Another Life
77 Chapter 77
Notas iniciais
—Amanda! — Ele balbuciou fitando a barriga dela que já se encontrava um pouco em evidência.
—Gil!
A jornalista veio em passos rápidos até o noivo e sem conseguir conter as lágrimas que aquela altura já escorriam novamente por seu rosto, jogou-se nos braços do pai de sua filha. Parecia até um sonho ele ali vivo! E tomara que não seja mesmo só um sonho.
—Você tá vivo! Eu mal posso acreditar nisso!
Ele é que mal podia acreditar por encontrá-la grávida. Aquele filho que ela esperava só podia ser dele, posto que sua irmã lhe disse que Amanda não tinha refeito sua vida com ninguém. Por isso que Catherine disse que Amanda estava diferente, por isso de tanto mistério e cuidado de Cath dizendo que precisava preparar Amanda pra dar a notícia de que ele estava vivo, era por causa dela estar grávida e dele.
Involuntariamente o pensamento do empresário foi pra Sara que também estava grávida dele. Duas mulheres grávidas dele. Dois filhos que ele ganharia.
Como ele contaria pra sua noiva que havia se envolvido com outra mulher durante esse tempo que foi dado como "morto". E que a mulher em questão, havia ficado grávida dele também?
—Eu sofri tanto acreditando que estava morto, Gil. — Ela confessou num sussurro e trazendo Grissom a realidade a qual ele havia se desligado momentaneamente ao pensar na outra mulher que estava grávida dele.
—Eu sinto muito.... Me desculpe por isso, Amanda.
Ela afastou-se dele um pouco desfazendo o abraço deles e segurou seu rosto. Lágrimas banhavam o rosto dela e Grissom tratou de enxugar.
—Não teve um dia em que eu não pensei em você, querido.
Ela lhe murmurou antes de colar sua boca na dele e matar a saudade que sentia dos lábios e dos beijos dele.
O empresário correspondeu logo em seguida ao beijo iniciado por sua noiva. E foi um longo e demorado beijo.
Amanda jamais imaginaria que algo como aquilo pudesse acontecer como estava acontecendo. Seu grande amor vivo só era algo que ela consegui ver em seus inúmeros sonhos com ele. Ela estava tão feliz com aquele fato dele estar ali. Era tudo o que sempre desejou desde que seu amado foi dado como morto e mais ainda quando descobriu a gravidez.
E já Grissom sentia-se ali um grande traidor e canalha, pois enquanto sua noiva sofria com sua morte, ele estava lá longe desmemoriado e vivendo com outra mulher sem sequer imaginar que fosse comprometido. Contar isso à sua noiva não seria nada fácil. Deixou pra pensar nisso depois e se concentrou no beijo que estava trocando com Amanda, o qual durou mais uns segundos.
—Senti tanto a sua falta, Gil.
—Desculpa! — Ele pediu.
Pra Amanda aquele pedido se referia ao tempo em que ele passou sumido, mas pra Grissom o sentido daquele pedido era totalmente diferente. Seu pedido de desculpa era pela traição que cometeu a noiva e que ela sequer imaginava ainda.
—Não precisa pedir desculpas, querido. Mas onde você esteve todo esse tempo, Gil?
—Eu estive longe, muito longe, Amanda. Mas agora, eu estou aqui com... Vocês. — Ele disse a última palavra tocando carinhosamente a barriga dela. _De quanto tempo, você está grávida?
—Quase seis meses!... Duas semanas depois de você ter sido dado como morto, eu descobri sobre a gravidez após passar mal no trabalho e ser levada para um hospital desacordada. Fiz alguns exames e eles mostraram que eu estava com um mês de gestação. Foi a notícia mais bonita que eu podia ter recebido e eu desejei tanto que você estivesse do meu lado quando soube da gravidez.
—Você já sabe o sexo do bebê?
—Sim! É uma menina, uma princesinha, Gil!
Os lábios dele se esticaram em um sorriso fraco. Involuntariamente, mais uma vez, o pensamento do empresário foi para seu outro filho que viria. Será que também seria uma menina ou viria um menino?
