Notas iniciais
Conversa tensa! E Bruh ainda tem muita coisa pra acontecer com esses dois antes da memória do Arthur voltar. Sendo assim, ainda vai demorar muitos capítulos pra isso acontecer. OK?

Deitados na cama após terem enfim terminado de "fazer a mudança" de Arthur do quarto de hóspedes para o quarto de Sara que agora também seria o dele, o casal agora descansava um pouco.

—A partir de hoje meu quarto passa a ser seu quarto também.

—Se por acaso assim, você mudar de idéia e quiser a privacidade do seu quarto novamente, é só me avisar que eu levo minhas coisas de volta para o quarto de hóspedes.

Sara franziu a testa e levantou a cabeça do peito de Arthur pra olhar para o homem que amava, achando que ele estivesse falando sério. Mas ao encontrá-lo com um sorriso indisfarçável nos lábios, na mesma hora, ela entendeu que ele tinha dito o que disse somente para brincar com ela. Ele não tava falando sério.

—Seu bobo! Por um momento eu achei que você tava falando sério, Arthur. — Ela lhe bateu muito de leve no peito fazendo o amado cair na risada. _Isso não se faz!

Ele não se conteve e riu mais ainda disso.

—Sua cara ao me olhar foi ótima. Realmente achou mesmo que eu diria aquilo à sério?

—Um pouquinho! E pra sua informação mesmo se tivesse falando sério, saiba que não haveria a menor chance de eu mudar de idéia, porque eu quero você exatamente aqui. Dividindo esse quarto e essa cama todos os dias e noites comigo.

Enquanto falava isso, Sara ia aproximando seu rosto de Arthur. E quando chegou ao fim de suas palavras, ela já se encontrava à milímetros de distância do rosto dele.

—Que bom que me quer aqui! E sabe por que?

—Por que? — Ela usou o mesmo tom baixo, quase um sussurro, que Arthur havia usado pra lhe indagar anteriormente.

—Porque é exatamente aqui que eu quero estar pra dormir e acordar do seu lado a cada noite e a cada dia que passamos juntos!

Ela sorriu agraciada por sua palavras. Ele era sem dúvida alguma, um homem diferente de todos os poucos que passaram por sua vida. Romântico. Apaixonado. Carinhoso. Atencioso. Era tanta qualidade e nenhum defeito, que ela chegava a compará-lo com os mocinhos dos romances que lia. Ele bem que podia ser um desses mesmos. Pra falar a verdade, ele e ela eram mocinhos do romance que ELES viviam!

—Te amo!

—Pode repetir essas duas palavrinhas mágicas, por favor. — Ele pediu, invertendo a posição deles. Ela que antes estava por cima dele, agora, se encontrava sob o corpo dele.

—Te amo... Te amo... Te amo... — Ela repetiu entre os intervalos de beijos que dava por todo o rosto dele.

Foi a vez de Arthur sorrir agraciado com o que ela fazia. Jamais poderia esquecer uma mulher dessa. Em hipótese alguma!

Eles se beijaram e antes que as coisas ali na cama tomassem o mesmo rumo que foi pela manhã, Sara interrompeu o beijo pra pequena insatisfação de Arthur, que queria ir mais além ali.

—Você é um anjo bem malvado, sabia?

—Eu??? Por quê? — Ela riu passando a mão pelos cabelos dele.

—Porque você me leva até a beira do precipício com o seu beijo pra logo depois, interrompê-lo me puxando assim de volta da beira, só pra me torturar.

—Não é verdade! Minha intenção era te dar um beijo inocente, mas você que quer levar para outro caminho e eu tenho que interromper, pois sabe que enquanto eu não tiver certeza que você está recuperado a gente não vai fazer isso.

—Ainda bem que só terei que esperar só mais dois dias. Serão os dois dias mais longos da minha vida.

Eles caíram na risada juntos.

...

Enquanto jantavam naquela noite, Sara resolveu conversar com Arthur sobre sua declaração a respeito de um filho deles. Até o momento eles não haviam tocado no assunto desde que chegaram. E por isso mesmo, a morena resolveu falar disso com o namorado.

—Arthur...

—Oi...

—Você me pegou de surpresa com aquela história de filho lá na casa da Lucy.

—Percebi.

Ele notou no momento em deu sua resposta que o que disse pegou sua namorada desprevenida. E depois disso, durante o tempo em que passaram na casa de Lucy, ele notou também que por diversas vezes o olhar de sua amada batia nele de maneira bem interrogativa e ao mesmo tempo, carinhosa e amável.

—Você tava falando sério mesmo quando disse aquilo?

Ela o viu depositar os talheres no prato, juntar as mãos sob o queixo e lhe encarar por um breve instante antes de então, lhe responder:

—Com certeza, Sara!... E agora que estamos só nós dois aqui... me diz... você gostaria de ser a mãe desse filho?

—Eu... bom... adoraria isso, claro. — Ela o viu sorrir por sua resposta. _Mas não te parece cedo demais pra pensar em um filho? Nós estamos juntos há poucos dias pra...

—Eu sei que estamos apenas começando nesse nosso relacionamento. Mas eu tô apaixonado por você, Sara. E não vejo problema algum em pensar num filho. O fato de estarmos só há uns dias não é empecilho algum pra mim não pensar nisso ou até mesmo já desejar ter um filho com você. É claro que entre pensar, desejar e concretizar isso, há uma diferença enorme, não acha?

