Another Life
76 Chapter 76
Notas iniciais
—Gil, você e aquela moça...
—Catherine, eu prefiro falar sobre essa moça em outro momento, pode ser?
Grissom não se sentiria nada confortável satisfazendo a curiosidade de sua irmã à respeito de Sara, na frente do motorista da empresa. Aquele era um assunto particular que ele gostaria de tratar com ela quando estivessem longe dos ouvidos de terceiros.
—Claro que pode, sim.
Se o empresário bem conhecia sua irmã, ela certamente, aquela altura já desconfiava que algo havia acontecido entre ele e Sara durante esse tempo em que ele esteve convivendo com aquela moça, por isso da pergunta dela sobre eles.
E o empresário não queria nem imaginar qual seria a reação dela quando contasse as coisas que Sara lhe disse a respeito deles dois. E principalmente, sobre o bebê que ela esperava dele. Certamente, ela ia surtar positivamente ante aquela "novidade" já que sua irmã era louca pra ser tia logo e vivia cobrando isso dele e Amanda.
—Catherine e como está Amanda?
Ele questionou pois estava preocupado com sua noiva.
—Ela agora está bem.
—Como assim agora está bem?
—Gil foi um pesadelo pra todos nós quando anunciaram que você estava morto. Amanda, eu, Rick e demais pessoas próximas de vocês sofremos muito. Foi um baque horrível, duro de superar. Mas dia após dia fomos tentando nos reerguer da sua morte. Pra ela foi tão difícil isso quanto pra mim.
—E ela já refez a vida dela? Tem alguém.
Ele achava que quatro meses era pouco tempo pra ela já ter refeito sua vida, mas podia acontecer isso. Torcia pra não!
—Não. Ela ainda te ama demais. Acho que atualmente, ela ama mais ainda.
Ele esboçou um fraco sorriso antes aquela resposta de sua irmã.
—Liga pra ela. Quero falar com a Amanda, ouvir sua voz.
—Eu vou ligar pra ela, mas nem em sonho que você vai falar com ela ainda.
—Por que não?
—Você quer matá-la por telefone? Isso não é jeito de contar a ela que está vivo. Eu quase morri quando ouvi sua voz. Com ela não vai ser diferente. Preciso prepará-la antes de você falar com ela, senão vamos ter sérios problemas.
—O que você quer dizer com isso?
—Você vai saber depois.
O empresário ia contra-argumentar com a irmã, mas esta lhe sinalizou pra ficar em silêncio porque já estava ligando pra cunhada.
—Oi, Amanda! — Catherine saudou a cunhada e colocou a chamada no viva-voz para o irmão ouvir também.
—Oi, Catherine! Como vai?
Grissom deu um meio sorriso assim que ouviu a voz de sua noiva e seu coração até bateu um pouco mais rápido por está ouvindo-a. Mas, de repente, bateu uma culpa por tê-la traído com outra. Não queria nem imaginar como contaria isso à ela e mais ainda, sobre o bebê. Ia ter que arranjar um jeito de contar. Não podia esconder algo assim dela.
—Eu vou bem, querida. Está no trabalho?
—Sim. Fechamento de matéria. Tá uma loucura aqui.
—Então vou ser rápida pra não te atrapalhar. Gostaria que você fosse lá pra casa quando saísse do trabalho. Quero muito falar com você.
—Aconteceu alguma coisa?
—Sim, mas é coisa boa. Muito boa, por sinal. — Contou a loira tocando carinhosamente o rosto do irmão. _E eu tenho que te contar pessoalmente.
—Tá bom. Quando eu sair vou pra sua casa.
—Certo! Mas olha, talvez eu demore um bocado a chegar porque estou numa cidade vizinha, mas me espera lá em casa.
—Ok, Catherine. E, ah, eu tenho que uma coisa sobre...
—Lá em casa você me conta. — Catherine cortou na hora a falta de Amanda, pois algo lhe dizia que ela falaria a respeito de uma coisa que a loira não queria ainda que seu irmão soubesse. _É que agora preciso desligar. A gente se fala lá em casa. Bye!
—Bye!
A ligação foi encerrada e Grissom olhou com desconfiança pra irmã.
—Foi impressão minha ou você a interrompeu de propósito?
—Impressão. — Mentiu a irmã dele. _Gostou de ouvir a voz dela?
—Clato que sim. Quero vê-la o quanto antes.
—Vai ser um baita susto pra ela quando te vê. E pra você também vai ser um susto, porque ela tá diferente.
—Diferente como?
—Ah, quando você vê-la vai saber. — Catherine disse toda enigmática. _Agora vou ligar para o Rick.
Ela discou o número do advogado e três toques depois ele já atendia.
—Oi, querida.
—Oi, amor. Eu tô saindo daqui da cidade em que vim resolver o problema e estou indo pra casa. Não vou mais pra construtora.
—Por que? Aconteceu alguma coisa?
Enquanto Catherine enrolava Rick inventando uma história qualquer, Grissom notou durante sua irmã estar segurando o celular na orelha, já que dessa vez ela não pôs a ligação no viva-voz, uma aliança no dedo anelar de sua mão esquerda.
Sua irmã havia casado?
Ele esperou até Catherine finalizar a chamada. E quando isso aconteceu, Grissom não perdeu a oportunidade de tirar essa história à limpo.
—Essa aliança na sua mão esquerda é o que eu tô imaginando? Você casou com o Rick é isso, Cath?
