Notas iniciais
Cris, querida, ainda vai demorar sim para o Gil lembrar da Sara. Mas posso te tranquilizar contando que o Grissom vai deixando pouco a pouco de lado essa aversão toda que demonstra ter por Sara. Como isso vai se dar? Mas pra frente você e as demais vão descobrir. E quanto as fotos e os videos que ele gravou, Ana. Essas coisas vão chegar muito em breve as mãos do empresário quando eles já tiver voltado a viver em Los Angeles. Agora vamos a separação e partida de Grissom da casa de Sara.

Grissom andava de um lado para o outro da sala com Sara acompanhando só com o olhar seus movimentos. A agonia e impaciência dele era visível para a morena. Pelo visto ele não via a hora dessa tal irmã dele chegar e lhe levar dali.

Por dentro Sara torcia para essa tal de Catherine não encontrar onde ficava a sua casa. Mas sabia que era pouco provável que ela não encontrasse. Sua casa era a única por aquela região.

—Eu não quero que você vá!

Ele parou de andar e olhou pra Sara acomodada no sofá de cabeça baixa agora.

De novo esse assunto?

Quantas vezes ele ia ter que explicar que seu lugar não era ali e muito menos com ela?

Sentia muito por ela, porque pelo que podia ver aquela jovem nutria algum tipo de sentimento por ele. No entanto, da parte dele por ela não havia qualquer resquício de sentimento, porque ele não a conhecia. Ela era uma desconhecida para ele.

—Nós já falamos sobre esse assunto. Não vamos tornar a bater nessa mesma tecla de novo, por favor. — Grissom resmungou impaciente.

Sara ergueu a cabeça pra encará-lo. A jovem já ia se pronunciar e rebater as palavras ditas por Grissom, quando ambos ouviram um barulho de carro estacionando do lado de fora da casa.

Imediatamente o empresário caminhou rapidamente em direção a janela a fim de saber se era sua irmã. E realmente, ela era. Viu-a descer do carro da empresa e não pensou duas vezes em seguir até a porta.

—Chegamos, dona Catherine. Esse é o endereço.

Joshua informou Catherine que desceu do carro afoitamente e ao se aproximar da cerca viu a porta de entrada da casa se abrir e por ela cruzou seu irmão. Imediatamente seus olhos se encheram de lágrimas e foi impossível conter a emoção daquele reencontro.

Em questão de poucos segundos, poucos passos e ele já estava diante dela. No mesmo instante, ela se atirou em seus braços e caiu em pratos. Foram meses acreditando que seu irmão, o único parente que ela tinha, estivesse morto. Mas felizmente, cá estava ele vivo, como ela sempre sentia que ele estivesse em algum lugar por aí.

—Gil que saudade de você, meu irmão! — Ela lhe disse em meio ao pranto de alegria por estar com ele novamente.

—Eu sinto muito pelo que houve Cath!

Da janela de casa Sara observava Grissom abraçado a irmã dele. O abraço deles foi longo e demorado. Ela podia ver que a mulher com ele chorava copiosamente. Também pudera! Ela achava que o irmão estava morto e agora descobria que ele estava vivo. Só podia chorar de pura alegria e felicidade por estar lhe reencontrando depois de meses. Enquanto que por dentro Sara chorava de tristeza, pois perdeu o homem que amava.

A jovem morena viu quando eles desfizeram o abraço e a mulher com Grissom segurou seu rosto e beijou carinhosamente o mesmo diversas vezes. Depois um homem se aproximou deles e abraçou Grissom que retribuiu o abraço meio sem jeito e eles começaram a trocar palavras.

—Doutor Grissom que felicidade por estar vivo. Sentimos muito achando que o senhor estava morto.

—Mas como podem ver, eu estou muito mais vivo do que pensavam.

—Como veio parar aqui meu irmão?

—É uma longa história que te conto depois com calma.

—Ok! E... Quem é aquela moça, Gil?

Ele se virou e viu Sara na janela olhando triste na direção deles.

—Ela é Sara a dona da casa. Foi ela quem me encontrou ferido, me prestou socorro e me trouxe pra cá para a casa dela.

—Pra casa dela? Por que ela não te levou pra nossa casa?

Eles viram Sara sair da janela.

—Porque segundo ela, eu perdi a memória e não sabia quem era. Todo esse tempo, eu estava desmemoriado, Cath, por isso não entrei em contato com você antes. — Ele contou agora encarando a irmã.

—Eu gostaria de falar com ela.

—Por quê?

Por ele iam embora dali mesmo sem ter que apresentar Sara a sua irmã pra evitar ter que contar a Catherine ali, sobre o envolvimento que Sara disse que tiveram. Mas pelo visto, ir embora "à francesa" dali não ia ser possível.

—Pra agradecê-la, Gil. Ela cuidou de você. Vou ser eternamente grata a essa moça. Vamos lá.

