre."

" Acredito que fomos feitos um pro outro, sabia?"

" Casa comigo, Sara?"

" Te amo, agora e sempre... Meu amor... Minha esposa!"

Não teve um dia nesses dois que já haviam passado desde que Arthur tinha ido embora dali, que Sara não lembrasse das inúmeras declarações de amor que o marido lhe fez enquanto esteve vivendo com ela. As lembranças dessas confissões dele só vinham pra lhe fazer sentir mais falta do seu amado. E quanto falta ele já fazia pra ela.

A jovem morena se sentia uma própria estranha dentro de sua casa, sem Arthur por ali lhe brindando com seu sorriso apaixonado e olhar de carinho, ternura, amor. Ele era tão apaixonado por ela e ela por ele. E estava sendo tão difícil pra ela viver sem ele.

Cada canto, cada cômodo, cada centímetro daquela casa toda fazia a jovem lembrar de seu amado. Ele estava ali. Ainda que não fosse fisicamente, mas estava. Ela podia senti-lo.

Olhou para o telefone e um aperto enorme no peito lhe encheu enormemente de tristeza. Dois dias e nenhuma ligação dele. Talvez fosse cedo pra isso. Ou talvez ele nem tivesse pretensão alguma de ligar como disse que ligaria.

A irmã dele, sim, ligou ontem. Não foi uma ligação demorada. Ela disse que o irmão lhe contou sobre a gravidez da jovem que lhe socorreu e tudo mais que a própria Sara havia contado a ele. Catherine também quis saber de Sara se estava tudo bem com o bebê e ela. Ao ter respondido isso, Sara ouviu Catherine lhe reiterar que o que ela precisar podia contar com ela e ainda disse, que manteria contato constante com a jovem pra saber do bebê. E que, muito em breve, viria visitá-la pois queria muito ter uma conversa com ela pessoalmente e não, por telefone.

"E como Ele está?"— A morena quis saber da irmã de seu amado quando a chamada já ia pra seu fim.

"Ele está bem."

Doeu saber que ele estava bem longe dela, enquanto que ela estava arrasada longe dele. Mas, ao mesmo tempo, a morena também ficou contente que ele esteja bem. Nunca ia querer o mau dele. Jamais!

—Ô de casa!

Sentada toda encolhida no sofá e segurando um porta-retrato com a foto de seu marido, Sara reconheceu a voz de Lucy chamando-a do lado de fora da casa.

Era a terceira vez só naquele dia que ela vinha ali. Ontem também ela veio três vezes e em nenhuma das ocasiões Sara a atendeu. A morena sabia que não ia poder fugir pra sempre de Lucy. E, diante de tal insistência de sua amiga, Sara resolveu atendê-la mesmo não sendo de sua vontade ver ou falar com ninguém naquele momento. Levantando-se do sofá, a jovem foi a passos lentos se dirigindo a porta.

Do lado de fora da casa, Lucy já se impacientava e, ao mesmo tempo, preocupava-se com o fato de nem Sara e nem Arthur virem atender seus chamados desde ontem. Começava a achar que algo sério tinha acontecido.

E, quando Sara abriu a porta e Lucy viu a expressão abatida da amiga, além de muito triste, quiçá, até mais triste do que a que Sara ostentava quando a conheceu, a mãe de Lewis e Doug ficou bem preocupada e teve certeza, de que algo realmente tinha acontecido.

A preocupação de Lucy se triplicou quando Sara ao lhe ver se jogou em seus braços e derramou-se em lágrimas.

—Sara o que houve?

—Ele me esqueceu e foi embora há dois dias, Lucy! — Sara contou entre os soluços do choro e abraçada à sua única amiga naquela cidade.

Foi impossível pra morena tentar conter ou esconder da amiga a dor e o pesadelo que estava vivenciando.

Lucy demorou uns segundos a entender de quem sua amiga falava. Mas assim que entendeu, foi inevitável questionar:

—É do Arthur que você está falando, Sara?

