Another Life
50 Chapter 50
Notas iniciais
—Você ficou chateada comigo pelo ocorrido na loja, não ficou?
Ele podia quase apostar que ela estava. Sara sequer havia lhe dito nada desde que saíram da loja e enquanto seguiam de carro até uma barbearia, pra que Arthur cortasse mais seus cabelos que estavam maiores do que quando Sara o conheceu e também, aparasse a barba.
—Eu não vou mentir pra você dizendo que não fiquei, quando a resposta é contrária. — Sara respondeu fazendo a curva pra pegar a rua da barbearia que segundo o GPS do carro era aquela. _Mas já tá passando. Entendo que você não se sinta nada confortável mesmo por eu ter que pagar as coisas, só que eu não me importa com isso. Gosto de comprar coisas pra você. Satisfazer seus desejos. Como, por exemplo: os livros de culinária naquele dia, a câmera hoje.
—E eu gostaria de poder te comprar alguma coisa que fosse. Ou satisfazer apenas um desejo seu.
—Não preciso que me compre nada. E quanto a satisfazer algum desejo meu, saiba que você já faz isso.
—Faço como, Sara?
—Me amando. Me fazendo feliz por te ter comigo. E me proporcionando viver com você, o que eu jamais havia vivido com nenhum outro homem até antes de te conhecer. Isso dinheiro nenhum compra, Arthur. — Ela piscou e sorriu para seu namorado.
—Sara... Sara... Assim, você me deixa sem argumentos. — Ele tocou seu cabelo macio e de perfume inebriante.
—Melhor então. — Ela respondeu-lhe com um sorriso.
Poucos instantes depois, ela estacionou em frente a barbearia e encarou seu namorado enquanto tirava o cinto de segurança, e Arthur fazia o mesmo.
Sem que o homem de olhos azuis esperasse, sua namorada segurou em seu rosto, fez com que olhasse pra ela e lhe roubou um beijo demorado, que Arthur correspondeu com avidez e paixão.
—Depois desse beijo, a minha chateação com você evaporou completamente.
Ambos sorriram juntos depois dessas palavras.
—Agora vamos cortar um pouco desse cabelo, senhor cabeludo.
—E tirar a barba?
Ele provocou-a, pois sabia que ela não queria isso. Durante o café, quando Sara lhe sugeriu cortar um pouco os cabelos, pois os mesmo já estavam muito volumosos, Arthur então brincou dizendo que aproveitaria pra tirar a barba. A resposta de sua namorada na ocasião foi a mesma de agora.
—Nem pensar!
Ele sorriu e ela também. Sara gostava dele de barba. Apesar de que sem ela seu namorado ficava também altamente tentador e lindo. Mas é que a morena preferia e até mesmo gostava mais dele com a barba, pois adorava sentir aquela barba roçando por sua pele quando faziam amor ou em seu pescoço, quando seu namorado lhe beijava naquela região.
Quase uma hora depois de ter entrado na barbearia, o casal já saia dela com Arthur devidamente com os cabelos bem cortado e, a barba aparada e ajeitada.
Como já era o horário do almoço, Sara propôs deles comerem ali mesmo na cidade. Arthur topou isso e eles foram almoçar em charmoso restaurante que havia do outro lado da rua onde se encontravam.
Enquanto Arthur foi ao banheiro ao entrarem no restaurante, Sara foi acomodar-se em uma mesa mais ao fundo do estabelecimento, pra terem mais privacidade para conversar já que naquela área do restaurante não havia quase ninguém acomodado. Tão logo, a morena se sentou e pôs sua bolsa na cadeira ao lado da sua, um garçom veio prontamente trazer o cardápio pra ela.
—Você pode ver mais um cardápio? Meu namorado já está vindo.
—Claro! — O homem estendeu outro cardápio à Sara.
—Vocês têm vinho Merlot?
—Sim, senhora.
—Então traga duas taças desse vinho, enquanto eu e meu namorado escolhemos o que pedir.
