Enquanto terminava de preparar o café naquela manhã, Sara decidiu que não contaria ainda à Arthur sobre sua decisão de tentarem um bebê, a qual tinha tomado ontem. Esperaria o momento apropriado pra lhe contar isso e esse momento não era aquele AINDA.

Queria só ver a reação de Arthur quando lhe contasse que eles podiam tentar um herdeiro. Não mais preservativos pra impedirem aquele desejo dele que acabou se tornando o dela também, de virar real.

E se fosse do destino deles vir esse bebê, que viesse e ela ficaria imensamente feliz por Arthur, ela e aquele bebê que seria muito amado.

—Bom dia!

Sara se virou pra encontrar seu namorado entrando na cozinha e vindo em sua direção com passos estranhos, cara de sono, cabelos desarrumados e usando apenas o short de seda do pijama.

—Bom dia! — Ela lhe saudou antes de trocar um rápido beijo com seu namorado, sentindo o gosto de menta do creme dental na boca dele. Depois, não resistiu em lhe questionar: _O que houve? Por que está andando assim que nem um robô?

Encostando sua testa na dela, ele contou:

—Me danei tanto a carregar os meninos ontem que hoje meu corpo todo, principalmente as costas e ombros, estão doendo. Parece que levei uma surra, honey. — Ele contou fazendo uma careta engraçada que fez sua namorada sorrir e depois sentir dó de Arthur.

Pudera seu namorado ter acordado daquele jeito, o tanto que ele se esbaldou na piscina com Lewis e Doug, e carregou os meninos em suas costas e nos ombros por inúmeras vezes, que era de se supor que acordasse 'quebrado' daquele jeito.

—Se quiser te faço uma massagem depois pra ver se melhora um pouco.

—Vou querer com certeza absoluta.

—Então vamos tomar café e depois eu faço a massagem em você. Vem!

Ela o tomou pela mão e eles se acomodaram à mesa pra desfrutarem do café da manhã preparado por Sara.

—Não se cortou, queimou ou quebrou algo enquanto preparava o café né?

—Não seu engraçadinho!

Ele riu.

E enquanto começaram a degustar o que havia à mesa, Arthur comentou com sua namorada sobre o dia de ontem. O quão divertido foi apesar de hoje sentir pelo corpo o resultado nada divertido das brincadeiras de ontem na piscina.

Em nenhum momento nem um dos dois tocou no que Arthur disse a Sara na piscina. O homem de olhos azuis esperava que fosse sua namorada a primeira a lhe abordar a respeito daquilo e como ela não o fez, ele resolveu não tocar no assunto. E ficou por isso mesmo! Pra frustração de Arthur.

Terminado o café algum tempo depois, eles arrumaram a mesa e subiram ao quarto pra que Sara fizesse a massagem em Arthur.

Quinze minutos de massagem foram o bastante pra Sara ver seu namorado cair no sono. Ela ainda ficou massageando por mais alguns minutos suas costas e seus ombros que ele havia lhe reclamado antes de pegar no sono, que era o que doía bem mais, e depois com cuidado saiu de cima dele e deixou-o dormindo sozinho no quarto.

Lá pelas onze da manhã, ela viu Arthur aparecer de banho tomado, na porta do escritório onde ela se encontrava lendo um romance dos muitos que havia na biblioteca de sua casa.

Fazia tempo que não se prestava a ficar no escritório se perdendo na leitura de um dos romances, que ela tinha aos montes.

Desde que Arthur entrara em sua vida e viera viver com ela naquela casa, e que posteriormente iniciaram aquele romance de conto de fadas, que Sara não mais tinha se reservado um tempo que fosse pra ler seus livros, que outrora eram seus companheiros fiéis e que agora, ela não mais os pegava com a frequência diária com a qual costumava fazer há pouco mais de um mês, por culpa de seu namorado.

