Another Life
40 Chapter 40
Notas iniciais
Durante boa parte da madrugada, Arthur permaneceu acordado sem conseguir dormir em virtude das coisas que Sara lhe disse a respeito de um filho naquele relacionamento deles.
Ok! Ela tinha e muita razão em cada coisa que expôs. Era compreensível o medo dela e que era compartilhado por ele também. As projeções nada favoráveis que a situação dele dava à ela e que ele queria acreditar que poderiam ser diferentes e totalmente favoráveis à eles dois, podiam propiciar um futuro incerto àquele relacionamento, mas não custava nada ser positivo.
E, pode até ser que, realmente, uma criança no meio daquilo não caiba mesmo. Mas ele queria tanto isso. Só de imaginar um filho com ela, seu coração já pulava de alegria dentro do peito. Seria tão bom se não fosse tão complicado como parecia ser.
Aquela relação deles que estava apenas começando, pode deixar de existir pra ele de uma hora pra outra, ou de um dia pro outro, como Sara frisou na conversa deles. E caso isso acontecesse, tanto Sara quanto o filho que ela poderia vir a ter dele seriam apagados de sua mente. Desse modo, ele causaria sofrimento as duas pessoas mais importantes da sua vida.
Não!
Isso não poderia acontecer.
Mas Arthur queria acreditar na possibilidade disso não vir mesmo a acontecer. Ele não podia esquecê-la. Não podia esquecer nada daquilo que estava começando a construir com ela. E nem um futuro filho que possam vir a ter.
Pode até ser que as coisas estejam contra aquele desejo dele de ser pai, mas Arthur não havia desistido definitivamente disso.
E mesmo que suas lembranças voltem e ele esqueça do que estava vivendo agora com Sara como sua namorada achava que aconteceria, Arthur torcia com toda força, que os momentos vividos e compartilhados com ela, os quais passaria a registrar por meio das fotos, fossem capaz de ajudá-lo a lembrar e redescobrir sua história com aquela mulher.
Suspirando, ele olhou para o lado. Na quase penumbra do quarto, ele conseguiu enxergar o rosto adormecido de Sara.
Ficou olhando pra ela enquanto pedia em silêncio para aquele sonho o qual vivia com ela, não acabasse nunca. Um tempo depois, ele acabou pegando no sono e adormecendo igualmente à Sara.
...
Dois dias depois...
Sentada na recepção do pequeno e modesto laboratório particular da cidade de Desmond, Sara aguardava a vinda de Arthur que havia entrado há certo tempo pra tirar as radiografias de suas costelas a fim de saberem como se encontravam.
A morena não deixou de esboçar um sorriso enquanto folheava uma revista e lembrava da ansiedade de seu namorado no carro enquanto vinham para o laboratório. Ele tava numa expectativa de descobrir logo se estava totalmente recuperado de seu machucado. E ela sabia bem a razão pela qual ele queria e torcia tanto para o resultado ser favorável a ele.
"Juro pra você, que se amanhã o resultado não mostrar que eu tô recuperado, Sara, a gente vai dá um jeito de fazer amor assim mesmo, porque eu não aguento mais esperar por isso. Tô louco pra fazer amor com você e não vou esperar mais um dia sequer pra isso acontecer. "
Ele havia lhe dito isso ontem à noite após uma nova investida pra cima dela para que eles fizessem amor antes de dormirem. No momento em que ouviu isso de Arthur, Sara sorriu enquanto suas bocas se uniam em virtude de um novo beijo que seu namorado lhe dava.
Não era só ele quem não aguentava esperar mais um dia sequer pra isso acontecer entre eles. Ela também não aguentava mais. Estava ficando difícil de não ceder as investidas dele. Ontem, mais uma vez, ele tentou e novamente, por muito pouco ela não cedeu.
E realmente, se aqueles resultados não fossem positivos, ela estava decidida em ceder assim mesmo à ele e desse modo, eles fariam amor. Poderiam fazer devagar que talvez não fosse prejudicá-lo, mas eles fariam. Era a vontade dele e dela que aquilo acontecesse, então que assim fosse. Não ia mais adiar um momento como aquele se ambos desejavam pelo mesmo.
Ela tirou os olhos um instante da revista pra olhar para o corredor no qual Arthur havia seguido pra fazer o exame, e assim ver se seu amado já vinha, mas nada dele. Tornou a voltar a olhar a revista e folheá-la. Poucos segundos depois, desistiu de continuar folheando aquilo.
