Notas iniciais
Gravem esse número 65. Esse será o capítulo que marcará o começo do fim desse romance do nosso casal. Mas enquanto esse capítulo não chega, temos mais um momento especial pra esse lindo e apaixonado casal. Surpresa boa!

Observando sua namorada que se encontrava adormecida ao seu lado na cama, Arthur pensou na segunda proposta de casamento que pretendia fazer à ela.

Queria muito casar com aquela mulher, mas sabia que oficialmente não daria, pois ele sequer tinha qualquer documento. Mas eles podiam casar simbolicamente, o que pra ele teria o mesmo peso e importância. O que diferenciaria seria que não teriam uma festa e nem um papel que comprovasse a união deles. Contudo, ainda assim pra ele, eles estariam casados. Na verdade, ele já se considerava casado com ela, pois eles dividiam o mesmo teto, a mesma cama e daqui à uns meses seriam uma família completa quando o bebê que ela gerava em sua barriga viesse ao mundo.

O casamento entre eles seria uma celebração de confirmação daquela união que já havia sido estabelecida entre eles desde o momento em que se conheceram.

Mas um casamento pede um par de alianças, o que naquele momento, Arthur não tinha, mas ele iria arranjar. Não ia comprar um porque não tinha dinheiro. Porém ia dar um jeito de arrumar uma aliança pra ele e outra pra sua namorada.

Eles iam casar e ele ia dar um jeito de ser amanhã!

Com isso em mente foi que o homem de olhos azuis adormeceu. Quando foi no dia seguinte, bem cedo, ele se levantou com todo o cuidado do mundo pra não despertar sua amada que dormia profundamente.

Foi ao banheiro, fez sua higiene pessoal e depois saiu do quarto na ponta dos pés.

Preparou uma linda mesa de café da manhã e depois de tomar um gole de café foi se trancafiar no escritório pra tratar de providenciar as alianças pra fazer o pedido a sua amada mais tarde.

Sara se mexeu na cama e procurou instintivamente com uma das mãos por seu amado ali. Mas ao não encontrá-lo abriu os olhos e constatou que ele não estava mais deitado ao seu lado.

—Amor??

Onde será que ele estava?

Pensou em levantar e ir descobrir isso, mas ainda estava com tanto sono que acabou desistindo e adormecendo novamente.

Enquanto isso no escritório Arthur terminava de dar os últimos ajustes com um alicate pequeno, nas alianças artesanais que havia preparado com o lacre de metal que tinha retirado de uma garrafa de vinho a qual, pegou da adega.

Assim que terminou os ajustes, ele admirou com orgulho aqueles dois aros prateados. Queria poder dar algo mais adequado a sua futura esposa, mas não tinha poder aquisitivo pra isso. E não ia usar o dinheiro dela pra tal ação. Só esperava que sua futura esposa gostasse daquilo. E se ela não quisesse usar, ele ia entendê-la e aceitar numa boa.

De repente ouviu uma batida de leve na porta e o chamado de Sara do lado de fora do escritório. Tratou de guardar numa gaveta as coisas que estavam em cima da mesa e depois foi abrir a porta para sua namorada.

—Bom dia! — Ele beijou-a.

—Bom dia! Por que trancou a porta?

—Ah, foi sem querer. Nem tinha notado que havia feito isso. — Mentiu. Havia trancado sim, pra evitar que ela entrasse ali e lhe pegasse fazendo as alianças, estragando assim a surpresa dele.

—O que faz aqui?

—Lendo! Já tomou café? Fiz uma mesa linda pra você, viu? — Ele falou tomando-a pela mão e saindo do escritório com Sara em direção à cozinha.

—Eu vi sim o que fez, amor. Mas não tô com apetite nenhum. Na verdade, eu estou é enjoada.

—Mas você tem que comer. O médico disse que precisa se alimentar em dobro por causa do bebê.

—Eu sei, Arthur. Mas às vezes, olhar pra comida ou sentir o cheiro dela, não é agradável e me tira o apetite. Sem contar, que me enjoa.

Ela sabia que seria assim até completar três meses. E já torcia pra chegar logo a esse período pra se ver livre dos enjôos. Eles estavam sendo horríveis de se lidar.

—Nem uma fruta você quer comer? Posso preparar uma rápida sala de frutas pra você então.

—Não, amor! Agradeço, mas não quero nada. Deixa passar um pouco esse enjoo e juro que como algo depois.

—Tá bem!

—Você já tomou café?

