Another Life
46 Chapter 46
—Não! — Resmungou com decepção e frustração o homem após interromper o beijo trocado com a namorada, por causa do telefone que tocava. _Quem pode ser num momento tão inoportuno quanto esse?! Meu Deus!
Sara não conseguiu deixar de sorrir da aparante frustração e zanga de seu namorado.
—Só pode ser ou a Lucy ou meu irmão. São as únicas pessoas que têm o número daqui. Deixa eu atender, vai, Arthur!
Saindo de cima da namorada à contragosto, Arthur viu Sara sentar-se ainda sorrindo dele e alcançar o telefone na mesinha ao lado do sofá.
—Alô!
—Oi, maninha!
—Andrew!
—Como está, Sara?
—Eu tô ótima, Drew! E você? — Ela sorriu para o namorado que lhe fitava do outro canto do sofá em que estavam.
Do outro lado da linha o irmão de Sara não deixou de se surpreender positivamente com a pronta resposta da irmã e a visível alegria em seu tom de voz. Era como se ele estivesse falando novamente com a sua irmãzinha de antes da trágica morte do pai de ambos se abater sobre eles, principalmente, sobre ela.
—Nossa! Depois dessa sua resposta e desse tom alegre que senti na sua voz ao falar, eu posso te dizer que agora tô melhor do que estava antes de te ligar.
Ela sorriu.
Pra Andrew era muito bom ouvir a voz de sua irmã alegre e não, triste como era sempre que ligava pra saber como estava.
—Posso saber o motivo dessa alegria que sinto na sua voz? Também se não quiser contar, tudo bem. Eu não me importo. Tô feliz só por sentir sua alegria. Coisa que há tempos não sentia ao ligar pra você.
Ela esboçou um sorriso pelas palavras vindas do irmão. Ele merecia saber que a "razão" daquela sua alegria era o homem sentado a sua frente, que lhe fitava com extremo carinho e doçura. Obviamente, ela achou por bem não contar as circunstâncias a qual conhecera o dono de seu coração. Pois, certamente, Andrew acharia uma loucura, ela estar se envolvendo com um homem sem memória e mais, já tá dividindo sua casa e sua cama com aquele desconhecido em tão pouco tempo.
—Eu conheci uma pessoa que tem me feito muito bem, Andrew. Ele tem sido a grande "razão" de eu estar redescobrindo a minha alegria que perdi com a morte do nosso pai.
Sara ao término de suas palavras sorriu para o namorado e este também lhe sorriu tão lindamente, que a jovem chegou a se apaixonar mais ainda por aquele homem, se é que isso ainda era possível.
—E quem esse sortudo que conseguiu trazer de volta a alegria da minha irmãzinha querida?
—Ele se chama Arthur. Nos conhecemos aqui em East Wood. Ele se mudou pra cidade há pouco tempo.
Era uma pena ter que mentir uma parte de sua história com Arthur para o irmão, mas Sara tinha certeza absoluta que Andrew não veria com bons olhos seu relacionamento com seu namorado se soubesse a verdade.
Arthur franziu a testa ao ouvir sua namorada inventar aquela mentira. Por que ela não contou a verdade ao irmão?
—Nossa que legal! E como ele é? Me conta! Quero saber tudo a respeito desse meu cunhado.
A morena soltou uma gargalhada dessas palavras de seu irmão. Andrew parecia a empolgação em pessoa pra saber aquilo.
—Não ri não, Sara. Conta aí. Eu tenho que saber quem é bem esse 'cara' que andando cercando a minha irmãzinha.
—Ele não tá me cercando, a gente já está namorando, Andrew.
Ela contou esticando o braço pra tocar o rosto de seu namorado que não tirava os olhos dela. Ele pegou sua mão e levou aos lábios beijando-a com extrema delicadeza e carinho.
—Namorado já?? Então há quanto tempo você já o conhece?
—Tempo suficiente pra te dizer que eu o amo.
Seu irmão assoviou do outro lado da linha, arrancando um sorriso da irmã.
—Sara Sidle por que eu ainda não estava sabendo dessa história?
—Porque eu ainda não havia encontrado a hora certa de contar, seu chato.
Agora foi a vez de Andrew rir na linha.
—Fico feliz que você esteja com alguém de novo, maninha. Desde aquele babaca do Hank que você não se relacionava com ninguém. E esse tal de Arthur, como é? Você ainda não disse.
E sob o olhar atento de Arthur, Sara contou ao irmão sobre o dono de seu coração e suas inúmeras qualidades. Sobre o bem que seu namorado estava fazendo a ela e muitas outras coisas mais. Andrew não deixou de demonstrar certa curiosidade em conhecer pessoalmente o homem que estava trazendo a velha Sara alegre à vida de novo.
Após Sara passar um verdadeiro "relatório" de como era seu namorado ao irmão, os dois falaram sobre como estavam os sobrinhos de Sara. Andrew contou a irmã que os gêmeos estavam cada vez mais peraltas e danados. Molly, sua esposa, estava se vendo as voltas com as "danadices" dos filhos. E Andrew ainda revelou que seus "moleques" sentiam falta da tia. Sempre perguntavam por ela e quando a veriam de novo.
—Você bem que poderia vir nos visitar qualquer dia, Sara. Traz seu namorado pra eu conhecer.
A morena observou seu namorado que retornava da cozinha, onde havia ido beber um copo de água.
—Talvez mais lá pra frente, Andrew.
Apresentar Arthur ao seu irmão agora não parecia uma boa idéia ainda. Havia o temor e o receio de quê ele poderia conhecer Arthur. Achava difícil isso ser possível, já que seu irmão mora fora do país há anos. Mas vai que nessas coincidências do destino eles se conhecem?
Ela não queria correr esse risco!
—Como quiser. — Andrew ouviu uma buzina vindo de fora da pousada. _Maninha vou ter que desligar agora. Molly chegou do mercado com os meninos e vou ajudá-la a descarregar as compras.
—Tá bom. Dá um beijo nela e nos meninos por mim.
—Pode deixar. E diz pra esse seu namorado continuar te tratando bem do jeito que me falou que ele te trata, ou do contrário, esse sujeito vai se ver comigo.
Ela sorriu. Seu irmão era super protetor com ela em relação aos namorados que arranjava. Quando Andrew soube o que Hank aprontou com Sara, ele quis vir do Havaí só pra tirar satisfações com o ex da irmã e quebrar a cara de Hank por ter aprontado uma dessas com sua irmãzinha. Mas Sara e seu pai disseram que não era necessário ele cruzar o oceano todo só pra fazer isso. E assim, Andrew atendeu ao pedido dos dois e não veio do Havaí.
—Vou dizer pra ele.
—Um beijo, maninha.
—Outro pra você.
Assim que ela colocou o telefone de volta à base quase vinte minutos depois de duração da chamada com o irmão, foi em direção ao seu namorado acomodado há pouca distância dela no sofá.
—Quer dizer que sou todas aquelas coisas boas que você disse para o seu irmão?
Ele tinha ficado em estado de encantamento com as inúmeras coisas boas que ela havia dito a seu respeito ao irmão dela. Mas dentre as coisas todas que Sara disse, houve uma que fez o coração de Arthur bater acelerado.
"Ele é o homem mais incrível e especial que eu já conheci, Andrew!"
—Todas e muito mais.
Ela admitiu acomodando-se no colo de Arthur.
—Ah, Sara... Como eu quero e desejo tanto não te esquecer nunca pra não te magoar. Você não merece ser magoada. Nunca, sabia?
Ele murmurou encostando sua testa na dela.
—Isso é um risco que mesmo temendo, eu tô disposta a correr.
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