Notas iniciais
Talvez não dei pra eu postar amanhã como era da minha vontade, então resolvi antecipar. Uma pequena surpresa nesse capítulo. E tem a ver com o nome que Sara escolherá pra chamar nosso desmemoriado Grissom.

O hospital mais próximo ficava localizado numa cidade vizinha, há quase duas horas de onde Sara havia encontrado o homem desconhecido. O caminho até chegar ao hospital seria longo e a jovem pisou fundo no acelerador pra que conseguissem chegar mais rápido ao destino. Durante o trajeto, ela ouvia o sujeito desconhecido constantemente gemer e reclamar de fortes dores na costela e na cabeça. A jovem tentou lhe passar calma e confiança dizendo que ele ia ficar bem assim que recebesse os devidos cuidados. Sara não parava um instante de falar com o desconhecido pra evitar que ele perdesse os sentidos e desmaiasse. Aquilo não seria nada bom se acontecesse!

—Você não consegue mesmo lembrar nada a seu respeito?

—Não! — Ele respondeu num fio de voz.

Sara achava que ele havia perdido a memória. A jovem só esperava que fosse uma perda temporária, para que logo ele se lembrasse das coisas e sua família fosse informada do ocorrido.

—Eu não sei se vou agüentar.

—Ei... agüenta, por favor! — Ela pedia desesperada enquanto buscava sua mão pra segurá-la. Agradeceu o fato de seu carro ser automático pra não necessitar largar a mão daquele homem a fim de passar a marcha no veículo.

Novamente, o sujeito gemeu e ela temeu por ele. Aquilo parecia um pesadelo. Ela sentia como se estivesse revivendo a agonia que passara há um ano com seu pai.

—Sara!! Meus olhos estão pesando, querendo fechar.

—Tenta mantê-los abertos. Não dorme. Conversa comigo!

—Eu tô sentindo muita dor.

—Aguda ou leve?

Ela foi mantendo a conversa com ele enquanto dirigia a toda velocidade. Durante o percurso, ele foi respondendo as diversas perguntas que ela ia lhe fazendo a todo instante na intenção dele não sucumbir a vontade de fechar os olhos. Ela também falava sobre ela pra mantê-lo sempre acordado. E aquilo funcionou! Ele manteve-se com certa dificuldade acordado o trajeto todo.

Uma hora e meia depois, Sara estacionava em frente ao pequeno e simplório hospital da cidadezinha de Desmond.

—Chegamos! — Ela avisou ao homem. E desceu do veículo imediatamente.

Momentos depois, ela adentrava o hospital amparando o sujeito.

—Por favor, ele precisa urgentemente ser atendido. Sofreu um acidente.

Dois enfermeiros imediatamente pegaram o homem e o colocaram numa maca que uma médica trouxera.

—Senhora aguarde aqui enquanto o atendemos. Logo venho lhe trazer notícias dele.

Sara assentiu. Sabia bem os procedimentos que aquele homem seria submetido.

—Ela não pode vir comigo? — O homem na maca encarou com dificuldades a médica. Ele não queria se afastar do seu "anjo da guarda".

—Infelizmente não, senhor. Vamos levá-lo rapazes.

—Esperem! — Ele pediu. _Sara, eu vou te ver depois, não vou? — O sujeito agarrou a mão da moça que lhe encontrou e ajudou.

A vontade dela era ir embora daquele lugar que não lhe trazia boas lembranças. Hospitais passaram a lhe dar calafrios e estar em um agora lhe agoniava. Só que apesar disso, Sara decidiu ficar ali. Ela não soube porquê razão, mas foi incapaz de se afastar daquele desconhecido que suplicava com os olhos pra que ela não fosse.

—Sim, você vai ver!

Ele foi levado hospital adentro pra fazer os devidos exames e receber todos os cuidados necessários.

...

Amanda chegou a casa do noivo pra buscá-lo e encontrou a cunhada muito nervosa.

—Oi, Cath! Aconteceu alguma coisa?

—Gil ainda não chegou! E ele me ligou ontem à noite depois do jantar com os investidores, avisando que já estava vindo pra casa, mas até agora não apareceu.