—Só um gole. Estava esperando você pra gente tomar juntos.

Ele ia aproveitar a ocasião também pra fazer o pedido de casamento logo, mas com isso dela não querer tomar café por causa desse enjoo que senti, ele viu-se adiando por alguns instantes o pedido.

—Se você tiver com fome e quiser comer, vai lá, amor. Eu fico aqui na sala te esperando.

—Nem pensar! Quero tomar café com você.

—Hum... Então vamos ficar aqui no sofá namorando um pouco enquanto esperamos o meu enjoo passar pra tomarmos café juntos. O que acha?

—Acho uma boa ideia. Adoro namorar com você no sofá.

Muitos momentos depois de tanto namoro no sofá, eles agora se encontravam degustando tardiamente, o café preparado por Arthur.

—Acho que pra mim chega. Senão vou ficar enjoada de ter comido demais.

—Você nem comeu tanto assim. Apenas bebericou um pouco de suco, mordiscou uma fatia de torrada e comeu um mamão. — Listou Arthur.

—Ah, agora vai ficar supervisionado e contando o que eu como, é?

—Sim. Você tem que se alimentar direito e dobrado. E eu vou me encarregar disso.

—Ah, não! Você não vai ficar me empurrando comida o tempo todo, não.

—Mas é para o seu bem e o do bebê. Alimentação é essencial.

—Eu sei que é, amor. Sou médica e sei bem que uma alimentação saudável e contínua, é essencial para a minha saúde e a do bebê, além do desenvolvimento dele também. Mas é que esses enjôos são horríveis. Eles meio que te privam de se alimentar direito. Ainda bem que isso dura apenas durante o primeiro trimestre de gravidez.

—Depois desse período passa?

—Passa.

—Que bom então.

—Eu que o diga!... Bem vamos arrumar aqui. Eu quero tomar um banho.

—Espera. Antes disso, eu preciso falar com você sobre uma coisa.

—O quê?

—Primeiro tenho que ir ao escritório pegar algo que deixei lá. Fica aqui. Já volto.

Ela assentiu sem sequer fazer ideia do que seu namorado queria falar com ela e o que ele foi pegar.

Da gaveta da mesa do escritório, Arthur apanhou as alianças que fez e rumou de volta a cozinha onde sua namorada o aguardava curiosa.

—Então, o que quer falar comigo?

Ele tinha ensaiado um discurso bem elaborado, bonito e cheio de palavras românticas. Mas ali diante dela, foi como se as palavras tivessem sumido do nada. Seu discurso havia evaporado. Então só lhe restou fazer o pedido de maneira direta e reta.

—Casa comigo, Sara?

Ele abriu uma das mãos que se encontrava fechada e sobre a palma dela, Sara viu duas argolas que pareciam ser alianças.

—Eu sei que não posso te oferecer um casamento oficial como você merece, porque nem documentos pra isso eu tenho, mas...

—Sim!

Ela disse simples e interrompendo a fala dele, que prosseguiu.

—...A gente pode fazer uma coisa simbólica no fim da tarde no píer e... Que foi que disse?

—Eu disse: Sim! É, claro que eu caso com você.

—Casa mesmo?

Ela assentiu com um sorriso tão largo e emocionado quanto o que via surgir nos lábios do seu amado.

Não importa se ele não podia lhe proporcionar um casamento oficial. Ela aceitava se casar com ele da forma que fosse possível e cabível a situação deles.

—Eu presumo que essas são as alianças.

—São. Eu fiz com o lacre de metal que tirei de uma garrafa de vinho.

—Ficaram uma graça.

—Se não quiser usar, eu vou entender.

—E por que eu não usaria a aliança que o meu futuro marido fez pra mim?

—Vai usar então?

—Com certeza. Pode colar no meu dedo?

—Não!

—Como não?

Ele sorriu da cara de espanto dela. Depois Arthur lhe explicou que só iriam usar isso mais tarde.

—Por que mais tarde?

—Porque é quando vamos casar. Quero que você coloque um vestido branco. Você tem um?

—Acho que sim.

—Pois bem. Você coloca o vestido e ao entardecer a gente vai ao píer e com a natureza de nossa testemunha, a gente vai casar e colocar essas alianças. Certo?

—Certo! — Ela confirmou com um sorriso. Depois se levantando de sua cadeira, foi se acomodar no colo de seu futuro marido e lhe deu um beijo.

Notas finais
Casamento à vista no capítulo que vem. Até o próximo. Um grande beijo.