O garçom assentiu e saiu dali pra pegar as bebidas pedidas pela morena.
Ela adorava vinhos. Era sua bebida preferida e o culpado disso, era seu pai. Henry apreciava vinhos e seu gosto pela bebida passou pra filha, assim como, o conhecimento pela mesma. Sara sabia o bastante sobre vinhos pra dialogar com alguém que também gostasse e soubesse bem sobre a bebida. Tinto. Branco. Rosé. Seco. Suave. Demi-sec. Ela sabia um pouco de cada coisa.
Arthur apareceu e ao vê-lo olhando pelo estabelecimento à sua procura, Sara ergueu a mão pra chamar a sua atenção. Tão logo, Arthur lhe viu e já seguia em sua direção.
Enquanto ele se acomodava na cadeira que ficava de frente pra Sara, a morena lhe contou que havia pedido duas taças de vinho pra eles apreciarem, ao mesmo tempo, em que decidiam qual prato cada um apreciaria.
O garçom retornou à mesa e serviu o casal com a bebida pedida por Sara. Depois, ele avisou que assim que tivessem a escolha de seus pedidos feita, era só sinalizarem que ele viria tomar nota dos pedidos. Dito isso, ele se retirou pra ir atender outra mesa.
—Pra uma cidade pequena até que aqui tem restaurantes com muitos toques refinados. — Comentou Arthur o estabelecimento pequeno, mas altamente charmoso e com ambiente agradável.
—Esse restaurante parece com um bistrô que vez ou outra eu ia jantar com uns amigos do trabalho, quando morava em West Hill. Era esse mesmo clima agradável e calmo.
—Você era de sair muito a noite pra se divertir, quando morava numa "cidade grande"? — Arthur quis saber de sua namorada antes de provar pela segunda vez seu vinho. Sua namorada havia feito uma ótima escolha.
—Não muito, porque como eu dava plantões mais a noite, ficava complicado sair nesse horário. Mas quando dava, eu saia. Ia a boates, restaurantes, com um grupo de amigos ou apenas com uma amiga que era bem louca. Ela era tipo minha melhor amiga.
Sara sorriu ao lembrar de Eloise e seu jeito espalhafatoso de ser, algo completamente contrário ao jeito de Sara. Mas apesar de jeitos diferentes, as duas se dava otimamente bem. Eloise foi colega de Sara na sua turma de especialização e mantiveram a amizade mesmo após o curso. Trabalhando em hospitais diferentes, as duas ainda assim se viam, quando marcavam de sair juntas e com mais alguns amigos em comum.
Depois que Sara abandonou West Hill e veio se morar na pequena East Wood, ela perdeu contato com Eloise que pouco antes da morte do pai do amiga, tinha sido transferida pra trabalhar num renomado hospital em Houston.
—E como se chamava essa sua amiga?
—Eloise. Depois que vim pra cá perdi contato com ela e todos os outros amigos que tinha.
—Você perdeu o contato com eles por que foi algo que você quis ou uma coisa "acidental"?
—Um pouco dos dois, eu acho!... Vamos fazer o nosso pedido? Tô morrendo de fome.
Ela cortou a conversa ali. Falar da sua vida antes de vir pra cidade a qual atualmente vive, era algo desconfortável pra Sara. E Arthur sabia bem disso, tanto que ele não se importou nada com a brusca mudança de conversa de sua namorada.
Em questão de poucos instantes, eles já tinham feito suas escolhas e Arthur acenava para o garçom, que prontamente veio tomar nota de seus pedidos. O casal fez o pedido completo: entrada, prato principal e sobremesa. Sendo que o prato principal de cada um era diferente, já as entradas e sobremesas eram as mesmas.
Entre conversas agradáveis, algumas poucas taças de vinho, o casal desfrutou de um ótimo almoço. A comida dali era tão saborosa quanto a do outro restaurante que eles já tinham almoçado em outras oportunidades.
—Tô louco pra chegar em casa e começar a tirar essas fotos. — Arthur comentou com empolgação e entusiasmo antes de levar mais uma generosa colherada da sobremesa à boca.