—Com certeza.

—E se eu falei no filho, não quer dizer que já quero pra agora. Vamos deixar mais lá pra frente pra encomendarmos um herdeiro (a).

Ele sorriu, mas dessa vez, ela não compartilhou de seu sorriso. Séria, ela lhe retrucou:

—Só que por mais que eu adore a idéia de um filho, creio que ele não me parece caber muito nessa nossa história.

—Por que não?

—Você sabe que o "lá pra frente" pode não existir pra gente. Ou será que você esqueceu da sua condição, Arthur? Você é um homem desmemoriado.

—Eu sei disso! E não me esqueci desse detalhe.

—Então você sabe que a qualquer momento, hoje, amanhã ou depois, você pode recuperar a memória que perdeu e nisso, acabar esquecendo de mim, não é?

—Eu pensei que nós já tivéssemos superado essa fase.

—Isso não é um jogo de videogame com fases pra superarmos, Arthur. É a nossa vida!

—Exatamente, Sara. É a nossa vida!

—Eu sinto tanto medo, pois tô me envolvendo com você, criando uma história.

—Você acha que eu também não tô com medo disso? Eu tô Sara. Não quero magoar a pessoa que eu mais amo: você!

Aquilo era seu maior temor. Rezava toda noite pra não recuperar a memória pra não magoar a mulher a sua frente.

—Se eu ficar grávida e você recuperar a memória, o que vai ser de mim e dessa criança?... Você vai nos abandonar para voltar pra sua casa e pra sua família, e eu e o bebê vamos ficar aqui sozinhos? Por isso, por mais que você e eu queiramos um filho, não acho que seja uma boa idéia.

Era doído concluir isso, mas era a realidade deles. E alguém ali precisava apontar a realidade deles dois.

—Você pode tá certa mesmo.

Ele admitiu triste.

Realmente, se um dia ele recuperasse a memória e justamente, quando Sara estivesse esperando um filho seu, ou mais grave ainda, quando essa criança já tivesse nascido. A mulher que até então ele ama e seu filho seriam meros desconhecidos pra ele. E certamente, ele os abandonaria, pois voltaria pra sua família. Assim, como aquela criança ficaria?

Cresceria sem pai, sendo que ela tem um, mas este não se lembra dela. E, Sara? Seria mais um sofrimento na vida dela ao ser abandonada com um filho pelo pai do mesmo. Arthur não podia conceber isso.

—Um filho entre a gente não caberia mesmo.

Sara ficou com dó dele ao ver sua tristeza. Ele parecia tão empolgado com a idéia, mas agora o choque da realidade que ela lhe apontou, tirou a alegria dele.

—A gente vai precisar ser cuidadosos com isso. Se previnir quando tivermos relações pra não acontecer uma gravidez.

Seria complicado se aquilo acontecesse. Uma criança como ela mesma dissera, não caberia ali naquele história deles.

—É, a gente vai ter que fazer isso mesmo. — Ele suspirou desgostoso e empurrando seu prato com o resto de sua comida. Havia perdido completamente o apetite. Aquele rumo de conversa, não era o esperado por ele.

—Eu sei que deve ser difícil pra você receber esse banho de água fria num desejo tão lindo assim, mas...

—Já entendi, Sara, não precisa tentar explicar mais nada. Um bebê não dá mesmo então vamos evitar que isso aconteça, nos prevenindo, não é isso? — Ela assentiu positivamente. _E quanto a gente, a nossa história... eu tive uma idéia que pode nos ajudar caso eu venha a recuperar a memória e eventualmente, esqueça de você.

—E que idéia é essa?

Ele contou sobre as fotos e explicou que com elas, eles poderiam provar à ele quando recuperado, o que eles dois construíram juntos nesse meio tempo em que passou desmemoriado.

—O que você acha disso?

Parecia uma boa idéia, mas será que daria certo? Pode ser que até desse, só que será que ele acreditaria naquilo quando visse? E mais, os sentimentos dele poderiam surgir ao ver aquelas fotos?

Eram tantas perguntas que só quando esse momento chegasse algum dia, que eles teriam as devidas respostas pra esses questionamentos.

—Então, Sara? — Arthur pressionou-a já que ela não lhe respondia.

—Me parece bom. Podemos fazer isso.

Não custava nada tentar, vai que aquela fosse a salvação deles como Arthur mencionara enquanto ia lhe expondo aquela idéia.

—Quando formos a cidade depois de amanhã, compramos uma máquina de foto instantânea.

—Eu tenho certeza que a minha cabeça pode até te esquecer, mas assim que eu olhar pras fotos e você me contar da gente, meu coração vai me fazer lembrar de nós dois, Sara.

Era o que ela torcia enormemente pra acontecer. Não queria perder aquele homem que já amava com toda a sua alma e coração.

Notas finais
Pobre Arthur! Sara jogou um belo balde d'água fria no desejo do nosso desmemoriado. Mas é um pouco compreensível esse temor dela com um futuro baby. Quem também não teria seus temores com uma situação dessas, né? Agora é esperar pra ver se essa questão - do baby - se mantém assim como Sara disse ou, quem sabe acontece uma surpresa no meio disso. Um beijo e até o próximo.