Another Life
7 Chapter 7
Notas iniciais
Ela sabia que era errado aquilo. Aquele sujeito devia ter família. Talvez fosse até casado e tivesse filhos. Sua esposa, de certo, já deve ter dado parte de seu sumiço e ela ali, levando-o pra sua própria casa e privando assim, que a família o encontre.
Mas o que podia fazer se ele lhe pediu insistentemente por aquilo e ela foi incapaz de lhe negar tal pedido. Parecia loucura, mas ela já começava a perceber que bastava um simples olhar pedinte dele pra amolecer seu coração de um jeito que nenhum homem conseguiu antes, nem mesmo Hank por quem ela foi muito apaixonada num passado que a seu ver, já ficou bem lá pra trás.
Por que esse desconhecido a quem ela deu o nome de Arthur, mexia desse jeito com ela? Só o conhecia há pelo menos 24hs e já sentia uma forte ligação por ele.
Arthur não queria se separar dela e deixou isso bem explícito ontem enquanto conversaram no hospital. E por alguma razão desconhecida, ela também não queria mais se separar dele! Era estranho isso! Havia se afeiçoado instantaneamente por aquele homem de lindos olhos azuis e um jeito de garoto carente.
—Você não me parece contente com isso. — Arthur comentou, quebrando o silêncio no carro.
Desde que saíram do hospital que Sara vinha dirigindo calada e pensativa. Era como se nem estivesse ali. E aquilo chamou a atenção do homem. Será que estava sendo abusado demais com aquela jovem ao submetê-la a sua companhia?
Talvez, ela só tenha aceitado por pura educação aquilo de lhe levar para a casa dela. Talvez, ela nem quisesse aquilo. Ele era um desconhecido como ela mesma disse ontem.
—Sara! — Ele chamou-a com um tom mais firme já que ela pareceu não lhe dar ouvidos quando falou anteriormente com ela.
—Oi! — Ela respondeu sobressaltada e olhando-o de relance.
Ele gostou de ouvir o som de sua voz, já que desde que entraram naquele carro, ela não disse mais qualquer coisa.
Por um momento, ele achou que teria que chamá-la novamente pra vê se ela lhe respondia, mas não foi preciso.
—O que foi? Você tá sentindo alguma coisa? — Sara preocupou-se.
—Não. Desculpa, eu te assustei não foi?
—Um pouco. Mas o que foi?
—Se for incômodo pra você me levar pra sua casa, então pode me deixar numa Delegacia. Não tem problema! Eu vou entender. Você já fez muito por mim e não quero que se sinta obrigada a mais.
Por mais que ele desejasse não se afastar dela, não podia obrigá-la a aturá-lo sendo que eram meros desconhecidos.
—Arthur não é incômodo algum.
E não era mesmo! Ela se sentia bem perto dele como não se sentia há tempos.
—Mas??
Ele sabia que havia um "mas" nisso. Estava estampado na cara dela.
—Eu fico pensando na sua família. Eles devem estar desesperados atrás de notícias suas, não acha?
—Acho que sim. — Ele respondeu displicentemente enquanto encarava a paisagem verde pela janela do carro. A cidade de Desmond já havia ficado alguns quilômetros pra trás. _Só que eu não lembro deles, então pra quê me preocupar com isso?
—Não acha que está sendo insensível dizendo essas coisas?
—Talvez. Mas essa é a verdade! — Ele deu de ombros.
Depois dessas palavras dele, o silêncio se instaurou no carro. Isso durou até Sara estacionar em frente à sua casa, muitos e muitos minutos depois.
O sobrado em estilo normando rústico, ficava localizado no meio do nada, com vista dos fundo para a mata e um lago que havia cortando aquela região.
—Você não tem vizinhos! — Arthur observou enquanto via Sara desatar o cinto de segurança.
—Não!
Foi a única coisa que ela disse antes de descer do veículo pra vir ajudar Arthur.
Na verdade, ela até tinha uma vizinha, Lucy, que virou sua amiga. Mas a casa da outra mulher ficava há muitas léguas de distância dali.
—Por que um lugar tão longe pra morar?
Ele ficou curioso.
Aquele lugar era longe mesmo principalmente, da cidade pacata e pitoresca de East Wood, localizada ao Norte, alguns quilômetros de Desmond e outros tantos ao Sul de San Francisco.
Ali onde ela morava era um lugar no meio do mato, exatamente pra quem queria se refugiar e se isolar do mundo lá fora como era o caso de Sara.
—Porque eu queria tranquilidade e sossêgo!
Ela se limitou a dizer enquanto auxiliava Arthur até a entrada da casa.
Já dentro do imóvel, Arthur foi acomodado por Sara no sofá. Enquanto a jovem foi abrir as janelas de correr pra arejar e iluminar o interior da casa, Arthur observava o cômodo em que se encontrava. Era de um tamanho razoavelmente grande, altamente aconchegante e contava com uma lareira. A decoração ali era de muito bom gosto. Era uma mescla de móveis rústicos com delicados objetos que enfeitavam o lugar, dando-lhe um charme a mais.
—Você mora sozinha aqui, Sara?
Ela olhou pra ele e sorriu. Não se lembrava de sorrir tanto assim em pouco mais de 24 horas que estava na companhia de alguém.
Seu acompanhante demonstrava bastante curiosidade e fazia muitas perguntas. Seria um Jornalista ou Detetive?
—Moro sozinha!
—Sozinha... sem vizinhos... e sua casa fica longe da cidade, no meio do nada. Não acha perigoso isso?
Ela veio até ele se acomodando ao seu lado no sofá de três lugares.
