Another Life
49 Chapter 49
Notas iniciais
Na manhã do dia seguinte, por volta das nove e meia, o casal saiu de casa em busca da compra da câmera, a qual começariam a registrar os momentos deles juntos.
A loja do Ernie era o único estabelecimento em East Wood onde se vendiam não só câmeras, como também artigos para fotografia e oferecia o serviço de revelação ou impressão de fotos.
O estabelecimento ficava localizado bem no centro da pequena cidade e contava com duas funcionárias que trabalhavam ali meio expediente. Uma funcionária ficava pela parte da manhã até o meio dia e a outra pela parte da tarde até às sete da noite, que é o horário do fechamento da loja.
—Bom dia! Em que posso ajudá-los?
Uma jovem solícita e com um sorriso estampado no rosto, se pronunciou à Arthur e Sara assim que o casal se aproximou do balcão, ao qual ela se encontrava. A vendedora não deixou de notar no homem acompanhado da mulher diante dela. Até porque, era impossível não notar um homem daqueles. Ele era lindo!
A jovem vendedora prontamente tentou disfarçar seu encantamento assim que pôs seus olhos naquele sujeito.
—Bom dia! Nós queremos comprar uma máquina de fotografar. Você poderia nos mostrar os modelos que têm a venda aqui, por favor?
A vendedora quase perdeu o ar ao ouvir a voz grossa do sujeito. Era uma voz máscula e de homem com H maiúsculo. E àquele sorriso que ele deixou escapar ao fim de suas palavras fez o coração da vendedora acelerar.
—Cla-claro! — A jovem conseguiu balbuciar. _Hãm... O senhor, ou melhor, vocês tem preferência por alguma marca?
—Não. Você tem preferência, honey?
Ele questionou com doçura sua namorada postada ao seu lado e segura à sua mão.
—Pra mim tanto faz a marca, amor.
—Então por gentileza, traga todas as marcas que tiverem pra gente dar uma olhada em cada uma. Pode ser, por favor?
"Pedindo assim, trago até o estoque todo pra você!", A vendedora pensou.
—Claro! Vou buscar ali no mostruário os modelos que temos a venda. Um minuto!
O casal assentiu a vendedora que se afastou deles pra ir buscar as câmeras.
—Acho que a vendedora ficou encantada com você.
Lançando um olhar para Arthur, Sara lhe cochichou tais palavras com um sorriso nos lábios. O "encantamento" daquela outra mulher por seu namorado em nada passou despercebido pela morena.
—Depois ainda diz que não é ciumenta, né? — Ele replicou em brincadeira e ajeitando uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha.
—Não estou com ciúmes, amor, apenas comentando um fato que ficou óbvio pra mim. — Mais uma vez, ela cochichou pra ele.
E ela estava sendo verdadeira. Não era ciúmes, pois sequer sentiu isso daquela outra mulher, pelo contrário, Sara até estava achando graça daquele fascínio da jovem vendedora por seu namorado. Coisa totalmente diferente, de quando foi com a enfermeira. Daquela mulher, ela sentiu mesmo ciúmes, que foram motivados muito pelos comentários da mulher mais velha acomodada ao seu lado na recepção do laboratório.
—Sei!
—Sério, amor.
—Acredito em você então! — Arthur cochichou de volta pra namorada.
E antes que a vendedora retornasse com as câmeras pedidas por Arthur, o homem de olhos azuis aproximou-se mais de Sara e roubou dois beijos seguidos de sua linda namorada. E quando ele já estava prestes a roubar o terceiro beijo de Sara, a vendedora retornou com uma cesta de plástico que continha algumas câmeras.
A jovem loira que os atendia sorriu meio sem graça ao retornar e ver que tinha interrompido o quase beijo do casal de clientes.