Ela olhou rápido a jóia em seu dedo e sorriu.
—É! Eu casei, Gil. — Contou sorrindo e encarando o irmão. _Desde que você foi dado como morto o Rick passou a morar lá em casa pra me fazer companhia. Então num belo dia, eu disse à ele: Vamos oficializar isso, Rick? E ele topou.
—Quando vocês casaram?
—Há um mês. Foi um casamento no civil apenas. Sem festa, apenas um jantar de comemoração.
—Você não quis casar no religioso?
—Não!
—Por que?
—Porque você não estava mais do meu lado pra me levar até o altar.
Ele sorriu emocionado com a resposta dela.
—Ah, Cath. Me desculpa por todo esse tempo que te fiz sofrer. — Ele disse abraçado a irmã. _Eu sinto tanto por isso.
—Já passou. Você agora tá aqui e vivo, que é o melhor de tudo. O que passou, passou.
—Agora que estou aqui, você pode casar no religioso.
—Pois é. Tenho que falar com Rick sobre isso. Quem sabe não fazemos um casamento duplo. Você e Amanda, e eu e Rick.
—Acha que Amanda ainda vai querer casar comigo?
—Com certeza!
Os dois irmãos sorriram.
Enquanto Grissom seguia de volta pra sua casa, Sara encarava com tristeza o porta-retrato que trazia uma foto sua com Arthur.
Seu grande amor foi embora, lhe deixou, lhe abandonou sozinha ali sem qualquer arrependimento. Se bem que o homem que cruzou a porta de sua casa não era exatamente o mesmo homem apaixonado por ela. Era outro! Frio. Rude. Um tanto grosseiro. Sem coração ou compaixão. Mas ainda sim, ela queria acreditar que seu amado estava lá dentro daquele homem, escondido em algum lugar profundo daquele sujeito sério e introspectivo que ele se mostrava ser.
Um arrependimento desmedido lhe tomou. Ela não devia tê-lo deixado ir assim tão facilmente. Devia ter lutado mais, insistido mais, contado mais sobre eles. Só que pelo que pode perceber qualquer coisa que fizesse ou dissesse não mudaria a decisão desse tal Grissom de não partir.
"...Minha família era e sempre será: a minha irmã, meus amigos e a minha noiva Amanda."
Doeu tanto tais palavras. Tanto quanto doeram as outras duras que ele lhe disse ali. Seu coração estava aos cacos e tudo o que ela mais deseja era que tudo isso não passasse de um pesadelo. Um horripilante pesadelo.
E quem dera fosse! Mas não era, infelizmente!
...
Já era noite, nove e pouco quando Joshua estacionava em frente a entrada da casa onde seus patrões moravam.
—Chegamos!
Grissom suspirou aliviado, ansioso e nervoso. Poucos passos lhe separavam agora de reencontrar as pessoas que achavam que estava morto: Warrick, Louise e principalmente, Amanda.
—Vamos, Gil.
Ele assentiu saindo do carro logo em seguida de sua irmã. Subiram as poucas escadas de entrada da casa e logo já se encontravam diante da porta.
—Gil, eu vou entrar primeiro e você fica aqui fora aguardando eu te chamar. Mas é pra você esperar e não entrar antes disso. Eu preciso preparar a Amanda pra esse reencontro.
—Você não acha que está exagerando?
—Tenho minhas razões. Fica aqui.
Ele se escondeu e viu sua irmã entrar em casa. Impacientemente, o empresário esperou e esperou do lado de fora por inúmeros minutos.
Por que tanta demora de sua irmã em lhe chamar?
Enquanto isso lá dentro Amanda que aquela altura já sabia sobre Grissom. Estava impactada com a notícia e ela não foi a única a ficar assim ante aquela novidade. Warrick e Louise também ficaram iguais. Porém, a jornalista passou mal tão logo Cath lhe deu a notícia. E Catherine ficou preocupada com a reação nervosa da cunhada.
Houve um pequeno corre-corre na sala. Louise teve que buscar água com açúcar para acalmar Amanda e alguns minutos depois, quando havia se recuperado um pouco do impacto da notícia, Amanda perguntou:
—Onde ele está, Catherine?
—Lá fora! Pedi pra ele esperar, porque queria te contar primeiro antes dele entrar. Senão o seu choque ia ser maior do que já foi.
Os olhos da jornalista se encheram novamente de lágrimas. O homem que ela tanto amava, o homem que ela não deixou de pensar um dia sequer ao longo desses meses que se passaram e o homem que ela achava estar morto, estava o tempo todo vivo. E agora se encontrava há poucas distâncias dela.
—Eu quero vê-lo!
—Vou buscá-lo pra você. Espera!
Catherine se levantou do sofá e seguiu em direção a porta sob o olhar atento de sua cunhada e do seu marido que ainda não conseguia acreditar que seu querido amigo/cunhado estava vivo.
—Gil, vem comigo. — Catherine chamou após abrir a porta e estendendo a mão ao irmão.
O empresário segurou na mão dela e juntos eles entraram na casa. Foram necessários apenas poucos passos pra Grissom enxergar sua noiva sentada no sofá ao lado de Warrick.
Ela lhe encarou surpresa e impactada por comprovar que de fato ele estava vivo mesmo.
Amanda se pôs de pé com a ajuda de Warrick, e assim que ela fez isso, Grissom pode vê-la melhor e o surpreso e impactado da vez foi ele por ver que sua noiva estava... grávida!
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