Another Life
31 Chapter 31
Notas iniciais
Enquanto Sara dirigia de volta pra casa, Arthur que estava acomodado ao seu lado no banco do carona folheava um dos livros de culinária que a jovem havia lhe comprado.
Cada página de receita trazia a imagem do prato em questão. Aquele livro que Arthur folheava era de sobremesas — os outros exemplares eram: massas, pães e bolos, e pratos principais diversificados — aquele de sobremesa trazia cem receitas das mais diversas sobremesas, desde as mais simples até as mais complexas.
—Sabe que você poderia aproveitar e preparar uma dessas sobremesas pra gente levar amanhã ao almoço da Lucy. Não acho legal chegar lá sem nada. Apesar de quê, o almoço ela disse que está preparando pra mim, mas enfim... eu queria levar alguma coisa o que acha?
—Me parece uma ótima ideia. O que sugere? Aqui tem uma variedade de receitas.
—Quando chegarmos em casa a gente vê isso com calma.
Ele assentiu em concordância enquanto guardava o livro de volta à sacola de papel da livraria.
Sem conter sua curiosidade, o homem questionou Sara a respeito dos exemplares que ela havia encomendado. A jovem explicou que se tratavam de três romances que ela adorava. Inclusive, tinha os exemplares, mas os deixou na casa onde vivia antes. E como gostava demais desses livros, ela então resolveu encomendar os mesmos exemplares pra tê-los novamente.
—Posso ver que livros são?
—Claro!
Ao consentir dela, Arthur apanhou de dentro da outra sacola, os exemplares e leu o título de cada um em voz alta:
—"Romeu e Julieta", "Orgulho e Preconceito" e "Persuasão".
—São os meus romances preferidos.
—Você é romântica, Sara?
—E que mulher não é? Óbvio que existem umas que são mais do que outras, mas acredito que em geral, todas nós, mulheres, somos românticas à seu modo.
—E você é das que são mais românticas que as outras ou o contrário?
Ela sorriu enquanto seus olhos estavam atentos a pista.
—Eu já fui bem mais romântica do que sou hoje. Eu era tipo daquelas bem sonhadoras, que acreditavam em príncipes. Mas uma decepção amorosa me fez mudar um pouco essa minha visão.
—É a segunda vez que escuto você mencionar sobre uma decepção amorosa. Posso saber qual foi essa decepção? Se você quiser contar, é claro!
Ela pensou por uns segundos e então resolveu satisfazer a curiosidade dele contando-lhe sobre o que seu ex-namorado lhe aprontou.
—Há dois anos e pouco eu namorava um enfermeiro que trabalhava no mesmo hospital que eu. A gente estava juntos há seis meses. E desde o início do namoro, ele ia todo o fim de semana à cidade vizinha pra visitar uma tia que o criou e que na época estava doente. Mas eu acabei descobrindo no fim das contas que a "tia" dele, na verdade, era sua mulher. Ele era casado e tinha um filho ainda bebê, Arthur.
Aquela revelação fez o homem de olhos azuis ficar estupefato. Sem contar, que lhe fez ver de onde vinha o medo dela em relação a se envolver com ele e sua preocupação acerca de ele ter uma família. Ela já tinha passado pela terrível experiência de descobrir que o homem com quem estava, era comprometido e não queria reviver a mesma história novamente. Arthur torcia pra ser alguém solitário pra não fazer Sara passar pela mesma situação que passou com esse tal namorado no passado. Não queria em hipótese alguma, machucar aquela jovem linda por quem seu coração batia fortemente.
—Você nunca desconfiou dele?
—Não! Eu realmente acreditava que era uma tia que ele ia visitar. Na época, eu tava muito apaixonada por ele e ele mentia tão bem que eu jamais desconfiei dele.
—Como descobriu a mentira dele?
Ela contou que estava sozinha no apartamento do namorado, pois o mesmo tinha ido comprar algo pra eles comerem. Quando, de repente, tocou o telefone do apê. Desavisadamente, ela foi atender e uma mulher desesperada que se identificou como esposa do Hank disse que queria falar urgentemente com ele pra avisá-lo de que o filho deles estava sendo internado.
—E você na hora?
—Fiquei desnorteada. Mas acreditei no que ela disse, aquela mulher não tinha porque inventar uma coisa daquelas. Eu então disse a ela que ele não estava, pois tinha saído rápido, mas assim que chegasse daria o recado.
—Você não contou à ela sobre quem era?
—Não. Ela já estava desesperada o suficiente pelo filho. Eu não ia causar uma decepção daquelas ao contar-lhe que o marido dela era um canalha que não valia nada. Fiquei na minha!
—E ela não quis saber quem era você ou o que estava fazendo no apartamento do marido dela?
—Obviamente, ela quis. Eu disse que era a mulher que limpava o apartamento dele. Hank tinha uma diarista. Eu aproveitei isso pra justificar aquele fato.
—E quando esse tal Hank chegou?
Arthur não conhecia aquele sujeito, mas já o odiava profundamente, por ter aprontado uma canalhice dessas com Sara. Ela não merecia ser enganada dessa forma. Na verdade, nenhuma mulher merece ou deve ser enganada desse modo.
—Eu não estava mais lá. Assim que a ligação foi encerrada, eu resolvi ir embora dali, mas não esqueci de deixar escrito num papel, o recado da mulher dele. E no mesmo papel, eu escrevi bem grande, que era para o Hank não me procurar mais, nem falar comigo quando me visse no hospital ou em canto algum. Depois disso nos encontramos apenas quatro vezes acho e ele fez exatamente o que exigi. Um mês depois não o vi mais no hospital. Descobri que ele tinha pedido transferência para o hospital que ficava na cidade onde a esposa e o filho dele moravam. E desde aí, nunca mais o vi.
—Como um homem tem coragem de fazer uma canalhice dessas com uma mulher especial como você? Não consigo entender!
—Ele era idiota! Só me dei conta disso depois que nos separamos.
—Você o amava? — Ele quis saber alguns segundos depois de ficarem em silêncio.
Sara lhe lançou um rápido olhar, tão logo, Arthur lhe dirigiu aquela pergunta à queima-roupa. Mas sem hesitação alguma, a jovem respondeu sua pergunta.
—Na época, eu achava que amava com todo o coração. Mas depois que o tempo passou após termos nos separado, eu percebi que era somente uma paixão avassaladora, porém, passageira. Contudo, isso não evitou que eu sofresse pela separação logo no começo. Mas eu superei esse "percalço" e hoje posso te afirmar sem qualquer dúvida, que não era amor o que senti pelo Hank, pois se fosse... ele ainda estaria em meu coração, o que não é mais o caso há um bom tempo. Meu coração inclusive, já tem outro dono! — Sara sorriu e piscou para o homem sentado ao seu lado. Ele havia se tornado o dono de seu coração.
Arthur sorriu satisfeito e muito feliz com aquela resposta dela, principalmente, por conta daquelas últimas palavras.
Se ela o considerava como o novo dono de seu coração... ele também a considerava a dona absoluta do seu!
Fale com o autor