Notas iniciais
O casamento! Mais um momento especial para o nosso casal e que será registrado em fotos por Arthur.

Ele já não se aguentava mais de ansiedade de vê-la aparecer. Sua namorada tinha dito que não queria que ele a visse se arrumar pra manter a tradição dos casamentos. Então, eles se arrumaram em quartos separados. E ela ainda disse que assim que ele ficasse pronto já era pra ir para o píer e ficar por lá no aguardo dela. E assim ele fazia há minutos.

Vestido com uma camisa de botões branca, uma calça caqui e com os pés desnudos, Arthur encarava a bela paisagem que tinha diante dele enquanto estava aguardando sua noiva aparecer para a 'cerimônia' deles.

Sorriu feliz, pois em instantes ia casar com a mulher da sua vida. Parecia até sonho, mas não era.

Uma olhada despretensiosa em direção à casa, a quarta que ele já dava num curto espaço de tempo, e então Arthur viu Sara apontar mais adiante no declive que lhe trazia ao píer.

Sua namorada estava linda num vestido branco, de alças finas, com comprimento até os joelhos, cabelos ao vento, maquiagem suave, os pés descalços como os dele e nas mãos trazia o pequeno buquê que ele havia lhe preparado juntando algumas flores que colheu do jardim e que deixou sobre a mesa da cozinha pra ela.

Enquanto Arthur via Sara vir a passos lentos se aproximar dele, ele tentou imaginar que ela vinha ao som da marcha nupcial. E em sua imaginação, ele conseguiu escutar os acordes da música a cada passo que Sara dava em sua direção.

Aquela mulher linda, que cuidou dele, que lhe trouxe para a casa dela sem saber ao menos quem ele era.

Aquela mulher pela qual ele se apaixonou no primeiro olhar.

Aquela mulher que ele já viveu tantos momentos lindos ao seu lado.

Aquela mulher que vai lhe dar um filho. Ela é a mulher com quem ele vai casar; é a mulher de quem ele jamais quer esquecer; é a mulher que ele tem certeza que vai estar pra sempre em seu coração, ainda que, em sua mente ela possa deixar de estar caso sua memória volte.

Ele não quer que isso aconteça, ainda mais agora, com o bebê deles a caminho.

Mais alguns poucos passos e enfim, ele a tinha diante dele com um sorriso lindo e o olhar brilhante pelas lágrimas que segurava.

Não era um evento oficial, mas não deixava de ser especial e ter seu encanto.

Não tinha convidados, pompa e nem festa, mas seria tão inesquecível quanto se tivesse tudo isso.

Não havia padre para dar sua benção, mas tinha Deus lá no céu alaranjado de fim de tarde, dando, certamente, sua benção àquela união.

Podia não ter NADA, mas ao mesmo tempo tinha TUDO!

Tinha o amor, a emoção, a alegria, a felicidade e a certeza de que se o destino não aprontasse com eles, que àquela união ali seria PRA SEMPRE!

—Você ficou linda! — Ele expressou com um sorriso nos lábios.

—Você também. — Ela tocou carinhosamente seu rosto com uma das mãos e ganhou um beijo na palma da mesma, quando Arthur virou o rosto na direção de sua mão, justamente, pra beijá-la.

—Bem... — Arthur pronunciou. _... Não temos um padre para celebrar a nossa união e nem fazer o discurso dele, então... Vamos partir logo para a troca das alianças, tudo bem?

—Ok! — Sara concordou com um sorriso.

Ela mal podia acreditar que aquele momento estivesse acontecendo. Parecia mais um lindo sonho. Na verdade, tudo o que ela vivia com Arthur desde que o conheceu parecia um constante sonho. Mas sabia que aquilo não tinha nada de sonho, muito pelo contrário, era real. Muito real! E só de imaginar que toda essa sua história com Arthur podia deixar de existir caso seu futuro marido recuperasse a memória, já lhe afligia e deixava temerosa. Mas ela tinha fé que ele não esqueceria dela. Ele não podia esquecê-la, não agora que ela carregava um filho seu e ia se tornar sua esposa!

