Another Life
72 Chapter 72
Notas iniciais
—Bom dia! Grupo Grissom Architecture and Projects... Andrea, falando.
—Andrea sou eu, Grissom! Me passe a ligação pra Catherine.
A secretária imediatamente emudeceu e arregalou os olhos assustada diante daquelas palavras pronunciadas por aquela voz que parecia muito com a de seu falecido chefe. Se ela não estivesse sentada em sua cadeira teria caído estatelada no chão de susto daquela ligação.
—Andrea, você está aí na linha?
Grissom achou que a ligação tivesse caído, pois ficou um silêncio abdoluto do outro lado da linha.
Sua secretária não respondeu, porque ainda estava tão impactada com aquela ligação que não conseguia proferir qualquer palavra que fosse.
Seria mesmo seu chefe?
Mas ele não estava morto?
Se bem que seu corpo nunca foi encontrado.
—Andrea, por favor, você ainda está aí?
—Dou-doutor Grissom... É-é o senhor mesmo?
A secretária tinha a voz embargada e algumas lágrimas já se acumulavam em seus olhos claros.
—Sim, Andrea, sou eu mesmo Gilbert Grissom, seu chefe.
—Santo Deus! O senhor está vivo?!
Ela mal podia acreditar naquilo.
—É claro que estou! — Grissom lançou um olhar assustado pra Sara que vinha silenciosamente e tristemente lhe observando durante aquela chamada que ele fazia. _Por acaso vocês achavam que eu estava morto?
—Sim. O senhor foi dado como morto pelos bombeiros.
—Mas eu estou bem vivo e quero falar com a minha irmã. Passe a ligação pra ela, agora, por favor.
Ele necessitava o quanto antes ouvir a voz de sua irmã. Não conseguia imaginar a dor que Catherine devia estar vivendo por achar que ele estivesse morto. Se fosse o contrário, ele estaria devastado. E só de pensar nessa possibilidade já sentia um aperto no peito. Sua irmã era tudo pra ele, sua única família.
—A dona Catherine está numa reunião importante, mas eu vou agora mesmo chamá-la.
—Ok! Eu vou ficar na linha aguardando.
—Por favor não desligue.
—Eu não vou, Andrea.
—Doutor Grissom...
—Sim.
—Eu estou imensamente feliz por saber que está vivo. Já volto!
Ele apenas resmungou um "certo" e ficou esperando na linha enquanto encarava Sara.
A jovem por sinal estava arrasada e se sentindo completamente impotente diante de tal situação. O homem que ela via, era fisicamente o sujeito com quem ela já convivia há meses e com quem ela casara. Mas a personalidade era completamente outra. O olhar frio, o semblante fechado e até o tom de voz era diferente. Nada naquele tal de Grissom parecia com o apaixonado, alegre, feliz e cheio de vida que era seu marido Arthur.
Seu marido parecia não estar ali nenhum pouco naquele homem. E talvez nem estivesse mesmo. Mas ela se encarregaria de trazê-lo de volta. Não ia desistir ainda que a situação seja pior do que esperava quando este dia chegasse.
Enquanto isso na construtora Grissom... Trêmula e com o coração aos solavancos ainda pela ligação e a descoberta de que seu patrão não estava morto como todos pensavam, Andrea esqueceu-se dos bons modos e indo contra a ordem de Catherine de não ter interrompida a reunião com o secretário do governo a respeito da licitação vencida pela construtora Grissom para a construção de um moderno hospital, invadiu a sala de reuniões atraindo imediatamente os olhares dos setes presentes na sala.
—Me desculpe, dona Catherine. Eu sei que pediu para a reunião não ser interrompida de modo algum, mas é muito importante que venha agora mesmo comigo pra atender uma ligação.
Catherine retirou os óculos nada satisfeita. Detestava que suas ordens fossem descumpridas, ainda mais, daquela maneira. Andrea não só interrompeu uma importante reunião, como também, a invadiu sem qualquer educação que se preze.
—Andrea, você podia ter esperado a reunião terminar pra...
—A ligação é de muita importância dona Catherine. Eu tenho certeza absoluta que se eu deixasse pra lhe avisar depois da mesma, a senhora me demitiria na hora, como tenho a impressão de que quer me demitir agora por ter interrompido dessa maneira abrupta sua reunião. Venha comigo, por favor.
—Cath vai lá. Parece ser urgente mesmo pelo estado aflito e nervoso da Andrea. Se quiser eu vou tocando a reunião pra você enquanto atende essa ligação.
—Ok, Warrick. Senhores, peço mil desculpas por essa interrupção. O doutor Brown vai conduzir a reunião enquanto vou me ausentar por uns instantes com minha secretária. Tudo bem?
—Sem problemas, senhora Catherine.
A loira se levantou e seguiu em direção a Andrea.
—Eu espero que seja urgente mesmo essa ligação, Andrea, ou do contrário, você receberá uma advertência por essa situação. — Catherine comunicou séria à secretária que seguia ao seu lado até a recepção onde ficava a mesa de Andrea.
—A senhora vai me agradecer ao atender essa ligação.
—Quero só vê!
Catherine sequer podia imaginar que em segundos iria falar com o irmão que ela pensava estar morto.
A dor da perda ainda era forte nela e a saudade também, mas a loira já conseguia tocar sua vida em diante. O apoio de Warrick, Louise e demais pessoas próximas foram essenciais para Cath se reerguer da rasteira que foi a perda do irmão há mais de quatro meses.
