Another Life
43 Chapter 43
Notas iniciais
Quando Sara abriu os olhos algum tempo depois de ter caído no sono junto com Arthur após eles terem feito amor pela segunda vez e daquela maneira mágica, a morena deparou-se com o seu amado ainda adormecido, aninhado em seus braços e agarrado à ela de maneira quase possessiva.
Arthur tinha um dos braços em torno de sua cintura delicada, enquanto que uma de suas pernas estavam jogadas sobre as de Sara, meio que prendendo a morena e impedindo-a de tentar fugir dali. A jovem sorriu daquilo. Com cuidado e carinho ela tocou o rosto barbudo do homem que dormia com a cabeça pousada sobre um dos braços dela.
Deus do céu! Como tinha sido bom demais fazer amor com ele.
Superou as expectativas que ela já vinha criando em sua cabeça quanto a esse momento.
Fez com que descobrisse o que de fato é: FAZER AMOR, no sentido literal da expressão.
E ainda lhe deu uma exata dimensão do quão infinitamente prazeroso e especial é, compartilhar um momento desses com a pessoa que a gente ama verdadeiramente. Porque ela amava Arthur verdadeiramente com todo o seu coração e alma. Como jamais havia amado alguém antes!
De repente seu toque o fez se mexer e ela parou pensando que ele fosse acordar. Mas não foi o caso, pois ele se aquietou e continuou a dormir. Ela gostou, porque não queria que ele acordasse. Queria que ele continuasse a dormir pra assim ter a oportunidade de seguir admirando-o enquanto dorme.
Novamente, ela tocou seu rosto com extrema delicadeza e de forma sutil, perguntando-se: O que seria da sua vida quando ele fosse embora após recuperar a memória, e esquecer-se dela e do que estavam construindo juntos?
Esperava que esse dia nunca chegasse, mas sabia que ele chegaria mais cedo ou mais tarde. E quando chegasse doeria demais, pois nem ao menos conseguia se imaginar mais sem Arthur ao seu lado. A cada dia ia se tornando dependente da presença dele e do amor que eles viviam. Arthur estava adquirindo dia após dia, mais e mais importância em sua vida.
Sara sabia que aquilo poderia futuramente lhe trazer decepções e dores, mas independente disso, iria viver intensamente tudo que tivesse pra viver com Arthur e pelo tempo que fosse. E deixaria pra se preocupar com o terrível momento da recuperação da memória dele, quando o mesmo chegasse.
Não valia a pena sofrer por antecipação, pois tinha esperanças ainda que remotas, de quê seu amado não a esquecesse. Um amor como aquele deles, que surgiu tão forte e intenso, e que só se mostrava ser mais e mais assim, com o passar de cada dia, não poderia ser jamais esquecido.
Assim como também não, aquelas palavras que ele lhe disse antes de se amarem pela segunda vez. Ver o desespero dele ao lhe pedir que não desistisse dele quando o fatídico dia da recuperação das lembranças dele chegasse, era algo que ficaria gravado em sua mente.
Um pouco mais de instante ali velando silenciosamente o sono de Arthur e Sara sentiu sua barriga reivindicar por alimento. Estava com fome e precisava repor as energias gastas naquela cama com Arthur. E certamente, seu amado quando acordasse também estaria com fome, pois a última refeição deles foi feita pela manhã, antes de partirem de casa rumo à cidade vizinha pra que Arthur fizesse sua radiografia. E ao chegaram de volta pra casa, eles vieram direto para o quarto pra matar enfim a "fome de amor" que seus corpos sentiam um pelo outro e depois, acabaram pegando no sono.
Olhou no relógio digital ao lado do abajur e viu com espanto que já eram quase três da tarde. Precisava levantar e tentar preparar algo pra eles, pois não ia acordar Arthur pra fazer isso. Ele estava dormindo tão lindo, que dava até pena de despertá-lo.
Mesmo não sendo a sua "praia" cozinhar, ela iria se aventurar nisso, pra agradar e tentar retribuir um pouquinho que seja a atenção e cuidado que Arthur tinha para com ela, preparando as refeições pra eles.
Com todo o cuidado possível, Sara tentou tirar o braço de Arthur de sua cintura, mas o homem de olhos azuis se mexeu e ela ficou quieta. Uma nova tentativa foi feita pela morena momentos depois e ela conseguiu não sabe-se como livrar-se daquela braço possessivo em sua cintura. Agora faltava a perna jogada em cima das dela. Duas tentativas e somente na terceira que conseguiu se desvencilhar daquela perna grossa e pesada.
Saiu da cama sorrateiramente e pra que ele não sentisse sua falta ali, ela ajeitou os travesseiros de maneira que inconscientemente, Arthur pensasse que era à ela que ele estava agarrado. Só então, depois disso tudo, ela catou sua calcinha do chão, vestiu a peça e logo em seguida, resolveu vestir a camisa de Arthur que estava jogada ali próximo de sua peça íntima.
Uma última olhada no homem acomodado à cama e coberto apenas da cintura pra baixo pelo fino lençol da mesma, e Sara seguiu pra saída do quarto.
Prendendo os cabelos castanhos em um coque displicente que lhe deixou com alguns fios soltos, ela logo já seguia pelo corredor em direção às escadas e chegava à cozinha posteriormente.
Já no cômodo, uma dúvida lhe tomou:
O que faria pra ela e Arthur comerem?
Seu conhecimento no âmbito culinário era bem limitado — pra não dizer ESTRITAMENTE — e, desse modo, ela não tinha muita opção a respeito do que preparar. Se ainda tivesse alguma comida congelada teria uma idéia exata do que fazer. Até porque convenhamos, não faria nada, somente tiraria da geladeira, esquentaria no forno e voilá, comida pronta.
Mas desde que Arthur apareceu e assumiu o posto de cozinheiro da casa, comida congelada passou a não fazer mais parte de seu "estoque" na geladeira.
—É em momentos assim que adoraria ser como a maioria das mulheres, que sabem cozinhar.
Ela comentou pra si mesma enquanto olhava na dispensa e tentava bolar algo pra preparar.
Inevitavelmente, ela própria sorriu do que tinha acabado de dizer. Seu pai que costumava brincar, dizendo-lhe que se ela dependesse de seus dotes culinários pra agarrar algum pretendente pelo estômago, certamente, morreria solteira.
Seu pai era uma figura e adorava implicar com ela e sua inabilidade culinária.
Passando os olhos pela dispensa, a morena avistou um pacote de macarrão tipo espaguete. Seria aquilo mesmo que faria. Não é possível que um simples macarrão, ela não acertasse fazer. É, claro que acertaria. Aparentemente, não tinha mistério naquilo. Colocou a água no fogo para o macarrão. Enquanto aquilo não fervia, a morena catou da dispensa também, um lata de molho de tomate pronta e outra de azeitonas pretas. Pretendia adicionar aquelas azeitonas ao molho. Não tinha a menor idéia se isso ficaria bom ou não. Sua cabeça inventou ali na hora uma receita maluca. E torcia para que isso que inventou desse certo.
Será que ficará bom?
Esperava que ficasse. Começou então a separar mais algumas coisas pra complementar e acompanhar a refeição deles. E logo já se aventurava no preparo do almoço.
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