Another Life
54 Chapter 54
Notas iniciais
Já havia escurecido, a chuva tinha amenizado apenas um pouco, mas ainda caia lá fora. Alguns trovões vez ou outra ressoavam e faziam vibrar o chão amadeirado escondido sob o tapete macio onde Sara e Arthur se encontravam acomodados conversando de frente pra lareira, enquanto degustavam um licor de mental, o qual Sara havia pego no escritório uns bons minutos atrás após terem terminado o jantar.
—Isso é bom mesmo. — Arthur apontou seu copo com o líquido verde.
—Eu disse que era.
Ele havia relutado no começo em experimentar o licor, achando que fosse 'ardido' demais. Mas agora não parava de beber o licor.
—Você procurou saber quem morava aqui antes? Que tipo de pessoa era?
Arthur inquiriu levando seu pequeno copo com o licor à boca e solvendo uma generosa quantidade do líquido.
—Não me preocupei com isso.
—Acho que quem morava aqui era alguém solitário. Talvez, um homem!
—Por que acha isso?
—Sei lá. Apenas acho!
Ele sorriu lançando um olhar cheio de carinho pra sua namorada acomodada ao seu lado.
Ela tocou seu rosto com delicadeza fazendo-o fechar os olhos e sorrir mais abertamente.
—Gosto tanto do seu toque. — Ele confessou. _Assim como também gosto do sabor do seu beijo. Do seu perfume. Ah, e de tudo mais em você, sabia?
Ele abriu seus olhos e encontrou outros lhe fitando de maneira tão apaixonada quanto era a forma com a qual ele fitava a dona daquele par de olhos castanhos.
Ela aproximou seu rosto do dele e logo suas bocas já estavam unidas num beijo, que prontamente fora interrompido de maneira abrupta pelo estrondo alto de outro trovão. E depois de se recuperarem do susto pelo barulho, o casal acabou se rendendo ao riso.
—Esse trovão me assustou de verdade!
Arthur comentou com um já discreto sorriso enfeitando seus lábios.
—Quanto a mim nem preciso dizer nada. — Sara ressaltou depositando seu pequeno copo sobre a mesa de centro que havia sido empurrada por Arthur para o lado pra que desse modo, Sara e ele pudessem ficar com suas pernas esticadas enquanto estivessem sentado no chão, com as costas repousando sobre o sofá. _Sabe o que me deu vontade de fazer agora?
—Não. O quê? — Arthur deslizou uma das mãos pelos cabelos da namorada. Adorava fazer aquilo e pelo que via, ela também adorava que ele lhe fizesse aquilo.
—Dançar com você.
—Dançar?
—É!
A última vez que havia dançado com um homem tinha sido há quase um ano e meio. A ocasião tinha sido a festa de aniversário de uma colega sua de trabalho. O 'parceiro' de dança na ocasião fora um primo de sua amiga, que ficou lhe paquerando a festa toda depois da dança.
—Só se for uma música lenta.
—E que tipo de música você acha que iríamos dançar?
Ela piscou pra seu namorado e se levantou do chão. Sob o olhar carinhoso de Arthur, Sara foi em direção a estande onde ficava o aparelho de som. Ligou-o. Em seguida procurou a estação de rádio onde só tocavam músicas românticas, a qual em suas noites solitárias ali, ela costumava ouvir com constante frequência.
Em questão de poucos segundos, a jovem encontrou a estação e pelas caixas acústicas do aparelho de som começou a sair a voz de The Righteous Brothers cantando os primeiros versos de Unchained Melody, enchendo assim, de maneira suave, o ambiente ali.
—Me concede a honra dessa dança, nobre cavalheiro?
Sara estendeu a mão a Arthur com um sorriso nos lábios. O sorriso que ele já amava tanto quanto amava tudo naquela jovem com quem ele vinha construindo uma linda história de amor e vivendo momentos tão especiais.
—Com todo o prazer do mundo, eu lhe concedo essa honra, gentil e linda senhorita.
Ele afirmou igualmente sorrindo como ela estava. Depois aceitando a mão lhe estendida, Arthur levantou-se do chão.
Já de pé, o homem de olhos azuis abraçou sua namorada pela cintura com um de seus braços e segurou em uma de suas mãos, entrelaçando seus dedos e depositando ambas as mãos unidas, bem sobre seu coração.
Sara então repousou sua cabeça no ombro de Arthur. E descalços, sentindo sob a palma dos pés a maciez do tapete, o casal se deixou embalar pela melodia e começou a dançar bem devagar e de olhos fechados, a canção que tomava conta do ambiente.
A música... A voz do cantor... A melodia da canção... Pareciam envolver Arthur e Sara de tal maneira, que era como se naquele momento, eles estivessem reclusos em outro mundo fora da realidade enquanto dançavam.
A cena era linda.
Um casal apaixonado perdido em seu próprio mundo particular, dançando bem juntinho na sala. Sala essa, cuja iluminação vinha somente da lareira. E lá fora, a chuva seguia caindo, porém cada vez mais amena.
—Você dança bem! — Sara murmurou ao seu namorado.
Os lábios dele se espicharam em um sorriso lindo.
—Você também! — Arthur beijou o topo da cabeça de Sara.
O perfume gostoso vindo dos cabelos dela agraciaram seu olfato de maneira a inebriá-lo e intorpecê-lo.