As primeiras semanas e os dois meses após o acidente de Gil, foi um período difícil e duro de assimilação e aceitação pra loira do que tinha acontecido. Não foi fácil conviver com o vazio deixado pela ausência de seu irmão, mas hoje ela já conseguia lidar com isso melhor do que há dois meses.
—Eu sugiro que a senhora se sente pra não cair no chão.
—Andrea, você está me assustando assim.
—Sente, dona Catherine, por favor.
A secretária estava preocupada com a reação de sua patroa ao atender aquele telefonema. Andrea foi testemunha do sofrimento que foi para Catherine a notícia da morte de Grissom. Pra falar a verdade, foi um sofrimento pra maioria que trabalhava ali. Para uns mais que para outros, mas todos sofreram a seu modo achando que Grissom estava morto. Só que felizmente, ela acabava de descobrir que seu chefe não estava morto e a irmã dele estava prestes a descobrir o mesmo.
—Pronto, me sentei, Andrea.
—Um segundo. — Pediu a secretária retirando o telefone do gancho e apertando um botão pra tirar a chamada da espera. _Oi, o senhor ainda está aí?
Ao ter a confirmação de Grissom do outro lado da linha, a secretária então estendeu o telefone a Catherine que pegou o aparelho prontamente.
—Alô! — A loira disse sem muita paciência já, pois estava perdendo tempo ali quando devia era estar na sala tratando dos últimos detalhes do fechamento do contrato para o empreendimento que construiriam.
Grissom sentiu uma emoção tão grande ao ouvir a voz de sua irmã. E o pensamento de que ela sofreu por sua culpa esses meses todos fez seu peito apertar.
—Não vai falar? Eu vou desligar então, porque tenho mais o que fazer.
—Não desliga, Catherine. Sou eu. — Ele disse apressadamente antes que sua irmã batesse o telefone em sua cara.
—Gil?? — Ela reconheceu imediatamente a voz dele. Reconheceria sua voz mesmo entre tantas.
—Sim. Eu mesmo minha irmã.
Os olhos azuis de Catherine se arregalaram e rapidamente se encheram de lágrimas.
—Eu não... Posso... Acreditar... Você... Tá... Vivo?
—Estou.
—Ah, meu Deus!
Ela levou uma das mãos trêmulas a boca e as lágrimas em seus olhos começaram a escorrer por seu rosto.
Seu irmão estava vivo!
Ela estava falando com ele!
Seria algum sonho seu e logo o despertador tocaria lhe tirando disso?
—Cath fale comigo!
Ela havia ficado muda e Grissom ficou preocupado.
—Gil, eu pensei... que estava morto. Deram você como morto, meu irmão. — Ela contou olhando pra Andrea que estava chorando novamente assim como sua patroa que se encontrava as lágrimas por aquela descoberta.
—Andrea me contou, mas eu estou vivo, Cath. Preciso que venha me buscar.
—Eu vou, claro!... Onde você está? — Ela questionou já enxugando os olhos e apanhando um caneta e um pedaço de papel pra anotar o endereço. _Me diz agora mesmo, que eu vou te buscar onde quer esteja.
—Espera que já te digo onde estou. — Ele afastou o telefone por uns segundos da orelha e questionou Sara a respeito do nome do lugar onde se encontravam.
A jovem quis de coração lhe negar aquela informação pra não perder seu grande amor, mas sem muita alternativa, ela acabou lhe passando o endereço dali e como chegar em East Wood.
Grissom então repassou os mesmos dados a sua irmã.
—Eu não sei onde fica isso, mas vou pedir pro Joshua jogar no sistema de GPS do carro e te encontraremos, Gil.
—Eu vou te aguardar aqui, Cath.
—Já tô indo agora te buscar, meu irmão.
—Tá!
A ligação foi encerrada depois disso.
—Andrea não quero que ninguém saiba ainda dessa ligação e muito menos que o Gil tá vivo.
—Sim senhora. Parece inacreditável isso.
—Eu que o diga. Pode parecer loucura, mas eu sempre sentia que ele estava vivo em algum lugar.
—A senhora chegou a comentar uma vez comigo.
—E eu estou certa nisso. Deixa eu ir buscá-lo. Liga para o Joshua e pede pra ele estar na porta do prédio com o carro que eu tô descendo. E depois volta lá na sala de reunião, e avisa a todos que eu precisei sair pra resolver um assunto muito importante. — Catherine disse de maneira afoita e já se distanciando da secretária levando consigo em mãos, o papel onde estava rabiscado o endereço de onde seu irmão se encontrava.
Andrea ligou para o motorista da construtora e deu a ordem passada por Catherine. Em seguida, a secretária foi até a sala de reuniões e avisou aos presentes ali o que sua patroa pediu.
—Quem ligou pra Catherine?
—Eu não sei, doutor Brown. Não conheci a voz. — Mentiu a secretária como sua patroa havia lhe pedido que fizesse.
—Tudo bem.
A secretária pediu licença e se retirou da sala deixando os homens ali sozinhos pra retomar a reunião deles.
Enquanto isso em East Wood...
—Pronto, minha irmã já está...
—Eu estou grávida de você! — Sara comunicou interrompendo a fala de Grissom.
—Quê?? — A cara dele empalideceu.
Fale com o autor