Eles até que faziam um belo casal na concepção da vendedora. Aquela mulher do outro lado do balcão era uma sortuda por ter um pedaço de mau caminho como aquele. Tanto que a vendedora por um breve instante desejou ser ela a mulher ao lado daquele charmoso e lindo homem de cabelos discretamente grisalhos — e olha que ela não era chegada em "coroas", mas pra esse ela abriria uma exceção sem pensar duas vezes — olhos azuis e sorriso atraente, ao invés, daquela que se encontrava com aquele tipão!
"Comporte-se, Denise!". A moça ralhou a si própria em pensamento. Depois dando uma leve saculejada na cabeça, a vendedora depositou a cesta sobre o balcão e tirando um à um os diversos modelos de câmeras de fotografar, que eram de marcas diferentes, ela foi explicando para Sara e Arthur as funcionalidades de cada modelo e o que uns apresentavam de diferencial de outros.
Canon. Nikon. Sony. Polaroid. E mais outras marcas mais conhecidas e nem tanto assim. Modelos caros. Mais baratos. Simples. Modernos. Pra principiantes. Amadores. Ou profissionais. Cheias de funcionalidades. Outras só com o básico. Algumas que tiram somente fotos. Outras que também gravam vídeos em HD. À pilhas. À bateria. Enfim eram informações variadas.
Arthur e Sara ouviam com atenção a jovem vendedora explicar com demasiado conhecimento cada uma das máquinas. E ao final da explicação e algumas "provas" de máquinas que Arthur fez ao tirar algumas fotos de sua linda namorada com a justificativa de que era pra: 'saber como ficavam as fotos tiradas', o casal ainda sem saber preço nem nada, pois sequer ainda havia sido dito nada de valores ali, acabaram optando pela câmera da marca Canon DSLR. O modelo EOS Rebel T5 com lente 18-55mm III, permitia além de fotografar, filmar com qualidade profissional de forma muito fácil. A câmera vinha com um sensor CMOS (APS-C) de 18,0 Megapixels e um processador, que segundo a vendedora lhes disse, iria produzir fotos ricas em detalhes, além de oferecer ótimo desempenho na gravação de vídeos em alta definição. E sua grande tela LCD de 3.0' facilitava a visualização das imagens, principalmente durante a gravação de vídeos.
—O preço dela é de 2.399 dólares. — Informou a vendedora enquanto recolhia as câmeras e as colocava dentro do cesto pra levá-las de volta ao mostruário.
Ao ouvir aquele preço Arthur olhou meio assustado pra Sara. Aquela câmera era cara. Mas pela expressão que via em sua namorada o preço pouco lhe importou.
—Ok! Vai ser pagamento no cartão. — Sara informou sem se importar com o preço.
—Tá bem. — Sorriu a vendedora.
—Espera, Sara. — Arthur deteve a mão de sua namorada dentro da bolsa a qual ela tinha levado pra pegar a carteira onde seu cartão se encontrava.
—O que foi Arthur?
Ele achou um abuso enorme fazê-la levar aquele modelo. Eles tinham visto modelos muito mais em conta que aquele que eles escolheram.
—Você poderia por gentileza nos deixar dois minutos a sós? — O homem se dirigiu a vendedora.
—Ah, claro!... Vou levar esses modelos ao mostruário e depois pegar no estoque o que vocês escolheram. Volto já.
Antes que Arthur lhe dissesse que ela não fosse buscar ainda nada, a vendedora já havia se afastado pra longe dele e de Sara.
—Arthur algum problema?
Ela não estava entendendo aquele seu comportamento e sua cara que endureceu de um momento pra outro.
—Sim! Essa câmera é cara demais.
—Ah, é isso?!
Sara esboçou um sorriso. Ele estava preocupado com o preço por isso aquela mudança brusca de comportamento e expressão.
—É. E eu não vou deixar você gastar essa quantia. A gente vai escolher outro modelo mais em conta que esse. Tudo bem?
—Você não gostou da câmera?
—Essa não é a questão, honey. E sim, o...