—Sim. Ele foi embora, Lucy! Me deixou!

...

Foi um alvoroço quando Grissom chegou a construtora. Os empregados todos iam fazendo questão de cumprimentar o patrão que estava de volta. Uns eram mais efusivos outros contidos. Mas todos sem exceção o cumprimentaram. E ele ficou admirado com o quão bem recepcionado seus empregados o recebiam de volta. Desde o porteiro do edifício onde a construtora funcionava até sua secretária, que até se emocionou ao revê-lo, ele recebeu boas vindas. E agradeceu à cada um que foi lhe saudando.

Momentos mais tarde, o empresário estava em sua sala imerso na leitura de uns documentos pra se inteirar da situação da construtora, bem como, os novos projetos e contratos que a mesma tinha fechado no período que passou ausente de suas funções como CEO da empresa.

Em determinado momento, o empresário viu a porta da sala se abrir e sua irmã surgir ali com um sorriso nos lábios. Ela se escorou ao batente e ficou lhe fitando em silêncio.

—O que foi, Cath? — Ele indagou-a após segundos dela ali lhe fitando silenciosamente.

—É tão bom ter você de volta. Parece até um dos muitos sonhos que eu tive de você aqui, enquanto achava que estava morto!

Ele largou sobre a mesa o documento que segurava e lia, e ficou olhando pra irmã sentindo-se culpado por tanto sofrimento que causou à ela e sua noiva por esses meses todos. Também culpava um pouco a mulher com quem ele ficou esse período. Ela poderia ter ido atrás de informações a respeito da família dele e lhe 'devolvido' pra eles, mas não. Alegou que ele não quis isso, só que Grissom custava a acreditar muito nessa versão da história.

—Eu sinto muito por esse tempo que te fiz sofrer com minha ausência. Achando que eu estivesse morto, Cath.

—Ei, isso já passou e agora, você está aqui. — Catherine disse entrando na sala do irmão e fechando a porta. _E eu só quero deixar pra trás o pesadelo que vivi esses meses achando que você estava morto. Se bem que no fundo, eu sentia que você tava vivo em algum canto. Deve ser essas coisas de laço de sangue. Sempre tivemos isso forte.

—É!

—Lembra quando caí no lago e você se jogou pra me salvar?

—Como vou esquecer disso. Foi assustador pra mim, mas consegui agir rápido e te salvar, apesar do pavor todo que sentia ao ter vê se afogando.

—Você foi meu herói naquele dia.

Eles sorriram juntos. Depois já sem sorrirem, Catherine assumiu uma postura profissional e quis saber, se o irmão já tinha terminado de se inteirar dos contratos.

—Só falta esse documento. Mas tem um aqui que preciso que me explique uma cláusula que não entendi direito.

—Qual?

Ele apanhou o papel da pilha que havia posto ao seu lado.

—Este. — Gil estendeu o papel a irmã.

—Ah, é o com o pessoal da Rússia. Esse foi um ótimo contrato que fechamos mês passado. Qual é a sua dúvida nele?

—Cláusula 7, parágrafo 4.

Catherine se acomodou numa cadeira que havia ali diante da mesa de seu irmão e após ler o que Grissom disse ser sua dúvida, ela então começou a explicar a ele aquela questão imposta pelo grupo que contratou a construtora pra revitalizar e modernizar um centro de pesquisa em Sóchi.

...

Lucy estava em estado de choque diante das coisas que ouviu da amiga. Sara havia lhe contado toda a verdade à respeito das circunstâncias as quais conheceu Arthur, e tudo mais que aconteceu após ele ter recuperado a memória.

—Deus, Sara! Que situação você foi se meter, minha amiga. — Lucy segurou e apertou levemente a mão de Sara.

O tom e as palavras podiam ser de censura, mas eram na verdade, um lamento triste de alguém realmente preocupada com sua amiga e a situação delicada que ela estava passando naquele momento.

—Eu assumi o risco nisso tudo, Lucy. E agora tô pagando o preço por essa situação. Mas tá sendo tão doído e difícil pra mim.

