Catherine entrou no quarto do irmão e uma enorme tristeza lhe tomou a alma. Era a primeira vez que entrava ali após seu adorável irmão ter sido dado como morto. Ainda lhe custava a crer que isso tivesse acontecido. Ás vezes, ela podia sentir que Grissom estava vivo.

Mas sabia que era somente sua vontade enorme de quê aquilo fosse verdade, que lhe fazia sentir que seu irmão ainda estava vivo em algum canto por aí.

Ela foi até a enorme cama dele e sentando-se nela, a loira suspirou. O mundo parecia ter caído em seus ombros desde que seu irmão sumiu. Sentia-se sozinha apesar de não estar assim. Seu namorado, os funcionários da construtora e de sua casa, Louise e até mesmo Albert — que por conta do que houve prolongou mais sua estadia em Los Angeles — estavam sendo de uma atenção e carinho com ela que lhe fazia ver o quão querida era por aquelas pessoas. Mas mesmo cercada por essas pessoas, ela ainda sim, sentia-se sozinha, pois a pessoa mais importante pra ela e a mais querida também, não estava mais ali ao seu lado.

Seu irmão já fazia tanta falta ali. Mesmo com aquele seu jeitão sério, introspectivo e introvertido, ele fazia falta. Quando estavam em casa eles sempre estavam conversando ou apenas juntos fazendo um companhia ao outro. Eram irmãos muito unidos desde pequenos sempre foram assim, já que a diferença de idade entre eles não era tanta assim, apenas três anos e mesmo se fosse mais do que isso, certamente, eles seriam ainda tão unidos quanto eram.

E agora, que ele não estava mais ali, a loira sentia-se sozinha no mundo sem seu ranzinza e companheiro irmão.

Dando uma olhada a sua volta, ela constatou que o cômodo ainda estava exatamente do mesmo jeito que Grissom deixou há mais de uma semana, antes de sair dali para ir ao trabalho.

O quarto era grande e espaçoso. A decoração do cômodo era simples e em tons claros como Grissom queria que fosse. Numa das paredes havia uma prateleira enorme com: alguns livros — ele adorava ler — quatro porta retratos que trazia em cada um deles uma foto do empresário mais moço, outra dos pais, da noiva e uma dele com a irmã tirada no último Natal. E havia também expostas ali suas medalhas e troféus que ganhou na adolescência quando fazia natação na escola. Ele tinha tudo pra ser um nadador profissional com um futuro promissor, mas abandonou as piscinas por conta de um problema no ombro.

—Ai, Gil, que saudades de você, meu irmão!

—Catherine!

—Entra, Louise.

A governanta assim o fez tão logo a loira lhe consentiu isso.

—Imaginei que estivesse aqui.

Ela já havia procurado por Cath pela casa toda e ao questionar as empregadas sobre se a patroa tinha saído, e ouvir delas uma resposta negativa, a governanta deduziu que a loira estaria ali, já que o quarto de Grissom tinha sido o único lugar ao qual a velha mulher não havia ido.

—Pode parecer loucura, sabe? Mas, eu sinto como se ele ainda estivesse vivo, Lou.

—Eu confesso que às vezes sinto isso também.

—E se no fundo ele estiver, Louise?

—Eu daria tudo pra isso ser verdade, menina. Mas nós sabemos que não é possível, Catherine. Segundo os bombeiros, aquele rio no qual ele caiu é cheio de pedras e redemoinhos, dificilmente ele sobreviveria ali, ainda mais, depois de uma semana.

Bem que a governanta querida poder dizer o contrário disso, mas segundo tudo o que já foi dito, essa era a dura e cruel realidade. Grissom, certamente, não estaria mais vivo mesmo aquela altura.

—Você tem razão. É que minha ficha não quer cair, sabe?

—Sei bem como é. A minha também não quer cair.

—Gostaria que você não deixasse nenhuma das empregadas entrarem aqui. Por hora não tenho coragem de me desfazer das coisas dele e nem de desarrumar esse quarto. Então, quero conservar esse cômodo, exatamente, como o meu irmão deixou.

Seria duro demais embalar os pertences de seu irmão e depois, se desfazer deles. Ainda era tão recente a perda dele, que queria manter as coisas ali intactas como estão. Mais pra frente, quando a dor fosse menor do que era agora — se é que isso seria possível de acontecer algum dia — ela então guardaria tudo aquilo e esvaziaria aquelo quarto e o transformaria em qualquer outra coisa. Mas, por enquanto, aquele continuaria sendo o quarto de seu irmão.

—Tudo bem, querida!

Louise acho por bem não contestar e acatar aquela ordem de sua patroa, mesmo que não achasse isso saudável pra própria Catherine, pois alimentaria a dor da perda da loira.

—Amanda ligou ainda pouco querendo falar com você. — Informou a governanta. Foi por essa razão que ela buscou Catherine pelos cômodos da casa. Mas, como não sabia do paradeiro da loira, Louise acabou dizendo pra Amanda que Cath não estava. E avisou que assim que ela chegasse daria-lhe o recado de retornar a chamada que a jornalista havia lhe feito.

—Ela disse o que queria?

—Não. Somente que queria falar com você mesmo.

—Coitada! Ela tá sofrendo tanto quanto eu pela perda do Gil.

—Ela o amava demais. Era nítido isso.

—Vai ser difícil pra ela superar essa perda, assim como tá sendo pra mim.

—Mas vocês duas são mulheres fortes e vão superar com o passar do tempo. Tenho certeza que onde quer que o Gil esteja, ele não vai querer vocês chorando e sofrendo eternamente por ele.

—Eu sei disso. Mas não é fácil seguir em frente depois de mais uma perda, Lou. Primeiro foi minha mãe, depois meu pai e recentemente, o Gil. Agora sou somente eu e eu a frente dos negócios, da casa, de tudo. Não sei se darei conta sem o Gil do meu lado.

—Você tem o Warrick pra te ajudar nos negócios e quanto aqui na casa, pode contar sempre comigo que estarei aqui pra tudo que precisar, querida. — A governanta se acomodou ao lado de Catherine e segurou numa das mãos da loira. _Prometi a sua mãe antes dela morrer, que cuidaria de você e seu irmão até os últimos dias da minha vida. Infelizmente, Gil partiu antes de mim, mas eu vou continuar aqui cuidando de você até quando Deus me permitir, ouviu?

A loira assentiu com lágrimas nos olhos e depois abraçou a governanta, que acabou por virar sua segunda mãe já que praticamente lhe criou, pois quando a mãe de Catherine morreu a loira tinha apenas oito anos.

—Agora só tenho você e o Rick, Lou.

Notas finais
Bom preciso avisar à vocês que esse será o último capítulo no qual veremos Catherine "aparecer". A loira assim como Amanda e demais pessoas que fazem parte do círculo familiar de Grissom agora só tornaram a surgir quando o empresário recuperar a memória e voltar pra casa. E quando ele voltar tanto vocês quanto o próprio Grissom se surpreenderão com algumas coisas que terão acontecido em Los Angeles na ausência dele. Um grande beijo.