Another Life
33 Chapter 33
Notas iniciais
Arthur acordou naquela manhã e a primeira visão que seus olhos tiveram ao abrirem-se, não podia ter sido melhor. Sara dormindo serenamente feito um anjo ao seu lado.
Sorriu e com cuidado virou-se de lado na cama, ficando de frente pra mulher adormecida, e passou a ficar olhando-a.
Como ela era linda!
E a cada novo instante, a cada novo dia que passava ao seu lado, ele se via mais e mais apaixonado por ela.
Arriscaria-se até em dizer que já era mais do que paixão o que sentia por ela... talvez fosse até amor. Talvez, não! Devia ser Amor!
Sim!
Só podia ser amor!
Era um sentimento tão forte, intenso e avassalador, o qual não podia ser considerado apenas como uma simples e repentina paixão. E em seu coração ele sentia que era amor o que já nutria por aquela bela mulher.
E em virtude desse sentimento, que já tinha por ela, que ele começava a desejar fortemente não recuperar nunca mais a memória. Seria possível isso?
Ele adoraria que fosse, pois gostaria de viver assim desmemoriado pro resto da vida. Temia que caso recuperasse as lembranças de quem era, não só magoasse Sara descobrindo que de fato ele era um homem comprometido e com filhos como ela imaginara. Como também, temia ter apagado de sua mente àquela mulher linda e apaixonante pela qual seu coração batia feito louco.
Mas, todavia, Arthur sabia que aquela situação tinha grandes chances de não ser possível pro resto da vida como era de seu desejo. Ele podia a qualquer momento recuperar a memória e isso era tudo o que não queria, porque assim havia a enorme possibilidade de Sara sair machucada naquilo e sofrer. E isso era exatamente o que ele não queria causar a mulher que salvou sua vida: dor e sofrimento. Ela não merecia aquilo, já tinha tido sofrimentos e dores demais com o abandono da mãe, a traição de um namorado e a morte do pai. E, ele não queria ser o responsável por mais um sofrimento na vida dela, caso recupere a memória e esqueça de Sara.
Ele precisava arranjar um jeito de guardar "provas" dessa sua relação com Sara pra assim, ele ter como saber que ela está dizendo a verdade, caso sua memória volte e ele não lembre da jovem a sua frente e nem do que viveram juntos.
Mas como faria isso?
Foi então que uma excelente ideia lhe ocorreu.
Fotos!
Elas são uma ótima forma de eternizar momentos e provar coisas.
Desse modo, passaria a registrar os momentos ao lado dela pra caso um dia sua memória volte, ele possa ver aquelas fotografias e saber que viveu muitas coisas com aquela mulher.
Essa pareceu a melhor solução pra Arthur. Ele falaria com Sara sobre isso. Entretanto, deixaria pra fazer isso quando voltassem do almoço da casa de Lucy. Seria mais oportuno.
Perguntaria à sua amada se possuí alguma máquina fotográfica ali para aquilo, e caso ela lhe diga que não, ele lhe pediria pra comprar uma. Essa ideia das fotos poderia ser a salvação deles e do relacionamento deles.
—É isso que vou fazer! Não quero te perder. — Ele murmurou, tocando de forma sutil o rosto de Sara. Mas não adiantou muita sutileza, pois seu gesto acabou por fazer a jovem despertar logo em seguida.
—Bom dia! — Ela o saudou com um sorriso lindo nos lábios e passando a mão por sua barba.
Arthur retribuiu a saudação de sua amada com as mesmas palavras usadas por ela e depois lhe presenteou com um beijo nos lábios.
—Faz tempo que está acordado?
—Há uns poucos minutos. E desde então estou te olhando enquanto dormia feito um anjo. O anjo que salvou a minha vida e roubou meu coração pra si.
Ela sorriu com timidez por conta das palavras dele.
—Já aviso que não aceito devolução, hein?! Pode ficar com ele pra sempre.
—Posso mesmo?
—Não só pode como deve. — Ele afirmou sorrindo e abraçando Sara, e desse modo, acabando com a pouca distância que o separava da jovem naquela cama enorme. _Meu coração é seu, Sara! E sempre vai ser, aconteça o que acontecer.