—Logo no começo, eu achava. Mas depois me acostumei e o medo passou. Aqui é meu cantinho, meu mundo particular.
—Como encontrou esse lugar?
Ela sorriu fracamente.
—Meio por acaso!
Sara então lhe contou que tinha vindo ver com um corretor uma casa que estava a venda e ficava por aquelas bandas, só que na área mais "habitada" daquela região. Entretanto, no caminho, ela e o sujeito acabaram por culpa do sistema de GPS do carro dela, pegando uma rua errada e acabaram encontrando aquele pequeno 'Paraíso' que era aquela casa.
Ela não pensou duas vezes quando viu a placa de venda na entrada daquele imóvel. Era aquele lugar que queria, mesmo sem ver como ele poderia ser por dentro.
Instruiu seu corretor a descobrir quanto era o preço do imóvel. Dois dias depois, ele a contactava pra dar o valor. Uma pequena fortuna, mas ela não se importou. Tinha o dinheiro mesmo. Era herança de sua mãe que ela vivia se negando a usufruir por anos, pois teve pouco contado com a mulher que lhe pôs no mundo, já que ela foi embora repentinamente, deixando o marido, o enteado e a filha pequena sozinhos.
Lá atrás, quando Sara ainda era só uma adolescente, ela teve notícias da mãe. Uma pessoa próxima dela procurou a jovem e seu pai pra informar que Laura estava muito doente e que seu último desejo antes de morrer, era rever a filha. Sara então foi satisfazer o desejo da mulher que lhe deu a vida. Foi um reencontro emocionante pra ambas as partes. Houve pedido de perdão da parte de Laura à filha e a aceitação da mesma quanto ao pedido da mãe. E depois de ver a filha que não via há mais de doze anos, e conseguir seu perdão por tê-la abandonado pra conseguir uma vida melhor e de riqueza, Laura pode morrer em paz.
Uma semana depois da morte da mãe, Sara recebeu a notícia de que tinha herdado um patrimônio bastante generoso da mulher, já que era a única filha legítima de Laura.
Durante anos a jovem se recusou a tocar nesse dinheiro. Mas ao ver aquela casa e ser tomada pelo enorme desejo de tê-la pra si, resolveu deixar o orgulho de lado e fez uso daquele dinheiro que era seu. E assim, comprou a casa!
—É uma bela casa e me parece grande pra uma pessoa só!
Não parecia, ela era mesmo grande!
Uma casa de dois andares que possuía Living no andar inferior com pé direito alto, sala ampla com lareira e portas de correr que dão para a varanda onde se tem vista para área mata e preservação; cozinha gourmet e com muitas janelas e vista para mata; área de serviços e lavanderia com quintal. No andar superior ficavam 2 suítes máster com closet e escritórios privativo no mezanino, ambas com linda vista para área verde; 3 dormitórios (pequeno) que podem ser usados como escritório ou ainda serem abertos para a 2 suíte, formando um closet; e uma grande biblioteca. Do lado de fora da casa ainda tinha um grande jardim em declive, voltado para área de preservação, uma piscina e deck feito de madeira nobre; e um pequeno píer que leva até o lago.
—Ela é grande mesmo, mas não me importo. Comprei porque adorei o lugar. E a casa já veio decorada. O que foi bom, pois não tive problemas pra trazer móveis pra cá apenas meus objetos pessoais.
—Hum... E seus parentes, não acham que você mora longe demais?
—Você faz perguntas demais, sabia? — Seu tom era amável e brincalhão ao falar.
—Desculpa, mas é que como não tenho nada pra falar de mim, então gosto de saber sobre você.
Era agradável escutá-la, saber a seu respeito. Ele gostava! Ela tinha um jeito doce de falar e um sorriso tímido e bonito, que em nada combinava com aquela tristeza que detectou e via refletir de seus bonitos olhos castanhos.
—Bem, acho que você já sabe bastante a meu respeito, já que lhe fiz um longo monólogo a meu respeito enquanto te levava para o hospital, não lembra?
Ele sorriu. Realmente, ela havia lhe contado muito sobre ela. Um verdadeiro monólogo! Mas tudo pra mantê-lo acordado até a chegada no hospital.
—Lembro! Só que um pouco mais de informações a seu respeito nunca serão demais pra mim! — Ele contra-argumentou com doçura.
Ela corou imediatamente com aquelas palavras dele e aquele seu olhar azul fixo nela. Como aquele estranho podia mexer tanto assim com ela daquele jeito?
—Vou tentar preparar alguma coisa pra gente comer, porque aquela comida do hospital ninguém merece. — Ela anunciou de súbito e levantando do sofá. _Você fica quieto aí! Não ouse levantar desse sofá!
—Você é mandona.
Isso foi mais uma afirmação do que propriamente, uma pergunta.
—Não faz ideia do quanto! — Ela abriu um sorriso e seguiu pra cozinha.
Momentos depois, os dois se encontravam na cozinha, sentados de frente um para o outro tomando suco e comendo panquecas que Sara tinha feito. A jovem podia ser uma negação e um desastre ambulante na cozinha, mas se havia uma coisa que sabia fazer com maestria eram panquecas. Tinha aprendido com seu pai!
—Não me lembro de ter comido antes panquecas tão boas como essas.
O homem soltou tais palavras tentando não rir da brincadeira que havia feito de si mesmo.
Sara o encarou com um indisfarçável sorriso querendo escapar.
—Que ótimo senso de humor você tem, né?
Foi impossível pra ambos conterem o riso depois disso. Mas Arthur parou prontamente de rir ao sentir as costelas doerem.
—Acho que não vou poder rir por uns dias. — Ele resmungou, fazendo uma careta engraçada.
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