A contragosto Grissom seguiu em direção a casa com Catherine. O empresário torcia para Sara não contar nada sobre o envolvimento que tiveram e nem sobre o bebê. Ele mesmo contaria isso à sua irmã em outro momento quando estivessem longe dali e sozinhos.

Assim que viu Grissom e a irmã dele se virarem e ficarem trocando palavras enquanto a fitavam, Sara saiu da janela. O que será que eles estavam falando dela?

Ela viu os dois cruzarem a porta de entrada em questão de segundos e ficou tensa com a presença deles, principalmente a da tal irmã de seu amado. Será que aquela irmã dele ia fazer o mesmo julgamento errôneo que Grissom fez a seu respeito?

—Catherine essa é Sara a dona da casa e quem me prestou socorro ao me encontrar ferido. Sara esta é minha irmã Catherine.

Sara pôde sentir a frieza com a qual ele usou pra apresentá-la a irmã e vice-versa.

A jovem sentiu vontade de dizer que além do que ele disse, ela também foi a mulher com quem ele viveu momentos lindos e a mulher que lhe daria um filho, mas se ele não mencionou nada sobre o filho e o relacionamento que ela lhe contou que tiveram, então ela também não mencionou nada a irmã dele.

Com certa hesitação Sara estendeu a mão pra cumprimentar Catherine, que prontamente aceitou o cumprimento.

—Olá, Sara!

—Olá!

—Me irmão me contou que você o encontrou ferido e lhe prestou socorro. Quero te agradecer por isso e por tudo mais que fez a ele durante esse tempo em que o Gil esteve aqui com você.

Gil?? Soava tão estranho ouvir alguém chamá-lo por outro que não o que ela lhe deu e que por coincidência, era o nome do meio dele.

—Não precisa me agradecer por nada disso. Eu faria tudo de novo por ele caso fosse preciso.

Sara olhou pra Grissom postado ao lado de Catherine. A irmã do empresário não deixou passar batido esse comentário daquela desconhecida e muito menos seu olhar cheio de sentimentos à Grissom. Aquela jovem claramente estava apaixonada por seu irmão. Será que ela e Grissom se envolveram enquanto ele esteve ali? Se conhecia bem seu irmão como o conhecia, a resposta era não. Mas como ele estava desmemoriado durante esse tempo em que passou ali, a resposta poderia ser: sim. Ele pode ter ter tido sim algo com aquela moça, mas não lembrava agora. Se fosse isso, Cath ficou penalizada por aquela moça agora que Grissom havia esquecido dela.

A loira esperaria pra tirar aquela história a limpo com seu irmão em outro momento longe dali.

—Gil também disse que estava desmemoriado e que por isso, ele não entrou em contato antes.

—Sim. Eu já o encontrei desmemoriado. Certamente, ele sofreu alguma pancada forte na cabeça no acidente que teve e por isso, a perda de memória.

—Por quê que quando ele recebeu alta, você não o levou pra uma delegacia para encontrarem a família dele? Ao invés disso, você o trouxe para sua casa.

Sara resolveu dizer a verdade. Se Grissom e sua irmã acreditariam nela, ficava por conta deles, mas ela diria a verdade.

—Seu irmão me pediu pra não levá-lo a uma delegacia. Naquele momento ele só confiava em mim e não queria encontrar uma família que segundo as palavras dele: "ele não conhecia". Então por isso, eu o trouxe pra minha casa.

Tanto Grissom quanto Catherine ficaram surpresos com a resposta de Sara, principalmente o primeiro. E com isso, a sala caiu num silêncio absoluto, que durou por breves instantes até Grissom se pronunciar quebrando o silêncio.

—Eu acho melhor irmos, Cath. Eu quero voltar pra casa.

O coração de Sara se apertou ante aquelas palavras de seu amado. Ele ia embora mesmo. Ela ia ficar sem ele mesmo.

—Claro. Vamos!... Sara, obrigada mais uma vez por ter cuidado do meu irmão todo esse tempo. Eu quero te dar uma recompensa por...

—Não! — Sara interrompeu as palavras de Catherine. _Não precisa de recompensa alguma. O que fiz não foi visando recompensa. Seu "obrigada" já está de bom tamanho, mesmo não vendo necessidade dele também.

—Eu posso pelo menos te dar um abraço então?

A morena consentiu isso depois de alguns segundos. E sob o olhar desconfiado de Grissom as duas mulheres trocaram um abraço longo.

A irmã de Grissom sentia-se com uma dívida eterna com aquela jovem que encontrou seu irmão e lhe prestou socorro. Se Grissom estava vivo era certamente graças aquela moça.

—Muito obrigada, Sara. — A loira agradeceu desfazendo o abraço dado na outra mulher. _E se algum dia, você precisar de alguma coisa, qualquer coisa que seja, é só me ligar. — Catherine estendeu à Sara um cartão com seu número.

