Notas iniciais
Coitada da Sara. Grissom vai ter uma péssima reação como algumas de vocês acertadamente mencionaram em seus comentários.

—Estou esperando um filho seu.

Ela não podia e nem queria omitir uma informação daquelas dele antes que ele partisse dali. Quem sabe isso não o fizesse ficar. Era uma remota possibilidade.

—Você não pode estar falando sério.

Sob o olhar incrédulo e ainda impactado de Gil, Sara foi até o hack de madeira na sala, apanhou um porta-retrato dali e estendeu o objeto a Grissom após voltar pra perto do homem.

—Pegue e veja a foto que está aí. — Ela o instruiu deixando a foto para baixo pra ele não ver ainda.

Com certa hesitação Gil pegou da mão da jovem o que ela lhe estendia e após virar o porta-retrato, ele viu a foto com os dizeres usados por Sara pra lhe contar sobre a gravidez dela.

—"Papai estou aqui dentro!" — Gil pronunciou e depois olhou pra Sara ainda sem acreditar.

—Esse foi o modo como contei a você que os resultados dos testes de gravidez deram positivo. Não pode ir e nos abandonar aqui, amor.

—Por favor, eu já pedi pra não me chamar assim. Meu nome é Gilbert.

Ele resmungou sério e atordoado com aquela revelação de Sara.

Foi então, que de repente, um pensamento nada agradável a respeito daquela notícia dada pela jovem desconhecida por ele, e também o fato dela lhe manter ali sem ao menos, buscar saber quem eram seus parentes e avisá-los que ele estava com ela, ocorreu a Grissom e ele não gostou nada disso.

—Você fez tudo isso de caso pensado, não foi?

—Do quê você tá falando?

—Não se faça de ingênua. — Ele jogou o porta-retrato sobre o sofá. _Você bem descobriu há tempos quem eu sou e aí, me manteve aqui. Se relacionou comigo e engravidou de mim pra garantir uma gorda pensão para você e essa criança, não foi isso?

Sara se sentiu horrorizada com a conclusão ilógica que aquele homem chegou ao seu respeito. Como ele pode pensar algo assim? Tudo bem que ele não a conhece, mas já ir fazendo um julgamento tão vil assim sobre ela, era horrível demais. Ela não era aquela oportunista que ele estava pintando.

—Você não sabe o que está dizendo.

—É claro que eu sei. Você descobriu que sou rico, que tenho um patrimônio enorme e aí, se aproveitando que eu não lembrava quem era, me envolveu e engravidou de mim.

—Mas é claro que eu não fiz isso! Eu te amo! — Ela se aproximou dele e segurou seu rosto entre as mãos. _Olha pra mim. Olha no fundo dos meus olhos. Você não pode estar pensando isso de mim, amor, por favor. Eu não sou essa pessoa que você tá achando, Arthur.

A tensão e a raiva dele diante daquela situação só fez aumentar ainda mais, quando ele ouviu Sara mencionar seu nome do meio. E isso só fez Grissom desacreditar menos ainda na "inocência" daquela mulher, mesmo os olhos dela aparentando um fundo de verdade.

—Você diz que não sabia quem eu era, mas me chama pelo o meu nome do meio? — Ele tirou as mãos dela de seu rosto e se afastou de Sara.

—Seu nome do meio é: Arthur?

Sara estava surpresa. Nunca podia imaginar que o nome que deu a ele fosse de fato seu nome.

—Até parece que você não sabia. — Ironizou Grissom. Aquela mulher estava se mostrando ardilosa demais.

—Eu não sabia, Arthur. Acredita em mim.

—É bem difícil de acreditar. E pra você é Grissom. Não quero que me chame de Arthur. Só a minha mãe me chamava assim quando era viva. E não aceito mais ninguém me chamar da mesma forma com a qual ela me chamava.

Sara queria poder acreditar que nada daquilo era real. Que nada daquilo tava acontecendo de fato. Que aquele homem não veio e tomou o lugar do seu marido. Que ia acordar e ter seu amoroso e apaixonado marido ao seu lado, lhe fitando de maneira doce e terna, com seu costumeiro sorriso e lhe saudando com um beijo carinhoso.

Aquele tal de Grissom era tão rude, tão duro, tão frio, tão sem compaixão alguma.

Mas algo lhe dizia que seu Arthur estava lá dentro, em alguma parte profunda daquele sujeito diante dela. E ela o traria de volta. Seu marido não podia ir embora pra sempre. Ela precisava dele e o bebê deles também.

—Me dá uma chance de...

—Não perca seu tempo completando essa frase, porque a resposta é: Não! Eu não tenho interesse em lhe dar chance de nada!... E quanto a esse bebê que supostamente diz esperar...

—Não é supostamente, eu estou grávida de fato. E posso provar isso muito bem a você com um exame de sangue se quiser.

Grissom podia sentir a segurança dela em afirmar aquilo. Com certeza, ela devia estar falando sério mesmo sobre estar grávida dele.

—Ok! Se está grávida mesmo, eu não vou fugir da minha responsabilidade. Assumo a criança e ela terá tudo o que lhe for de direito.

—Eu não quero o seu dinheiro.

—Agora vai bancar a orgulhosa?

—Não. Eu só não preciso do seu dinheiro e nem quero. O que eu quero é você aqui comigo e o nosso filho. Será que você não entende?

Ela tentou se aproximar dele novamente, mas Grissom recuou evitando a aproximação de Sara.

—Me desculpe, mas isso está fora de cogitação. Eu tenho noiva. E nem faço ideia de como vou contar isso a ela. Amanda vai me odiar e sofrer quando souber dessas coisas.

—Acho que o sofrimento dela nem chegará perto do sofrimento que eu tô passando nesse momento. — Ela sentou-se no sofá. _Você não imagina o quanto eu já tô sofrendo agora. Perdi o homem que eu amo. Ele não lembra de mim, do nosso amor, da nossa história, do nosso filho. Ainda pensa que eu sou uma oportunista e está prestes a me abandonar. — Ela finalizou sua lista com a voz trêmula e novas lágrimas molhando sua face. _Parece que a felicidade pra mim tem prazo de validade!... Sofrimento parece que foi feito pra mim.

Sara não pode mais suportar aquela situação e desabou num choro compulsivo, que até chegou a deixar Grissom momentaneamente penalizado e sentindo-se um monstro naquela situação toda. Talvez, ele tenha passado mais uma vez da conta com ela e sido rude demais ali.

—Me desculpa. — Ele pediu se agachando na frente de Sara. _Eu fui mais uma vez extremamente grosseiro com você. Não devia ter dito nada daquelas coisas e nem insinuado algo tão vil a seu respeito. Sequer te conheço pra fazer um julgamento desses a seu respeito. Mas é que são "novidades" demais pra mim.

—Eu não sou uma oportunista como você insinuou. Nunca fui! E nem pretendo ser. Eu amo você. E você me amava tanto! Não vai embora. Não me deixa. — Ela pediu chorando enquanto tocava o rosto de Grissom.

—Eu sinto muito, mas eu não posso e nem quero ficar. Aqui não é o meu lugar.

—Mas costumava ser. É só você lembrar.

—Eu não lembro de nada. Sinto muito. Eu preciso voltar pra minha família em Los Angeles.

—Sua família era eu e o nosso filho.

—Não! Minha família era e sempre será: a minha irmã, meus amigos e a minha noiva Amanda.

Notas finais
Grissom está sendo de uma insensibilidade sem tamanho com a Sara, pobrezinha dela. Até o próximo meninas.