—Conta pra ele o nome da nenê, Amanda. — Catherine que até o momento vinha se mantendo calada e apenas observando junto com os demais aos primeiros contatos entre Gil e sua noiva, não resistiu em se meter ali. E essas suas palavras trouxeram Grissom de volta ao papo ali.
—Como ela vai se chamar? — Grissom olhou com curiosidade pra Amanda.
—Elizabeth.
—O nome da minha mãe?
—Sim. É um nome lindo e eu quis esse pra nossa princesa, nossa pequena Lizzie.
Ela sorriu ao contar isso e pode ver mais uma vez um fraco sorriso surgir no canto dos lábios do seu noivo.
Depois de receber outro beijo da noiva, Gil foi falar com os demais ali, que estavam loucos pra lhe dar as boas-vindas.
Abraçou demoradamente Louise que se desmanchou em lágrimas de felicidade por ele estar vivo. Depois foi a vez de Warrick trocar um longo e demorado abraço com seu velho amigo e cunhado. Até às outras duas empregadas da casa fizeram questão de saudar o patrão que estava de volta, quando todos acreditavam que ele tinha morrido, já que o mesmo havia sido dado como morto.
—Cara foi tão difícil receber a notícia de que você tava morto. — Warrick comentou após ficarem somente ele, Grissom, Amanda e Catherine ali na sala após a ida de Louise e as demais funcionárias para a cozinha a fim de arrumarem a mesa para o jantar em comemoração ao aparecimento de Gil.
—Catherine me contou. — Durante o longo trajeto de volta pra casa, a irmã do empresário lhe pôs a par de como se deram as coisas após seu desaparecimento e tudo o que envolveu as buscas até a terrível notícia de que ele foi dado como morto. _Eu quero pedir desculpas a todos vocês por ter causado esse sofrimento todo. A culpa de tudo isso foi minha por ter pego a estrada com toda aquela chuva. Se não tivesse feito isso, não teria sofrido o acidente de carro que me deixou desaparecido.
—Gil não tem que pedir desculpas. E mais, você não é culpado de nada, cara. Aconteceu e pronto! Você lembra do acidente, como foi?
—Sim. Estava vindo pela estrada chuvosa quando de repente perdi o controle do carro, derrapei na pista e saí da mesma caindo num barranco até chegar à um rio. — Enquanto relatava sobre o acidente, as imagens do mesmo apareciam vividamente na cabeça do empresário. _Eu lembro que consegui com dificuldade tirar o cinto de segurança enquanto a água ia entrando. Saí do veículo pela janela do motorista e a correnteza forte me arrastou imediatamente. Tentei nadar até a margem, mas não consegui, a água era muito forte. Aí, bati a cabeça em algo e apaguei. Não lembro de mais nada depois disso.
—Não lembra como foi resgatado ou quem te resgatou?
—Não! Na verdade, não lembro de nada que me aconteceu durante esses quatro meses que passei longe daqui.
—Gil estava desmemodiado. — A irmã do empresário informou aos demais.
—Todo esse tempo estava desmemodiado?
—Sim, Amanda. A batida que sofri na cabeça me fez perder a memória. Mas assim que a recuperei, imediatamente liguei pra Catherine.
—Onde exatamente estava esse tempo todo, cara?
—Num lugar que eu não sei o nome direito, Warrick.
—Gil estava morando numa espécie de casa no meio do nada, que fica situado próximo a East Wood, uma cidadezinha minúscula, que fica quase cinco horas e meia daqui. — Catherine informou.
Antes que mais alguma pergunta fosse feita Louise apareceu na sala avisando que o jantar estava servido.
...
O outro lado da cama vazio, o travesseiro com o cheiro DELE, bem como, o lençol, o ar naquela cômodo, tudo ali tinha o cheiro empregnado DELE pra torturá-la durante aquela noite. Apanhando o travesseiro de Arthur, Sara o abraçou. Tinha voltado a viver sozinha naquela. Tinha voltado a sua vida solitária como era antes de Arthur aparecer.
"[...] Saiba que você não tá mais sozinha. Agora você tem à mim. Na verdade, temos um ao outro agora. [...]"
Ela apertou mais ainda o travesseiro de encontro ao seu peito e uma vontade de chorar rasgou seu peito.
"[...] Você é o amor da minha vida, Sara."
