Another Life
66 Chapter 66
Notas iniciais
—O que você tem, hein, amor?
Ela o abraçou por trás enquanto ele estava na varanda dos fundos da casa observando o sol se pondo naquele fim de tarde.
O dia todo ele passou quieto, pensativo e Sara podia sentir que havia certa preocupação e tensão em seu marido.
E realmente ele estava preocupado e tenso com aquelas lembranças que lhe ocorreram ontem, as quais eram do desconhecimento de sua esposa.
Arthur estava apreensivo com a possibilidade de que talvez outras lembranças também viessem. Isso era tudo o que ele não queria que acontecesse.
—Nada de mais, honey! — Ele mentiu pra não preocupá-la.
—Como não é nada de mais, amor? Você tá todo calado e sinto você preocupado, tenso, distante. Eu fiz alguma coisa?
Ele se virou e ficando de frente pra sua mulher, abraçou-a pela cintura.
—Você não fez nada, honey!
—Então por quê razão está assim?
—Só acordei meio melancólico hoje. — Inventou.
—Por quê?
—Não sei. — Ele deu de ombros e ajeitou uma mecha dos cabelos dela atrás da orelha. _Acho que as músicas do show ontem me deixaram assim, sei lá. Mas não se preocupe que eu estou bem.
Ele não queria preocupá-la por enquanto, por isso mesmo mentiu e tentou ser o mais conveniente e seguro possível em suas palavras para sua esposa não desconfiar. E após falar com Sara, Arthur beijou a esposa.
A jovem sentiu que até o beijo de seu marido estava diferente naquele dia. Parecia um beijo sem a emoção de sempre, meio triste e preocupado.
Ela resolveu não contestar isso e nem insistir em saber qual era o problema com Arthur, pois não queria parecer chata. Só esperava que o quê quer que seu marido tivesse, ele compartilhasse com ela brevemente.
Naquela noite assim como a anterior, Arthur mal conseguiu pregar os olhos e dormir direito. Foram rápidos cochilos e num desses, ele acabou tendo um sonho que na verdade tratava-se de outra lembrança.
Sara acordou com os movimentos de Arthur na cama bem como sua falação enquanto ele seguia dormindo.
—Catherine cuidado... Não vai por aí... Catherine, você vai cair... Volta!
Sara podia ver o desespero de seu marido a medida que ele ia falando.
—Catherine pára... vem pra cá!
Quem era essa Catherine que ele tanto chamava em desespero?
Seu marido se batia na cama e suava demais. E ela resolveu tirá-lo desse sonho.
—Amor! — Ela o chamou com carinho.
—CATHERINE!
Ele gritou e acordou assustado logo após o grito, assustando Sara.
—Honey!
Ao ver Sara sentada ao seu lado na cama, Arthur não pensou duas vezes e abraçou a esposa muito assustado com o sonho que teve de duas crianças, uma se chamava Catherine e a outra, um menino que ele não sabia o nome. As duas crianças estavam brincando num campo do que parecia ser uma fazenda, quando de repente a tal Catherine correu em disparada na direção em que havia um lago caindo dentro do mesmo e começando a se afogar logo em seguida.
—Tá tudo bem, amor. Foi um pesadelo.
Ela tentou confortá-lo. Ele ainda tremia demais e estava ensopado de suor.
—Foi horrível!... Uma menina... Caiu num lago e começou a se afogar... Havia um garoto junto... E ele correu desesperado pra salvá-la.
Arthur contava nervoso e assustado.
—Passou, amor. Foi só um pesadelo que já acabou.
—Parecia tão real!
Ele sentia como se estivesse lá.
—Você quer que eu pague uma água com açúcar pra você?
—Não! Fica aqui comigo, Sara. Não me deixa sozinho, honey. — Ele pediu com desespero e abraçando a esposa mais apertadamente em seus braços.
—Tá bom. Eu fico aqui. Calma!
Ela estava assustada com aquele estado dele e principalmente, com esse sonho que ele teve.
Assim que ele se acalmou minutos mais tarde, Sara o fez tirar a camisa molhada que Arthur ainda usava e foi apanhar outra seca no guarda-roupa para seu marido vestir.
Após trocar a camisa, eles se acomodaram na cama com Arthur aninhado aos braços da esposa feito um garoto assustado.
Em silêncio, sem fazer qualquer questionamento mais acerca do pesadelo de Arthur, Sara ficou afagando carinhosamente os cabelos do marido até vê-lo pegar no sono instantes depois.
Já a jovem ainda demorou e bastante pra pegar no sono também. O pesadelo do marido não lhe deixava pregar o olho de preocupação.
E uma pergunta vinha martelar em sua cabeça: Quem era essa menina de nome Catherine, que seu marido sonhou?
...
Ela estava passando umas laranjas no espremedor pra fazer um pouco de suco para o café da manhã, quando sentiu dois braços fortes circundaram sua cintura e se assustou de leve já que estava perdida em pensamentos.
—Ei, calma. Sou eu, Sara.
—Nossa! Você me assustou. Eu tava distraída.
—Desculpa!
—Tudo bem. — Ela se virou nos braços dele. _Bom dia! — Sara saudou o marido e lhe deu um beijo.
—Bom dia, honey! Nem vi você levantar.
—Eu saí com cuidado pra justamente não te acordar.
Ela mal conseguiu dormir direito depois que o marido teve o pesadelo. Ao contrário, de Arthur que após o sonho ruim conseguiu dormir rápida e profundamente.
—Como você tá?
—Tô ótimo!
Ela queria perguntar sobre o pesadelo, mas deixou pra fazer isso depois.
—Preparei o nosso café e sem acidentes.
—Que grande progresso!
—Seu engraçadinho!... Vem, vamos comer.
Segurando na mão de Arthur e trazendo a jarra do suco na outra, Sara foi se acomodar com seu marido à mesa.
Em silêncio eles começaram a comer cada um preso em seus pensamentos. Os de Arthur estavam no pesadelo e nas lembranças que teve. E já os de Sara se encontravam no que aconteceu nessa madrugada. Sua curiosidade acerca dessa tal Catherine a quem seu marido chamou em desespero, era grande. E não conseguindo mais conter aquele desejo de saber quem era essa menina, a morena disparou:
—Quem é essa Catherine com quem você sonhou, Arthur?
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