—Cath vai ver ele desistiu e parou em algum lugar. Ontem a noite choveu muito. Você já ligou pra ele?

—Inúmeras vezes, Amanda! Só dá caixa postal. Eu não tô com um bom pressentimento.

—Calma, Cath! Assim você tá me deixando nervosa também.

Enquanto ouvia a noiva do irmão lhe falar, Catherine tentava mais uma vez contactar Grissom pelo celular.

"O número que você ligou encontra-se desligado ou fora da área de cobertura!"

Outra vez aquela maldita mensagem que só fazia aumentar a sua aflição e preocupação. Seu irmão dificilmente deixava o celular desligado e quando acontecia algum imprevisto que lhe fazia dormir fora de casa, ele sempre ligava, avisava. Grissom não era de sumir e não dar notícias.

—Droga, Gil! Onde você se enfiou, meu irmão?!

...

Cerca de quarenta minutos depois de esperar, a mesma médica que levou o homem pra ser atendido, retornava pra falar com Sara.

—E então, doutora, como ele está?

—Melhor do que quando chegou. Fizemos uma bateria de exames e detectamos que ele tinha três costelas fraturas. Já o medicamos.

—Ele sentia dores na cabeça. Vocês checaram isso? — Lembrou Sara.

—Checamos também e não acusou lesão alguma, apenas um pequeno inchaço muito em decorrência de uma batida na cabeça. O corte no rosto foi profundo, mas não danoso. Levou sete pontos. Ele aparentava ter perdido muito sangue, então está tomando sangue agora.

—Eu posso vê-lo?

Ela pediu não querendo mais saber dos procedimentos feitos. O mais importante já sabia, o homem desconhecido estava bem e vivo!

—Claro! Ele também não pára de chamá-la. Venha comigo!

Sara seguiu a médica até a enfermaria do hospital. Lá encontrou o homem acordado e acomodado em uma maca, com uma bandagem no lado direito do rosto onde ficava seu machucado, o abdômen todo enfaixado e num dos braços um cateter por onde recebia sangue, como a médica tinha informado Sara.

—Aqui está a sua esposa como lhe prometi.

Sara olhou pra médica e já ia lhe dizer que não era esposa daquele homem, mas apareceu uma enfermeira chamando-a pra atender rapidamente outro paciente que dera entrada no hospital.

—Tenho que ir. Daqui a pouco uma enfermeira vem pegar os dados do seu marido pra preencher a ficha dele. Mais tarde, venho lhe ver, senhor.

A mulher saiu deixando Sara e o desconhecido sozinhos.

—Ela acha que somos casados! — Sara mencionou meio sem jeito com aquela confusão da médica.

—Desculpa, mas eu disse isso a ela.

Sara olhou intrigada para o sujeito.

—Por que?

—Porque eu não quis dizer à ela que somos meros desconhecidos. Espero que não tenha problema pra você. — Ele falou fechando os olhos. _ Eu não sei o que me deram, mas estou ficando com sono.

—Deve ter sido algum calmante ou somente efeito dos analgésicos que certamente lhe deram. Dorme que vai ser bom pra você.

A jovem viu o homem abrir os olhos e lhe encarar de um jeito que inexplicavelmente fez seu coração acelerar como jamais havia acontecido antes.

—Obrigado! Você salvou a minha vida! Não sei o que seria de mim se você não tivesse naquele lugar pra me socorrer.

Como ela gostaria que o mesmo tivesse acontecido a seu pai e ele sobrevivido como aquele homem. Se bem que o caso de seu pai tinha sido mais grave.

Mas foi bom pra ela ajudar aquele homem e vê-lo ficar bem. Salvar sua vida foi como resgatar um pouco de VIDA nela mesma!

—Não precisa agradecer. Eu só fiz o que qualquer pessoa no meu lugar faria se tivesse numa situação dessas.

—Você é meu anjo da guarda! — Ele esboçou um tímido sorriso a linda jovem. Depois lhe estendendo à mão, ele completou: _É a única pessoa em quem confio agora! Quero muito te encontrar aqui quando eu acordar. Será que isso é possível, Sara?

Um pedido como aquele feito daquela forma tão doce, foi impossível pra Sara negar ao sujeito desconhecido. Ela até podia não conhecê-lo, mas inexplicavelmente sentia uma forte ligação com ele. Como se eles não fossem tão desconhecidos assim!

