Notas iniciais
Meninas chegamos a um capítulo doído. Pra mim aqui marca o início de uma nova fase dessa fic, uma fase mais sofrida e menos romântica. Confesso a vocês que na época que voltei a escrever o 'robótico' Grissom foi complicado, pois eu já havia me habituado a escrever o romântico e apaixonado Arthur, resgatar o Grissom me deu certo trabalhinho no começo. E vamos ao capítulo que pra quem tem coração fraco não recomendo ler.

A pergunta dele e seu olhar vazio, confuso e sem qualquer sentimento ou emoção fizeram Sara levar uma das mãos a boca e entender rapidamente o que aquilo significava. Seu marido não estava mais ali com ela.

—Você não é mais ele, não é?

A voz dela saiu num fio de voz triste.

O homem de olhos azuis se sentou no chão, bem diante da mulher jovem e desconhecida por ele.

—Ai, minha cabeça. — Ele reclamou tocando o lado direito de sua cabeça. Uma dor horrível ele sentia naquela região. _De quem você tá falando, hein?

—Meu marido! Eu o perdi! — Ela tocou o rosto dele enquanto novas lágrimas escorreriam por seu rosto.

—Eu sinto muito por sua perda. — Grissom disse de maneira séria e fria enquanto afastava a mão da desconhecida do rosto dele, pois não gostou nada daquilo. Quem aquela mulher achava que era para lhe tocar com tanta intimidade, assim?_Pode me dizer quem é você e que lugar é esse que eu estou?

Aquela pergunta dele doeu em Sara. Seu marido não sabia mais quem ela era e não reconhecia mais a casa deles. Era doído demais isso! Mas Sara precisava ser forte e tentar fazê-lo lembrar-se dela e tudo mais.

—Eu sou a Sara e está é minha casa, nossa casa, amor.

O homem franziu a testa em total estranhamento.

—Nossa casa? Acho que está tendo algum engano aqui. Essa casa não é minha e pare de me chamar de "amor". Eu me chamo Gilbert Grissom.

Ele disse com seriedade e levantando do chão com dificuldade.

Sara tentou ajudá-lo, mas Gil recusou a sua ajuda afastando as mãos dela dele.

—Como eu vim parar aqui na sua casa?

Ele encarava com estranhamento o local ao redor e a mulher a sua frente, pois ela era uma completa desconhecida e estranha pra ele assim como aquele lugar onde se encontrava.

—Você sofreu um acidente. Eu te encontrei, te levei para um hospital e depois te trouxe pra cá.

A lembrança do acidente todo veio a cabeça de Grissom. Estava ali nítida e perfeita em suas lembranças. Entretanto, o resto que a mulher diante dele mencionou não. Ele não conseguiu lembrar dela lhe encontrando, levando para um hospital e muito menos lhe trazendo pra casa dela.

—Minha família, você já avisou?

Sua irmã e sua noiva vieram de imediato a sua mente.

—Não!

—Por que não?

—Porque eu não sabia quem era sua família e nem você mesmo sabia disso, porque quando te encontrei as margens de um rio, você havia perdido a memória por completo.

—Quanto tempo isso têm?

Grissom sentiu até medo da resposta, mas precisava saber.

—Pouco mais de quatro meses!

O empresário ficou chocado com essa informação. Há mais de quatro meses ele estava ali e certamente, sua irmã e Amanda deviam estar desesperadas com seu desaparecimento. A menção da noiva lhe fez lembrar do casamento deles que já era pra ter ocorrido. Ele tinha que voltar pra casa o quanto antes.

—Eu preciso ligar pra minha casa para virem me buscar. Catherine e Amanda devem estar desesperadas com meu desaparecimento de mais de quatro meses.

—Quem é Catherine?

Sara temeu pela resposta, mas precisava saber a verdade. Ou apenas confirmar as suspeitas que tinha.

—Catherine é minha irmã. — Grissom informou rapidamente.

Por um momento, Sara ficou feliz pois pensava que essa Catherine fosse filha dele. Mas ainda restava saber o que era pra ele a outra mulher mencionada.

—E essa Amanda?

—Minha noiva!

Aquela resposta fez o coração de Sara doer pela segunda vez ali e se despedaçar. Seu marido tinha alguém de fato.

—Eu preciso falar com elas.

—Me ouve... Você não pode ir embora daqui e me deixar.

—Eu não só posso como vou.

—Não vai, fica comigo. — Sara pediu segurando Grissom pela camisa e começando a chorar de desespero por ver que seu grande amor estava querendo partir dali. _A gente tem uma história juntos. Nós nos amamos e somos casados.

—O quê? Você é louca?... Eu não te amo e nem sou casado com você, senhorita. — Grissom disse segurando nas mãos de Sara e tirando-as de maneira delicada de sua camisa.

—Não diz isso!

—Por que se é a verdade?

—Não, não é! Olha na sua mão esquerda.