—Com licença, que horas já são, por favor.
Uma mulher na faixa dos 40 anos, que se encontrava acomodada ao lado de Sara quis saber dela.
—Cinco pras onze.
—Obrigada! — Agradeceu com um sorriso gentil a mulher.
Sara apenas assentiu pra ela. Poucos minutos depois, a morena enxergou seu namorado vir lá do final do corredor acompanhado de uma sorridente e falante mulher que parecia ser enfermeira, pois estava toda de branco.
—Essa daí não se emenda mesmo.
—A senhora falou comigo? — Sara olhou no mesmo instante pra mulher que momentos atrás havia lhe perguntado as horas.
—Desculpa, não. Eu tava falando comigo mesma.
—Ah!
—Sabe aquela mulher que vem lá com aquele homem? — Sara assentiu. A mulher em questão era a que estava acompanhando Arthur. _Não vale um tostão furado. Aposto que já deve estar dando em cima desse homem. Se duvidar, ele é até casado.
—Por que diz isso? A senhora a conhece? — Sara olhou de relance na direção de Arthur e da tal mulher que o acompanhava. Os dois que aquela altura tinham parado de andar e se encontravam há uma distância razoável de onde Sara estava, trocavam lá algumas palavras. E a mulher sempre sorridente demais para Arthur.
—Conheço e bem, moça. Essa biscate uma vez tentou se engraçar com meu marido, mas ela quebrou a cara. Literalmente. Eu dei uma surra nela pra aprender a não mexer com marido alheio. Ela é acostumada a isso.
—Mãe vamos?
Uma jovem com o braço engessado apareceu e se dirigiu a mulher mais velha que falava com Sara.
—Claro! Tchau, moça.
—Tchau! — Sara respondeu a outra mulher e seu olhar se pousou na figura daquela mulher classificada de "biscate" pela outra que saira dali.
O que ela tanto falava com Arthur? E mais, toda sorridente assim.
Aquilo inevitavelmente incomodou Sara, até porque, depois do que ouviu a respeito daquela mulher, fica difícil não se incomodar com o fato dela estar perto de Arthur.
Será que ela estava dando em cima dele?
"Sara, você está com ciúmes?!"
Em seu pensamento uma voz esganiçada zombou dela por aquilo.
Nunca foi de ter ciúmes de ninguém, mas pela primeira vez parece que aquilo tava acontecendo. Pois se ter ciúmes de alguém era sentir aquele incômodo que sentia ao ver aquela mulher com Arthur, e sentir ímpetos de ir até aqueles dois e afasta àquela fulana de perto de Arthur, então, ela estava realmente com ciúmes. E tinha razão de ter já que aquela desconhecida não era flor que se cheirasse.
Ela viu seu namorado vir em sua direção após encerrar o papo com aquela estranha.
—Pronto! Exame feito. — Ele anunciou enquanto se acomodava ao lado de Sara e segurava sua mão. _Agora, segundo a mulher com quem eu estava falando e que foi a que fez o exame em mim, é só esperar uns quinze, vinte minutos pra sair os resultados e me entregarem.
—Hum...
—Eu achei que fosse demorar mais pra sair o resultado, mas... ei, tá tudo bem? Você tá com uma cara estranha.
Só agora ao olhar bem pra ela que Arthur notou que a feição de Sara parecia séria demais.
Ela não queria bancar a namorada ciumenta, pois havia dito a ele que não era de ter ciúmes. Mas é que estava tão difícil disfarçar o que sentia e fazer vista grossa para aquela situação.
—O que aquela mulher e você tanto falavam?
—Sobre o exame e o resultado.
Ele mentiu. Na verdade omitiu uma parte da verdade. Não sabia porque tinha feito isso, pois Sara havia lhe dito que não era ciumenta. Mas mesmo assim, ele achou melhor não contar pra ela que aquela mulher havia se insinuado pra ele durante o exame e até chegou a lhe convidar pra sair enquanto se falavam ali à pouca distância de Sara. Foi justamente, quando ela lhe fez o convite pra sair que ele resolveu dar o assunto ali entre eles por encerrado.
—Só isso?
—E o que mais a gente falaria, honey?