Ao ver sua amiga começar a chorar depois de ter dito tais palavras, Lucy a abraçou pra reconfortá-la mais e melhor.

—Pra qualquer pessoa seria, querida. Você constrói uma vida com a outra pessoa como você construiu com ele e, de repente, vê isso desaparecer assim. E ainda, vê o homem que ama ir embora dessa forma. Deve ser um pesadelo horrível.

—Eu quero o meu marido de volta, Lucy!

—Oh, querida!

Lucy abraçou mais apertado Sara. Era de cortar o coração aquela situação a qual sua amiga estava metida. E vê-la arrasada daquela forma era pior ainda pra Lucy, que aprendeu a gostar verdadeiramente da jovem.

E pensar que há dias, quando veio visitar Sara e Arthur, sua amiga parecia tão feliz lhe contando sobre o casamento deles e a gravidez. Agora, ela estava daquele jeito triste e arrasado, e pior, sem Arthur, o seu grande amor. Se antes a mãe de Lewis e Doug achava que Arthur tinha sido o responsável pela mudança positiva na vida de Sara, agora, Lucy tinha certeza disso. E, agora, o mesmo Arthur era o responsável por outra mudança em sua amiga, mas esta era uma mudança negativa.

—Eu sinto tanta falta dele já!

—Eu imagino. Você não quer ir ficar comigo e os meninos lá em casa? Vai te fazer bem não ficar sozinha aqui e também sair por uns dias dessa casa cheia de lembranças do Arthur.

—Não! — Sara desfez com delicadeza o abraço com a amiga. _Eu agradeço, mas quero ficar na minha casa, Lucy.

—Sara...

—Por favor, Lucy. Não insista.

Ela não ia sair dali por nada.

—Ok! Mas me promete que vai se cuidar direito. Eu tô vendo que você não está fazendo isso. Tá pálida, com olheiras. Você comeu alguma coisa?

Ela negou com a cabeça. Não se lembrava quando tinha feito uma refeição direito ou talvez sequer tenha feito uma desde que Arthur foi embora. Passava a maior parte do tempo deitada na cama ou então no sofá, chorando e lembrando dos momentos com seu amado.

—Você não pode ficar sem comer, Sara! Está grávida. Como médica, você sabe bem mais do que eu, que isso não faz bem a você e principalmente, ao bebê.

—Não sinto fome, Lucy. E nem tenho vontade de fazer nada.

Ela só queria e desejava que seu marido voltasse e lhe tirasse do pesadelo que foi jogada, desde que ele recuperou a memória e teve as lembranças deles dois apagadas por completo da mente.

—Mas minha querida, você tem que pensar nessa criança que está aí dentro de você. Se alimentar por ela, por você pra ter força suficiente pra enfrentar isso que está acontecendo. Você disse há pouco que quer seu marido de volta, não disse?

—Disse!

—E quer que ele te veja assim?

—Não!

—Além do mais, como vai lutar pra conseguir tê-lo de volta, sem estar forte o suficiente pra tal feito?... Você precisa se alimentar e se cuidar, Sara. Tenho certeza que se o Arthur te visse assim, não ia gostar nada, minha querida.

Quando será que ela o veria de novo?

Quando será que ele viria aqui? Ou será mesmo que vinha?

—Eu vou preparar algo pra você.

—Não precisa se incomodar, Lucy.

—Não será incômodo algum. Além do mais, eu sou sua amiga e madrinha do seu bebê e quero que vocês dois estejam bens sempre.

—Eu só vou ficar bem de fato, quando o Arthur voltar pra mim.

—Eu acredito que o amor dele por você é tão grande que ele vai lembrar de vocês dois. E virá atrás de você. Dei tempo ao tempo, minha querida. Às vezes, tudo o que se é preciso para as coisas se resolverem é um pouco de tempo e paciência.

—Obrigada pela força que está me dando.