A jovem morena pegou aquele pequeno papel e guardou no bolso da calça.

—Vamos, Gil?

Ele não podia ir sem antes trocar algumas palavras a sós com Sara. Se antes, ele queria ir sem falar com ela, agora ele achava o contrário.

—Você pode me esperar no carro, Cath? Eu te encontro lá em alguns instantes. Preciso falar a sós com Sara antes de ir.

A irmã do empresário olhou pra ele e depois pra Sara. Seu "radar" acendeu mais ainda o sinal de alerta a respeito de que tinha acontecido algo entre seu irmão e aquela jovem.

—Tudo bem! Vou te esperar lá no carro!... Tchau, Sara.

—Tchau!

Grissom esperou sua irmã sair da casa e quando isso aconteceu foi que ele encarou Sara.

—Você vai mesmo?

—Vou!... Mas antes de ir, eu gostaria de te agradecer por ter me socorrido. Se não fosse você talvez eu não estivesse agora vivo. — Apesar de não lembrar nada dela e do que ela fez por ele, Grissom se sentiu no dever de agradecer a ela por ter salvo sua vida, porque ela salvou mesmo.

—Como já disse a sua irmã à pouco, não precisa agradecer nada.

—E quanto ao bebê...

—O quê que tem o bebê?

—Eu... Não pretendo fugir da minha responsabilidade como disse mais cedo a você. Inclusive, eu gostaria que... me desse o número do telefone daqui pra... eu ligar e saber sobre... como está indo a sua... gravidez e a criança também.

—Seu filho, você quer dizer.

Era tão horrível ouvi-lo se referir ao filho daquela forma tão fria com a qual ele se referiu.

—Sim. E também, eu vou te ligar pra que me passe o número de alguma conta bancária se tiver pra eu depositar todo mês uma quantia de dinheiro à você.

—Eu já disse que não quero o seu dinheiro.

—Não é exatamente pra você, é pro bebê.

—Ele tampouco precisa do seu dinheiro.

—Olha, eu sou o pai dessa criança que você espera e quero te ajudar financeiramente nos gastos com ela!

—Não precisa.

—Mas eu quero!... E caso você não tenha uma conta bancária, eu vou mandar abrir uma pra você. Melhor, eu vou mandar abrir logo essa conta independente de você ter uma ou não. Aí, depois mando o cartão pra você.

—Eu não quero o seu dinheiro! Quantas vezes vou ter que repetir isso pra que entenda?

Ela se aborreceu com essa insistência toda dele.

Grissom resolveu não insistir mais naquele assunto. Abriria a conta sem ela saber mesmo e depois lhe contaria. Era sua obrigação ajudá-la financeiramente com a criança que estava por vir.

—O número daqui, Sara. Pode me dar?

Ela foi até uma escrivaninha e em um pedaço de papel que tirou de dentro da gaveta do móvel, escreveu o número do telefone. Após terminar, voltou pra perto de Grissom e lhe estendeu o papel.

—Obrigado. — Ele agradeceu pegando o papel da mão dela. _Eu vou te ligar.

Era o que ela esperava. E será que ele também viria lhe ver alguma vez? Antes que ela lhe fizesse esse questionamento, Grissom anunciou:

—Eu vou indo.

Ela quis se atirar nos braços dele e implorar pra ele não ir, mas sabia que isso não adiantaria nada.

—Adeus, Sara!

Então com o coração aos pedaços e os olhos se enchendo de lágrimas, Sara viu impotente à seu grande amor lhe dar as costas e se dirigir a porta lentamente, como numa cena dolorosa de um filme horrível.

E assim que seu amor cruzou a porta e sumiu de suas vistas, ela não conseguiu mais segurar as lágrimas.

Do lado de fora da casa, Grissom caminhou apressadamente até o carro onde sua irmã o aguardava. Assim que entrou no veículo, o empresário informou ao seu motorista que eles já podiam ir.

—Sim, senhor! — Joshua assentiu dando a partida no carro.

—Está tudo bem com você?

Ele olhou pra sua irmã e apenas se limitou a assentir positivamente em resposta.

Pelo espelho retrovisor Grissom ficou observando a bonita casa de Sara ir ficando pra trás enquanto o carro em que estava ia se afastando dali.

Ele sentiu uma sensação estranha de que "algo" importante estava ficando pra trás, mas não sabia o que era.

Notas finais
Mas nós sabemos bem o que é esse "algo". Catherine sacou logo que houve algo entre seu irmão e Sara. E ela vai tirar essa história à limpo com o irmão. E que jeito frio do Grissom de se despedir da Sara. Típico dele e tão diferente do que Arthur faria, não é? No próximo capítulo temos o reencontro de Grissom com Amanda. Beijos e até.