Notas iniciais
Amando cada comentário de vocês. Izabela, querida, sinto informá-la que a Amanda não morre. Sequer há a possibilidade disso vir a acontecer. Essa personagem é importante no contexto futuramente. Ok? Agora vamos ao novo capítulo.

Alguns dias depois...

Pelo telefone, Grissom tentava se desculpar com a noiva por não poder acompanhá-la em uma visita ao salão onde será realizado o casamento. De última hora, ele soube que precisaria viajar a San Diego, uma cidade vizinha, para acerta alguns detalhes de um novo contrato que estava quase pra ser fechado com um grupo de investidores. E com isso, não daria pra ele acompanhar Amanda naquele fim de tarde ao salão onde ocorreria o casamento pra acertar alguns detalhes.

O empresário até chegou a pensar em mandar Catherine nesse compromisso, mas sua irmã detestava essas situações burocráticas e também, os investidores queriam tratar diretamente com Gil já que ele é o CEO da empresa.

—Amanda, eu sei que prometi, mas...

—Poxa, Gil já estava tudo combinado!

—Eu sei, querida, só que apareceu esse imprevisto. Liga pra Grace e tenta agendar para amanhã de manhã. Prometo que esse será meu compromisso prioritário amanhã. Vou falar com a Andrea pra ela cancelar minha agenda pela parte da manhã.

—Tudo bem! E você ainda volta hoje?

Pelo tom de voz dela, ele percebeu que ela havia se chateado com isso. Tinha lhe prometido que seria mais presente nas decisões acerca da festa, mas o que podia fazer se o trabalho o tragava. Ele era requisitado para isso, para aquilo. Catherine apesar de vice-presidente da empresa, não gostava muito de tratar das questões burocráticas que diziam respeito à empresa. Fechamento de contratos, reuniões com investidores e novos investidores, e coisas desse tipo. A loira deixava nas mãos do irmão mais velho isso. Ela como Arquiteta de formação se responsabilizava única e exclusivamente pelo planejamento e execução dos projetos, vistorias dos mesmos e demais funções relacionadas às obras da empresa. Ele como CEO era responsável pela parte burocrática da construtora.

—Hoje mesmo. Como eu lhe disse o encontro com esse grupo de investidores acontecerá em uma cidade vizinha, San Diego. Vou de carro e pretendo voltar assim que acabar o meu encontro com eles.

—Andrea vai te acompanhar?

—Não! Eu vou sozinho. Hoje é aniversário do filho dela, então a dispensei pra ficar com o filho na festa.

—E o motorista não vai lhe levar?

—Não. Eu gosto de dirigir. Vou sozinho mesmo.

Ele até preferia ir sozinho, sem seu motorista. San Diego não ficava tão longe assim, só à 120 milhas (193.1 Km), uma pequena viagem com duração de pouco mais de duas horas. Ele podia muito bem ir guiando sozinho até lá e até gostava que fosse assim.

—Então não vá beber.

Ela lhe instruiu já que o encontro dele com os investidores ocorreria em um restaurante na cidade.

—Sim, senhora!

—Amanhã a gente se fala então.

—Sim, querida. Um beijo e até a volta.

—Outro beijo pra você! E Gil, cuidado na estrada, por favor.

—Pode deixar.

Assim que ele encerrou a ligação, sua secretária apareceu na porta pra avisá-lo que o carro já o aguardava na entrada do prédio e também para lhe entregar uns documentos necessários para esse encontro com os investidores.

De posse dos documentos devidamente guardados em sua pasta de uma marca cara, presente da noiva, ele seguiu para pegar o elevador tendo em seu encalço a secretária. Ela ia ouvindo suas instruções que devia repassar a Catherine assim que ela chegasse da última vistoria de uma obra no centro da cidade. Pediu a Andrea também para cancelar seus compromissos pela parte da manhã de amanhã, pois sairia com Amanda para ver coisas do casamento.

—Pode deixar comigo que vou transferir seus compromissos para tarde, senhor.

—Faça isso, por favor, Andrea.

—Boa viagem e cuidado na estrada, doutor Grissom. Ouvi a previsão do tempo e mais tarde pode chover forte.

—Ok! Obrigado pela preocupação, Andrea. Vejo você amanhã. Boa festa e não esqueça de passar na minha sala e pegar o presente do seu filho que comprei!

—Sim, senhor. E obrigada, senhor Grissom.

A agitação da cidade logo já ficava há algumas milhas de distância. A Rodovia I-5 N estava calma e tranqüila, e a julgar pelo céu cinza que começava a ver se formar no fim daquela tarde e começo de noite, Grissom concluiu que sua volta podia não ser tão tranqüila assim quanto estava sendo sua ida. A previsão do tempo mencionada por sua secretária estava certa. A noite seria de chuva. Cuidado redobrado na volta!

Ainda levaria mais algum tempinho de viagem até chegar à cidade onde se encontraria com os investidores. Guiando seu Porsche último modelo ao som de clássicos de: Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Tony Bennett e outros gênios do Jazz, ele se permitia relaxar ao volante de seu ‘’brinquedinho’’ adquirido há pouco mais de três meses.

Adorava carros! Assim como adorava gastronomia. Cozinhar era com ele mesmo! Apesar de ter uma chefe de cozinha em sua casa, as vezes, ele abria mão de Lois e ia pra cozinha bancar o 'chefe'.

Carros e cozinhar eram suas duas paixões! Se bem que o primeiro seu predileto.

Gil tinha um verdadeiro fascínio por esse mudo das máquinas. Havia herdado do pai esse mesmo fascínio. Robert adorava carros e sempre os melhores modelos de marcas caras e estilo esportivos. Grissom ia por esse mesmo caminho do pai.