—Não precisa agradecer. Amigos são pra essas coisas. Agora, fica aqui, que eu vou preparar alguma coisa pra você comer, okay?

Sara apenas assentiu e viu sua amiga levantar-se do sofá onde elas estavam, pra ir até a cozinha lhe preparar algo.

Já na cozinha pegando da geladeira alguns legumes pra fazer uma sopa pra sua amiga, Lucy pensava que tinha que ajudar Sara nessa história toda. Mas como podia ajudar?

Foi então, que de repente, ela teve uma ideia que podia ser uma forma de ajuda à sua amiga querida. Resolveu que era isso que faria. Se funcionaria, não sabia, mas podia ser de grande valia.

...

—Muito bem! Gostei de ver. — Lucy sorriu contente por sua amiga ter tomado toda a sopa que ela lhe serviu numa quantia bem generosa.

—Você não precisava...

—Se você disser que eu não precisava me incomodar, fazendo essa sopa pra você, eu vou ficar zangada.

—Não digo então!

—Ótimo! Agora eu tenho que ir, Sara. Deixei os meninos com uma vizinha rápido pra vir aqui.

—Tá bom. Mais uma vez obrigada pelo apoio, carinho e essa sopa.

—Não tem de quê. Fiz bastante pra você comer mais depois. E é pra você comer, Sara. Me promete que vai se alimentar, querida?

—Prometo que vou.

—Vou confiar em você então.

As duas se despediram com um longo abraço.

—Se cuida, minha querida. E o que você precisar, é só ligar que eu venho.

—Tá bem.

—Tchau!

Assim que sua amiga se foi dali, Sara sentiu o vazio e a solidão tomá-la por dentro. Isso só ia passar quando seu amado voltasse a preencher os espaços que ele deixou ao partir dali e da sua vida.

Se demoraria ou seria breve isso, ela não sabia. Mas torcia para que aquele pesadelo todo tivesse um fim breve. Não ia suportar essa situação por muito tempo.

Sem querer ficar mais ali na sala, a morena apanhou a câmera fotográfica de cima da mesa de centro e empunhando aquilo numa das mãos, se dirigiu até o quintal de casa. Desceu o declive até alcançar o píer onde acomodou-se a beira do mesmo com os pés na água.

"... Quero que me prometa que não vai desistir de mim se eu esquecer de você. Que vai lutar por mim, honey. Mesmo que eu resista em acreditar que a gente teve algo e mesmo que eu já tenha alguém na minha "outra vida", não desiste de mim. O meu lugar é do seu lado e não com outra pessoa que não seja você. Promete que vai fazer isso, Sara. Eu preciso de você pra sempre comigo. Lembrando ou não do que construímos juntos aqui."

Ela não ia desistir. Daria o tempo que achava necessário pra que seu amado pudesse, quem sabe, ter lembrado dela. E, caso, isso não acontecesse e ele não lembrasse por ele próprio da história deles, ela mesma se encarregaria de fazê-lo lembrar.

Se conseguiria ou não, não tinha ideia, mas ia lutar por seu grande amor e fazer todo o possível pra ele resgatar as lembranças acerca deles.

Uma linda borboleta pousou em sua perna e Sara resolveu registrar o bichinho de cor azul.

Ligou a câmera e assim que deu o clique fazendo o registro da linda borboleta, a mesma saiu voando de sua perna.

Sara buscou ver como ficou o registro que tinha feito da borboleta e o mesmo havia ficado lindo. Acionou um botão que fez trazer à tela a foto anterior e nisso, uma fotografia de Arthur e ela apareceu pra encher seus olhos de água. Outras fotos mais vieram até que a morena viu surgir um vídeo.

—Mas que vídeo é esse?

Ela apertou o play pra ver aquilo que até então desconhecia estar ali.

Notas finais
Infelizmente os vídeos vão ficar para o próximo capítulo, que brevemente estarei postando. Assim como será muito em breve que descobrirão qual a ideia que Lucy pra ajudar sua amiga. Um beijo beijão a todas.