Arthur começou a achar que ela talvez tivesse percebido alguma coisa. Mulheres parecem sacar essas coisas de longe.
—Não sei, me diz você.
—Quel tal você ser mais explícita e me dizer exatamente o que quer saber?
—Ok!... Ela deu em cima de você?
Mais explícito que isso impossível!
—Como é?
Ele não escondeu a surpresa pela pergunta à queima-roupa dela. Pelo visto, ela tinha percebido não alguma coisa e sim, muita coisa.
Mas mal ele sabia que não era isso. A verdade é que se não fosse o fato de uma senhora comentar com ela sobre o péssimo "costume" daquela mulher que falava com ele, sua namorada sequer ia estar lhe abordando isso. Talvez, ela até perguntasse, mas não com essa seriedade que havia no rosto dela.
—Você ouviu bem o que eu perguntei, Arthur. Se puder me responder com a verdade, seria ótimo.
Diante disso e da seriedade dela, ele se viu encurralado e na obrigação de ser sincero e honesto com ela.
—Ok!... Ela deu em cima de mim, sim. Mas eu disse pra ela que apesar de não usar aliança, eu sou casado. Muito bem casado! E só tenho olhos pra minha esposa.
Com uma resposta dessa, ele desarmou sua namorada completamente.
Ela não precisava ouvir mais nada depois disso. Era mais uma declaração de amor dele a se juntar as outras que ele já tinha lhe feito.
—Disse isso mesmo pra ela?
—Com todas as letras, vírgulas e pontos.
Ela sorriu toda boba com a confirmação dele. E não pensou duas vezes em "recompensar" seu amado com um bom beijo.
Assim que suas bocas se separaram, Arthur não resistiu em brincar com a namorada.
—Viu só como é ser picado pelo bichinho do ciúmes?!
...
Dirigindo atentamente pra casa, Sara nem se atrevia a olhar para o lado do carona onde seu namorado estava acomodado, pois se fizesse isso perderia a compostura completamente.
Os resultados das radiografias analisadas por ela ali mesmo no carro momentos atrás, após saírem do laboratório, mostraram que Arthur estava recuperado das fraturas. E isso foi comemorado efusivamente pelo homem de olhos que tascou um beijão de tirar o fôlego na namorada. Logo em seguida, ele lhe disse algo que fez Sara se arrepiar da cabeça aos pés e que era razão pela qual, ela nem se atrevia a lhe dirigir o olhar pra evitar acidentes.
"Vamos pra casa agora, meu amor. Eu quero fazer amor com você inúmeras vezes ao longo desse dia."
E cá estavam eles indo exatamente pra casa.
Sara podia sentir o olhar de Arthur sobre ela desde o momento em que deu partida no carro. Mas nem se atrevia a retribuir o olhar.
—Por que não me olha?
Com um sorriso matreiro ele quis saber dela em determinado momento do percurso pra casa.
—Porque estou dirigindo e tenho que prestar atenção à estrada, pra chegarmos sãos e salvos em casa.
—É só por isso mesmo? — Ele pousou sua mão na coxa dela e apertou levemente.
—Arthur, eu tô dirigindo. — Ela o advertiu tirando delicadamente sua mão dali.
—Ok, então! — Ele abriu um sorriso com aquilo. _Só vou tocar em você quando estivermos devidamente em casa.
Algum tempo depois, eles chegavam em casa.
—Enfim em casa! — Arthur anunciou com um largo sorriso e abrindo os braços após fechar a porta. Depois sem dizer nada, ele foi se aproximando lentamente de Sara que estava há pouca distância dele.
—Tô com medo de você. — Ela disse em brincadeira ao vê-lo vir se aproximando dela com um olhar faminto e cheio de intenções nada inocentes.
—Medo?? — Arthur sorriu enquanto já estava de diante de Sara e abraçava a namorada pela cintura. _Mas eu sou tão inofensivo. — Contou antes de roubar beijos de Sara ao mesmo tempo em que ia fazendo-a ir caminhando de costas em direção às escadas que os levariam ao quarto deles. Ao parar bem próximo ao primeiro degrau, Arthur cessou os beijos e sem conseguir esconder o desejo em sua voz, ele perguntou a namorada se eles podiam ir pro quarto agora, pois não podia mais esperar um instante sequer pra fazer amor com ela.
Tão logo Sara respondeu positivamente a questão, eles seguiram para o quarto.
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