Já era noite por volta das oito e meia, quando Grissom estacionava em frente ao restaurante, o local que os investidores escolheram para tratar de negócios. Deixou as chaves do veículo com o manobrista do restaurante e seguiu para dentro do estabelecimento empunhando sua pasta com os documentos.

Na recepção anunciou a Hostess com quem veio se encontrar e prontamente a moça muito bem vestida, encaminhou Grissom ao grupo de pessoas que já o aguardavam há poucos minutos. O empresário pediu desculpas por seu pequeno atraso, sabia o quão desagradável e de péssimo gosto, era deixar alguém esperando. Detestava falta de pontualidade em um encontro de negócios.

—Não se preocupe que tem pouco tempo que chegamos.

Um dos homens tranqüilizou o empresário.

—Bebe uísque, Grissom? – Indagou o mais velho do grupo já fazendo sinal para o garçom.

—Oh, não, Jim. Agradeço, mas não vou beber nada alcoólico. Veja-me apenas um suco, por favor. – Pediu Grissom ao garçom. _Estou dirigindo e volto ainda está noite mesmo pra casa. – Esclareceu o empresário ao grupo de homens.

—Mas vai chegar bem tarde hein, amigo? – Questionou Jim. O sujeito conhecia Grissom há certo tempo. Havia feito alguns bons negócios com o competente empresário.

—Sim! Mas ainda assim prefiro ir hoje mesmo.

O assunto logo morreu ali e assumindo posturas profissionais, os homens começaram a debater sobre o novo investimento que o grupo queria fazer. Uma nova parceria com o grupo Grissom para um empreendimento de um enorme complexo imobiliário que renderia lucro a ambas as partes.

...

Após mais de duas horas e meia de muita conversa acerca do contrato e também algumas banalidades do mundo enquanto desfrutavam de um jantar saboroso, a reunião se encerrava com a promessa de contrato mais que acertado. No mais tardar da semana que vem o contrato já seria assinado. Grissom estava bastante satisfeito com aquela nova parceria firmada entre sua empresa com aquele grupo. Sempre lhe rendia ótimos contratos e empreendimentos bons. E assim seria mais uma vez.

Parados na recepção do restaurante o grupo de homens aguardavam o manobrista trazer o carro de cada um até a porta do estabelecimento. Lá fora a chuva caia torrencialmente.

—Grissom se eu fosse você procuraria um bom hotel para ficar hospedado por aqui e deixaria pra ir embora amanhã pela manhã.

—Jim tem razão. Com essa chuva toda a estrada é um perigo. — Conrad alertou.

—Eu sei, mas vou dirigir devagar, sem perigo.

—Mesmo assim, Grissom.

—Jim, agradeço a preocupação, mas modéstia a parte sou um ótimo motorista na chuva.

O velho homem ergueu as mãos em rendição e não ousou contestar mais nada.

O manobrista chegou naquele instante munido de um guarda-chuva e avisou a Grissom que o carro dele estava na porta do restaurante. O empresário se despediu dos investidores com a promessa de que semana que vem os aguardava para a assinatura do contrato.

Assim que se encontrava em seu carro, Grissom resolveu ligar para a irmã pra avisá-la de que já estava indo para casa. Mesmo passando das 23 horas, ele sabia que sua irmã estava acordada. Catherine dificilmente dormia antes da meia noite.

No terceiro toque sua irmã atendia o celular. Ele avisou-a que estava saindo naquele instante do restaurante para ir pra casa.

—Gil não é perigoso você vir daí esse horário ainda mais se está chovendo? — A loira comentou preocupada. _Vai chegar aqui de madrugada, meu irmão.

—Eu prefiro ir pra casa assim mesmo. Tenho um compromisso pela manhã com a Amanda. E quanto à chuva sou ótimo guiando nela.

—Se você está dizendo! Mas dirigi devagar então. E toma cuidado com essa pista molhada, por favor, Gil.

—Pode deixar! Amanhã te conto os detalhes da reunião aqui.

—Ok! Beijos.

—Outros pra você.

Dando partida no carro, Grissom pegou a estrada à caminho de casa. Guiando com todo cuidado, ele vinha por uma estrada deserta. A chuva intensa tornava a visibilidade baixa. Ligou o radio para ‘’matar’’ o silêncio dentro do veículo. Mas resolveu dessa vez não escutar as mesmas músicas, buscou na rádio uma música qualquer e encontrou uma que lhe arrancou um sorriso ao ouvir seus primeiros acordes.

Unforgettable – Nat King Cole

Essa era a segunda canção predileta de seu pai, Robert. Quando era vivo, ele vire-mexe cantarolava essa também. Robert tinha grande apreço por música de boa qualidade e foi responsável direto pelo gosto musical dos filhos. Ambos, os Grissom eram amantes da boa música. Os dois irmãos inclusive mantinham intacta a coleção de vinis de grandes cantores que haviam herdado do pai.

Sem se dar conta, Grissom já cantarolava a música que tantas vezes vira seu velho pai cantar. Acabou aprendendo a letra dela de tanto que escutara seu pai cantar quando ainda era apenas um garoto. Costumava dizer que aquilo era música de velho e como são as coisas... Agora, ele adorava aquela ‘’música de velho’’.

A música já chegava as suas últimas notas quando de repente, sem que Grissom esperasse acabou perdendo o controle do carro na pista escorregadia. O veículo derrapou e desgovernado acabou por sair da estrada e rolar barranco abaixo até chegar num rio que passava por ali e ser levado pela correnteza.

Notas finais
Confesso que do momento em que mencionei Unforgettable até o fim do capítulo, eu o escrevi ao som dessa maravilhosa música. Espero ter agradado com o capítulo. No próximo teremos enfim a Sara aparecendo e encontrando um Grissom desmemoriado. Um grande beijo e até lá meninas!