—Eu vou estar bem aqui quando você acordar! — Ela afirmou, segurando com timidez a mão dele que estava estendida pra ela.

Ele não proferiu mais qualquer palavra, apenas fechou os olhos e dormiu, segurando a mão de seu "anjo da guarda". Sua vontade era de não se separar mais da única pessoa que ele confiava no momento.

Sara ficou apenas observando aquele homem adormecido, que segurava a sua mão.

Ela sentia que ele parecia visivelmente não quer ficar longe dela. E ela também, de certa forma, não queria mais se afastar dele.

—Com licença! — Sara viu uma enfermeira se aproximar. _Ele dormiu?

—Sim! — A jovem confirmou, desfazendo o contato da sua mão com a do "marido". _Vocês deram calmantes à ele?

—Não! Isso foi efeito dos analgésicos.

A enfermeira contou logo em seguida, que veio pra pegar os dados do paciente a fim de fazer a ficha dele. Ela explicou que eles tentaram pegar os dados com o homem enquanto o atendiam, mas ele estava tão desorientado pelo acidente que não soube passar os próprios dados.

—Como ele se chama?

A experiente enfermeira encarou Sara esperando por sua resposta pra preencher a ficha em branca presa a prancheta em suas mãos.

Sara engoliu em seco. E agora? O que diria? Não conhecia aquele homem. Não fazia a menor idéia de quem ele era ou como se chamava.

Talvez o certo fosse ela contar a verdade aquela mulher, que aquele homem era um desconhecido que havia encontrado a margem de um rio. Mas por que dizer o certo lhe pareceu tão ERRADO?

—Senhora o nome! — Insistiu a mulher.

"Hoje às 22 horas no Telecine temos a reprise do filme 'Rei Arthur' com Clive Owen. Não perca!"

—Arthur! O nome dele é Arthur. — Sara respondeu imediatamente após ouvir o comercial na televisão que estava ligada na enfermaria pra distrair os pacientes e seus acompanhantes.

Aquele nome parecia combinar perfeitamente com aquele desconhecido!

—Arthur de quê?

"Aqui está a sua esposa, como lhe prometi."

(...)

"Ela acha que somos casados"

"Desculpa, mas eu disse isso a ela."

—Arthur Sidle. Ele é meu marido.

Ela não tinha a menor ideia da razão pela qual dava continuidade àquela mentira, mas algo lhe dizia que era isso que o homem adormecido gostaria que ela fizesse.

—A idade dele, por favor.

Sara olhou bem para o homem e pelas rugas de expressões e alguns visíveis fios já grissalhos que ele apresentava, possivelmente ele tinha mais de 40. Talvez não muito também!

—43! — Ela achou que aquela idade cabia bem pra ele. Nem tão velho, nem tão novo!

A jovem morena viu a enfermeira olhar para o homem adormecido e logo em seguida, lhe encarar com certo espanto. Talvez aquela mulher mais velha tenha achado que ela fosse jovem demais para aquele sujeito mais velho.

—Data de nascimento dele. — A enfermeira indagou depois de um breve instante de silêncio.

Sara deu a data daquele dia. O dia em que encontrou aquele desconhecido que ela chamou de Arthur e que para todos ali, era seu marido.

—Nossa que aniversário seu marido está tendo! — Comentou a enfermeira terminando de preencher a ficha.

—Nem me fale!

A enfermeira saiu logo depois, deixando Sara sozinha com seu "marido". Ela acomodou-se na cadeira ao lado do leito dele e ficou observando o sujeito que dormia profundamente.

—Quem é você de verdade, Arthur? — Ela sussurrou, tocando a mão dele.

Notas finais
Aprovada a feliz coincidência? Sem querer, ou ao menos, saber, Sara acabou por chamar Grissom pelo nome do meio dele. Confesso que a princípio relutei nessa idéia. Por me parecer clichê e coincidência demais. Pensei em vários outros nomes, mas nenhum me agradou. Optei mesmo por Arthur, pois ele me pareceu casar tão bem. E espero que tenham se agradado da escolha! Um grande beijo e até breve.