As lembranças das palavras dele vinham só causar mais dor e golpear seu coração já despedaçado.
"E essa Amanda?"
"Minha noiva!"
Apertando o travesseiro com força, Sara deixou escapar uma lágrima do canto de seus olhos. A essa altura seu amado devia estar com a noiva, que certamente, estaria exultante e feliz em tê-lo de volta. Enquanto ela estava ali sozinha e infeliz sem o amor de sua vida que tinha partido de volta para a casa dele, pra família dele e a tal noiva dele.
Por mais que fosse ciente de que isso um dia aconteceria, que um dia ele partiria dali assim que lembrasse quem era e esquecesse dela, ela ainda assim criava a ilusão desse fato não ocorrer tão precocemente assim. Quatro meses! Ela só pode viver quatro meses com ele.
Doía tanto estar vivenciando agora essa situação de perda. Outra em sua vida! Perder alguém parecia ser seu carma. Seu grande amor foi embora sem olhar pra trás, sem se importar em deixar ali sozinhos ela e o filho que carregava dele.
Na cabeceira da cama ela enxergou a foto dele sorrindo e olhando pra ela com tanto amor e carinho. Coisas que agora ela via que não condiziam muito com o homem que de fato ele se mostrou ser com ela ao estar com suas lembranças de volta.
Como podia ser tão diferente emocionalmente do homem por quem ela se apaixonou. Era como se fossem dois homens distintos na mesma pessoa.
Grissom... Arthur... Sério... Alegre... Independente do nome, do jeito de ser, sem sorriso ou com sorriso. Sem olhar apaixonado ou com, ele continuava a ser o amor da sua vida e talvez, fosse até o fim dos seus dias.
Há milhas e milhas de distância de Sara, mais precisamente em Los Angeles, Grissom observava sua noiva adormecida ao seu lado na cama. A seu pedido Amanda ficou pra dormir na casa dele. Um tempo depois do jantar eles vieram para o quarto de Grissom e com ela acomodada em seus braços, eles conversaram sobre o período em que ele fora dado como morto. Sua noiva lhe contou sobre como foi pra ela esse baque e como foi lidar com essa situação. Contou também sobre a gravidez e outras coisas.
Ele ouvia a seus relatos calado e vez ou outro pensava que devia contar a ela sobre a jovem com quem se envolveu, mas faltava coragem pra isso. Agradeceu ao fato de Amanda não questionar a respeito de onde ele ficou morando e com quem durante esse período todo, pois só assim pra não tocar no assunto "Sara" com ela.
E quando ele sentiu que sua noiva podia vir a tocar no assunto do seu paradeiro, Grissom tratou de tirar sua atenção beijando-a. O beijo acabou levando-os a se amarem na cama dele. Porém para o empresário, dessa vez, fazer amor com a noiva foi diferente do que das vezes em que já fizeram. Era como se fosse errado aquilo.
Mas como seria errado se eles eram noivos?
Com todo cuidado pra não acordar a noiva, o empresário tocou seu rosto, depois beijou sua testa e saiu da cama.
Vestindo sua calça por cima da cueca e colocando um hobby por cima, Gil saiu do quarto e foi até a sala de casa. Abrindo a porta de correr, ele foi até a sacada que havia e se encostando a pequena mureta dali, ficou observando o céu estrelado daquela madrugada.
Por que aquela sensação estranha de que havia alguma coisa errada lhe rondando?
Era esquisito e incomodava. Uma melancolia que lhe tomava por dentro.
Estava de volta a sua casa, com as pessoas que amava, mas ainda assim tinha a impressão de que algo parecia errado. Faltando, talvez!
Mas o que faltaria se TUDO estava ali?
—Gil??
Ele se virou e encontrou Catherine vindo em sua direção.
—O que faz acordada a essa hora?
—Te devolvo a pergunta.
O empresário esticou os lábios em um sorriso fraco.
—Perdi o sono. — Ele contou à irmã já acomodada ao seu lado. _E você?
—Eu desci pra beber água, mas vi a porta daqui aberta e vim fechá-la, aí te vi aqui. Por que da perda de sono?
—Uma grande preocupação.
—Essa preocupação por acaso atende pelo nome de: Sara?
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