A câmera e as fotos nelas tiradas seriam o único recurso que Arthur via como forma de "salvação" e possível "resgate" de suas lembranças construídas com a mulher sentada diante dele. Sua história com ela seria registrada a cada momento pela câmera e eternizadas em fotos, para serem contadas à ele próprio futuramente, caso fosse preciso.
Ele torcia pra não ser!... Mas a verdade é que seria!
—Você tá bastante empolgado com isso, né?
—Sim. Você não?
—Sim! — Limitou-se a dizer à ele.
Ela estava por ele. Mas a grande verdade é que Sara rezava todos os dias pra não ser preciso fazer uso daquele "meio" pensado por seu namorado.
Tão logo, eles terminaram e se sentiam satisfeitos, Sara pediu ao namorado pra chamar o garçom e assim Arthur fez. E antes que o homem chegasse a mesa com a conta, Sara empurrou sobre a mesa o cartão para seu namorado e lhe informou a senha dizendo que era pra ele mesmo pagar o almoço.
Mesmo sem entender direito porquê sua namorada fez aquilo, Arthur fez o que ela disse. E assim que se levantaram da mesa e seguiam pra saída do estabelecimento, o homem de olhos azuis quis saber da namorada a razão daquela atitude dela. Sara não lhe explicou, apenas lhe disse:
—A partir de agora pra que não se sinta tão desconfortável, você vai ficar com meu cartão e pagar as coisas quando sairmos.
—Você sabe que isso não faz diferença já que o dinheiro continua sendo seu. E quem banca as coisas entre nós é você.
—Mas os outros não sabem disso. Então pra todos quem banca o quê aqui, é você, bonitão!
Ela lhe deu um beijo rápido.
...
Assim que chegaram em casa, Arthur dirigiu-se ao sofá e já ia retirando a caixa da câmera de dentro da sacola e posteriormente, a máquina de fotografar de dentro de sua caixa.
Com um sorriso discreto nos lábios Sara apenas observava atentamente o entusiasmo e euforia de seu namorado enquanto tirava a câmera da caixa pra ligar o objeto logo em seguida. Arthur parecia até um garotinho que acabara de ganhar seu tão desejado e ansiado presente de Natal. É isso porque ele disse que aquilo não era dele e sim, dela!
Seu namorado lhe olhou pra dizer algo referente à câmera, mas ao ver o sorriso indisfarçável de Sara, ele a questionou curioso:
—O que foi honey? Do que está sorrindo?
Ele chegou mais perto dela no sofá empunhando em sua mão direita a câmera e na outra o manual de instruções.
—Você parece uma criança empolgada com o mais novo brinquedo. — Ela confidenciou-lhe deslizando uma das mãos por seu cabelo bem cortado.
—E você se divertindo disso, né?
—Tô achando lindo, você assim.
Ele sorriu mais largamente e Sara pode ver suas adoráveis covinhas aparecerem com mais clareza agora com a barba mais aparada.
Naquela tarde e pelo resto daquele dia eles se puseram a fazer uso daquela máquina de fotografar.
Dias e mais dias foram se passando, e com ele novas fotos foram sendo tiradas pelo casal.
Fotos deles dois juntos. Abraçados. Trocando um beijo. Sorrindo. Momentos felizes sempre eram registrados. E quando Sara não estava nem percebendo, seu namorado a clicava na hora em que ela estava distraída ou fazendo algo. Da mesma forma que ela também o surpreendia clicando-o desprevenidamente.
Teve uma tarde que ele estava tão lindo dormindo no sofá com uma das mãos descansando sobre o peito nú e um braço sob a cabeça, numa expressão serena de garoto, que ela não resistiu e registou aquilo. Quando Arthur acordou pouco tempo depois, Sara lhe mostrou a foto e ele sorriu, dizendo que agora eles estavam quites já que ele no dia anterior também havia tirado uma foto dela dormindo lindamente na cama deles.
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