Ela achou aquela declaração linda, como todas as outras que ele já lhe fizera. Ele era tão desinibido com as palavras, algo tão diferente do último namorado que teve, o mentiroso de Hank. Ele não era de se rasgar em declarações amorosas, mas tinha lá seus gestos românticos.
—O meu coração também é seu, Arthur. E sempre vai ser.
O homem de olhos azuis sorriu contente ante aquela revelação de sua amada. E não resistindo ao fato de estarem tão próximos um do outro, ele a beijou. E não precisou de muito para o beijo despertar o desejo adormecido nele e nela.
E em pouco tempo com Arthur já sobre Sara na cama, as coisas só foram se acendendo mais e ganhando proporções maiores.
Os barulhos característicos de beijo, misturados as respirações aceleradas e alguns gemidos que escapavam do casal enquanto se beijavam, eram os sons que se ouviam no quarto.
—Eu te desejo tanto. Preciso de você! — Em um tom rouco, Arthur sussurrou no ouvido de Sara após abandonar os lábios dela e passar a beijar seu pescoço perfumado.
Um arrepio percorreu todo o corpo de Sara ao ouvir aquelas palavras sussurradas daquela maneira, bem ao pé de seu ouvido e sentir o grau do "desejo" de Arthur bater firme de encontro ao seu centro.
Era óbvio que ela também o desejava naquela mesma proporção que sentia, que era desejada por ele. Mas eles não podiam dar vazão aquele desejo todo. Não sem antes, ela ter certeza de que ele estava recuperado para aquilo.
—Arthur, você prometeu que ia se comportar.
Ela murmurou à ele com a respiração meio desregular enquanto sentia as melhores sensações com Arthur beijando e mordiscando de leve ora seu pescoço, ora sua orelha.
—Sinto muito, mas não vou poder cumprir isso. Eu quero fazer amor com você, Sara. Você não quer? — Ele interrompeu suas carícias pra encarar a jovem e ficou à espera de sua resposta.
—Claro que eu quero! — Ela deslizou o mão pelo rosto dele e o viu sorrir ante a sua resposta. Antes mesmo que ela prosseguisse com sua fala, Arthur voltou à suas carícias no pescoço dela, fazendo-a perder o foco da conversa por um segundo.
—Eu tô louco por você!
—Arthur, a gente já conversou sobre isso ontem. — Ela conseguiu resmungar, sentindo-o deslizar a alça de sua camisola e beijar toda a extensão de seu ombro desnudo.
—A gente pode fazer devagar. Bem devagar! — Ele murmurou ao mesmo tempo que se mexia sobre ela, fazendo-a sentir mais ainda o quanto ele a queria e precisava dela naquele momento.
Essa foi a decorada dela.
—Deus do céu, Arthur! Você sabe ser bem persuasivo.
Ele levantou a cabeça e a encarou com um sorriso.
—Isso é um sim?
Ela apenas assentiu estampando o mesmo sorriso que via no rosto do homem que se encontrava sobre ela.
Que se dane a preocupação e tudo!
Seus desejos e suas vontades precisavam ser saciados e aplacados!
Ela o queria e ele a queria, então que assim fosse.
Seus lábios se uniram novamente em um beijo cheio de volúpia. As mãos de Sara se enroscaram nos cabelos de Arthur enquanto que uma das mãos dele deslizava pela extensão da coxa flexionada da mulher sob o corpo dele. Um leve aperto ali por onde sua mão deslizava e ele ouviu-a deixar escapar um gemido em sua boca.
Seus lábios abandonaram os dela e ele passou a beijar novamente seu pescoço cheiroso. Enquanto isso, Sara largava seus cabelos e suas mãos passaram a deslizar pelas costas largas de Arthur.
Uma leve mordida do homem de olhos azuis no ombro de Sara fez com que a mulher acidentalmente apertasse Arthur bem onde suas costelas haviam fraturado, inevitavelmente, o homem deixou escapar um gemido que em nada era de prazer. Isso foi o bastante pra Sara se dar conta do que havia acontecido e assim, acabar o "encanto" daquele momento.
—Arthur me desculpa. Foi sem querer, amor!
—Tudo bem, honey! — Ele tentou acalmá-la.
—Está vendo como eu tinha razão. Você ainda não está bem pra fazermos isso.
—Eu tô ótimo, Sara.