—Você não gostou da câmera, Arthur? — Ela tornou a questioná-lo.
Sabia que ele havia gostado e se agradado bem mais por aquela câmera. Ela era bonita, na cor preta e que trazia na frente sua lente regulável, que lhe deixava semelhante aos modelos de câmeras profissionais. Sem contar que a resolução das fotos ficavam fantásticas. E ao ver a empolgação de seu namorado por aquele modelo, Sara também se empolgou e junto com Arthur escolheu aquela câmera. E agora, seu namorado não queria mais levar aquele modelo que escolheram juntos e sim outro, só porque aquele no entender dele era: caro demais?
Talvez o modelo até fosse, mas Sara tinha dinheiro de sobra pra bancar aquela compra sem qualquer remorso.
—Seu silêncio já foi a resposta pra mim.
—Reconheço que gostei dela, mas ela é cara.
—Arthur dinheiro não é problema pra mim. Já falei pra você, amor.
—Eu sei disso, mas quer saber? Eu me sinto péssimo por você ter que pagar tudo, pois eu não tenho um dinheiro sequer pra bancar as coisas pra você ou pra gente.
Aquilo era horrível. Sentia-se desconfortável por tal situação. Gostaria de ter algum dinheiro pra poder comprar as coisas à Sara, ao invés, de vê-la gastar o seu próprio dinheiro com eles, ou pior, com ele.
Nem em sonho ele podia imaginar que era dono de uma fortuna e um patrimônio enorme que certamente, se soubesse, apaixonado como estava, colocaria aos pés de sua namorada tudo o que tinha.
—Arthur nós estamos juntos, não estamos?
—Estamos.
—Podemos até considerar que somos casados já que vivemos como tais, não é?
—Sim. Mas onde você quer chegar com isso?
—Tudo que é meu, passou a ser seu também. E isso incluí o meu dinheiro. Ele é seu também, amor.
—Negativo. Seu dinheiro é seu dinheiro, honey. E vamos levar outra câmera!
Ele decretou com firmeza. Estava disposto a não levar aquele modelo caro. Já sua namorada estava disposta a levá-lo.
—Não, não vamos. Eu quero levar essa câmera. Você gostou dela, eu também. O preço dela é o de menos pra mim. Então vamos levar essa.
—Sara...
Ele foi impedido de prosseguir sua fala, pois sua namorada pôs dois dedos sobre seus lábios silenciando-o.
—Amor, por favor, não quero brigar com você por dinheiro ou besteira de preço de câmera.
Ele se viu obrigado a engolir goela à baixo seu orgulho e resignado, resolveu não tentar mais contestar nada. Se sua namorada queria levar aquilo então que ela fosse em frente, mas ele resolveu deixar claro uma coisa:
—Essa câmera então fica sendo sua e não minha, OK?
Sara revirou os olhos diante daquilo. Eita homem orgulhoso! Tá aí outro defeito que ela conseguiu encontrar em seu namorado além do ciúmes. Ele era orgulhoso!
—Ok, Arthur. A câmera é minha, mas vou te emprestar pra tirar fotos da gente. Tá bom assim pra você? Soa melhor pra você isso?
A vendedora retornou naquele instante com a caixa da câmera e isso impediu qualquer resposta de Arthur as questões lançadas em tom meio irônico por sua namorada.
Após abrir a caixa da máquina de fotografar e ligar a câmera pra mostrar aos clientes que o produto adquirido por eles estava em perfeita funcionabilidade, a vendedora guardou o objeto em sua devida caixa. Depois, ela foi apanhar a máquininha pra passar o cartão que Sara lhe estendeu.
Compra devidamente feita. Cartão devolvido. E logo depois disso, Arthur e Sara saiam da loja empunhando na mão da morena, a sacola com a câmera de fotografar que gerou uma pequena rusga entre eles e que quase foi sendo trocada por um modelo mais barato.
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