Arthur tirou do bolso de sua calça as alianças que ele próprio fez e pegando a menor, tomou a mão esquerda de Sara nas suas e começou a lhe dizer enquanto ia deslizando pelo dedo anelar dela, as seguintes palavras:

—Eu, Arthur... Recebo, você, Sara por minha esposa, e te prometo ser fiel,
amar-te e respeitar-te... Na alegria e na tristeza... Na saúde e na doença... Todos os dias das nossas vidas.

Ao final de suas palavras que ele havia memorizado de um livro que leu, o qual os personagens se casavam, Arthur beijou a mão esquerda de sua agora esposa, bem em cima da aliança que ele lhe colocou, a qual coube com perfeição em seu dedo.

Depois foi a vez de Sara pegar da mão de Arthur a aliança dele e repetir o ritual que seu marido fez, e suas palavras.

—Eu, Sara... Recebo, você, Arthur por meu amado esposo, e te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te... Na alegria e na tristeza... Na saúde e na doença... Todos os dias das nossas vidas até o último.

E assim como ele beijou a mão dela ao fim de sua palavras, Sara também repetiu o gesto de Arthur.

—Estamos casados a partir de agora! — Sara comentou sorrindo.

—Estamos! E eu juro, Sara, que é pra toda a eternidade o compromisso que acabamos de firmar aqui nesse lugar, diante dessa paisagem linda e com essa natureza de nossa testemunha. — Arthur murmurou colando sua testa a de sua esposa. _Te amo, agora e sempre... Meu amor... Minha esposa!

Emocionada, Sara já não mais conseguia segurar suas lágrimas e estas já escorriam por seu rosto. Aquele homem havia se tornado tudo pra ela. Assim como, sentia ser tudo pra ele.

E só de pensar na hipótese de que a qualquer momento, aquele conto de fadas deles poderia acabar, Sara ficava apavorada. Ela tinha tanto medo. Medo de perdê-lo. E medo de deixar de ser tudo à ele, pra se tornar nada, quando ele esquecesse dela.

Melhor não pensar nisso. O momento era inoportuno demais pra esse tipo de pensamento e medo.

—Eu também te amo, Arthur... Agora e pra sempre! Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida!... Eu não posso mais imaginar passar um momento a mais que seja da minha vida sem você, amor.

—Nem eu sem você, Sara! — Ele admitiu antes de tomar a boca dela em um beijo que selava aquela simbólica celebração do enlace matrimonial deles.

Depois do beijo demorado deles terminar, Arthur apanhou do chão amadeirado do píer a câmera fotográfica e registrou o momento deles. Seus rostos felizes, trocando um beijo, as mãos com as alianças que ele fez e mais alguns cliques pra eternizar naquelas fotografias aquele dia especial deles.

—Agora, temos que brindar lá dentro ao nosso casamento e depois ainda temos uma noite de núpcias pela frente. Vamos? — Arthur propôs tomando a mão de Sara na sua.

—Vamos agora mesmo!

Eles seguiram pra casa e já na cozinha brindaram com suco, pois Sara não podia tomar nada alcoólico por causa da gravidez. Depois do brinde teve mais algumas fotos que Arthur tirou deles pra guardar como mais lembranças desse dia. Em seguida, Arthur anunciou que era hora deles 'celebrarem' com uma noite de amor o casamento deles.

E com a esposa em seus braços como rege a tradição, Arthur os conduziu para o quarto deles em meios a risos do casal por conta dele estar levando-a no colo.

Chegando ao quarto, o homem de olhos azuis depositou com delicadeza sua esposa na cama. E naquela cama, entre lençóis de cetim, eles 'celebraram' o casamentos deles fazendo amor de maneira lenta e apaixonadamente. Com beijos suaves, toques delicados, palavras de amor sussurradas e regidos pelo mais puro e límpido sentimento de amor que nutriam um pelo outro.

Notas finais
Aí, gente, confesso pra vocês que tô com o coração apertado pela "tempestade" que essa história de amor vai enfrentar em breve. Tempos difíceis se aproximam cada vez mais. Beijos e até breve.