Arthur tomava sua atenção, o que ela não reclamava de forma alguma. Ele ali, tomando sua atenção as 24hs do dia, os setes dias da semana, era a melhor coisa pra ela.

Sua vida solitária naquela casa parecia algo acontecido em outra vida e não, algo que fazia pouco mais de um mês que tinha deixado de existir.

Estar com Arthur, ou melhor, tê-lo em sua vida, fazia um bem tão grande. Sara já nem conseguiu mais lembrar como era a vida sem aquele homem incrivelmente irresistível.

—Ei! Te procurei pela casa toda.

Havia um sorriso discreto em seus lábios que fez Sara sorrir também.

Arthur já havia procurado sua namorada em quase todos o cômodos da casa. O último cômodo que faltava era aquele em que eles se encontravam.

—Melhorou?

Sara depositou o livro sobre a mesa e levantou-se da cadeira que se encontrava pra ir até seu namorado, que vinha de encontro a onde ela estava.

—Sim. Obrigado! Você tem mãos de fada, honey.

Ela sorriu e ele lhe deu um beijo nos lábios tão logo se encontravam próximos o suficiente pra tal ação.

—Que bom que pude ajudar então.

Suas mãos delicadas se enroscarem carinhosamente por seus cabelos, enquanto Arthur passava seus braços em torno da cintura dela.

—Ajudou e eu quero retribuir o carinho preparando um almoço especial pra namorada mais especial que existe nesse mundo inteiro. — Ele apertou levemente seus braços em torno de sua namorada. Viu outro sorriso surgir nos lábios dela.

Pra Sara o especial ali era Arthur com aquele carinho e amor todo que ele sempre fazia questão de deixar o mais explícito possível à ela.

Jamais um homem foi assim com ela!

Se bem que ela não teve tantos assim pra isso.

—Você que é um namorado especial. E não precisa fazer almoço especial algum pra retribuir nada, amor.

—Mas eu quero! — Ele teimou. Ela não sabia, mas seu desejo mais secreto era sempre enchê-la de carinho e mimos, talvez numa ilusória esperança ou preocupação mesmo, de alguma maneira, já começar a compensá-la por uma tristeza futura de eventualmente esquecer dela quando, quem sabe, recuperasse a memória e lembrasse quem de fato ele era. _Ou será que eu não posso encher de cuidados a minha namorada, como ela faz comigo?

—Pode, sim! — Ela concordou com um sorriso enquanto seu polegar desenhava os lábios perfeitos e deliciosos do homem que ela amava mais que a si mesma.

—Ótimo. — Ele beijou o dedo dela que ainda deslizava por seus lábios em uma carícia deliciosa. _Agora, você vem comigo pra cozinha pra me ver preparar o almoço. Gosto de cozinhar com você me olhando. Vem!

Eles seguiram abraçados até a cozinha.

...

Após um relâmpago alto ter interrompido o beijo que Arthur e Sara trocavam no sofá, eles viram através da janela de vidro, o céu nublado daquele finalzinho de tarde.

—Nossa, pelo visto vai ser uma noite fria e chuvosa.

—É! — Arthur concordou ainda encarando a janela e vendo lá fora o céu acinzentado. Viria muita chuva em breve. _Quer saber? Vou ver se tem lenha pra gente acender a lareira. Vai ser bom pra amenizar o frio!

—Eu posso fazer isso. — Sara provocou o namorado.

—Negativo, senhorita. Eu já estou ótimo pra tal tarefa. Você fica aqui deitadinha me esperando.

Arthur deu um beijo na testa de Sara, depois se levantou de cima de sua namorada e saiu do sofá sob o olhar atento da morena.

Coisa de meia hora depois, quando Arthur já tinha voltado pra dentro de casa com as lenhas e acendia a lareira, a chuva começou a cair imediatamente forte. O som dela batendo no telhado era um tanto assustador. E lá fora muito vento e água caindo.

—Que temporal! — Arthur comentou indo até Sara e abraçando por trás sua namorada que observava pela janela de vidro, a chuva que caia lá fora.