E realmente, ele se sentia assim. Só sentiu aquela dor, que na verdade, nem foi dor, foi mais uma fisgada, porque Sara exerceu um pouco de força extra naquele aperto. Se não fosse por isso, nem tinha sentido nada.
—Não é o que tá parecendo.
—Mas eu tô. Vem, vamos continuar de onde paramos.
—Que continuar o quê?! Vamos é parar por aqui. Você teve a prova de que ainda não dá pra fazermos isso.
—É claro que podemos fazer.
—Arthur, por favor, amor. Vamos ser compreensivos.
Ela estava fazendo um esforço sobrehumano pra convencê-lo e no fundo, também convencer a si própria daquilo. A mesma vontade que ele tinha de retomar o que faziam, era a que ela sentia também. No entanto, eles tinham que ser cuidadosos por conta do estado dele.
Sara viu Arthur baixar a cabeça, escondendo o rosto entre seus seios por cima da camisola e suspirar frustrado.
—Eu sinto muito! — Pediu a mulher acariciando os cabelos de Arthur.
—Tudo bem!
Ela sabia que não estava "tudo bem". Sentiu-se bem culpada por ter cedido e agora estar recuando naquilo. Mas, ela prezava mais naquele instante, pelo bem estar da saúde física dele, do que suas vontades e desejos.
—O que eu faço com ele?
Arthur se esfregou nela e Sara pôde sentir que ele continuava bem excitado.
Que situação mais chata e embaraçosa!
—Talvez um banho frio te ajude!
De repente, ela o ouviu sorrir ainda com o rosto escondido entre os seus seios. Aquilo fez sua preocupação de que talvez ele estivesse ficado aborrecido com ela por conta daquela situação toda, se dissipasse por completo.
—Do que você tá rindo?
—Banho frio! — Ele levantou a cabeça pra olhar Sara. _A forma como disse isso soou engraçado.
Era bom vê-lo sorrindo daquele jeito após frustar suas intenções, como sabia que havia frustrado.
—Não está chateado comigo por...
—Não, Sara! — Ele nem esperou que ela completasse sua fala pra respondê-la.
De verdade, ele não estava, havia sim, ficado frustrado, mas isso passou tão rápido quanto chegou. E pra dissipar qualquer dúvida na mulher que lhe olhava buscando saber se era verdade o que acabava de lhe dizer, Arthur então a beijou com toda ternura.
—Será que agora acredita que não estou chateado com você?
Ela assentiu em resposta.
—Bom, vou seguir sua sugestão do banho, porque pelo visto somente assim para o meu "amigo" se acalmar.
Ambos sorriram das palavras de Arthur. E após ter dado outro beijo em Sara, o homem de olhos azuis então se levantou de cima da amada e saiu da cama, tentando meio sem jeito esconder com as mãos o grau de excitação no qual ainda se encontrava. Sara chegou à sentir dó de Arthur por aquilo. Ela lhe sugeriu tomar banho no banheiro que havia no quarto dela, mas ele preferiu ir tomar no dele.
—Vou aproveitar e tomar o meu então. E aí, a gente se vê na cozinha pra tomar café.
—Feito! — Ele concordou antes de seguir em direção a porta do quarto andando de um jeito "estranho" por conta do estado em que se encontrava.
Um tempo depois, eles estavam se deliciando com o café da manhã preparado à "quatro mãos".
—A musse ficou com uma cara boa.
—Só espero que o sabor faça jus a cara.
—Tenho certeza que fará!
Ela sorriu e piscou pra ele.
—Que horas temos que sair pra ir à casa da sua amiga?
—Acho que umas onze e quinze tá bom. Ela disse que era pra estarmos lá às onze e meia. E a casa dela fica há uns quinze minutos de carro daqui.
—Certo. Eu tava pensando em tirar a babar pra ir ao almoço. O que acha?
—Ah, não. Eu gosto de você com a barba. Fica mais...
—Mais...?
—Sexy!
Ele abriu levemente a boca e arqueou as sobrancelhas em total surpresa àquela resposta dela.
Sara não resistiu e sorriu de sua reação ante ao que disse. Depois, ela sapecou um beijo rápido em sua boca.
—Sexy é?
—Muito! E másculo também. — Adicionou a jovem.
Arthur balançou a cabeça esboçando um sorriso por aquilo. Só ela pra ver aquelas coisas nele.
—Bom... se é assim então vou apenas apará-la.
—Faça isso!
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