Grissom fez o que Sara disse e pode ver uma argola fina e prateada enfeitando seu dedo.

—O que é isso?

—Uma aliança. Você quem fez. Nós somos casados, não oficialmente, mas somos.

—Não. Eu não sou casado com você. — Ele disse retirando aquela "jóia" do dedo e depositando-a sobre a mesa de centro ali na sala. _Até porque eu já vou casar com uma mulher que se chama Amanda. Na verdade já era pra eu estar até casado com ela.

As palavras insensíveis que ele lhe dirigiu rasgaram seu peito e dilaceraram seu coração.

—Por Deus, não fala assim comigo. — Ela pediu com a voz embargada e escondendo o rosto com as mãos.

Grissom por um momento até chegou a se arrepender de suas palavras nada gentis. Tinha sido ríspido demais ao falar daquele jeito com aquela jovem.

—Olha me desculpa. Eu não quis ser grosseiro com você.

—Não vai embora, por favor.

Num impulso desesperado, Sara se agarrou a Grissom como se ele fosse um bote que lhe jogaram em meio ao mar revolto.

Pego de surpresa por aquele "ataque" Grissom nem teve poder de reação.

—Eu te amo tanto, não me abandona.

O empresário pode sentir na voz da jovem agarrada a ele, o desespero contido naquelas palavras. Ficou penalizado por ela, mas ele não podia fazer nada.

—Por favor, senhorita, eu não quero bancar o grosseiro com você. Pode me soltar.

Com relutância Sara acatou ao pedido levemente aborrecido do homem que ela amava, mas que agora sequer lembrava dela e do amor deles.

—Um telefone, você tem? Eu quero ligar pra minha casa.

—Antes me escuta. Eu quero te contar a nossa história. A história que nós dois escrevemos juntos nesses quatro meses.

Ela precisava relatar os momentos deles e mostrar as fotos pra ver se assim reavivava as lembranças deles que foram apagadas da mente de Arthur. Agora era o momento daquelas fotos todas "entrarem em ação". Torcia para aquilo dá certo, porque do contrário ela não saberia o que fazer.

—Eu não tenho história alguma com você. Sequer sei quem você é.

Ela quase se rendeu a vontade de se derramar em lágrimas novamente com aquela última frase pronunciada por seu amor, mas bravamente segurou-se pra não chorar.

—Por favor apenas me ouve. Eu te imploro.

Sem muita opção e quase zero de boa vontade Grissom aceitou ouvir o que aquela jovem queria lhe contar.

Eles se acomodaram no sofá que ela indicou e por longos minutos ele ouviu-a relatar-lhe desde o princípio as coisas que aconteceram ao longo desses mais de quatro meses em que ele já morava ali com ela.

Sara lhe mostrou as fotos que estavam no hack da sala e quando ia apanhar a máquina no escritório pra mostrar outras, Grissom interviu dizendo que chegava, pois não queria ver mais nada.

—Você precisa ver as fotos pra quem sabe assim lembrar da gente.

—Eu já disse que não quero ver mais nada.

—Então me deixa apenas te contar uma coisa que ainda não contei.

Ela ainda não havia lhe revelado sobre a gravidez. Sequer lhe mostrou a foto que trazia os dizeres que revelaram ao seu marido sobre a vinda do bebê. Sara resolveu deixar isso pra contar por último. E já que ele não queria mais ver foto alguma, então ela achou de contar logo sobre a gravidez. Porém, o que a jovem não contava era com palavras duras vindas de um Grissom já de saco cheio.

—Olha, não me interessa ouvir e nem saber mais nada. Eu sinto muito por você, mas não lembro de nada disso que você disse e nem dessas fotos. Pra ser franco, eu não posso acreditar que tive coragem de enganar minha noiva com você. Amanda não merece isso. Ela é uma mulher incrível e eu jamais poderia tê-la enganado dessa maneira.

—Você ama... A sua noiva?

Se ele dissesse sim, ela não suportaria. E ela rezou por uma resposta qualquer menos um sim.

Grissom sabia bem a resposta daquela pergunta e podia dizê-la, mas não tinha porquê dar satisfação da sua vida e de seus sentimentos a uma desconhecida.

—Acho que isso não lhe diz respeito. — Foi curto e grosso. Logo em seguida a essa resposta, Gil se pôs de pé e ao enxergar o telefone sobre uma mesinha foi direto nele. _Pra fazer ligações pra Los Angeles tem que usar algum prefixo ou se liga direto para o número?

—Não faz isso.

—Se você não me responder, eu vou sair e dar um jeito de arranjar um meio de ir embora sozinho pra minha casa.

Pelo que via, ela ia perdê-lo de qualquer forma. Ele parecia decidido a ir embora dali e deixá-la.

—Você pode ligar direto.

Notas finais
Grissom foi duro e rude demais com a pobre da Sara. Coitada! Agora tentem imaginar como será a reação dele ao saber da gravidez. Um beijo e até breve.