—Fazia tempo que não chovia assim.

O som de um trovão alto fez Sara encolher os ombros e segurar firme o braço de Arthur que estava repousando em torno de sua cintura.

—É impressão minha ou você tem medo de trovão?

Ela virou o rosto de lado, de modo que Arthur e ela pudessem se ver melhor.

—Se eu disser que "sim", você vai me achar uma ridícula?

—Claro que não, honey. — Ele beijou seu rosto e apertou só mais um pouco seus braços em torno da cintura dela, trazendo seus corpos a um contato maior ainda.

—Desde pequena eu tenho pavor de trovões e tempestades assim. A última vez que caiu um temporal desse aqui, eu passei a noite sozinha e em claro. Era tanto trovão que eu não consegui dormir enquanto a chuva não passou. Algo que só foi ocorrer lá pelas quatro, quase cinco da manhã. — Sara lhe confidenciou, acariciando com a ponta dos dedos o braço que Arthur mantinha preso em torno de sua cintura.

—Bom... Dessa vez, você não está sozinha. Eu tô aqui e vou estar sempre pra te proteger.

Será?, Ela quase deixou essa palavra fugir por seus lábios, mas conseguiu segurá-la há tempo dentro da boca.

Tinha se prometido não pensar e não se imputar dúvidas acerca do futuro de sua relação com Arthur.

O que tiver de ser, será!

Era seu mantra e ela acatou isso no primeiro momento em que impôs essas palavras dentro de sua cabeça. Ou do contrário, não viveria sua relação com Arthur como estava vivendo.

O medo de perdê-lo a qualquer momento ou instante, se ele recuperasse a memória, era grande. Mas ela não podia se ver refém desse medo. E estava conseguindo isso. Mas algumas vezes era impossível não deixar aquele medo vir lhe assombrar.

—Não vai me dizer nada?

Arthur esperou que sua namorada fosse lhe dizer algo depois do que ele lhe disse, mas o silêncio dela o pegou de surpresa.

Ele então a viu se virar em seus braços sem desfaz o contato entre eles, e depois jogar seus braços em torno de seu pescoço.

—Vou te dizer que... Eu tô morrendo de fome!

Ela apertou os lábios reprimindo um sorriso divertido. Seu namorado inevitavelmente a imitou. Depois fingindo uma falsa incredulidade, indagou Sara:

—Só isso?

—Não. Também vou dizer que... eu te amo. Se bem que acho que isso não é preciso dizer. Você sabe que eu te amo mesmo, não é?

—Sei, mas é sempre bom ouvir isso. Gosto de ouvir que me ama. Assim como gosto de te dizer que... Eu também te amo... — Ele beijou seu rosto em cada lado da face. _... Sou completamente louco por você... — Agora beijou a ponta de seu nariz fazendo Sara sorrir. _... Não me imagino sem você um instante sequer... — Beijou seu queixo. _... E quero você comigo agora e sempre. — Por fim beijou seus lábios, não dando qualquer oportunidade a sua namorada de lhe dizer alguma coisa que fosse em retribuição ao que ouviu dele.

Talvez aquele fosse o momento de contar a ele sobre a decisão de tentarem o bebê. Mas Sara não fez isso após o beijo deles terminar alguns poucos segundos depois de ter se iniciado. Não sabia o porquê de protelar isso, mas apesar de parecer o momento apropriado, ela ainda não sentia como se fosse o certo.

—Eu não sei o que dizer depois dessa enxurrada de palavras bonitas que me disse.

—Não precisa. Só de ter dito que me ama já vale demais!... E quanto a sua fome... Vamos resolver isso agora com um jantar. Vou esquentar o que sobrou do almoço e a gente janta aqui na sala, o que você acha?

—Perfeito!

Notas finais
No próximo Sara vai contar à Arthur sobre tentarem o bebê. Um beijo e até breve.