Da mesma forma, o perfume dele estava inebriando e entorpecendo Sara enquanto ela e seu namorado se moviam a passos lentos ao som daquela música tão bonita, que ouví-la era mais ou menos como sentir com os ouvidos e enxergar com o coração!
—Eu te amo!
Ela sorriu enternecida com aquelas palavras dele. Era sempre uma emoção sem tamanho e nem proporção ouvi-lo lhe dirigir aquelas palavras. Uma emoção que ninguém lhe fez sentir.
Se sentia especial com ele e pra ele. Do mesmo modo, que ele era especial com ela e pra ela.
Levantando a cabeça do ombro de seu namorado, Sara encarou Arthur. Sua mão livre que estava repousando no ombro dele, veio de encontro ao seu rosto.
—Eu também te amo!... Agora e sempre! — Sara lhe sussurrou deslizando a mão pelo rosto do namorado.
Arthur juntou suas testa e seguindo os passos no ritmo lento da canção, o homem de olhos azuis apertou sua namorada em seus braços. Depois procurou sua boca com doçura e delicadeza, num beijo demorado.
—Acredito que fomos feitos um pro outro, sabia?
De olhos fechados Sara murmurou isso após o beijo entre seu namorado e ela terminar.
—Eu também acredito nisso!
Tão logo pronunciou tais palavras, Arthur mais uma vez buscou a boca de sua namorada. Porém, agora, foi com desespero e paixão. A mesma paixão que os acompanhava junto com o amor que nutriam um pelo outro.
A mão de Arthur que segurava a de Sara, abandonou-a pra segurar sua nuca enquanto se beijavam.
Como ele amava aquela mulher! Ela se tornou a dona absoluta de seu coração e pensamentos!
E por já amá-la tanto, que às vezes ele sentia medo de magoá-la, feri-la quando sabe lá Deus sua memória voltar. Se ela voltar!
Ele não queria que ela voltasse.
Não queria ser outra pessoa.
Queria ser Arthur pra sempre. E viver pra sempre com a mulher em seus braços. Construir uma família com ela. Envelhecer com ela. E passar cada instante do resto da sua vida ao lado dela, naquela casa que se tornou sua e dela.
A casa deles!
O amor deles!
A história deles!
Nada daquilo podia ser perdido ou esquecido. E ele torcia pra isso.
O beijo deles ganhou proporções maiores e desencadeou o desejo de ir mais além dos beijos.
As mãos de Sara deslizaram pelas costas fortes de Arthur, por cima do tecido da camisa de algodão que ele usava.
O toque dela fez cada parte do corpo de Arthur pedir com urgência pelo dela e por aquela mulher maravilhosa que era sua namorada. Ele precisava levá-la para a cama e amá-la até seus corpos se sentiram saciados e felizes.
Aquela mulher era tudo que ele precisava! E seu amor também!
—Vamos pro quarto? Quero fazer amor com você, Sara! — Ele confessou interrompendo o beijo deles e guardando o rosto de Sara entre suas mãos.
A proposta dele era tentadora, mas ela teve uma ideia melhor.
—Por que não fazemos aqui na sala?... Sob o tapete? Ele é macio.
Arthur sorriu.
—Você quer aqui?
—Quero!
—Ok! Seus desejos e suas vontades são uma ordem pra mim, honey. — Ele salpicou um beijo em seus lábios. _Vou então no quarto só buscar um preservativo pra gente.
Diante dessas palavras de Arthur, Sara viu a oportunidade mais que perfeita de comunicar ao namorado sobre sua decisão.
—Não, Arthur. Espera. — Ela o deteve quando ele fez menção de se virar pra se afastar dela e seguir as escadas. _Você não vai buscar preservativo nenhum, amor.
—Não?
—Não!... Arthur... — Antes de prosseguir, Sara segurou em suas mãos e entrelaçou seus dedos aos dele. Só então depois disso, comunicou sua decisão ao namorado: _A partir de hoje a gente não vai mais usar preservativos, porque... eu quero te dar um filho!
Feito uma cena de filme em slow motion, Sara viu ir surgindo no rosto de seu namorado um lindo e magnífico sorriso de pura alegria e felicidade, motivado pelo o que ela acabou de lhe revelar.
Por dentro a morena chegou a se comover com aquela reação dele diante do que disse e agradeceu internamente as sábias palavras de Lucy, que tiveram o poder de lhe fazer mudar de ideia e tomar logo aquela decisão.
—Você está falando sério, Sara?
—Muito!
Ele a abraçou apertado em seus braços e beijou sua boca por algumas vezes em total alegria. Um filho com ela era algo que ele desejava desde o momento que externou aquilo a sua namorada.
—Não faz ideia do quanto essa sua decisão me deixou feliz, honey.
Ela sorriu. Vê-lo feliz com aquela sua decisão, não tinha preço. Era algo tão lindo. Ele era lindo! O homem mais lindo que existia. E o que ela pudesse fazer pra ele ser feliz ao seu lado, ela faria.
—Eu faço ideia sim. Tô vendo nos seus olhos essa felicidade toda.
Os olhos deles pareciam estrela de tão brilhantes. Eles refletiam uma felicidade única e límpida.
Ele sorriu.
Ela sorriu.
Depois eles se beijaram demoradamente.
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